Oposição Síria

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A bandeira adotada pela oposição síria durante a recente guerra civil. Esta bandeira pertencia a era republicana do país, antes do golpe de 1963 que colocou os baathistas no poder.
Um insurgente lutando nas ruas de Alepo.
Áreas na Síria controladas por forças ligadas ao Exército Livre Sírio, o principal grupo armado não jihadista dentro da oposição. Nos últimos anos, os fundamentalistas tem ganhado cada vez mais proeminência e poder dentro da guerra civil síria.

A Oposição Síria (em árabe: المعارضة السورية, Al-Mu'aradah Al-Suriyah) é o termo genérico dado aos grupos e indivíduos que buscam de alguma forma mudar o regime baathista da Síria. O termo "oposição" (em árabe "mu'araDah") é usado normalmente para descrever os atores políticos tradicionais, ou seja, a pessoa com um histórico de dissidência, não o utilizando assim para nomear todos aqueles que lutam contra o regime da família Assad no território sírio. No começo de 2011, a oposição, que até então ou era silenciada ou representada por pequenos grupos autorizados pelo regime, organizou-se em comitês regionais pelo país. A maior parte da oposição tem origem nativa e vem de áreas rurais sunitas de classe baixa.[1] Porém seu nascimento pode ser traçado as classes médias trabalhadoras, aos jovens e a grupos étnicos com pouca participação política permitida pelo Estado.[2]

Os grupos de oposição começaram a sua auto-proclamada revolução em março de 2011, quando tomaram as ruas dos principais centros urbanos para protestar por mais democracia e pelo fim do regime de Bashar al-Assad. Os primeiros movimentos contra o governo teriam caráter pacífico e buscavam uma transição moderada de poder. Contudo, com a repressão, soldados desertores e civis armados iniciaram uma insurreição armada contra o regime. A partir de julho do mesmo ano, combates violentos já eram reportados em várias cidades pela Síria, dando início a uma "guerra civil" propriamente dita. O principal grupo armado no começo do conflito a se opor ao governo central foi o "Exército Livre da Síria", encabeçado por ex oficiais do regime que mudaram de lado.[3]

Na deflagração da Guerra Civil Síria, diversos grupos e facções rebeldes da oposição se uniram para formar o Conselho Nacional Sírio (CNS),[4] que recebeu vasto apoio internacional, na forma de dinheiro e armas. Nações islâmicas e ocidentais abertamente começaram a apoiar politicamente as organizações que lutavam contra o regime Assad.[5][6][7][8] Um novo grupo, dessa vez mais amplo, foi formado logo depois: a Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias. Estas organizações foram criadas para tentar legitimar e trazer uma voz única a todo o movimento antiAssad.[9] A oposição síria se inspirava em outros movimentos que buscavam mudanças políticas na região, no contexto da Primavera Árabe.

Com o decorrer dos anos, a oposição, contudo, começou a se descentralizar. A constante guerra de atrito contra o regime e disputas internas por poder dentro da própria oposição fez com que estes enfraquecessem sua posição. Se aproveitando disso, organizações extremistas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), outrora amigos dos rebeldes, passaram a combater tanto o governo quanto a oposição, com seu objetivo maior de conquistar o poder hegemônico na região. O conflito na Síria passou então de uma simples luta por poder para uma guerra de cunho sectário e religioso, ceifando a vida de mais de 400 mil pessoas.[10]

Em setembro de 2013, segundo um estudo feito pela Jane's Information Group, foi estimado que havia cerca de 100 mil pessoas em armas lutando contra o regime Assad, fragmentados em cerca de mil grupos. Destes, cerca de 10 000 seriam extremistas ligados a movimentos radicais como a al-Qaeda. No decorrer dos anos, suas fileiras teriam sido engrossadas por pelo menos 16 000 guerrilheiros estrangeiros.[11] Também foi estimado que, entre 30 000 e 35 000 dos militantes que lutavam pela oposição seriam fundamentalistas não ligados às facções mais extremistas, focando exclusivamente na Síria (sem um propósito regional como o EIIL), e não em um projeto pan-islâmico mais amplo. Outros 30 000 seriam qualificados como militantes islâmicos moderados e apenas uma minoria dos rebeldes teria uma agenda secular.[12]

Grupos oficiais da oposição síria[editar | editar código-fonte]

Grupo Líder Sede Posição
Conselho Nacional Sírio (SNC) George Sabra Instambul, Turquia Pró-Turquia
Alto Comité de Negociações (HNC) Riyad Farid Hijab Riade, Arábia Saudita Pró-Arábia Saudita
Comitê Nacional de Coordenação (NCC) Hassan Abdel Azim Moscovo, Rússia Pró-Rússia

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. BEN HUBBARD; ERIC SCHMITT e MARK MAZZETTI (11 de setembro de 2014). «U.S. Pins Hope on Syrian Rebels With Loyalties All Over the Map». The New York Times (em inglês). The New York Times 
  2. «"SYRIA: The struggle continues: Syria's grass-roots civil opposition"»  Página acessada em 2 de novembro de 2014.
  3. «"Defecting troops form 'Free Syrian Army', target Assad security forces"»  Página acessada em 2 de novembro de 2014.
  4. «The main components of the Syrian opposition». London: BBC Arabic. 24 de fevereiro de 2012. Consultado em 1 de setembro de 2013. 
  5. thejournal.ie. «EU ministers recognise Syrian National Council as legitimate representatives». Consultado em 29 de fevereiro de 2012. 
  6. Andrew Rettman. «France recognises Syrian council, proposes military intervention». EUObserwer. Consultado em 24 de novembro de 2011. 
  7. «Clinton to Syrian opposition: Ousting al-Assad is only first step in transition». CNN. 6 de dezembro de 2011 
  8. «UK Recognizes Syrian Opposition». International Business Times. 24 de fevereiro de 2012 
  9. «Syria's newly-formed opposition coalition draws mixed reaction». Xinhua. 13 de novembro de 2012. Consultado em 25 de janeiro de 2013. 
  10. «"Syria explained: How it became a religious war"»  Página acessada em 2 de novembro de 2014.
  11. CHRIS FRANCESCANI; ROBERT WINDREM (29 de outubro de 2014). «Foreign Fighters Pouring Into Syria Faster Than Ever, Say Officials». NBC (em inglês). National Broadcasting Company. Consultado em 30 de outubro de 2014. 
  12. IHS Jane's. «Syria: nearly half rebel fighters are jihadists or hardline Islamists, says IHS Jane's report» (em inglês). The Daily Telegraph. Consultado em 2 de novembro de 2014.