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Opus sectile

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Tigre predando um bezerro, opus sectile romano da Basílica de Júnio Basso e hoje nos Museus Capitolinos

Opus sectile (obra cortada, em latim) ou intársia de pedra, é uma técnica de arte e decoração onde peças de pedras coloridas são arranjadas em painéis compondo uma imagem. A técnica é similar à do mosaico, mas ao contrário deste, que usa peças pequenas e regulares, o opus sectile emprega peças maiores de formas variadas. É encontrado desde o Egito antigo, mas foi popularizado na Roma antiga, e permanecem muitos exemplos que fazem uso de mármores, nácar e vidro.[1][2][3]

Obras em opus sectile são encontradas em toda a área de influência da antiga Roma, e era um dos distintivos da classe superior, por seu custo e dificuldade de produção. Na Turquia foi adotada pelos bizantinos e se tornou comum por volta do século VI, especialmente na decoração de pisos de igrejas, quase desaparecendo na própria Roma. Também penetrou na Grécia, de onde voltou à Itália e foi retomada, dando origem a produções desde o gótico até o neoclassicismo, das quais o piso da Catedral de Siena é um dos mais importantes exemplos, fazendo uso de grandes placas de mármore e outras pedras raras em desenhos de alta complexidade.[1][2][3]

Por seu rico efeito plástico e pela possibilidade de serem criados intrincados padrões geométricos atraiu também a atenção da cultura islâmica, que usou uma variedade da técnica em edifícios importantes como o Taj Mahal e a Tumba de Itmad-Ud-Daulah, em Agra. No século XX a prática começou a declinar em função de novas estéticas modernistas, mas permanece viva principalmente em ateliers de restauro, e alguns decoradores contemporâneos têm demonstrado novo interesse por ela.[1][2][3]

Os termos de pietra dura, opus sectile ou intársia são usados algumas vezes para designar técnicas ligeiramente distintas, com relação ao tamanho das peças, à qualidade do acabamento, ao tamanho da obra, ao meio de fixação ou à visibilidade das junturas, mas são classificações que não encontram consenso, e podem ser intercambiáveis. Especificamente pietre dure é mais usado para designar obras geralmente portáteis com um acabamento de tamanha perfeição que a união entre as peças fica quase invisível. Esta modalidade do opus sectile era altamente valorizada pelos florentinos da Renascença, que a consideravam uma espécie de pintura em pedra, e era mesmo empregada para cópias de pinturas tradicionais. Diz-se que Ghirlandaio cunhou a expressão "pintura para a eternidade" referindo-se ao trabalho de pietre dure.[1][2][3]

Ver também

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Referências

  1. a b c d Avraham, A.: 'Addressing the Issue of Temple Mount Pavements During the Herodian Period'. New Studies on Jerusalem, Vol 13, Ramat-Gan, Israel. 2007.
  2. a b c d De Fazio, A & Schöps, A.: Un lacerto in 'opus sectile' dalla 'domus' di via D'Azeglio a Ravenna: proposte di restauro e conservazione. Ravenna: Longo, 1995.
  3. a b c d Mosaici antichi in Italia: Sectilia pavimenta di Villa Adriana. Rome: Istituto poligrafico e Zecca dello Stato, Libreria dello Stato, 1989.
  • Becatti, G. Edificio con opus sectile fuori Porta Marina. Roma: Istituto Poligrafico dello Stato, 1969.
  • The Stations of the Cross according to St. Alphonsus; reproduced from the original "opus sectile" panels in the Church of St Mary's, Lowe House, St Helens, Lancs. London: Burns Oates, 1934.
  • Ibrahim, L., Scranton, R. & Brill, R. Kenchreai, Eastern port of Corinth ... 2, The panels of opus sectile in glass. Leiden: Brill, 1976.
  • James, Liz. «Opus sectile». Grove Art Online. Oxford University Press 
  • Snyder, F. & Avraham. A.: "The Opus Sectile Floor in Caldarium of the Palatial Fortress at Cypros". In: Hasmonean and Herodian Palaces at Jericho, Volume V. The Hebrew University of Jerusalem, pp 175–202. 2013.