Oração subordinada substantiva

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Orações subordinadas substantivas são orações subordinadas que detêm valor substantivo. Podem ser divididas em seis subtipos, de acordo com sua função sintática.

Características[editar | editar código-fonte]

Orações desse tipo aparecem apenas em períodos compostos, visto que possuem dependência semântica. Orações, para a gramática, são enunciados em que há verbo.[1] Em períodos compostos, existe mais de uma oração, dado que há mais de um verbo.[2] Em períodos compostos por subordinação, uma oração, a subordinada (O.S.), depende sintático-semanticamente de outra, isto é, deve estar junto a outra oração, a principal (O.P.), para possuir sentido completo e tornar o período adequado à gramática.[3] Se a oração for subordinada substantiva, haverá tal dependência e ela possuirá valor substantivo.[4][5][6][7][8] Ao contrário das orações subordinadas adjetivas e orações subordinadas adverbiais, não possuem uma única função sintática, de maneira que a função exercida é o principal fator levado em conta ao classificá-las.

A oração principal não começa com conectivo. Já a oração subordinada substantiva, contanto que esteja em sua forma desenvolvida, inicia-se com conjunção integrante, a qual pode ser antecedida por preposição. São orações integrantes os vocábulos "que" e "se".[4][6][8]

Exemplo 1: João não sabe se passou no vestibular.

Exemplo 2: O problema é que inexiste respeito neste recinto.

Exemplo 3: Acredito que jamais voltarei.

A fim de facilitar a identificação de O.S. substantivas, pode-se substituir a conjunção por "isto:" e verificar se ocorre prejuízo semântico. Se não acontecer mudança de sentido, trata-se de uma O. S. substantiva. Se a oração for O. S. Subs. apositiva, é impossível fazer a substituição. No caso de O. S. Subs. predicativa, em vez de "isto:", utilizar-se-á "este:" ou "esta:", de acordo com o gênero do substantivo que antecede o verbo de ligação. Podem também haver alterações de acordo com a regência verbal.

Exemplo 1: João não sabe se passou no vestibular = João não sabe disto: passou no vestibular.

Exemplo 2: O problema é que inexiste respeito neste recinto = o problema é este: inexiste respeito neste recinto.

Exemplo 3: Acredito que jamais voltarei = acredito nisto: jamais voltarei.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O fator decisivo na classificação de O. S. substantivas é a função sintática exercida por elas.

Oração subordinada substantiva subjetiva[editar | editar código-fonte]

Este é o único caso em que não há sujeito na oração principal. Assim, a função sintática da oração subordinada substantiva será a de sujeito.[4][5][6][7][8]

Exemplo 1: É preciso que você saiba viver.

Exemplo 2: Convém que Maria case.

Exemplo 3: É claro que seremos selecionados.

Pode ser representada por três diferentes casos:

Verbo de ligação + predicativo + QUE = é preciso..., é importante..., é fundamental..., é necessário..., é conveniente..., é bom..., é melhor..., está comprovado..., está claro..., parece certo..., fica evidente...

Verbo na voz passiva sintética ou analítica + QUE / SE = sabe-se..., comenta-se..., estima-se..., verifica-se..., observa-se..., dir-se-ia..., foi anunciado..., foi dito...

Verbo unipessoal + QUE = convir, parecer, constar, acontecer, cumprir, importar, urgir, ocorrer, suceder

Oração subordinada substantiva objetiva direta[editar | editar código-fonte]

Exerce o papel de objeto direto em relação à oração principal, a qual possui um verbo transitivo direto, ou seja, com sentido incompleto, de modo que a O.P. abre margens a perguntas como "o quê?" ou "quem?", que são "respondidas" pela O.S.[4][5][6][7][8]

Exemplo 1: Espero que vocês tenham êxito.

Exemplo 2: Apenas temo que não haja soluções.

Exemplo 3: Estudo o que me interessa.

Oração subordinada substantiva objetiva indireta[editar | editar código-fonte]

Exerce o papel de objeto indireto em relação à oração principal, a qual possui um verbo transitivo indireto, ou seja, com sentido incompleto, de modo que a O.P. abre margens a perguntas como "de quê?" ou "de quem?", que são "respondidas" pela O.S.[4][5][6][7][8]

Exemplo 1: Gosto de que nos respeitem.

Exemplo 2: Necessito de que se calem.

Exemplo 3: Preciso de que me ajudem.

Oração subordinada substantiva completiva nominal[editar | editar código-fonte]

Desempenha o papel de complemento nominal em relação à oração principal, na qual há um nome transitivo (substantivo, adjetivo ou advérbio), isto é, com sentido incompleto, de maneira que a O.P. abre margens a indagações como "de que?" ou "de quem?", que são respondidas pela O.S.[4][5][6][7][8]

Exemplo 1: Tenho certeza de que haverá comida.

Exemplo 2: Estou esperançoso de que você volte.

Exemplo 3: Torço favoravelmente a que seja bem-sucedido.

Oração subordinada substantiva apositiva[editar | editar código-fonte]

Assume a função de aposto em relação à O.P., isto é, explica um termo da oração principal. Ocorre sempre após dois-pontos, e eventualmente, entre vírgulas ou travessões.[4][5][6][7][8] Podem aparecer justapostas, isto é, sem a conjunção integrante. A conjunção que as inicia é considerada expletiva.

Exemplo 1: Desejo sinceramente isto: (que) vocês sejam felizes.

Exemplo 2: Todos temos um anseio: (que) passemos no vestibular.

Exemplo 3: Não esperava isto: (que) houvesse falta de decoro parlamentar na Câmara dos Deputados.

Oração subordinada substantiva predicativa[editar | editar código-fonte]

Funciona como predicativo do sujeito. Ocorre quando há sujeito e verbo de ligação na oração principal.

Exemplo 1: A verdade é que eles serão reprovados.

Exemplo 2: Nossa chance é que permaneçamos unidos.

Exemplo 3: A certeza é que tal fatalidade não ocorrerá mais.

Oração subordinada substantiva agente da passiva[editar | editar código-fonte]

Esta classificação não é reconhecida pela NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira), mas alguns gramáticos defendem sua existência.

É sempre justaposta e formada pela preposição 'por' ou 'de' + pronome indefinido

Exemplo 1: A aula foi ministrada por quem a preparou.

Exemplo 2: O político estava rodeado de quem admirava sua honestidade.


Em síntese:

Subjetiva: verbo de ligação + predicativo + QUE / SE; verbo na voz passiva sintética ou analítica + QUE / SE; verbo unipessoal + QUE / SE

Objetiva direta: verbo transitivo direto + QUE / SE

Objetiva indireta: verbo transitivo indireto + preposição + QUE / SE

Completiva nominal: nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) + preposição + QUE / SE

Predicativa: verbo de ligação + QUE / SE

Apositiva: dois-pontos, vírgula ou travessão + QUE / SE

Agente da passiva (não reconhecida oficialmente): POR / DE + pronome indefinido

Observação[editar | editar código-fonte]

Além das conjunções integrantes que (nas afirmações certas) e se (nas afirmações incertas), a oração subordinada substantiva pode vir justaposta, isto é, iniciada por pronomes ou advérbios interrogativos. Sobretudo, nas frases interrogativas indiretas.

Exemplo: Ninguém sabe...

onde fica o teatro.

como a máquina funciona.

quanto custa o remédio.

quando entra em vigor a nova lei.

qual é o assunto da palestra.

quem é o culpado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikilivros Livros e manuais no Wikilivros


Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Oração - Gramática». Gramática 
  2. «Período - Gramática». Gramática 
  3. «Orações Subordinadas». Toda Matéria 
  4. a b c d e f g «Orações Subordinadas Substantivas». Toda Matéria 
  5. a b c d e f «Orações subordinadas substantivas - Mundo Educação». Mundo Educação. Consultado em 20 de maio de 2018 
  6. a b c d e f g «Orações subordinadas substantivas - Português». InfoEscola 
  7. a b c d e f «Orações subordinadas substantivas - Norma Culta». Norma Culta 
  8. a b c d e f g Professor Noslen (12 de setembro de 2016), Orações Subordinadas Substantivas [Prof Noslen], consultado em 20 de maio de 2018