Orca (Fundão)

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 Portugal Orca  
—  Freguesia  —
Orca está localizado em: Portugal Continental
Orca
Localização de Orca em Portugal
Coordenadas 40° 03' 04" N 7° 21' 44" O
País  Portugal
Concelho FND1.png Fundão
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente Marco Paulo Sanches Marques (PPD/PSD)
Área
 - Total 54,98 km²
População (2011[1])
 - Total 650
    • Densidade 11,8 hab./km²
Orago São Francisco de Assis

Orca é uma freguesia portuguesa do concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, fazendo parte da diocese da Guarda e da antiga província portuguesa da Beira Baixa. Com 54,98 km² de área e 650 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 11,8 hab/km². Tem por orago São Francisco.

Localização no Concelho de Fundão

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Orca [2]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1 184 1 426 1 484 1 761 1 919 1 969 2 206 2 368 2 369 2 405 1 406 1 175 1 008 800 650

Evolução da  População  (1864 / 2011) Grupos Etários  (2001 e 2011) Grupos Etários  (2001 e 2011)

Brasão[editar | editar código-fonte]

O brasão da Orca é: escudo de verde, três cogumelos de ouro com base de prata, alinhados em faixa, entre orca arqueológica de prata, realçada de negro, em chefe e um feixe de três ramos de oliveira de ouro, frutados de negro, atado de prata, em campanha. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "ORCA - FUNDÃO".

Localização[editar | editar código-fonte]

A Orca dista cerca de 24 quilómetros da sede de concelho. Em área é a segunda maior freguesia do concelho. É das povoações mais distantes da cidade do Fundão, localizando-se a sul da área do concelho e fazendo fronteira com os municípios de Castelo Branco (a sul), Idanha-a-Nova (este) e Penamacor (nordeste). Para além do povoado principal, a freguesia é ainda constituída pelos lugares de Zebras (a sul) e Martianas (a norte). O primeiro também já foi sede de freguesia.

Designação[editar | editar código-fonte]

A designação Orca, atesta a importância do lugar desde os primeiros tempos de povoamento na Península Ibérica. De facto, orca é sinónimo para um dólmen bastante peculiar. Consiste num monumento megalítico formado por uma anta de câmara poligonal e um corredor envolvido por uma mamoa. Pensa-se que a designação tenha origem sueva e visigótica.

Embora até hoje não tenha sido descoberta esta construção, têm sido variados os vestígios arqueológicos encontrados junto à aldeia da Orca, bem como junto ao lugar de Zebras. São de destacar vários vestígios pré-históricos, nomeadamente sepulturas lavradas nos grandes blocos de granito comuns nesta área. Foram também assinalados alguns castros, bem como vestígios de um passado romano, árabe e medieval.

Refira-se ainda que para além da designação mais conhecida de Orcinus orca, um predador da família Delphinidae (ordem dos cetáceos), existem também outras referências: a) orc como designação utilizada em determinadas línguas celtas (como o celtíbero, goidélico ou gaulês) que designa cerdo ou um javali jovem; b) Orc ou Ork que foi popularizado recentemente no romance de Tolkien, O Senhor dos Anéis, e baseado no termo latim Orcus, um dos títulos de Plutão (o senhor do mundo dos mortos), e que aparece nas línguas germânicas e nos contos de fantasia medieval como uma criatura deformada e forte, que combate contra as forças "do bem".

História[editar | editar código-fonte]

Há evidências arqueológicas que habitantes do Mesolitico pecorreram esta região entre 8000/7000 AC. No entanto desconhecemos se essa presença era permanente ou meramente temporária.

De facto, embora vestígios megalíticos assinalem uma presença humana bastante antiga, a aldeia da Orca terá crescido mais recentemente à volta de um velho Castro lusitano, nos primeiros séculos da era cristã, mas vários séculos antes da formação de Portugal.

Vestígios romanos, visigodos e mouros atestam uma ocupação humana que, embora não tenha sido intensa, marcou de forma significativa o espaço físico envolvente, nomeadamente a disposição e parcelamento dos campos (quase sempre de grande fragilidade agrícola).

Estando na confluência de vários domínios pertencentes à Ordem dos Templários (Monsanto, Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova, Aldeia de Santa Margarida, Castelo Branco) pensa-se que o lugar terá funcionado como área tampão entre várias vigararias da Ordem do Templo. A essa função de equilíbrio não será estranha a presença, desde os tempos visigodos, de uma ermida que o culto popular consagrou a Nossa Senhora da Oliveira. Segundo alguns historiadores locais, esse culto terá consistido um dos principais suportes humanos à diocese de Egitânia, referenciada nas actas do Concílio de Lugo (569), tendo sido depois transladada para a cidade da Guarda, em 1199, a pedido do rei D. Sancho I.

Em 1 de Junho de 1510, D. Manuel I concedeu a Castelo Novo o seu terceiro foral, assinado em Santarém e que se insere no Livro de Forais Novos da Beira (fls. 29 e col. 1ª), que consta na Torre do Tombo. As terras localizadas na Orca eram parte integrante desse foral.

No século XVIII era Senhor do Lugar da Orca, o Senhor de Pancas e da Atalaia, D. Rodrigo da Costa e Noronha, também Morgado de St. Catarina em Alpedrinha.

O concelho de Castelo Novo era constituído pelas freguesias de Lardosa, Castelo Novo, Orca, Póvoa de Atalaia, Soalheira e Zebras. No ano 1801 tinha 2994 habitantes.

Em 1834 o concelho de Castelo Novo foi extinto e a Orca juntamente com as freguesias de Atalaia do Campo, Castelo Novo, Lardosa, Póvoa de Atalaia e Soalheira foi anexada ao Concelho de Alpedrinha.[3][4] Este concelho, que englobava ainda as freguesias de Alpedrinha e Vale de Prazeres, existiu até 1855.

Em 24 de Outubro de 1855, a Orca passou a ser parte integrante do concelho do Fundão.

Economia[editar | editar código-fonte]

A Orca tem como principais actividades a agricultura. Devido ao êxodo populacional em direcção aos grandes centros urbanos do país e estrangeiro (sobretudo França e Alemanha), a população tem diminuído significativamente, contribuindo para o abandono de muitas explorações agrícolas, geralmente de pequena dimensão.

Sinal da pobreza dos seus solos, os principais produtos são: o azeite e a batata. Devido à existência de várias pastagens, assiste-se a uma considerável criação de ovinos e caprinos. Para além da produção de queijo de qualidade superior, a localidade de Zebras tem-se revelado importante entreposto comercial deste produto lácteo na região.

Como actividades económicas importantes ainda encontramos a panificação, serralharia civil, construção civil, carpintaria entre outras.

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Festas e romarias[editar | editar código-fonte]

  • Páscoa
  • Pascoela (na segunda-feira seguinte à Páscoa)
  • Festa de Santo António
  • Festa de Nossa Senhora da Oliveira (Festa de Verão) (2º fim-de-semana de Agosto)
  • Festa da Senhora da Silva (Agosto)
  • Festa da Senhora da Cabeça (Agosto)
  • Natal e Missa do Galo
  • Passagem de Ano

Feiras[editar | editar código-fonte]

  • 4.º domingo de Março
  • 2.º domingo de Junho
  • Dia 8 de Setembro
  • 2.º domingo de Novembro

Lendas[editar | editar código-fonte]

  • Lenda da Senhora da Oliveira

Cultura e Etnografia[editar | editar código-fonte]

  • O adufe foi durante muitos anos um instrumento muito usado nas manifestações etnográficas nesta freguesia, quase sempre ligadas à agricultura e ao ciclo dos produtos cultivados no campo.
  • «O Milho da Nossa Terra» - esta canção tradicional da Beira Baixa, que o maestro Fernando Lopes-Graça harmonizou para coro a capella, com grande reconhecimento do público e da crítica mais erudita, foi recolhida por este musicólogo e compositor nesta localidade.
  • Em meados do século passado, esta freguesia tinha um grupo folclórico e uma banda filarmónica que não sobreviveram ao decréscimo populacional.
  • Terra natal (e de residência) de Alziro Galante, (Pai e Filho) dois dos mais populares acordeonistas portugueses e membros do agrupamento Trio Cova da Beira. O Alziro Pai falece em 2013!

Património[editar | editar código-fonte]

Orca[editar | editar código-fonte]

  • Capela de Nossa Senhora da Oliveira
  • Igreja Matriz (São Francisco)
  • Capela de Santo António
  • Casa Grande ou Casa da Orca
  • Monumento a Nossa Senhora de Fátima
  • Ponte (dita) romana (sobre a Ribeira do Taveira, afluente do Rio Ponsul)
  • Fontanários públicos (dos quais se destaca a Fonte do Gaguei, com parque de merendas)

Persiste ainda vestígios de uma barragem e calçada romana no leito da Ribeira dos Barreiros. Junto a esta ribeira, alguns estudiosos defendem a existência de um antigo povoado romano. Tendo sido descobertas algumas moedas desse tempo.

Subsistem suaves vestígios de uma pequena fortificação edificada sobre um Castro na zona do Penedo. Essa referência ecoa também na toponímia local: Rua e Travessa do Castelo e Beco do Reduto.

Dois quilómetros a Oeste do povoado, encontra-se a Quinta do Barbado, que foi parte de uma importante comendoria Templária dependente de Castelo Novo. Refira-se que esta quinta fica a meio caminho entre Idanha-a-Velha (antiga Egitânia) e Castelo Novo.

Existiu também uma pequena capela dedicada a São Sebastião na aldeia da Orca que foi convertida em escola primária e posteriormente em posto médico.

Zebras[editar | editar código-fonte]

  • Igreja das Zebras
  • Casa senhorial denominada por Solar dos Caldeira e Bourbon, já que a maior ampliação ocorreu em 1867 pelos anteriores proprietários, os Caldeira Giraldes de Bourbon, foi reconvertida em 2004 em empreendimento de Turismo Rural.

Tal como na sede de freguesia, também aqui subsistem vestígios de um velho Castro na zona alta da localidade e onde, posteriormente, foi construída a Igreja das Zebras.

Martianas[editar | editar código-fonte]

  • Igreja das Martianas

Existem também alguns vestígios pré-históricos (pequenos dólmens e sepulturas cavadas na pedra) espalhados por toda a freguesia.

Gastronomia Local[editar | editar código-fonte]

Associações Culturais e Desportivas[editar | editar código-fonte]

  • Associação Recreativa e Cultural da Orca (A.R.C.O.)
  • Associação de Caçadores da Freguesia de Orca
  • Associação Cultural de Zebras

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Para além do queijo de ovelha e do requeijão, produtos artesanais desta freguesia beirã, também se encontram:

  • Mantas de retalhos
  • Rendas e bordados regionais
  • Tecelagem de linho

Unidades hoteleiras/Restaurantes[editar | editar código-fonte]

  • Solar dos Caldeira e Bourbon

(Quinta de Turismo Rural com 7 quartos duplos; Largo da Igreja, Zebras)

  • Solar da Casa Grande

(Sociedade de Turismo Casa Grande de Orca, Lda; Largo da Igreja, Orca)

Notáveis[editar | editar código-fonte]

Contactos úteis[editar | editar código-fonte]

  • Casa do Povo:
  • Centro de Dia:
  • Centro de Saúde:
  • Igreja Matriz:
  • Junta de Freguesia:

Rua da Nossa Senhora da Oliveira 6230-512 Orca Telef.: 275 901 807 Fax: 275 901 871 E-mail: j.f.orca@mail.telepac.pt

Outras informações[editar | editar código-fonte]

  • Junta de Freguesia de Orca

- Presidente: Marco Paulo Sanches Marques - Secretário: João Alberto Rodrigues Carvalho - Tesoureiro: Rui Alexandre Gouveia Antunes

Referências

  1. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Centro". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 1 de Março de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013 
  2. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  3. «Paróquia de Orca». Arquivo Distrital de Castelo Branco. Consultado em 8 de Fevereiro de 2014 
  4. «Paróquia de Zebras». Arquivo Distrital de Castelo Branco. Consultado em 6 de Fevereiro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]