Orde Wingate

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Orde Wingate
Nascimento 26 de fevereiro de 1903
Naini Tal (Uttarakhand), Índia britânica
Morte 24 de março de 1944 (41 anos)
Próximo a Bishnupur (Manipur), Birmânia
Nacionalidade Britânico
Serviço militar
Lealdade Reino Unido Império Britânico
Serviço Exército Britânico
Tempo de serviço 1921–1944
Patente Major-general
Batalhas/Guerras Revolta árabe de 1936–1939
Condecorações Ordem de Serviços Distintos & Medal bar
Menção nos Despachos

Orde Charles Wingate (26 de fevereiro de 190324 de março de 1944) foi um general britânico, criador de forças de combate especiais durante a Guerra da Birmânia, na Segunda Guerra Mundial.

Wingate chegou ao Extremo Oriente em 27 de fevereiro de 1942, em pleno início da invasão japonesa do Sudeste Asiático. Promovido a coronel e enviado à Birmânia, foi incumbido de organizar uma unidade de guerrilha para a luta contra os invasores na selva birmanesa. Em princípio, estas unidades não surtiram o efeito desejado e ele transferido para a Índia.

De volta à Birmânia pouco tempo depois, o General Archibald Wavell, comandante de todas as forças aliadas no Sudeste Asiático, lhe deu o comando de três brigadas mistas, de britânicos e indianos, a qual ele treinou e preparou como uma unidade de guerrilha de penetração de longo alcance na retaguarda das linhas inimigas, chamadas de chindits ( baseado no nome de de um mítico leão birmanês, Chinthe ). Wingate tentou endurecer e acostumar estes homens à luta em condições adversas da natureza, aclimatando-os às condições da selva, mantendo-os acampados nas florestas birmanesas durante a monção, a grande estação de chuvas que ocorre todo ano na região. O resultado foi um grande número de baixas devido a doenças, malária e pneumonia. Muitos deles tiveram que ser substituídos por integrantes de outras partes das forças armadas aliadas.

Além disso, sua maneira direta e abrupta de tratar com seus colegas oficiais e superiores, junto com hábitos pessoais excêntricos, não o tornaram muito popular entre o comando: ele comia cebolas cruas e ao invés de tomar banho se esfregava com uma esponja de borracha para tirar o suor e a sujeira da mata. Entretanto, suas conexões políticas na Grã-Bretanha e o apreço que Wavell tinha por ele o protegiam de retaliações.

Os chindits[editar | editar código-fonte]

A primeira operação comandanda por Wingate em 1943 estava programada para ser uma ação em conjunto com as tropas do exército regular britânico. Quando a contra-ofensiva aliada na Birmânia foi cancelada pela falta de recusos, Wingate implorou a Wavell que permitisse que suas tropas entrassem no país assim mesmo, recebendo seu consentimento.

Coluna de chindits atravessa rio no interior da Birmânia, 1943.

Os chindits – um misto de soldados britânicos e indianos com treinamento especial de comandos de selva – entraram na Birmânia em fevereiro de 1943, Inicialmente, a expedição teve sucesso, colocando fora de ação algumas ferrovias e canais de comunicação dos japoneses na retaguarda inimiga. Mas a medida que Wingate pentrava mais fundo na selva, cruzando o rio Irrawaddy, os japoneses conseguiram cercá-lo, cortar seu avanço e penetrar no meio de suas forças, separando-as. Diante da forte reação, eles foram obrigados a recuar, grupo a grupo, e voltar para o ponto de partida, o que foi feito em pequenos pelotões durante toda a primavera, muitas vezes lutando para abrir caminho até a Índia, com pequenos destacamentos conseguindo voltar apenas através da China.

O grupo teve muitas perdas em homens e o valor de sua missão muito questionado, que desafortunadamente para os Aliados, deu aos japoneses a certeza que os britânicos eram capazaes de penetrar em certas regiões da fronteira indo-birmanesa, ao contrário do que supunham, pois consideravam o adversário ainda batido e sem forças, o que os levou a preparar uma grande ofensiva contra a Índia.

De qualquer modo, a operação acabou, ainda assim, sendo considerada um sucesso perante a opinião pública e o governo em Londres, após uma longa série de desastres militares no sudeste asiático, mostrando que os britânicos e indianos poderiam lutar e vencer os japoneses na batalha nas selvas.

Em seu retorno, Wingate fez um relatório das operações em que ele novamente fazia críticas pesadas ao exército e e a seus métodos de combate e a alguns de seus próprios homens. O relatório andou por canais não usuais através de seus amigos na Inglaterra e chegou diretamente a Winston Churchill, que o convidou a ir a Londres. Imediatamente após sua chegada, o Primeiro-Ministro o integrou e à sua esposa na comitiva da delegação britânica à Conferência de Quebec, no Canadá, para a reunião de chefes de estado com os Presidentes Roosevelt e Chiang Kai-shek, onde ele explicou a Churchill e a diversos líderes militares suas idéias para as ações de penetração em linhas inimigas de seus comandos; com apoio aéreo e comunicação via rádio, algo novo em equipamento militar, isso permitiria a seus soldados estabelecerem bases em território inimigo, criando brechas nas defesas externas e aumentando o alcance das forças convencionais. Os líderes ficaram impressionados e missões de penetração profunda em larga escala foram aprovadas.

De volta à Índia, Wingate foi promovido provisoriamente a major-general e recebeu o comando de seis brigadas para planejar os próximos ataques. Porém, ao beber água contaminada durante a viagem ele contraiu febre tifóide, causando o retardamento do planejamento e dos treinamentos para a nova incursão de seus chindits.

A missão final[editar | editar código-fonte]

O caráter desta operação de 1944 foi bastante diverso das missões do ano anterior. Seus objetivos eram mais ambiociosos tanto na quantidade de recursos disponíveis quanto na distância a ser percorrida. Os chindits deveriam estabelecer bases fortificadas no interior da Birmânia, a partir das quais eles conduziriam as operações contra o inimigo, estratégia imitada anos depois pelos franceses em Dien Bien Phu.

Em 6 de março de 1944, os chindits começaram a entrar na Birmânia lançados de pára-quedas e transportados por planadores para estabelecer bases no território ocupado pelos japoneses. Por sorte do destino, a operação começou no mesmo momento em que os inimigos lançaram um ataque contra a Índia, o que deu aos soldados de Wingate a oportunidade de atacá-los na retaguarda e nos flancos de seu avanço com missões localizadas, causando uma ruptura na ofensiva e obrigando parte das tropas japonesas a se desviarem do ataque principal ao território indiano.

Em 24 de março, o general Wingate deixou a Índia e voou até a Birmânia para vistoriar as condições em três bases estabelecidas por seus soldados no meio da selva. Na viagem de volta, o avião que o transportava colidiu com uma montanha causando sua morte e dos outros nove tripulantes e passageiros.

Ver também[editar | editar código-fonte]