Ordem de São Basílio Magno

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Ordem de São Basílio Magno
(O.S.B.M.)
Fundação Meados do século V
Tipo Ordem religiosa de clausura monástica
Fundador São Basílio Magno
Sítio oficial osbm.org.br

Ordem de São Basílio Magno (em latim: Ordo Sancti Basilii Magni; em ucraniano: Чин свято́го Васи́лія Вели́кого), conhecida também como Ordem Basiliana de São Josafá é uma ordem religiosa monástica da Igreja Católica Grega presente em muitos países e cuja igreja mãe está em Roma, Itália. A ordem foi aprovada em 20 de agosto de 1631. Seus monges, irmãos e padres, trabalham primordialmente com católicos ucranianos e estão presentes também em outras igrejas católicas gregas na Europa Central e Oriental. Suas letras pós-nominais são OSBM ou ЧСВВ.

História[editar | editar código-fonte]

A ordem está calcada nas obras ascéticas de São Basílio Magno (329–379), de acordo com a Regra de São Basílio estabelecida por ele e posteriormente desenvolvida por São Teodoro Estudita (760–826), São Teodósio de Kiev (m. 1074), São Josafá Kuntsevych (1580–1623) e o metropolita de Kiev Josyf Veliamyn Rutsky (1574–1637).

O monasticismo começou a se desenvolver na Ucrânia na época de São Vladimir, o Grande (980–1015), quando os primeiros monges se assentaram nas cavernas perto de Kiev liderados pelos santos Antônio e Teodósio. Depois das invasões mongóis do século XIII, os monges fugiram para o ocidente até a Galícia-Volínia e o Grão-ducado da Lituânia, espalhando o monasticismo pela região. Depois disto, a Igreja Rutena de rito oriental (na atual Bielo-Rússia e Ucrânia) reafirmou sua comunhão com a Igreja Católica Romana na União de Brest em 1596. Os mosteiros que viviam sob as regras de São Basílio e São Teodoro Estudita, que passavam por um período de relaxamento e declínio, foram reformados por iniciativa de São Josafá Kuntsevych e Josyf Veliamyn Rutsky, iniciando com o Mosteiro da Santíssima Trindade de Vilnius. Depois desta reforma, em 1617, os mosteiros se uniram numa congregação liderada por um protoarquimandrita ligado diretamente ao metropolita, um caminho similar ao que foi seguido no monasticismo ocidental na Idade Média. Em 1739, uma segunda congregação foi formada pelos mosteiros em Halychyna e, em 1744, as duas se reuniram na Ordem Rutena de São Basílio, o Grande, pelo papa Bento XIV.

A nova ordem se espalhou e floresceu por toda a região da Bielo-Rússia e da Ucrânia e teve um importante papel na educação tanto do clero quanto dos leigos, ajudando a preservar as características únicas da cultura rutena na predominantemente polonesa e católica romana Comunidade Polaco-Lituana até as partilhas da Polônia no final do século XVIII. Em 1722, a ordem controlava mais de 200 mosteiros com mais de 1 000 monges, seis seminários, vinte escolas e universidades, além de quatro editoras.

Nos anos finais do século XVIII, a maior parte das terras rutenas passou para o controle do Império Russo, onde a ordem, juntamente com toda a Igreja Rutena, foi perseguida e seus mosteiros acabaram finalmente sendo tomados pela Igreja Ortodoxa Russa. Uma pequena parte da moderna Ucrânia passou para o controle do Império Austríaco, onde o destino da Igreja Rutena foi muito melhor. Porém, a ordem sofreu com as políticas do imperador José II, direcionada de forma ampla contra todas as ordens religiosas. Na segunda metade do século XIX, diversos esforços foram feitos para reavivar a ordem, que, em 1882, estava reduzida a apenas 60 monges em 14 mosteiros. Com permissão do papa Leão XIII, a Constituição Basiliana foi atualizada com a ajuda da Companhia de Jesus, começando com o Mosteiro de Dobromyl, alterando a ordem para um perfil mais missionário, permitindo, entre outras coisas, que os monges trabalhassem com a diáspora ucraniana no estrangeiro. Os basilianos chegaram ao Brasil (1897), Canadá (1902), EUA (1907) e Argentina (1934). Novas províncias foram criadas para cobrir as regiões da Transcarpátia, Hungria, a antiga Iugoslávia e a Romênia. Em 1939, o número de monges já havia subido para 650. Em 1944, a ordem fundou o Mosteiro de São Josafá em Lattingtown[1].

Depois da Segunda Guerra Mundial, os soviéticos penetraram profundamente pela Europa e forçaram a Igreja Católica Grega Ucraniana à clandestinidade. Em todos os territórios controlados pelos soviéticos, apenas um único mosteiro basiliano foi deixado aberto, na capital polonesa de Varsóvia. Ainda assim, a ordem sobreviveu entre a diáspora ucraniana no ocidente (e na Iugoslávia comunista, onde o regime era relativamente mais tolerante) e na própria Ucrânia, onde os monges pregavam e catequizavam em segredo.

Depois do colapso da União Soviética, a ordem foi re-estabelecida na Ucrânia independente e em outros países da Europa Central e Oriental, como Hungria, Romênia e Eslováquia. Alguns antigos mosteiros foram devolvidos, e alguns novos fundados. Em 2001 havia mais de 600 monges na ordem, 300 deles na Ucrânia.

Basilianos notáveis[editar | editar código-fonte]

Lista de Protoarquimandritas da Ordem de São Basílio Magno[editar | editar código-fonte]

Protoarquimandritas da Congregação da Santíssima Trindade (1617—1743)

  1. Josyf Veliamyn Rutsky (1617—1626), metropolita
  2. Rafael Nicolau Korsak (1626—1640), hieromonge, bispo, metropolita
  3. Anastácio Antônio Seliava (1642—1655), metropolita
  4. Benedito Terletskyj (1656—1661), superior provincial com direitos de protoarquimandrita
  5. Tiago Ivan Sucha (1661—1666), bispo
  6. Gabriel Iuri Kolenda (1667—1674), metropolita
  7. Pacômio Ohilevytch (1675—1679)
  8. Estefano Martychkevytch-Busyns'kyj (1679—1686)
  9. Josyf Pietkevytch (1686—1690)
  10. Simeão Orrurtsevytch (1690—1698)
  11. Joaquim Kuchelytch (1698—1703)
  12. Leo Lucas Kychka (1703—1713), bispo a partir de 1711
  13. Basílio Protsevytch (1713—1717)
  14. Maximiliano Vitryns'kyj (1717—1719)
  15. Antônio Zavads'kyj (1719—1723)
  16. Maximiliano Vitryns'kyj (1723—1724)
  17. Antônio Zavads'kyj (1724—1726)
  18. Cornélio Stolpovyts'kyj-Lebets'kyj (1726—1730)
  19. Antônio Tomylovytch-Lebets'kyj (1730—1736)
  20. Basílio Polatylo (1736—1743)

Protoarquimandrita da Congregação Nossa Senhora do Patrocínio

  1. Patrick Zhyravs'kyj (1739—1743)

Protoarquimandritas da Ordem (1743—1804)

  1. Policarpo Myhunevytch (1743—1747)
  2. Hípato Iuri Bilyns'kyj (1747—1751)
  3. Heráclito Lissans'kyj (1751—1759)
  4. Hípato Iuri Bilyns'kyj (1759—1771)
  5. Porfírio Skarbek-Vazhyns'kyj (1772—1780)
  6. Josyf Ivan Morhulets' (1780—1786)
  7. Yerotej Ivan Kortchyns'kyj (1786—1788), vigário geral
  8. Porfírio Skarbek-Vazhyns'kyj (1788—1790)
  9. Maximiliano Vil'tchyns'kyj (1790—1793), vigário geral com título de protoarquimandrita
  10. Atanásio Fal'kovs'kyj (1793—1802), vigário geral com título de protoarquimandrita
  11. Yust Husakovs'kyj (1802—1804)

Protoarquimandritas da Ordem Basiliana de São Josafá (desde 1931)

  1. Dionísio Demétrio Tkatchuk (1931—1944), arquimandrita
  2. Dionísio Demétrio Holovets'kyj (1944—1946), vigário geral
  3. Hlib Gregório Kinakh (1946—1949), vigário geral
  4. Teodósio Tito Halustchyns'kyj (1949—1952), arquimandrita
  5. Paulo Pedro Mys'kiv (1953—1963), protoarquimandrita
  6. Atanásio Gregório Velykyj (1963—1976)
  7. Isidoro Ivan Patrylo (1976—1996)
  8. Dionísio Paulo Lachovicz (1996—2004)
  9. Basílio Koubetch (2004—2012)
  10. Genésio Viomar (desde 10 de julho de 2012)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]