Orgulho branco

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Orgulho branco é um slogan que indica orgulho em ser branco. O slogan é usado principalmente por separatistas brancos, nacionalistas brancos, organizações neonazistas e supremacistas brancas. [1]

Defensores do orgulho branco afirmam que há um duplo padrão cultural em que são permitidos apenas determinados grupos étnicos de expressar abertamente o orgulho de sua herança, e que o orgulho branco não é inerentemente racista, sendo mais ou menos análogo a posições raciais como orgulho asiático, orgulho negro, ou formas não-raciais como o orgulho gay.[2][3]

Nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Membros da Aryan Guard protestam contra uma manifestação anti-racismo em Calgary em 21 de março de 2009.[4][5]

Carol M. Swain e Russell Nieli declaram que o movimento de orgulho branco (em inglês: white pride) é um fenômeno relativamente novo nos Estados Unidos, argumentando que, ao longo da década de 1990, "um novo movimento de orgulho branco, protesto branco, e de consciência branca desenvolveu-se nos Estados Unidos". Eles identificam três fatores contribuintes: um influxo de imigrantes durante os anos 1980 e 1990, o ressentimento em relação às políticas de ação afirmativa e o crescimento da Internet como uma ferramenta para a expressão e mobilização das reclamações. [6]

O slogan "White Pride, World Wide" aparece no logotipo do Stormfront, um site pertencente e operado por Don Black, que foi anteriormente um Grand Wizard da Ku Klux Klan. [7] Os Cavaleiros Brancos do Norte da Georgia da Ku Klux Klan descrevem-se como "um movimento patriótico branco de avivamento cristão dedicado a preservar a manutenção do orgulho branco e os direitos da raça branca". [8]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

As bandeiras do grupo são as seguintes: defesa da pureza racial, ataque ao multiculturalismo perverso e antinatural, retorno dos brancos à Europa para unificar a raça e defesa da superioridade dos países nórdicos. Os apologistas dessa ideologia não se relacionam com pessoas de outras raças, defendem o conceito biológico de raça, rechaçam a miscigenação racial, negam serem racistas, afirmam que existem brancos puros e mestiços de pele branca, não aceitam o rótulo de nazistas e sugerem que a África é subdesenvolvida devido à sua população negra.[9]

Embora o racismo e o preconceito sejam proibidos pela legislação brasileira, os apologistas do orgulho branco mantêm páginas no Facebook, que têm causado indignação entre os internautas, com diversas denúncias à rede social e às autoridades. Em uma dessas páginas, que possui mais de 2.800 curtidas, advoga uma luta contra a extinção da raça. Entretanto, Maurício Santoro, assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional no Brasil, assegura: “A própria ideia de que a humanidade se divide em raças definidas, e é possível identificá-las, é completamente absurda do ponto de vista biológico. Essa é uma concepção do século XIX que não se sustenta mais”. E o promotor de justiça do Ministério Público de Minas Gerais esclarece que “qualquer tipo de conduta que traga algum traço de discriminação racial pode ser considerado crime”.[10]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Um skinhead white power vestindo uma camisa que diz "branco e orgulhoso" em alemão.

O filósofo David Ingram argumenta que "afirmar orgulho negro" não é equivalente a "afirmar orgulho branco, uma vez que o anterior - ao contrário deste último - seria uma estratégia defensiva destinada a retificar um estereótipo negativo". [11] Por outro lado, então, "afirmações de orgulho branco - todavia mal disfarçadas como afirmações de orgulho étnico - servem para mascarar e perpetuar o privilégio branco". [11]

Os críticos argumentam que ideias tais como orgulho branco existem apenas para fornecer uma imagem pública limpa para a supremacia branca. Afirmam que o objetivo não declarado do movimento nacionalista branco é apelar para um público maior, e que a maioria dos grupos nacionalistas brancos promovem separatismo branco e violência racial. [12]

Referências

  1. Van McVey, Sarah (2008). Race, Gender, and the Contemporary White Supremacy Movement: The Intersection of "isms" and Organized Racist Groups. ProQuest 
  2. «Speech by National Rifle Association First Vice President Charlton Heston Delivered at the Free Congress Foundation's 20th Anniversary Gala». National Rifle Association Information. Violence Policy Center. 7 de dezembro de 1997 
  3. Moritz, Justin J. (August 3, 2005), «Feds Rule "White Pride" is "Offensive" and "Immoral"», American Renaissance  Verifique data em: |date= (ajuda).
  4. «Neo-Nazi group and anti-racism protesters clash in Calgary». The Star. Toronto. March 21, 2009  Verifique data em: |date= (ajuda)
  5. Violence erupts at 'White Power' march - Canoe
  6. *Swain, Carol M.; Nieli, Russell (2003), Contemporary Voices of White Nationalism in America, Cambridge: Cambridge University Press, p. 5, ISBN 0-521-01693-2 .
  7. Faulk 1997
  8. Hilliard & Keith 1999, p. 63
  9. Entrevista com defensores do orgulho branco. Yahoo, página acessada em 15 de novembro de 2013.
  10. Site prega orgulho de ser branco. O Tempo Brasil, página acessada em 15 de novembro de 2013.
  11. a b Ingram, David (2004), Rights, Democracy, and Fulfillment in the Era of Identity Politics: Principled Compromises in a Compromised World, Lanham, MD: Rowman & Littlefield, p. 55, ISBN 0-7425-3348-4 .
  12. Swain, Carol M. (2002), The New White Nationalism in America: Its Challenge to Integration, Cambridge: Cambridge University Press, p. 16, ISBN 0-521-80886-3  This may perhaps be the goal of the "white separatist" movement, but the term white pride must only be accepted to acknowledge the pride a white person is rarely allowed to feel based on their culture and upbringing because of the oppression now legally allowed by most minority groups.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dobratz, Betty A.; Shanks-Meile, Stephanie L. (2001), The White Separatist Movement in the United States: White Power, White Pride, Baltimore: Johns Hopkins University Press, ISBN 0-8018-6537-9 .
  • Faulk, Kent (October 19, 1997), «White Supremacist Spreads Views over the Internet», The Birmingham News  Verifique data em: |date= (ajuda).
  • Hilliard, Robert L.; Keith, Michael C. (1999), Waves of Rancor: Tuning in the Radical Right, Amonk, NY: M.E. Sharpe, ISBN 978-0-7656-0131-5 .
  • Ingram, David (2004), Rights, Democracy, and Fulfillment in the Era of Identity Politics: Principled Compromises in a Compromised World, Lanham, MD: Rowman & Littlefield, ISBN 0-7425-3348-4 .
  • Swain, Carol M.; Nieli, Russell (2003), Contemporary Voices of White Nationalism in America, Cambridge: Cambridge University Press, ISBN 0-521-01693-2 .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]