Oribásio

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Oribásio
Nacionalidade
Vexilloid of the Roman Empire.svg
Império Romano
Filho(s) Eustácio 4
Três crianças de nome desconhecido

Oribásio (em grego: Ὀρειβάσιος; em latim: Oribasius; ca. 320 - 403) foi um professor de medicina grego e o médico pessoal do imperador romano Juliano, o Apóstata (r. 361–363).

Vida[editar | editar código-fonte]

Soldo de Juliano

Segundo Eunápio, Oribásio era originário de Pérgamo, enquanto segundo Filostórgio e a Suda era originário de Sardes. Discípulo de Zenão de Chipre, notabilizou-se como doutor e professor de medicina, tendo sido autor de tratados médicos. Era amigo íntimo de Juliano e acompanhou-o à Gália quando ele assumiu a posição de césar, bem como esteve presente em seu leito de morte em julho de 363. Também escreveu uma memória da campanha persa de Juliano para seu amigo Eunápio.[1]

Segundo a Suda, Juliano teria o nomeado questor em Constantinopla, porém esta afirmação não é confirmada por nenhuma outra fonte. Ele foi exilado do Império Romano pelos sucessores de Juliano e sua propriedade foi confiscada, porém foi posteriormente reconvocado e sua propriedade lhe foi devolvida. Casou-se com uma dama rica e teve quatro filhos; um de seus filhos era Eustácio 4. Oribásio ainda estava vivo quando seu amigo Eunápio compôs sua Vida.[2]

Obras[editar | editar código-fonte]

Plinthios Brokhos

Os principais trabalhos de Oribásio, escritos a pedido de Juliano, são duas coleções de excertos de escritos de estudiosos médicos anteriores, uma coleção de excertos de Galeno e as Coleções Médicas (em grego: Ἰατρικαὶ Συναγωγαί; transl.: Iatrikai Synagogai; em latim: Collectiones medicae), uma compilação massiva de excertos de outros estudiosos de medicina da Antiguidade.[3][4] Toda sua obra está impressa no Corpus Medicorum Graecorum.[1]

O primeiro destes trabalhos está inteiramente perdido e apenas 25 dos 70 ou 72 livros das Coleções sobreviveu. Esse trabalho preserva alguns excertos de escritores mais antigos cujas obras também foram perdidas. A descrição mais antiga conhecida de uma cama de gato, apresentada como a eslinga cirúrgica Plinthios Brokhos pelo médico grego Héraclas, está entre o material preservado.[3][4]

Segundo a hagiografia Paixão de Artêmio, em 362, Oribásio, em nome de Juliano, visitou Delfos, agora desolada, e ofereceu os serviços imperiais para reparar o templo, mas a Pítia délfica deu-lhe uma profecia lamuriosa:

Εἴπατε τῷ βασιλεῖ, χαμαὶ πέσε δαίδαλος αὐλά,
οὐκέτι Φοῖβος ἔχει καλύβην, οὐ μάντιδα δάφνην,
οὐ παγὰν λαλέουσαν, ἀπέσβετο καὶ λάλον ὕδωρ.

Conte ao imperador, o esplêndido salão caiu no chão
Febo não mais tem sua casa, nem o loureiro profético
nem a fonte falante. A água falante também se foi
Paixão de Artêmio 96.1284.45–7; Jorge Cedreno 1.532.8–10

Referências

  1. a b Martindale 1971, p. 653.
  2. Martindale 1971, p. 653-654.
  3. a b Miller 1945, p. 461-462.
  4. a b Day 1967, p. 86–89, 124–126.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Day, Cyrus L. (1967). Quipus and Witches' Knots. Lawrence, Cansas: University of Kansas Press 
  • Martindale, J. R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1971). The prosopography of the later Roman Empire - Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Miller, Lawrence G. (1945). «The Earliest (?) Description of a String Figure». American Anthropologist, New Series. 47 (3): 461–462. doi:10.1525/aa.1945.47.3.02a00190