Origem da Umbanda

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Foto 1 – O Orixá guía de cada pessoa é identificado por um pai ou mãe de santo Recebe o nome de Umbanda um dos vários cultos religiosos sincréticos surgidos no Brasil entre os séculos XVI e XX, fruto do contato dos diferentes povos que contribuíram para a formação cultural e religiosa da população. A palavra umbanda deriva de m'banda, que em língua quimbundo (língua nacional de Angola) significa "sacerdote" ou "curandeiro".Combina vários cultos afro-brasileiros, tradições indígenas, do cristianismo católico e modernamente, conhecimento vindo de cultos esotéricos. Por ter nascido e se desenvolvido nas classes mais humildes da população brasileira, a condução e filosofia do culto muitas vezes ainda difere, havendo visões até mesmo conflitantes acerca de vários conceitos da religião entre seus praticantes.

Aparentemente, o culto umbandista, trajes, cantos e demais características assemelham-se bastante ao candomblé e outros cultos afro-brasileiros, mas a diferença fica evidente com uma observação mais detalhada, pois a umbanda adota figuras indígenas (os caboclos), negros urbanizados e inseridos na cultura europeia (pretos-velhos, pombas-gira e zé pelintra) e conceitos de reencarnação encontrados na doutrina espírita. A umbanda adotará ainda em seu panteão Exu, deus da mitologia iorubá (nagô), em meio a figuras do panteão bantu quimbundo, bem como a adoração à Santíssima Trindade católica. Tudo isto é estranho ao candomblé, que, a grosso modo, é a reconstituição de tradições quase que exclusivamente iorubás em terras brasileiras.

Muitas vezes demonizada e vista como culto maléfico, a umbanda deve ser entendida como uma religião, que busca preencher um conceito filosófico-religioso importante ainda nos dias de hoje, a atenção aos excluídos. Tal ideia de "inclusão religiosa" pode ser melhor entendida ao se analisar a origem da religião.

Apesar do desenvolvimento nas classes mais humildes, a umbanda tem um registro histórico de seu nascimento, e até uma hora determinada a ser considerada. A história da umbanda nas suas primeiras décadas se confunde com a de Zélio Fernandino de Moraes, natural de Niterói, capital do então estado do Rio de Janeiro. Zélio, acometido de estranha paralisia que desafiava os médicos, certo dia levantou-se do leito e declarou: "- Amanhã estarei curado." No dia seguinte, realmente, o jovem de 17 anos não aparentava qualquer sinal da doença que o assombrou.

Depois de muita discussão, um amigo da família convence todos a visitarem a Federação Espírita de Niterói e assistir uma sessão. Convidado a participar, Zélio logo é tomado de uma força sobrenatural, e diz: "-Aqui está faltando uma flor!". Em seguida, colhe uma flor do jardim do prédio e deposita-a à mesa.

Atordoados, os outros participantes da sessão começaram a incorporar espíritos que se intitulavam pretos escravos e índios (de acordo com a tradicional linha kardecista, somente espíritos "evoluídos", de doutores, intelectuais, pensadores, etc. deveriam ser incorporados; espíritos como os referidos eram considerados atrasados e deviam ser evitados).

Seguem-se diálogos entre as "entidades", acerca do que é realmente um espírito atrasado ou não. Por fim, o espírito que incorporara em Zélio se revela como o Caboclo da Sete Flechas, o senhor dos caminhos, que, desconcertado com o preconceito racial e cultural dos praticantes kardecistas, anuncia que irá criar uma nova religião onde os negros e índios considerados espíritos atrasados, poderão se manifestar e dividir com a humanidade seus conhecimentos.

Dito e feito, às 20h00 do dia 16 de novembro de 1908, manifestou-se o caboclo em Zélio, anunciando a criação da nova religião. Em nome de tal espírito, Zélio, com a ajuda de um pequeno grupo crente, passou a realizar curas e logo fundou o primeiro espaço dedicado ao culto, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade, registrada em cartório em 1908 e ainda funcionando.Recebe o nome de Umbanda um dos vários cultos religiosos sincréticos surgidos no Brasil entre os séculos XVI e XX, fruto do contato dos diferentes povos que contribuíram para a formação cultural e religiosa da população. A palavra umbanda deriva de m'banda, que em língua quimbundo (língua nacional de Angola) significa "sacerdote" ou "curandeiro". O culto irá combinar elementos da filosofia espírita kardecista, dos vários cultos afro-brasileiros, tradições indígenas, do cristianismo católico e modernamente, conhecimento vindo de cultos esotéricos. Por ter nascido e se desenvolvido nas classes mais humildes da população brasileira, a condução e filosofia do culto muitas vezes ainda difere, havendo visões até mesmo conflitantes acerca de vários conceitos da religião entre seus praticantes.

Aparentemente, o culto umbandista, trajes, cantos e demais características assemelham-se bastante ao candomblé e outros cultos afro-brasileiros, mas a diferença fica evidente com uma observação mais detalhada, pois a umbanda adota figuras indígenas (os caboclos), negros urbanizados e inseridos na cultura europeia (pretos-velhos, pombas-gira e zé pelintra) e conceitos de reencarnação encontrados na doutrina espírita. A umbanda adotará ainda em seu panteão Exu, deus da mitologia iorubá (nagô), em meio a figuras do panteão bantu quimbundo, bem como a adoração à Santíssima Trindade católica. Tudo isto é estranho ao candomblé, que, a grosso modo, é a reconstituição de tradições quase que exclusivamente iorubás em terras brasileiras.

Muitas vezes demonizada e vista como culto maléfico, a umbanda deve ser entendida como uma religião, que busca preencher um conceito filosófico-religioso importante ainda nos dias de hoje, a atenção aos excluídos. Tal ideia de "inclusão religiosa" pode ser melhor entendida ao se analisar a origem da religião.

Apesar do desenvolvimento nas classes mais humildes, a umbanda tem um registro histórico de seu nascimento, e até uma hora determinada a ser considerada. A história da umbanda nas suas primeiras décadas se confunde com a de Zélio Fernandino de Moraes, natural de Niterói, capital do então estado do Rio de Janeiro. Zélio, acometido de estranha paralisia que desafiava os médicos, certo dia levantou-se do leito e declarou: "- Amanhã estarei curado." No dia seguinte, realmente, o jovem de 17 anos não aparentava qualquer sinal da doença que o assombrou.

Depois de muita discussão, um amigo da família convence todos a visitarem a Federação Espírita de Niterói e assistir uma sessão. Convidado a participar, Zélio logo é tomado de uma força sobrenatural, e diz: "-Aqui está faltando uma flor!". Em seguida, colhe uma flor do jardim do prédio e deposita-a à mesa.

Atordoados, os outros participantes da sessão começaram a incorporar espíritos que se intitulavam pretos escravos e índios (de acordo com a tradicional linha kardecista, somente espíritos "evoluídos", de doutores, intelectuais, pensadores, etc. deveriam ser incorporados; espíritos como os referidos eram considerados atrasados e deviam ser evitados).

Seguem-se diálogos entre as "entidades", acerca do que é realmente um espírito atrasado ou não. Por fim, o espírito que incorporara em Zélio se revela como o Caboclo da Sete Flechas, o senhor dos caminhos, que, desconcertado com o preconceito racial e cultural dos praticantes kardecistas, anuncia que irá criar uma nova religião onde os negros e índios considerados espíritos atrasados, poderão se manifestar e dividir com a humanidade seus conhecimentos.

Dito e feito, às 20h00 do dia 16 de novembro de 1908, manifestou-se o caboclo em Zélio, anunciando a criação da nova religião. Em nome de tal espírito, Zélio, com a ajuda de um pequeno grupo crente, passou a realizar curas e logo fundou o primeiro espaço dedicado ao culto, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade, registrada em cartório em 1908 e ainda funcionando.

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Em meio as festas nas senzalas os negros escravos reverenciavam os orixás por intermédio do sincretismo com os Santos Católicos. Nessas festas eles incorporavam seus orixás, mas também começaram a incorporar os espíritos ditos ancestrais, como os pretos-velhos (reconhecidos como espíritos de ancestrais, sejam de antigos babalaôs, babalorixás, yalorixás e antigos "pais e mães de senzala": escravos mais velhos que sobreviveram à senzala e que, em vida, eram conselheiros e sabiam as antigas artes da religião da distante África), que iniciaram a ajuda espiritual e o alívio do sofrimento material daqueles que estavam no cativeiro.

Embora houvesse uma certa resistência por parte de alguns, pois consideravam os espíritos incorporados dos pretos-velhos, como eguns (espírito de pessoas que já morreram e não são cultuados no candomblé), também houve admiração e devoção.

Com os escravos foragidos, forros e libertados pelas leis do Ventre Livre, Sexagenário e posteriormente a Lei Áurea, começou-se a montagem das tendas, posteriormente terreiros.

Em alguns Candomblés também começaram a incorporar caboclos (índios das terras brasileiras como pajés e caciques) que foram elevados à categoria de ancestrais e passaram a ser louvados. O exemplo disso são os ditos Candomblé de Caboclo. Muito comuns no norte e nordeste do Brasil até hoje.

No início do século XX, com o surgimento da Umbanda, esta que muitas vezes era realizada nas praias começou a ser conhecida pelo termo macumba, pois macumba nada mais é que um determinado tipo de reco-reco usado durante as giras; por ser um instrumento musical, as pessoas referiam-se da seguinte forma: "Estão batendo a macumba na praia", ficando então conhecidas as giras como macumbas ou culto Omolokô. Com o passar do tempo, tudo que envolvia algo que não se enquadrava nos ensinamentos impostos pelo catolicismo, protestantismo, e outras religiões, era considerado macumba. Com isso, acabou por virar um termo pejorativo.

Zélio Fernandino de Moraes[editar | editar código-fonte]

Em 1908, aos 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes preparava-se para ingressar na Escola Naval, quando fatos estranhos começaram a acontecer na vida dele. Em alguns momentos Zélio era visto falando manso, com a postura de um velho, sotaque diferente. Em outros momentos parecia um felino lépido e desembaraçado, mostrando conhecer todos os mistérios na natureza.

Como esses "ataques" se tornaram frequentes, a família decidiu buscar ajuda. Primeiro com o médico da família, seu tio Epaminondas de Moraes, psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após dias de observação e não encontrando seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que que o encaminhasse a um padre, para que fosse feito um ritual de exorcismo. Foi chamado o padre, outro tio de Zélio e, após 3 exorcismos, não resolveram a situação e as manifestações prosseguiram.

Após algum tempo, Zélio foi tomado por uma paralisia parcial, a qual os médicos não conseguiam entender. Um dia, Zélio levanta-se do leito e diz: "amanhã estarei curado" e, no dia seguinte, voltou a andar como se nada houvesse acontecido.

Um amigo sugeriu encaminhá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida pelo chefe de um departamento da Marinha, o Sr. José de Souza. No dia 15 de novembro de 1908, na presença do Sr. José de Souza, em meio aos ataques reconhecidos como manifestações mediúnicas, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou o surgimento da Religião de Umbanda no plano material. No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na casa do médium Zélio Fernandino de Moraes, as 20h, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou, na presença de várias pessoas, inclusive membros da Federação Espirita de Niterói, e com as palavras abaixo iniciou seu culto:

"Vim para fundar a Umbanda no Brasil. Aqui, inicia-se um novo culto, em que os espíritos de pretos-velhos e os índios nativos de nossa terra poderão trabalhar em benefício do seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo, ou posição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, será a característica principal desse culto."

O surgimento da Umbanda se dá com a fundação do primeiro Templo de Umbanda, a Tenda Espirita Nossa Senhora da Piedade, onde surgiu, de fato, uma liturgia, um ritual e uma estrutura para que essa religião viesse a ser praticada. Tudo isso foi realizado com Zélio Fernandino de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. O que não significa que foi por meio de Zélio de Moraes que aconteceram as primeiras manifestações de espíritos como Caboclo, Preto-Velho, ou de outras entidades que manifestam-se na Umbanda. Isto acontece pois há muita confusão entre origem da Umbanda e a origem das manifestações dessas entidades, são coisas distintas.

Independente das manifestações espirituais de tais entidades, o termo Umbanda não existia no Brasil como sinônimo de religião. No Rio de Janeiro, no início do século 1900, eram populares os Candomblés (culto afro-brasileiro Nagô-Yorubá) e, com o tempo, se popularizaram as "macumbas" (culto afro-brasileiro Bantu) que recebiam esse nome por causa de um tambor chamado macumba. Não havia o ritual de Umbanda antes de 1908, antes de Zélio de Moraes.[1]

Visões sobre o vocábulo "Umbanda"[editar | editar código-fonte]

Referência Histórico-Literária

A mais antiga referência literária e denotativa ao termo Umbanda é de Heli Chaterlain, em Contos Populares de Angola, de 1889. Lá aparece a referência à palavra Umbanda, como: curador, magia que cura, sinônimo de Kimbanda.

Umbanda (a prática espiritual e curandeira). Preexistente à Religião de Umbanda, a palavra Umbanda, na língua quimbundo, falada em Angola, define a prática de um xamã ou sacerdote Kimbanda. A Umbanda que se pratica em Angola se difere da Religião de Umbanda, embora guarde algumas semelhanças. Basta considerar o fato de que a religião é reconhecida como algo brasileiro, resultante do encontro de três raças e muitas culturas, para, facilmente, diferenciá-las. A Umbanda que se pratica em Angola não constitui culto aberto e coletivo, antes se reserva a práticas mais particulares e restritas. Logo, uma mesma palavra passa a ter um novo significado.

Visão Esotérica sobre o vocábulo Umbanda

Segundo a corrente esotérica que existe na Umbanda, a origem do vocábulo Umbanda estaria na raiz sânscrita AUM que, na definição de Helena Petrovna Blavatsky, em seu Glossário Teosófico, significa a sílaba sagrada; a unidade de três letras; daí a trindade em um. É uma sílaba composta pelas letras A, U e M (das quais as duas primeiras combinam-se para formar a vogal composta O). É a sílaba mística, emblema da divindade, ou seja, a Trindade na Unidade (sendo que o A representa o nome de Vishnu; U, o nome de Shiva, e M, o de Brahmâ); é o mistério dos mistérios; o nome místico da divindade, a palavra mais sagrada de todas na Índia, a expressão laudatória ou glorificadora com que começam os Vedas e todos os livros sagrados ou místicos.

As outras palavras componentes se supõem, como: Bandha, de origem sânscrita, no mesmo glossário significa laço, ligadura, sujeição, escravidão. A vida nesta terra.

Autores dessa corrente esotérica, analisando as duas palavras, definiram Umbanda como sendo a junção dos termos Aum + Bandha, que seria o elo entre os planos divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandha foi sendo passada de boca a ouvido e chega até nós como Umbanda.

Formas variadas da Umbanda

A incorporação de guias também ocorreu em outras religiões como no Candomblé de Caboclos (desde de 1865 - as primeiras manifestações de Caboclos, Boiadeiros, Marinheiros, Crianças e Pretos-velhos aconteceram dentro do Candomblé de Caboclos), no Catimbó e em centros Espíritas (onde não eram aceitos e, muitas vezes, expulsos ou pedidos a se retirar, por serem vistos como espíritos não evoluídos, ou mesmo, como obsessores).

Hoje temos várias linhas doutrinárias com o nome "Umbanda" que guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.

Alguns exemplos dessas ramificações são:

  • Umbanda Branca e/ou de Mesa - Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos - Orixás -, nem o trabalho de exus e pombagiras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
  • Omolokô - Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;
  • Umbanda Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote alterna sessões de forma diferenciada;
  • Umbanda Esotérica - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: conjunto de leis divinas;
  • Umbanda Iniciática - É derivada da Umbanda Esotérica e fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito;

Referências[editar | editar código-fonte]

  • CUMINO, Alexandre. Umbanda não é macumba: é religião e tem fundamento. São Paulo, Madras, 2014.
    • Umbanda não é macumba: é religião e tem fundamento. [S.l.: s.n.] 2014. ISBN 978-85-370-0922-2  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)