Os Carbonos

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Os Carbonos
Os Carbonos em 1972
Informação geral
Também conhecido(a) como The Witchcraft
Os Quentes
Andróides
The Mackenzie Group
Carbono 14
The Magnetic Sounds
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Período em atividade década de 1960–presente[nota 1]
Integrantes Raul Carezzato
Beto Carezzato
Mário Carezzato
Ex-integrantes Ricardo Fernandes de Morais
Antônio Carlos de Abreu
Igor Edmundo

Os Carbonos é um grupo brasileiro formado no início da década de 1960, em São Paulo. Considerados pioneiros em covers de sucessos internacionais, acompanharam também diversos artistas de sucesso, como Roberto Carlos, Morris Albert, Terry Winter, Gilliard, Nelson Ned, Jessé, Zezé Di Camargo & Luciano, Paulo Sérgio e Gal Costa.[1][2] Já foi alegado que o conjunto teria gravado cerca de 50 mil canções,[3] número que superaria o recorde comprovado da cantora indiana Asha Bhosle.[1]

De meados da década de 1960 até o final da década de 1980, foram o grupo de estúdio mais atuante de São Paulo, trabalhando para diversos selos, tocando jingles para comerciais e lançando ainda cerca de 40 álbuns próprios, utilizando pseudônimos.[3] Os irmãos Carezzato (Raul, Beto e Mário) são sobrinhos dos Trigêmeos Vocalistas, trio vocal formado em 1937.[4][5][6] Em 2019, o grupo foi homenageado pelo programa Conversa com Bial, da Rede Globo, e tornou-se tema do quarto episódio da série História Secreta do Pop Brasileiro.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Formação e fase "Os Quentes"[editar | editar código-fonte]

Desde o início, o grupo sempre envolveu os irmãos Mário, Raul, Beto, sendo o primeiro nascido em 1941 e interessado em música clássica e os outros dois, gêmeos, cinco anos mais novos e mais voltados ao rock.[6]

Após se juntarem ao guitarrista "Ricardão" Fernandes de Morais e ao baixista/guitarrista Igor Edmundo, ambos amigos dos irmãos, gravaram um compacto sob o nome Os Quentes.[6] Em seguida, entrou na formação o baterista Antônio Carlos de Abreu.[6]

Um dia, a gravadora Beverly encomendou um disco de regravações de sucessos nacionais e internacionais do momento. Sem consultar o grupo, o selo os rebatizou como "Os Carbonos", e os membros só descobriram ao caminhar pelo centro de São Paulo e ver as propagandas do lançamento.[7]

Era "Os Carbonos"[editar | editar código-fonte]

O grupo seguiu gravando discos de covers de sucessos com seu novo nome. A popularidade chegou a um ponto em que eles faziam suas versões antes mesmo das originais serem comercializadas no Brasil; isso era feito por meio de produtores que subornavam as gravadoras para obterem os discos de acetato a partir dos quais as cópias eram criadas para futura comercialização.[8]

Na mesma época, a Beverly apostou em Marco Carezzato e o lançou como um cantor italiano de nome Mario Bruno, que regravava sucessos do país europeu.[8] Em 1970, iniciaram a série Supererótica, com músicas de cunho sexual. Os discos eram voltados para o público maior de 18 anos e foram lançados sob o nome Magnetic Sounds.[9]

Cansados da vida de turnês, decidiram focar apenas em trabalhos de estúdio como músicos contratados.[10]

Em 1978, gravaram um medley de canções dos Bee Gees para a trilha sonora da novela Dancin' Days, da Rede Globo. O medley, cantado pelas Harmony Cats, impressionou muitas pessoas na época pela fidelidade ao som original.[11]

Em 1980, gravaram e lançaram, pela Continental Records, um disco de covers da trilha sonora internacional da novela Água Viva, também da Globo. As versões eram tão fiéis às originais que o público sequer percebia a diferença, o que começou a prejudicar as vendas da trilha sonora oficial. A Som Livre, que pertencia à Globo e lançara a trilha da novela, ameaçou tirar os artistas da Continental dos programas da emissora caso a venda do disco de regravações não fosse suspensa, o que foi acatado pela concorrente.[12]

Trabalhos pós-Carbonos dos ex-integrantes[editar | editar código-fonte]

Dos três ex-integrantes d'Os Carbonos, dois morreram (Igor foi atropelado e Ricardão sofreu um AVC em meio a uma turnê com Amado Batista) e o restante, Antônio, foi trabalhar com o irmão, Silvio de Abreu.[13]

Integrantes[editar | editar código-fonte]

  • Mário Bruno Carezzato (São Paulo, 1942) - teclados
  • Umberto "Beto" Carezzato Sobrinho (São Paulo, 1946) - baixo
  • Raul Carezzato Sobrinho (São Paulo, 1946) - vocal

Ex-integrantes

  • Ricardo Fernandes de Morais (São Paulo, ?) - guitarra
  • Antônio Carlos de Abreu (São Paulo, 1946) - bateria
  • Igor Edmundo (Guatemala, ?) - baixo e guitarra

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discografia de Os Carbonos

Notas

  1. Apesar de ter sido formado no início da década de 1960 com o nome The Witchcraft, o grupo recebeu o nome Os Carbonos em 1966, devido a uma sugestão da gravadora Beverly.

Referências

  1. a b c Barcinski, André (7 de abril de 2020). «Merecia o Guinness? Banda brasileira pode ter gravado 50 mil músicas». Blog do Barcinski. UOL. Consultado em 14 de junho de 2020 
  2. «Os Carbonos - Dados Artísticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 22 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 23 de outubro de 2013 
  3. a b Barcinski 2014, p. 141.
  4. CAMPOS, pp. 221–226.
  5. FRÓES 2000, p. 232.
  6. a b c d Barcinski 2014, p. 142.
  7. Barcinski 2014, pp. 142-143.
  8. a b Barcinski 2014, p. 143.
  9. Barcinski 2014, pp. 143-144.
  10. Barcinski 2014, p. 144.
  11. Barcinski 2014, p. 140.
  12. Barcinski 2014, pp. 139-140.
  13. Barcinski 2014, p. 151.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]