Os Músicos de Bremen

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Os Músicos de Bremen, escultura de Gerhard Marcks (1953), em Bremen.

Os Músicos de Bremen (em alemão: Die Bremer Stadtmusikanten) é uma fabula recolhido da tradição popular, editado e publicado, pelos Irmãos Grimm, na famosa coletânea de contos que ficaria conhecida como Grimms Märchen (em português, Contos de Grimm), lançada em 1812 (volume 1) e 1815 (volume 2). Mas somente na segunda edição dos dois volumes, feita em 1819, é que "Os Músicos de Bremen" seria publicado pela primeira vez, passando a ser o 27º conto da coletânea.

Trata-se da história de quatro animais domésticos que, depois de uma vida inteira de trabalho, são maltratados por seus donos. Afinal, decidem fugir para a cidade de Bremen e lá se tornarem músicos. Contrariamente ao que o título do conto faz supor, os personagens nunca chegam a Bremen pois, durante o percurso, conseguem assustar e afugentar um bando de ladrões, apossando-se do produto dos seus roubos e instalando-se definitivamente na cabana antes ocupada pelos malfeitores.

História[editar | editar código-fonte]

A história se passa em um vilarejo onde vivem quatro animais domésticos: um burro, um cão, um gato e um galo. Já velhos e considerados inúteis para o trabalho, todos eram maltratados pelos seus donos e estavam mesmo a ponto de ser sacrificados. Decidem então abandonar seus amos e seguir para a cidade Bremen, com a intenção de conquistar a sua liberdade e se tornarem músicos profissionais.

No caminho para Bremen, anoitece e os animais avistam uma casa com as luzes acesas. Espreitam pela janela e, lá dentro, veem ladrões desfrutando do produto de seu roubo. Inocentemente, não percebem que se trata de ladrões e, apoiados nas costas uns dos outros, decidem cantar, na esperança de serem alimentados. A sua 'música' tem um efeito inesperado: os homens fogem, não sabendo a origem de tão estranho som. Os animais tomam posse da casa, comem uma boa refeição e dormem.

Durante a madrugada, os ladrões regressam, e um deles entra na casa para investigar o que se passa. Ao ver os olhos do gato brilhando no escuro, imagina que sejam brasas e inclina-se para acender sua vela. Numa rápida sucessão de acontecimentos, o gato arranha-lhe a cara, o burro dá-lhe um coice, o cão morde-lhe as pernas, e o galo afugenta-o porta fora, a bicadas e cacarejando. O homem, assustado, reúne-se com seus comparsas e conta-lhes que foi atacado por monstros: uma bruxa horrível, que o arranhou com as suas enormes unhas (o gato), um fantasma gigante, que lhe deu uma paulada (o burro), um ogro diabólico, que o esfaqueou e arranhou suas pernas (o cão) e, o pior de tudo, - um juiz lhe deu marteladas enquanto gritava "Prendam esse patife" (o galo).

Os ladrões abandonam a casa, aterrorizados. Acreditaram que seria impossível voltar à cabana e recuperar o dinheiro que haviam escondido lá, já que o local era agora ocupado por um exército de assombrações monstruosas e impiedosas. Decidiram que seria melhor partir e nunca mais voltar àquele lugar. E foi o que fizeram, naquela mesma noite, e nunca mais ninguém os viu.

O burro, o cachorro, o gato e o galo sentiram-se tão bem-instalados naquela cabana que decidiram ficar por lá mesmo, desistindo de seguir até Bremen. Logo encontram a fortuna que os ladrões haviam escondido num buraco da parede e assim puderam viver uma vida confortável por muitos e muitos anos. Envelheceram felizes, com dignidade e companheirismo entre eles.[1]

Simbologia[editar | editar código-fonte]

Os personagens representam as classes sociais da época: enquanto os proprietários dos animais simbolizam os senhores feudais, proprietários de terras, os animais representam os trabalhadores submetidos ao regime de servidão, que predominou na Alemanha até o século XVIII. A escolha da cidade de Bremen como lugar de conquista da liberdade, justifica-se: desde a Idade Média, Bremen, assim como 70 outras grandes cidades e mais de cem cidades menores, formavam a chamada Liga Hanseática, uma aliança de cidades mercantis alemãs que cresceram e prosperaram independentemente da economia feudal circundante; por isso, acabaram também por conquistar uma relativa autonomia política com respeito à autoridade feudal rural.[2] Lá não existia feudalismo, nem relação de vassalagem. [3]

Existe uma hipótese segundo a qual, na primeira versão da história, escrita pelo irmão mais novo, Wilhelm, os personagens eram quatro camponeses que se revoltavam contra seus senhores e o regime de servidão a que estavam submetidos (lembrando que esse regime persistiu, na Alemanha, até o final do século XVIII). Talvez por autocensura, o irmão mais velho, Jacob, decidiu transformar a história numa fábula, convertendo os camponeses em animais.

A cidade de Bremen - aonde, segundo a fábula, o grupo nunca chegou - recorda "Os Músicos de Bremen" com um monumento de bronze, erigido em 1953, diante da Câmara Municipal.

Outras mídias[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]