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Os Milagres do Anticristo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Antikrists Mirakler
Os Milagres do Anticristo [PT]
Autor(es)Selma Lagerlöf
PaísSuécia
GêneroRomance
Edição portuguesa
TraduçãoLiliete Martins
EditoraCavalo de Ferro
Lançamento2008

Antikrists Mirakler (em português "Os Milagres do Anticristo") é um romance da escritora sueca Selma Lagerlöf, primeira mulher laureada com o Prêmio Nobel de Literatura. Foi o segundo romance publicado pela escritora, após sua bem sucedida estreia com a "A Saga de Gösta Berling", embora não repetisse o sucesso deste, sendo um dos livros menos conhecidos da autora.

O “Anticristo” aqui surge aqui como um símbolo do socialismo, cuja relação com o cristianismo é o tema do romance. O título do romance refere-se a um afresco de Luca Signorelli na Catedral de Orvieto, ao qual o último capítulo do livro faz alusão.

Durante o Império Romano, quando o senado propõe que se edifique um templo em louvor ao então imperador Augustus, no alto do Capitólio a antiga sibila profetiza o nascimento de Jesus Cristo e anuncia: no Capitólio será adorado o restaurador do mundo, Cristo ou anticristo, mas nunca homens mortais.

Tempos depois, na basílica de Santa Maria em Aracoeli, erguido em memória à profecia da antiga Sibila, no Monte Capitolino, em Roma, uma imagem milagrosa do menino Jesus é venerada pelos monges que ali habitam. Naquela época, uma inglesa rica chega à cidade Roma e, cativada pelos supostos poderes místicos da imagem, intenta roubá-la para si. Disposta a levar o plano adiante e satisfazer o seu desejo, manda fazer uma cópia da escultura a fim de poder substituí-la pela original. Para distingui a cópia falsa da verdadeira, ela grava na coroa do santo os dizeres: "meu reino é somente deste mundo". Porém um milagre acontece: a imagem do menino Jesus roubada regressa sozinha até a basílica de Aracoeli e a cópia acaba sendo descartada de lá. Tendo seus planos frustrados, a inglesa parte da cidade, levando o exemplar falsificado consigo.

A réplica com a imagem, então, viaja através tempo, passando de mão em mão, transpondo países e atravessando os conturbados movimentos políticos que marcam o novo século.

Das barricadas da Revolução Francesa, a falsa escultura chega a cidade de Diamante, uma pequena localidade no sopé do monte Etna, onde é colocada no altar-mor da igreja de San Pasquale e adorada pela população devido milagres que parecem dela provir, até se descobrir a sua verdadeira identidade. [1]

A partir daí acompanha-se a história de amor entre Gaetano Alagona, um jovem escultor de santos, ex-frade e futuro revolucionário socialista, e donna Micaela, uma moça forte e decidida, capaz de mover céus e terra pelo bem do seu amado.

O romance se passa numa região pobre da Sicília durante final do século XIX.

Significado

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Em "Os Milagres do Anticristo", assim como em seu romance anterior "A Saga de Gösta Berling", Selma Lagerlöf se utiliza da técnica de montar um livro inteiro a partir de episódios individuais. Aqui, no entanto, os capítulos individuais estão muito mais intimamente ligados do que em A Saga de Gösta Berling.

"Os Milagres do Anticristo" é um romance de ideias: Selma Lagerlöf trata da relação entre o cristianismo e o socialismo. E embora ela própria não assuma uma posição clara, ela mostra simpatia pelas preocupações do socialismo. Todo o livro é permeado pelo contraste entre o céu e a terra, entre as visões celestiais e as terrenas, cristianismo-socialismo. Em última análise, Selma Lagerlöf reconcilia o cristianismo e o socialismo o que, na época, era uma ideia revolucionária.

Mais tarde, Selma Lagerlöf não ficou totalmente convencida de que era certo deixar a ideia em que o romance se baseava dominar toda a trama. Em seu romance seguinte, Jerusalém, ela se libertou de estar muito ligada a questões ideológicas.

Recepção

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Os primeiros exemplares de "Os Milagres do Anticristo", obtiveram vendagem superior em relação aos dois livros anteriores da autora, tendo também recebido elogios por parte da crítica especializada, embora esta se mostrasse cética quanto às manobras da autora para com a representação do Anticristo. [2]

Quanto à questão socialista contida no livro, Elin Wägner, escritora sueca e biógrafa de Lagerlöf escreve que é difícil obter uma posição da própria autora a respeito dos problemas que são abordados em sua sequência de histórias sobre Diamante. Porém, a autora já afirmara em outros contextos que a abolição da pobreza era para ela a maior das preocupações, ainda que desacreditasse que tal objetivo pudesse ser alcançado por meio de revoluções e da subsequente e estrita divisão da riqueza nacional. [3]

Referências

  1. «Os Milagres do Anticristo». Wook. Consultado em 16 de dezembro de 2024 
  2. Elin Wägner (1944). Selma Lagerlöf. [S.l.]: Albert Bonniers. ISBN 978-91-86523-08-4 
  3. Elin Wägner (1944). Selma Lagerlöf. [S.l.]: Albert Bonniers. ISBN 978-91-86523-08-4 

Ligações externas

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