Osanyin

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Ossaniyn
Assentamento sagrado de Ossaim
Ossain[1] . Ossanhe . Ossanha[2]
deus das folhas
instrumentos pilão e instrumento de sete pontas com uma no centro com um pássaro no alto[3]
Orixa Osanyin, no candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Orossi
Ferramenta de Osanyin

Osanyin, Ossaniyn, Ossain,[4], Ossanhe ou Ossanha,[5] conforme as religiões africanas, é o orixá das folhas sagradas, ervas medicinais e litúrgicas, identificado no jogo do merindilogun pelo odu iká e representado material e imaterialmente pela cultura jeje-nagô, através do assentamento sagrado denominado igba ossaim. Sua importância é primordial. Nenhuma cerimônia pode ser realizada sem sua interferência. O seu sacerdote é o Babá Olosayin.

Descrição[editar | editar código-fonte]

É o detentor do axé (força, poder, vitalidade), de que nem mesmo os Orixás podem privar-se. Esse axé encontra-se em folhas e ervas específicas. O nome dessas folhas e o seu emprego é a parte mais secreta do ritual do culto dos orixás, voduns e inquices.

O símbolo de Osanyin é uma haste de ferro de cuja extremidade superior partem sete pontas dirigidas para o alto. A do centro é encimada pela imagem de um pássaro.

Osanyin é o companheiro constante de Ifá. É representado por uma sineta de ferro forjado, terminada por uma haste pontuda enfiada em uma grande semente. A haste é fincada no chão, ao lado do osun (o asen dos fon) do babalawo. Por sua presença, Osanyin traz a influência das folhas para as operações da adivinhação.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Osanyin - escultura de Carybé em madeira, em exposição no Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, na Bahia, no Brasil

No Brasil, é conhecido com os seguintes nomes: Ossaniyn, Ossaim, Ossãe, Ossain (como se escreve habitualmente), ou (como é chamado na umbanda) Ossanha, que é o orixá das ervas. No candomblé Jeje, é chamado de Agué: é o Vodun da caça e das florestas e conhece os segredos das folhas. No candomblé bantu, é chamado de Katendê, Senhor das insabas (folhas).Ossaniyn, Oxumarê , Obaluayê e Yewa são filhos de Nanã com Oxalá.

Comanda as folhas medicinais e litúrgicas, chamadas de folha sagrada, que são utilizadas numa mistura especial chamada de abô. Muitas vezes, é representado com uma única perna. Cada orixá tem a sua folha, mas só Ossaim detém seus segredos. E sem as folhas e seus segredos não há axé, portanto sem ele nenhuma cerimônia é possível.

  • Ferramenta: sua ferramenta tem uma haste central com um pássaro na ponta, do meio dessa haste saem sete pontas, chamada de Opere ou Avivi .
  • Cores: Verde, branco, e todas as variações de verde dependendo da nação.
  • Fio-de-contas verde, branco, verde rajado de branco ou branco rajado de verde.
  • Animais: Bode e galo, entre outros.
  • Saudação: Ewê Assáo Eruéje
Itan de Osanyin

Osanyin recebera de Olodumare o segredo das folhas. Ossanyin sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidentes. Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam de Ossanyin para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.

Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar Osanyin a propriedade das folhas. Falou dos planos à sua esposa Iansã, explicou-lhe que, em certos dias, Osanyin pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias, disse-lhe Xangô. Iansã aceitou a missão com muito gosto.

O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.

Detalhe de Osanyin por Carybé.

Os orixás se apoderaram de todas. Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Osanyin permaneceu "senhor/senhora do segredo" de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação. E assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto, graças ao poder (axé) que possui sobre elas.

Arquétipo[editar | editar código-fonte]

É difícil encontrar um filho/filha de Ossaim. Seus filhos(as) são pessoas engraçadas, risonhas, alegres e obstinadas. Quando querem, vão e fazem. Podem se tornar violentos e perigosos se estão insatisfeitos ou raivosos. Sabem conquistar as pessoas e adoram aventuras amorosas. São pacientes quando amam e fazem de tudo para a relação durar. Trabalham demais para conseguir estabilidade e independência.

Referências

  1. CARYBÉ. Mural dos orixás. Salvador. Banco da Bahia Investimentos S/A. 1979. p. 38.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 236.
  3. CARYBÉ. Mural dos orixás. Salvador. Banco da Bahia Investimentos S/A. 1979. p. 38.
  4. CARYBÉ. Mural dos orixás. Salvador. Banco da Bahia Investimentos S/A. 1979. p. 38.
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 236.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]