Oswaldo de Camargo

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Oswaldo de Camargo
Nome completo Oswaldo de Camargo
Nascimento 24 de outubro de 1936 (86 anos)
Bragança Paulista, SP
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Martinha da Conceição
Pai: Cantiliano de Camargo
Cônjuge Florenice Nascimento de Camargo
Filho(a)(s) Sérgio Camargo, Marcos Munrimbau, Oswaldo de Camargo Filho (Wadico Camargo)
Ocupação poeta, escritor, crítico e historiador

Oswaldo de Camargo (Bragança Paulista, 24 de outubro de 1936) é um poeta, escritor, crítico e historiador da literatura brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Martinha da Conceição e Cantiliano de Camargo, trabalhadores da lavoura de café, viveu parte da infância no campo. Após a morte dos pais, foi recolhido com seus irmãos Roberto e Jandira ao Preventório Imaculada Conceição. Movido por uma inclinação religiosa, tentou o ingresso em vários seminários, sendo recusado por ser negro. Por fim, foi admitido no Seminário Menor Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, onde estudou música e humanidades e entrou em contato com a poesia parnasiana e a obra de Carlos Drummond de Andrade, passando a escrever poesia. Não prosseguiu na carreira religiosa, e então mudou-se para a capital paulista, onde trabalhou como organista da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e colaborou no suplemento literário do Correio Paulistano. Em 1959 assumiu a revisão no jornal O Estado de São Paulo e no mesmo ano publicou sua primeira obra, o volume de poesia Um homem tenta ser anjo.[1][2]

Fez amizade com importantes intelectuais da época, como Sérgio Milliet, Clóvis Moura e Florestan Fernandes, aprofundou seus estudos sobre o Modernismo e iniciou um envolvimento com o movimento negro, participando ativamente da Associação Cultural do Negro e colaborando com jornais da imprensa negra como o Novo Horizonte, Níger e O Ébano.[1]

Em 1972 publicou seu primeiro livro de contos, O carro do êxito, elogiado pelo crítico inglês David Brookshaw como o "primeiro exemplo de literatura baseada na vida urbana negra". Explorando o mesmo campo é a novela A descoberta do frio, publicada em 1979.[1] Em 1978 integrou a histórica edição do primeiro número dos Cadernos Negros e participou da fundação do grupo Quilombhoje, mas afastou-se por divergências ideológicas. Em 1986 organizou uma antologia de literatura negra, A razão da chama, continuada no ano seguinte com o ensaio crítico e histórico O negro escrito: apontamentos sobre a presença do negro na Literatura Brasileira, que permanece como uma importante referência em seu campo. Depois sucederam-se muitos outros títulos de crítica, história, ficção e poesia, perfazendo uma grande obra publicada.[1][2]

Sua produção tem sido estudada por diversos pesquisadores e foi uma inspiração para vários outros escritores.[2] É considerado um dos principais nomes da literatura negra brasileira contemporânea.[1][3] Para Zilá Bernd, a obra de Oswaldo de Camargo é um marco na literatura afro-brasileira, pelo fato de apresentar, no lugar de uma consciência ingênua, "a angústia da tomada de consciência de sua implicação simultânea em dois sistemas culturais diferentes".[4] Para Bruna Cunha, ele "é um grande representante da literatura afro-brasileira, não apenas por sua contribuição em prosa e poesia, mas também por seu papel na divulgação e crítica desta vertente da literatura brasileira. Oswaldo se mostra como um artista que, ao permanecer escrevendo há mais de sessenta anos, é também um guardião e transmissor da memória da comunidade negra".[2]

Referências

  1. a b c d e Literafro - O portal da literatura Afro-Brasileira. "Oswaldo de Camargo". Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais
  2. a b c d Cunha, Bruna Fernandes. Memória e identidade na literatura afro-brasileira : um estudo sobre Oboé, de Oswaldo de Camargo. Mestrado. Universidade Federal do Paraná, 2017, pp. 33-37
  3. Garcia, Rodrigo & Briet, Matheus. "Oswaldo de Camargo". In: Apartes, 2016 (19)
  4. Bernd, Zilá. Negritude e literatura na América Latina. Mercado Aberto, 1989, p. 103