Revolução de Outubro

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Revolução de Outubro
Revolução Russa
Russian Revolution of 1917.jpg
Tropas bolcheviques marchando na Praça Vermelha.
Data 25 de outubro de 1917
(7 de novembro, no calendário gregoriano)
Local Petrogrado, Rússia
Desfecho
Beligerantes
Flag of the Soviet Union.svg Partido Bolchevique
Socialist red flag.svg Guarda Vermelha
Rússia Governo Provisório Russo
Socialist red flag.svg Soviete de Petrogrado
Comandantes
Socialist red flag.svg Vladimir Lenin
Socialist red flag.svg Leon Trótski
Socialist red flag.svg Pavel Dybenko
Rússia Alexander Kerensky
Forças
10 000 marinheiros vermelhos, 20 000 – 30 000 homens da Guarda Vermelha 500 – 1 000 soldados voluntários, 1 000 membros do batalhão de mulheres

A Revolução de Outubro na Rússia, também conhecida como Revolução Bolchevique ou Revolução Vermelha, foi a segunda fase da Revolução Russa de 1917, depois da Revolução de Fevereiro do mesmo ano. Começou com a insurreição dos Bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, contra o governo provisório, em 25 de outubro de 1917 (pelo calendário juliano) e 7 de novembro (pelo calendário gregoriano).[1] Foi a primeira revolução comunista marxista do século XX e deu o poder aos bolcheviques.[2]

A Revolução de Outubro foi seguida pela Guerra Civil Russa (1918-1922) e pela criação da URSS em 1922.

O início[editar | editar código-fonte]

A Rússia sofria sérios problemas, ainda sob uma monarquia absolutista, uma economia rural sem uma propriedade privada claramente definida,[3] com uma burguesia incipiente além do desgaste que o país enfrentava depois da Guerra da Criméia.[4] A entrada do país na guerra enfraquecera mais ainda a economia e o exército, já em dificuldades. A situação agravou-se com a convocação militar obrigatória, que paralisou a agricultura. Nos últimos meses de 1916, o país estava à beira do colapso total. A crise alimentar, o rigoroso racionamento e ainda as derrotas frente aos Impérios Centrais explodiram numa onda de greves e passeatas. A Rússia de Kerensky tentou elevar a conscrição e combater as deserções, o que causou resistência.[5]

Partidos Políticos[editar | editar código-fonte]

1. Monárquicos de várias tendências, estes grupos outrora poderosos trabalhavam às escondidas ou unidos aos cadetes que gradualmente se levantaram em prol do seu programa.

2. Cadetes, eram assim chamados devido às iniciais do seu nome em inglês, Constitucionais Democratas. O seu nome oficial era Partido da Liberdade do Povo. Sob o Czar, compunha-se de liberais das classes abastadas e era o partido da reforma política. Em Março de 1917 formaram o Primeiro Governo Provisório, tendo sido derrubado em Abril. À medida que a Revolução se tornou mais social e económica os Cadetes tornaram-se também mais conservadores.

3. Socialistas Populistas ou Trudoviques (Grupo Trabalhista). Partido numericamente diminuto, composto por intelectuais, dirigentes das sociedades cooperativas e camponeses conservadores.

4. Partido Operário Social-Democrata Russo de origem socialista marxista. No Congresso de 1903 deu-se uma decisão em duas alas, uma maioritária (Bolshinstvo)e uma minoritária (Menshinstvo) que viriam a dar lugar a dois partidos: Mencheviques e Bolcheviques

a) Menchevique incluía socialistas de vários tons e que acreditavam numa evolução gradativa da sociedade até ao socialismo.

b) Internacionalistas Mencheviques formavam a ala radical dos mencheviques, opositores de uma coligação com os liberais.

c) Bolchevique que para dar mais ênfase à sua separação ao socialismo moderado e parlamentar e passaram a chamar-se Partido Comunista.

5. Iendinstvo pequeno grupo em decomposição, formado quase todo pelo discípulos de Gueorgui Plekhanov um dos pioneiros do Marxismo russo e seu grande político teórico. Já idoso, Plekhanov torna-se um patriota conservador radical, mesmo para os Mencheviques.

6. Partido Socialista Revolucionário foi na sua origem o partido revolucionário dos camponeses. Depois da Revolução de Fevereiro foi fortalecido por muitos adeptos.

Em 1917 os intelectuais mais jovens e radicais do partido, saem e fundam o Partido Socialista Revolucionário de Esquerda.

7. Partido Socialista Revolucionário de Esquerda. Adotando teoricamente o programa de Ditadura Proletária dos Bolcheviques, a princípio relutaram em seguir a tática bolchevique. Por várias vezes abandonou o governo bolchevique mas sempre retornava a ele. Com a política cada vez mais conservadora e moderada do Partido Socialista Revolucionário torna-se o grande partido camponês .

8. Maximalistas uma facção dissidente do Partido Socialista Revolucionário, durante a Revolução de 1905, no tempo que este era o maior partido camponês. Logo depois torna-se um pequeno grupo de camponeses anarquistas.

O Poder Dual[editar | editar código-fonte]

História da Rússia
Petrograd1919.JPG
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Desde a Revolução de Fevereiro, a Rússia possuía dois governos paralelos, funcionando no mesmo palácio. Um, chamado de Governo Provisório foi formado pela antiga Duma e adotou a forma parlamentar de governo. O outro era o Comitê Central do Soviete de Petrogrado, composto por socialistas de vários matizes, e com a predominância dos mencheviques em primeira hora. O Governo Provisório era francamente a favor da continuação da guerra. O Comitê Central carecia de consenso sobre esta questão. Entretanto, por não participar do Governo Provisório, pôde repetidamente culpá-lo pela situação caótica sob a qual o país vivia.

Em 20 e 21 de Abril houve manifestações contra a guerra, e unidades militares se juntaram a estas, que assumiram o caráter de insurreição. Vários ministros se demitiram, e em 1 de Maio o comitê central, após votação, permitiu que seus membros participassem do Governo Provisório. Os bolcheviques foram contrários a isto. Seis socialistas se tornaram parte do gabinete, e Kerensky se tornou ministro da guerra. A partir daí, os bolcheviques se tornaram a oposição "oficial", enquanto que os agrupamentos socialistas participantes do governo se tornaram alvo das críticas direcionadas ao governo.

A Ascensão do Partido Bolchevique[editar | editar código-fonte]

Os bolcheviques começaram um grande esforço de propaganda, triplicando a tiragem do Pravda em menos de um mês (de 100 mil cópias em Junho para mais de 350 mil em Julho). Outra tentativa de insurreição, liderada pelos bolcheviques, aconteceu entre 3 e 5 de Julho, mas sem sucesso. O comitê central adotou uma série de resoluções impedindo a prisão e julgamento dos bolcheviques. Sentindo sua fraqueza, o governo permitiu que vários fossem postos em liberdade.

Em 20 de Agosto os bolcheviques ganharam um terço dos votos nas eleições municipais. A atividade dos sovietes diminuía e suas reuniões se tornavam menos concorridas. Enquanto outros partidos socialistas abandonavam os sovietes, os bolcheviques aumentavam sua presença. Em 25 de Setembro eles conquistaram a maioria na Seção Trabalhista do Soviete de Petrogrado e Trotsky foi eleito presidente.

O Caso Kornilov[editar | editar código-fonte]

Após os acontecimentos de Julho, o General Lavr Kornilov foi apontado Comandante-em-Chefe do Exército Russo. Kornilov, assim como a maior parte da classe média russa, acreditava que o país estava se deteriorando e que uma derrota militar na guerra seria desastrosa para o orgulho e honra russas. Ele anunciou que Lenin e seus "espiões alemães" deveriam ser enforcados, os sovietes eliminados, a disciplina militar restaurada e o Governo Provisório deveria ser 'reestruturado'.

Kerensky o demitiu em 9 de Setembro, por suspeita de que este pretendia criar uma ditadura militar. Kornilov respondeu com um chamado a todos os russos para que 'salvassem sua pátria moribunda' e ordenou a seus cossacos e chechenos que avançassem sobre Petrogrado, com a ajuda de especialistas e equipamentos britânicos. Sem poder confiar em seu próprio exército, Kerensky buscou ajuda na organização militar bolchevique, os Guardas Vermelhos.

As jornadas de julho e o golpe de Kornilov[editar | editar código-fonte]

Em julho, as massas de trabalhadores e soldados de Petrogrado, exasperadas com a derrota da ofensiva militar ordenada pelo Governo Provisório e pelos sacrifícios causados pelo desabastecimento, iniciaram um levante contra o governo. Os bolcheviques se opuseram em princípio, porque viam que o resto do país ainda apoiava os socialistas-revolucionários e os mencheviques e temiam que a capital se isolasse.

Mesmo assim, estiveram do lado dos manifestantes e procuraram dirigi-los. Por isso, foram reprimidos pelo Governo Provisório e centenas de seus militantes, inclusive dirigentes como Kamenev e Trotsky, foram presos. Foi decretada ordem de prisão contra Lenin e Zinoviev, que foram obrigados a passar à clandestinidade.

Em agosto, o general Kornilov, comandante em chefe do exército, tenta um golpe militar contrarrevolucionário, enviando tropas da frente de guerra à Petrogrado para derrubar o governo de Kerensky, que pede apoio.

Os bolcheviques chamaram à luta contra Kornilov e se colocaram na vanguarda da organização militar para derrotá-lo. Foi formada a Guarda Vermelha com os operários de Petrogrado. Delegados dos Soviets e dos soldados da capital conseguiram convencer as tropas sobre o caráter do golpe e a abandonar a marcha sobre a capital. Kornilov foi derrotado e preso sem que se disparasse um tiro.[6]

O Comitê Central é posto de lado[editar | editar código-fonte]

Em 20 de Outubro (anunciado em 26 de Setembro) tomou lugar o Segundo Congresso Pan-Russo de Sovietes, por iniciativa dos bolcheviques, a despeito de que apenas 8 de 169 sovietes tenham expressado apoio a este. As eleições para a assembleia constituinte estavam próximas, e aparentemente os bolcheviques pretendiam ofuscá-la e tomar-lhe o poder com uma reunião paralela por eles controlada. O Comitê Central denunciou a manobra, mas repentinamente e sem explicação, a aprovou em 17 de Outubro.

O Comando Militar é posto de lado[editar | editar código-fonte]

Em 6 de Outubro, com o avanço alemão ameaçando Petrogrado, o governo planejou evacuar a cidade. O Comitê Central foi contra. O plano foi abandonado. No dia 9, o Soviete votou a favor de um Comitê Militar-Revolucionário (CMR) que o protegesse de possíveis golpes no estilo de Kornilov. Na prática, entretanto, esse comitê foi pouco mais que uma fachada para a atividade dos Guardas Vermelhos.

Na noite de 21 de Outubro, o CMR tomou o controle da guarnição de Petrogrado em nome da seção dos soldados do Soviete. O comandante do distrito, Coronel Polkovnikov, se recusou a ceder o comando, no que foi condenado publicamente como "contra-revolucionário".

A Insurreição[editar | editar código-fonte]

A insurreição bolchevique começou em 24 de Outubro, quando as forças contrarrevolucionárias tomaram medidas modestas para proteger o governo. O CMR enviou grupos armados para tomar as principais agências telegráficas e baixar as pontes sobre o rio Neva. A ação foi rápida e sem impedimentos.

Um comunicado declarando o fim do Governo Provisório e a transferência do poder para o Soviete de Petrogrado foi emitida pelo CMR às 10 horas de 25 de Outubro – de facto escrito por Lênin. À tarde uma sessão extraordinária do Soviete de Petrogrado foi presidida por Trotsky. Ela estava cheia de deputados bolcheviques e socialistas de esquerda. O Segundo Congresso de Sovietes abriu naquela noite, escolhendo um Conselho de Comissários do Povo composto por três mencheviques e 21 bolcheviques e socialistas de esquerda, e que formaria a base de um novo governo. O Comitê Executivo do Soviete de Petrogrado rejeitou a decisão daquele congresso e convocou os sovietes e o exército para defender a Revolução.

Na noite do dia 26 o Congresso aprovou o Decreto da Paz, propondo a retirada imediata da Rússia da Primeira Guerra Mundial, e o Decreto da Terra, que propunha a abolição da propriedade privada e a redistribuição de terras entre os camponeses.

As tentativas de tomada de poder dos bolcheviques tiveram sucesso na maior parte da Rússia. Entretanto, o mesmo não se deu em regiões etnicamente diferentes, como na Ucrânia. O conflito entre os bolcheviques e os vários grupos não-bolcheviques à direita (tzaristas, liberais, nacionalistas) e à esquerda (Socialistas democráticos e anarquistas) levaram à Guerra Civil Russa, que duraria até o final de 1922.

Referências

  1. John Reed (2002). Dez dias que abalaram o mundo. [S.l.]: L&PM. ISBN 9788525411945 
  2. Dictionnaire du communisme, Larousse à présent, 2007, p. 118 et p. 35-36, ISBN 978-2-03-583782-0
  3. Teodor Shanin and others, Late Marx and the Russian Road, Marx and the Peripheries of Capitalism, Monthly Review Press, New York, 1983.
  4. Karl Marx, “Letter to Friedrich Adolph Sorge,” Londres, September 27, 1877 in: Marx and Engels, Selected Correspondence, Progress Publishers, Moscow, 1965, p.308.
  5. #1917LIVE: ‘A crisis of epic proportions is sweeping over Russia’ – Lenin
  6. «Revolução Russa: A revolução que mudou a História » LIT-QI». LIT-QI. 26 de outubro de 2015 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Orlando Figes, A People’s Tragedy: The Russian Revolution: 1891-1924, Penguin Books, 1998
  • Mark D. Steinberg and Vladimir M. Khrustalev, The Fall of the Romanovs: Political Dreams and Personal Struggles in a Time of Revolution, Yale University Press, 1997
  • Sheila Fitzpatrick, The Russian Revolution, Oxford University Press, 2008
  • Mark D. Steinberg and Vladimir M. Khrustalev, op. cit.
  • Vladimir I. Lenin, The State and Revolution, Penguin Classics, 1993 (1st ed.: 1917)
  • Richard Pipes, The Russian Revolution, Vintage, 1991
  • Dominic Lieven, Nicholas II: Emperor of All the Russias, John Murray Publishers Ltd, 1993
  • “The Last Years of the Autocracy” in Glenn E. Curtis (ed.), Russia: A Country Study, Department of the Army, 1998
  • G.M Kropotkin, “The Ruling Bureaucracy and the “New Order” of Russian Statehood After the Manifesto of 17 October 1905,”, Russian Studies in History, Vol.46, 2008
  • Dominique Colas, Sociologie politique, PUF, 2008 (1ère ed. : 1994)
  • Orlando Figes, Revolutionary Russia, 1891-1991: A History, Metropolitan Books, 2014
  • F. William Engdahl, A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, Progressive Press, 2012 (1st ed.: 1992)
  • Hubertus F. Jahn, Patriotic Culture in Russia During World War I, Cornell University Press, 1998
  • Allan K. Wildman, The End of the Russian Imperial Army, Princeton University Press, 2014 (1st ed.: 1980)
  • Nicholas Riasanovsky and Mark Steinberg, A History of Russia, Oxford University Press, 8th Edition, 2010
  • Victoria E. Bonnell, Roots of Rebellion: Workers’ Politics and Organizations in St. Petersburg and Moscow, 1900-1914, University of California Press, 1984
  • Alexander Rabinowitch, The Bolsheviks in Power: The First Year of Soviet Rule in Petrograd, Indiana University Press, 2008
  • Rex A. Wade, The Russian Revolution, 1917, Cambridge University Press, 2005
  • Ian F.W. Beckett, The Great war, Routledge, 2007
  • Robert P. Browder and Aleksandr F. Kerensky, The Russian Provisional Government, 1917: Documents, Stanford University Press, 1961
  • Robert Service, A History of Modern Russia: From Nicholas II to Vladimir Putin, Harvard University Press, 2005
  • Richard Pipes, Three “Whys” of the Russian Revolution, Vintage, 1997
  • Isaac Deutscher, The Prophet Armed: Trotsky 1879-1921, Verso, 2003
  • John Reed, Ten Days That Shook the World, CreateSpace Independent Publishing Platform, 2014 (1st ed.: 1922)
  • Edward A. Allworth (Ed.), Central Asia: One Hundred Thirty Years of Russian Dominance, Duke University Press Books, 2012 (1st ed.: 1989)
  • W. Bruce Lincoln, Red Victory: A History Of The Russian Civil War, 1918-1921, Da Capo Press, 1999
  • Evan Mawdsley, The Russian Civil War, Pegasus, 2009
  • Edvard Radzinsky, The Last Tsar: The Life And Death Of Nicholas II, Knopf, 1993
  • Dmitri Volkogonov, Trotsky: The Eternal Revolutionary, Free Press, 2007 (1st ed.: 1996)
  • Albert Nenarókov, História Ilustrada da Grande Revolução Socialista de Outubro - 1917 na Rússia, mês a mês. Edições Progresso - Editorial “Avante!”
  • Kevin Anderson, Lenin, Hegel and Western Marxism (University of Illinois Press, 1995).
  • História da Revolução Russa Léon Trotsky

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]