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Ovis aries

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaOvelha
Rebanho de ovelhas, perto de Dubois, Idaho, nos Estados Unidos
Rebanho de ovelhas, perto de Dubois, Idaho, nos Estados Unidos
Estado de conservação
Não avaliada: Domesticado
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Subfamília: Antilopinae
Tribo: Caprini
Gênero: Ovis
Espécie: Ovis aries
Nome binomial
Ovis aries
Linnaeus, 1758
Subespécies
2, ver texto
Sinónimos
Ovis guineensis Linnaeus, 1758
Ovis strepsiceros Linnaeus, 1758
O Wikispecies tem informações relacionadas a Ovis aries.
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Ovis aries

A ovelha (Ovis aries) ou ovelha-doméstica é um mamífero ruminante domesticado tipicamente mantido pelos humanos como gado. Embora possa ser aplicado a outras espécies do gênero Ovis (os ovinos), o termo ovelha[1] quase sempre é usado para se referir às ovelhas-domésticas. O carneiro[2] é o macho adulto e os juvenis são chamados de cordeiros[3], anhos[4] ou borregos[5]. Como todos os ruminantes, as ovelhas pertencem à ordem Artiodactyla; também fazem parte da família Bovidae (os bovídeos), da subfamília Antilopinae e da tribo Caprini (os caprinos).[6] A ovelha-doméstica é a espécie de ovino mais numerosa, ultrapassando um bilhão de animais em 2010.[7] Estrosa ou estrosia, para ovinos e caprinos, diz-se da ovelha que está em estro. A fêmea que está no cio chama-se maronda. O marrão é o macho que a fecunda.[8]

É um animal de enorme importância econômica como fonte de carne, laticínios, lã e couro. Criada em cativeiro em todos os continentes, a ovelha foi domesticada no Período neolítico, descendendo do muflão-asiático, que vive actualmente na Cordilheira de Zagros.[9]

As ovelhas são, quase sempre, criadas em rebanhos. O manejo requer cuidados, seja pelo fato de se tratar de um rebanho grande, ou por serem animais sensíveis. Nas regiões mais frias, como no sul do Brasil, o cuidado com as crias recém-nascidas deve ser intenso, já que a época de partos coincide com os meses de inverno, quando se tratar de raças que possuem sazonalidade reprodutiva.[10]

Além do frio, os criadores devem atentar para raposas, lobos e outros predadores, que cercam as fêmeas e roubam-lhes os filhotes. A lã, retirada no início do verão, importante fonte de renda para o criador, torna a crescer, garantindo ao animal a sua própria defesa ao frio.[11]

Basicamente, a ovelha (fêmea) é um animal dócil, e sem nenhum mecanismo natural de defesa; o que deve ter influenciado para, na cultura popular, estar associada à ideia de inocência. No caso dos carneiros (machos) é necessária alguma precaução com alguns animais mais agressivos, pois estes podem usar os chifres de forma perigosa. As ovelhas não têm os sentidos aguçados como outros animais. Se destacam sua audição baixa, olfato reduzido, sua visão é também inferior a outros ovinos. No entanto, sua memória é de grande capacidade.[12]

Taxonomia

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A espécie Ovis aries foi descrita originalmente pelo "pai da taxonomia moderna", o naturalista sueco Carolus Linnaeus, na sua obra Systema Naturae de 1758.[6] Atualmente, duas subespécies são reconhecidas:[13]

Descrição

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Ovelhas domésticas são ruminantes relativamente pequenos, usualmente com pelagem ondulada denominada e muitas vezes com cornos que formam uma espiral lateral. As ovelhas domésticas diferem dos seus parentes selvagens e dos seus ancestrais em vários aspectos, tendo ficado unicamente neoténicos como resultado de cruzamentos selectivos por parte de humanos.[15]

Domesticação

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Mulher na Janela Alimentando Cordeiros, pintura de Adrien Henri Vital van Emelen.

As ovelhas domésticas são descendentes do muflão-asiático, que é encontrado nas montanhas da Turquia ao Irã meridional. Evidências da domesticação datam de 9000 a.C. no que é hoje o Iraque. O muflão foi considerado um dos dois ancestrais da ovelha doméstica, após análises de DNA. Embora o segundo ancestral não foi identificado, pois o urial e o argali foram desconsiderados.[16] O urial (O. vignei) é encontrado do nordeste do Irã ao noroeste da Índia; ele possui um número maior de cromossomos (58) que a ovelha doméstica (54), sendo assim um improvável ancestral da ovelha, mas ele cruza-se com o muflão. A ovelha argali (Ovis ammon) da Ásia interior (Tibete, Himalaia, Montes Altai, Tien-Shan e Pamir) tem 56 cromossomos e a ovelha-das-neves-siberiana (Ovis nivicola) tem 52 cromossomos.

Evidências das primeiras domesticações são encontradas no Neolítico Pré-Cerâmico B de Jericó e em Xanidar. As ovelhas de enrolada são encontradas somente desde a Idade do Bronze. Em raças primitivas, como a Scottish Soay, tinham que ser arrancados (um processo chamado rooing), em vez de cortados, porque os pelos eram ainda mais longos do que a lã macia, ou a lã devia ser coletada do campo depois que caía. O muflão-europeu (Ovis musimon), encontrado na Córsega e na Sardenha, assim como em Creta, e a extinta ovelha-selvagem-do-Chipre são possíveis descendentes das primeiras ovelhas domésticas que se tornaram selvagens.

Ovelhas em Lodi, Itália.

Existem várias raças de ovelha, mas elas são geralmente sub-divididas em raças de , raças de leite, raças de carne e raças de dupla aptidão.

Fazendeiros desenvolveram raças de lã para obter quantidade e qualidade superior, comprimento da lã e grau de friso na fibra. As principais raças de lã são Merino, Rambouillet, Romney, Herdwick e Lincoln. Drysdale é uma raça específica para produzir lãs para tapetes.

Raças de carne incluem a Suffolk, Hampshire, Dorset e Texel.[17]

Raças de lã com dupla-finalidade são criadas concentrando-se no crescimento rápido e em facilidade de tosquia. Uma ovelha fácil de cuidar é a Coopworth, que tem lã longa e boa qualidade na produção de carne. Outra raça de dupla-finalidade é a Corriedale. Em algumas usadas às vezes em cruzamentos, com a finalidade de maximizar ambas as saídas, por exemplo, ovelhas Merino que fornecem podem ser cruzadas com carneiros Suffolk para produzir cordeiros que são robustos e apropriados para o mercado de carne.

As raças de dupla aptidão foram a primeira subdivisão de ovelhas domésticas a existir, criadas para carne e couro. São prolíficas e altamente resistentes a doenças e aos parasitas. Dorpers e Kahtahdins são raças compostas de cruzas de raças de lã e de dupla aptidão com graus diferentes de misturas de lã/pelo. Ovelhas de pelo verdadeiras como a St. Croix, a Barbados Blackbelly, Mouflon, Morada Nova, Santa Inês e a Royal White perdem a fibra protetora que reveste o pelo no Verão e no Outono. Os carneiros de pelo estão tornando-se mais populares pelo seu aspecto de não necessitar tosquia.

Raças Autóctones Portuguesas

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Portugal conta com a presença de 15 raças autóctones de ovelhas:

De resto, na produção de ovinos em Portugal destaca-se uma lista de produtos com denominação de origem protegida que era composta, em 2012, por 3 referências.[18][19][20]

Importância econômica

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Estoques globais de ovinos - 2023
(em milhões de cabeças)
 China295,6
 Austrália106
União Europeia (15 nações)98,7
 Índia62,5
CEI64
Irã Irão54
Sudão48
 Nova Zelândia40
 Brasil32,5
 Reino Unido30,2
África do Sul25,3
 Turquia25,2
Paquistão24,9
Nigéria23
Espanha22,5
Todos os outros337,3
Total1,079,7
Fonte:
FAO
[21]

A criação de ovelhas (ovinocultura) é uma atividade que tem ocupado fazendeiros desde os tempos mais remotos, pois este animal pode fornecer leite, , couro e carne. No século XXI as ovelhas ainda constituem importância vital na economia de vários países. Os maiores produtores de ovelhas (per capita) estão no hemisfério sul, excetuando a República Popular da China, e incluem Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Uruguai e Chile.

No Reino Unido a importância do comércio de lã era tão grande que na câmara superior do parlamento (a Casa dos Lordes) o Lorde Chanceler senta-se numa almofada conhecida como saco de lã (woolsack).

A sua carne é consumida no mundo inteiro. Seu leite é usado para produzir diversos tipos de queijo, entre os mais conhecidos estão o roquefort. Em alguns lugares do mundo, como a Sardenha, a ovinocultura tornou-se a principal atividade econômica.

Mesmo nos dias atuais, o investimento em rebanhos fornece retornos financeiros de até 400% do seu custo anual (incluindo ganhos reprodutivos).

Ver também

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Referências

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  1. S.A, Priberam Informática. «ovelha». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 12 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2025
  2. S.A, Priberam Informática. «carneiro». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 12 de novembro de 2025
  3. S.A, Priberam Informática. «cordeiro». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 12 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026
  4. S.A, Priberam Informática. «anho». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 12 de novembro de 2025
  5. S.A, Priberam Informática. «borrego». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 12 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 17 de julho de 2025
  6. 1 2 Ferreira, Amadeu; Ferreira, José Pedro Cardona (Fevereiro de 2004). Dicionário de Mirandês-Português (PDF). Edição 0.1 (em mirandês e português). [S.l.]: Rádio Clube de Bragança. Consultado em 28 de dezembro de 2025web|url=https://www.mammaldiversity.org/taxon/1006204/|titulo=Ovis aries • Domestic Sheep|acessodata=2025-11-13|website=www.mammaldiversity.org}}
  7. Brunner, Norbert; Kühleitner, Manfred (dezembro de 2020). «The growth of domestic goats and sheep: A meta study with Bertalanffy-Pütter models». Veterinary and Animal Science (em inglês). 100135 páginas. PMC 7451746Acessível livremente. PMID 32885092. doi:10.1016/j.vas.2020.100135. Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 21 de julho de 2023
  8. Ferreira, Amadeu; Ferreira, José Pedro Cardona (Fevereiro de 2004). Dicionário de Mirandês-Português (PDF). Edição 0.1 (em mirandês e português). [S.l.]: Rádio Clube de Bragança. Consultado em 28 de dezembro de 2025
  9. Kaptan, Damla; Atağ, Gözde; Vural, Kıvılcım Başak; Morell Miranda, Pedro; Akbaba, Ali; Yüncü, Eren; Buluktaev, Aleksey; Abazari, Mohammad Foad; Yorulmaz, Sevgi; Kazancı, Duygu Deniz; Küçükakdağ Doğu, Ayça; Çakan, Yasin Gökhan; Özbal, Rana; Gerritsen, Fokke; De Cupere, Bea (4 de outubro de 2024). Zhou, Xuming, ed. «The Population History of Domestic Sheep Revealed by Paleogenomes». Molecular Biology and Evolution (em inglês). 41 (10). ISSN 0737-4038. PMC 11495565Acessível livremente. PMID 39437846. doi:10.1093/molbev/msae158
  10. «Newborn Lamb Care Management». extension.sdstate.edu (em inglês). Consultado em 5 de junho de 2026
  11. Curriculum (17 de março de 2026). «Sheep – handling». education.nsw.gov.au (em inglês). Consultado em 5 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de abril de 2025
  12. Curriculum (17 de março de 2026). «Sheep – introduction». education.nsw.gov.au (em inglês). Consultado em 5 de junho de 2026
  13. «Ovis aries Linnaeus, 1758 (T#15177)». hesperomys.com. Consultado em 13 de novembro de 2025
  14. Michel, S. & Ghoddousi, A. (18 de março de 2020). «Ovis gmelini (Mouflon)». The IUCN Red List of Threatened Species (em inglês). doi:10.2305/iucn.uk.2020-2.rlts.t54940218a22147055.en. Consultado em 13 de novembro de 2025
  15. Budiansky, Stephen (1999). The Covenant of the Wild: Why animals chose domestication. [S.l.]: Yale University Press. ISBN 0-300-07993-1
  16. Hiendleder, Stefan; Bernhard Kaupe; Rudolf Wassmuth; Axel Janke (7 de maio de 2002). «Molecular analysis of wild and domestic sheep questions current nomenclature and provides evidence for domestication from two different subspecies». Proceedings. Biological sciences / The Royal Society. 269 (1494): 893-904. ISSN 0962-8452. doi:10.1098/rspb.2002.1975
  17. «Introduction to Sheep Breeds - Cornell Small Farms». smallfarms.cornell.edu (em inglês). 16 de janeiro de 2023. Consultado em 6 de junho de 2026
  18. Borrego Serra da Estrela na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  19. Borrego Terrincho na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  20. Cordeiro Bragançano na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  21. «FAOSTAT Database Query». Consultado em 29 de abril de 2006

Ligações externas

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