Pátria Minha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Pátria Minha
Vidas Cruzadas (PT)
Pátria Minha (BR)
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero drama
romance
Duração 50 minutos
Criador(es) Gilberto Braga
País de origem Brasil
Idioma original português
Produção
Produtor(es) Dennis Carvalho
Roteirista(s) Alcides Nogueira
Leonor Bassères
Sérgio Marques
Ângela Carneiro
Elenco
Tema de abertura "Onde o Céu Azul é Mais Azul (Instrumental)", Felicidade Suzy
Exibição
Emissora de televisão original Rede Globo
Transmissão original 18 de julho de 1994 – 10 de março de 1995
N.º de episódios 203

Pátria Minha (em Portugal, Vidas Cruzadas) é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 20 horas de 18 de julho de 1994 a 10 de março de 1995, em 203 capítulos[1], substituindo Fera Ferida e sendo substituída por A Próxima Vítima. Foi a 49ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Gilberto Braga, com colaboração de Alcides Nogueira, Leonor Bassères, Sérgio Marques e Ângela Carneiro, e dirigida por Roberto Naar, Ary Coslov e Alexandre Avancini, contou com a direção geral e núcleo de Dennis Carvalho.

Contou com Tarcísio Meira, Vera Fischer, José Mayer, Eva Wilma, Petrônio Gontijo, Rodrigo Santoro, Fábio Assunção e Cláudia Abreu nos papéis centrais da trama.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Alice (Cláudia Abreu), uma estudante idealista, presencia um atropelamento causado por Raul Pellegrini (Tarcísio Meira), um empresário inescrupuloso, arrogante e prepotente, e é pressionada a testemunhar a favor dele. A partir do momento em que ela recusa as tentativas de suborno, estabelece-se o principal conflito da história. Lídia Laport (Vera Fischer), a mãe de Rodrigo (Fábio Assunção), o namorado de Alice, abomina a pobreza. Através de golpes e armações, ela se aproxima de Teresa (Eva Wilma), a mulher de Raul Pellegrini, com a intenção de acabar com o seu casamento de 39 anos e tornar-se a nova senhora Pellegrini. Enquanto isso, Pedro Fonseca (José Mayer) regressa ao Brasil depois de longa temporada como imigrante nos Estados Unidos, encontrando o pai, Deodato (Ivan Cândido), e os irmãos, Inácio (Felipe Camargo) e Joel (André Pimentel), vivendo em uma favela.

Com o apoio de Alice, ele lidera uma revolta contra Raul Pellegrini, que ordenara a desocupação do terreno da favela em que moravam os Fonseca. Lídia fica balançada entre uma vida fútil, com conforto material, ao lado de Raul, e um grande amor sem segurança financeira ao lado de Pedro, sua antiga paixão. Com Raul mora sua sobrinha Loreta (Marieta Severo), uma viúva interesseira , sustentada pelo tio, a qual vive armando planos para se dar bem, além de Gustavo (Kadu Moliterno), filho de Raul, que trabalha com o pai. No passado, ele teve um romance com Natália Proença (Renata Sorrah), o qual rendeu um fruto: Alice, a principal adversária de Raul Pellegrini e também sua neta desconhecida.

Produção[editar | editar código-fonte]

A proposta de Pátria Minha era abordar questões éticas e morais, assim como tramas anteriores de Gilberto Braga, focadas na corrupção: Vale Tudo, de 1988, e O Dono do Mundo, de 1991.[2] A antecessora no horário das oito, Fera Ferida, foi esticada para que Pátria Minha só estreasse depois da final da Copa de 1994. No último capítulo de Fera Ferida, o cinema de Tubiacanga (cenário daquela novela) anunciava num cartaz a estreia de Pátria Minha.[2] O autor Gilberto Braga demonstrou preocupação quanto ao avanço dos números de casos de AIDS no país, tanto que ele buscou conscientizar as pessoas para o uso de preservativos. O tema foi citado sempre que possível nos diálogos.[3]

Temas como os brasileiros que trabalham nos Estados Unidos, a moradia, o racismo e o adultério, tanto masculino como feminino, foram explorados, tendo sido, também, mostrados tabus como a virgindade e a primeira experiência sexual, como a cena de sexo com o namorado na casa dos pais e o diálogo entre pais e filhos.[4] Antes de se tornar atriz, Taís Araújo aparecia rapidamente na abertura de Pátria Minha,[4] a sua primeira personagem foi em Tocaia Grande, na Rede Manchete. Carlos Vereza interpretou o boa-vida Max Laport, pai de Rodrigo (Fábio Assunção) e ex-marido de Lídia (Vera Fischer), mas esse personagem, por haver sido cômico, não ocasionou a menor polêmica, diferentemente de Raul, que, em dada cena, chamou Kennedy (Alexandre Moreno) de "negro safado". Voltando, porém, a Max, este chamava Osmar (Nuno Leal Maia) de "primata".

Fúlvio Stefanini interpretou o amante de Teresa, Rafael, o qual deixou um bilhete para ela. Para quê? Acabou nas mãos de Raul, que se divorciou dela, não se cansando de chamá-la de adúltera. A atriz Vera Fischer teve fortes desentendimentos com Felipe Camargo (seu marido na época). Isso gerou uma série de problemas, entre eles a falta de disciplina, atrasos e faltas às gravações por parte de Vera. Mediante isso, ela correu o risco de ser afastada da novela, mas depois ela voltou a gravar algumas cenas.[5] Após se recusarem a se encontrar nos estúdios, Gilberto Braga inventou um incêndio e carbonizou os personagens de Vera e de Felipe. A justificativa para o afastamento definitivo dos atores foi que a indisciplina deles estava prejudicando os ritmos das gravações.[6]

Para substituir Vera Fischer foi cotada Bruna Lombardi, porém esta alegou outros compromissos e não aceitou o papel.[7] Luiza Tomé foi a escolhida para substituí-la.[8] A modelo Marta Moesch fez dublê de corpo de Lídia Laport, interpretada por Vera Fischer, quando esta se levantou no meio da noite para tomar um banho de mar, nua. Anteriormente, já havia sido dublê de corpo de Vera na minissérie Riacho Doce, de 1990.[2]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator/Atriz Personagem
Tarcísio Meira Raul Pellegrini
Vera Fischer Lídia Thompson Laport
José Mayer Pedro Fonseca
Eva Wilma Teresa Godoy Ramos Pellegrini
Cláudia Abreu Alice Proença Pellegrini Laport
Fábio Assunção Rodrigo Thompson Laport
Marieta Severo Loretta Ramos de Ortiz Pellegrini Vilela
Renata Sorrah Natália Proença
Nuno Leal Maia Osmar
Carlos Zara Evandro Aboim
Carlos Vereza Max Laport
Rosita Thomaz Lopes Úrsula Ramos Pellegrini
Petrônio Gontijo Murilo Henrique Pellegrini Vilela
Renée de Vielmond Marina Araújo Garcia de Aboim (Marininha)
Gianfrancesco Guarnieri Waldomiro Bezerra de Quental
Luíza Tomé Isabel
Felipe Camargo Inácio Fonseca
Deborah Evelyn Bárbara
Pedro Cardoso Albano Mendes Campelo
Lília Cabral Simone Barcelos Pellegrini
Isadora Ribeiro Cilene Miranda
Débora Duarte Karmita Bevilaqua
Rodrigo Santoro Fernando Ferreira de Abreu (Nando)
Cássia Linhares Luciana Lopes Caldeiras
Isabel Fillardis Yone Ribeiro de Moraes
Ivan Cândido Deodato Fonseca
André Pimentel Joel Fonseca
Rodolfo Bottino Heitor Ataíde
Chica Xavier Zilá de Paiva Rangel
Aléxia Deschamps Alexandra Peres
Alexandre Moreno Kennedy Lopes dos Santos
Odete Lara Walkíria Mayrinck
Paula Lavigne Flávia Garcia de Aboim Mayrinck
Stepan Nercessian Devair Dias de Aguiar
Yaçanã Martins Gracinda Dias de Aguiar
Eduardo Caldas Gabriel Fonseca
José D'Artagnan Júnior Aderbal Fajardo Mesquita
Zeni Pereira Isaura Lopes dos Santos
Fátima Freire Iracema Lopes Mesquita
Nildo Parente Fausto Liberal
Carlos Kroeber Cristiano
Emílio de Mello Hélio Pastor
Lu Mendonça Lourdes da Silva Paes
Flávia Alessandra Cláudia
Flávia Bonato Daniela Mendes Perdigão
Luciano Vianna Ronaldo Paiva Vasconcelos
Fábio Pillar Etevaldo
Fernando Eiras Dirceu Bevilaqua
Paulo Reis Ciro
Clementino Kelé Avelino Rangel
Jane Bezerra Carlota
Patrícia Novaes Marilu

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

A novela chegou a registrar menor audiência que A Viagem, a novela das sete exibida na mesma época. Seu último capítulo registrou 55 pontos, um a mais que o de sua estreia, com picos de 62. Nos dias 24 de dezembro e 31 de dezembro, a novela registrou sua menor média: 28 pontos em ambos os dias. Teve uma média de audiência de 44 pontos, muito abaixo da expectativa para o horário, que era de 50 pontos na época.[9]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Indicado Resultado Fonte
1995 Troféu Imprensa Melhor ator Tarcísio Meira Venceu [10]
1995 Troféu APCA Melhor atriz Coadjuvante Marieta Severo Venceu [10]

Exibição internacional[editar | editar código-fonte]

Foi exibida, entre outros países, na Bolívia, no Chile, na Guatemala, em Honduras, na Indonésia, na Nicarágua, no Panamá, no Paraguai, em Portugal, na Rússia, no Uruguai e Venezuela.[2]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora nacional[editar | editar código-fonte]

Pátria Minha Nacional
Trilha sonora de vários intérpretes
Lançamento agosto de 1994
Gênero(s) Vários
Duração 54 min. (aprox.)
Formato(s) LP, CD e K7
Gravadora(s) Som Livre
Produção Roger Henri
Cronologia de vários intérpretes
-
Pátria Minha Internacional

Capa: Cláudia Abreu

  1. "A Novidade" - Gilberto Gil (tema de Alice)
  2. "Você" - Maria Bethânia (tema de Alice e Rodrigo)
  3. "Partners" - Cássia Eller (tema de Rodrigo)
  4. "Razão de Viver" - Emílio Santiago (tema de Max e Marininha)
  5. "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos" - Caetano Veloso (tema de Lídia e Pedro)
  6. "O Amor Dorme" - Os Paralamas do Sucesso (tema de Nando)
  7. "Errática" - Gal Costa (tema de Natália)
  8. "Beatriz" - Milton Nascimento (tema de Beatriz)
  9. "Falando de Amor" - Edu Lobo (tema de Teresa)
  10. "Nada a Perder" - Danilo Caymmi (tema de Lídia)
  11. "Haiti" - Caetano Veloso e Gilberto Gil (tema do núcleo dos pobres)
  12. "Imagens (Someone)" - Guido Brunini (tema de Cilene)
  13. "Surf Board" - Tom Jobim (tema de locação: Rio de Janeiro)
  14. "Onde o Céu Azul é Mais Azul" - Felicidade Suzy (tema de Pedro)
  15. "Onde o Céu Azul é Mais Azul" - Instrumental (tema de abertura)

Trilha sonora internacional[editar | editar código-fonte]

Pátria Minha Internacional
Trilha sonora de vários intérpretes
Lançamento 1994
Gênero(s) Vários
Duração 60 min. (aprox.)
Formato(s) LP, CD e K7
Gravadora(s) Som Livre
Produção Roger Henri
Cronologia de vários intérpretes
Pátria Minha Nacional
-

Capa: Fábio Assunção

  1. "All By Myself" - Sheryl Crow (tema de Alice e Rodrigo)
  2. "She's Beautiful" - Double You (tema de Natália)
  3. "I'll Make Love to You" - Boyz II Men (tema de Pedro e Isabel)
  4. "Games People Play" - Inner Circle (tema de locação: Rio de Janeiro)
  5. "Breathe Again" - Toni Braxton (tema de Raul e Cilene)
  6. "Return To Innocence" - Enigma (tema de Isabel)
  7. "Ne Me Quitte Pas" - Ângela Ro Ro (tema de Loreta)
  8. "Everybody" - DJ Bobo (tema de locação: boates)
  9. "Mmm Mmm Mmm Mmm" - Crash Test Dummies (tema de Heitor)
  10. "Sweet Dreams" - La Bouche
  11. "Send In The Clowns" - Renato Russo (tema de Max e Marininha)
  12. "Per Lei" - Riccardo Cocciante (tema de Lídia)
  13. "State Of To Heart" - West End Girls (tema de Yone)
  14. "Under The Illusion" - Peter Valentine (tema de Raul e Lídia)

Referências

  1. «Teledramaturgia - Pátria Minha». teledramaturgia.com.br 
  2. a b c d Curiosidades Memória Globo
  3. «Braga põe camisinha no horário nobre». Folha de S.Paulo. 30 de abril de 1994. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  4. a b Bastidores Teledramaturgia
  5. «Vera Fischer corre risco de ser afastada do elenco de 'Pátria Minha'». Folha de S.Paulo. 10 de janeiro de 1995. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  6. «Globo afasta Vera Fischer de novela por indisciplina». Folha de S.Paulo. 13 de janeiro de 1995. Consultado em 24 de maio de 2017 
  7. «Bruna Lombardi recusa convite para entrar em "Pátria Minha"». Folha de S.Paulo. 24 de janeiro de 1995. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  8. «Luiza Tomé se diz feliz por viver personagem cosmopolita». Folha de S.Paulo. 12 de fevereiro de 1995. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  9. A deusa ferida: por que a Rede Globo não é mais a campeã absoluta de audiência Google Livros - Silvia Helena Simões Borelli e Gabriel Priolli
  10. a b Prêmios de Pátria Minha IMDb