Pão de Ló de Ovar

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Paõ de Ló de Ovar
Pão-de-ló de Ovar.jpg
Exemplar de Pão de Ló de Ovar, na sua versão industrializada.
TipoBolo
Pão de ló
PratoSobremesa
Lugar de origemPortugal
Região ou estadoOvar, Região de Aveiro
Criado porDesconhecido. Várias fontes apontam para uma origem conventual.
InventadoAnterior ao séc. XVII
Ingredientes principaisFarinha
Ovos
Açucar
Outra informaçãoDenominação de origem protegida (Comissão Europeia)

O Pão de Ló de Ovar[1][2] é um produto de pastelaria típico e tradicional da cidade de Ovar, sendo considerado o principal prato gastronómico desta localidade.[1][3][4][5][6] Sendo amplamente reconhecido não só na Região de Aveiro, como a nível nacional e internacional,[7] este doce garantiu a proteção internacional da sua denominação de origem, em 2016.[1][2][8]

Descrição[editar | editar código-fonte]

O Pão de Ló de Ovar é servido dentro de uma forma de papel branco, com um formato parecido com uma broa de massa leve, cremosa, fofa e de cor amarela (designada por “ló”) com uma fina côdea acastanhada dourada levemente húmida. É produzido com uma receita à base de ovos (sobretudo gemas), açúcar e farinha.[3]

A principal característica que distingue o Pão de Ló de Ovar do tradicional Pão de ló português, é o facto deste ser servido com o seu interior mais cru do que é habitual. Esta parte do bolo, de textura húmida (quase líquida) e extremamente doce, é tradicionalmente chamada "pito", e os clientes referem-se ao seu nível de cozedura como sendo mais ou menos "pitoso" (húmido).[3][6][7]

Em várias zonas do país (especialmente, em Ovar e na Região de Aveiro), é tradicionalmente servido durante a celebração do Natal e da Páscoa.[6]

Método de produção[editar | editar código-fonte]

A forma do Pão de Ló é previamente forrada com papel almaço, ajustando-o à forma. Esta é uma operação que exige habilidade e destreza manual. O processo de cozedura tem que ser continuamente vigiado, porque conforme o número de horas em que é cozido, o produto final terá mais ou menos “pito”, característica que o diferencia. Assim que se termina a cozedura, mantém-se dentro da forma até estar arrefecido, sendo o papel depois recortado.[3]

Origem[editar | editar código-fonte]

A autoria do Pão de Ló de Ovar não é oficialmente conhecida. Apenas se teoriza que é de origem conventual, especulando-se que alguma freira tenha divulgado a receita a algum familiar ou amigo residente em Ovar.[6] Segundo a tradição oral, durante o século XIX, várias famílias de Ovar dedicavam-se à confeção de doces regionais, de onde se destacava o Pão de Ló de Ovar.[3] Sabe-se, no entanto, que a confeção deste doce é anterior ao século XVIII, sendo referido na obra "Os Passos", do padre Manuel de Oliveira Lírio:

"Em 1781, são obsequiados com pães de ló de Ovar os padres que levaram o andor na procissão dos Passos".[9]

Em 1877, o historiador Marques Gomes refere-se também à iguaria vareira , na secção dedicada à "vila de Ovar" em “O Districto de Aveiro (Monografia)”, constatando que:

"Na confeitaria tornam-se notáveis o pão de ló e os ovos molles, rivaes de Aveiro".[10]

Luís de Oliveira Gomes, da família Arrota, criou o hábito de, nas quadras festivas do Natal e da Páscoa, presentear os seus clientes e amigos com pães de ló de Ovar, que eram transportados em canastras próprias, cobertas com lona, dando origem a que o fabrico da iguaria conhecesse incremento no segundo quartel do século XIX. Esse fabrico teve continuidade através da sua cunhada, Rosa de Oliveira Duarte, e, depois, nos seus filhos.[6]

O fabrico, até ao final daquele século, era artesanal. A massa era batida à mão durante duas horas, em alguidares de barro vermelho com uma de madeira, e cozido em formas forradas com papel de linho branco, em fornos de lenha aquecidos com pinhas ou ramos secos. Para testar a temperatura do forno, era utilizada uma vara comprida, levando na extremidade uma tira de papel de linho branco, devendo permanecer no interior do forno durante o tempo de orar um pai-nosso, ocasião em que se invocava uma boa cozedura. Uma forma de tamanho médio consumia um arrátel de açúcar. Era tradição ainda que as pessoas da vila fornecessem ovos, açúcar e farinha de trigo, levando para si as claras restantes e pagando o chamado "feitio de fabrico". Para o transporte dos pães de ló, eram utilizados cestos ou tabuleiros utilizados exclusivamente para esse fim, guarnecidos por panos de linho bordados.[6]

O Pão de Ló de Ovar ganhou nome no contexto da doçaria tradicional do País, graças à qualidade do produto e à sua progressiva comercialização, em tempos e mercados mais amplos.[1][3][6]

Área geográfica de produção oficial[editar | editar código-fonte]

Área geográfica onde a produção do Pão de Ló é oficialmente reconhecida.

Oficialmente, a Área Geográfica de produção do Pão de Ló de Ovar corresponde ao Concelho Administrativo de Ovar[3][7][8]

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Entidades relacionadas com a produção[editar | editar código-fonte]

  • APPO – Associação de Produtores de Pão de Ló de Ovar[11]

Referências

  1. a b c d Sá, Ana Cordeiro de (25 de agosto de 2016). «Pão de Ló de Ovar com Denominação de Origem Protegida a partir de 1 de Setembro». AGRICULTURA E MAR ACTUAL. Consultado em 27 de novembro de 2019 
  2. a b REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) 2016/1407 DA COMISSÃO de 12 de agosto de 2016, relativo à inscrição de uma denominação no Registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas [Pão de Ló de Ovar (IGP)], Comissão Europeia, consultado em 27 de novembro de 2019.
  3. a b c d e f g Fernandes, Daniel. «Produtos Tradicionais Portugueses». Produtos Tradicionais Portugueses. Consultado em 27 de novembro de 2019 
  4. «Pão de Ló de Ovar». Center of Portugal. Consultado em 27 de novembro de 2019 
  5. «Pão-de-Ló de Ovar». www.cm-ovar.pt. Consultado em 27 de novembro de 2019 
  6. a b c d e f g Caderno de Especificações do Pão de Ló de Ovar - Indicação Geográfica Protegida, APPO – ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE PÃO DE LÓ OVAR, Consultado em 29 de novembro de 2019
  7. a b c Lusa. «Pão-de-ló de Ovar já tem Indicação Geográfica para "acabar com as falsificações"». PÚBLICO. Consultado em 29 de novembro de 2019 
  8. a b Diário da República, 2.ª série — N.º 180 — 15 de setembro de 2015, República Portuguesa, consultado em 29 de novembro de 2019.
  9. LÍRIO, pe. Manuel (1922). Subsidios para a Historia de Ovar - Os Passos. Ovar: [s.n.] Consultado em 29 de novembro de 2019 
  10. GOMES, Marques (1877). O Districto de Aveiro (Monografia). Aveiro: bibRia - Biblioteca Digital. pp. p. 290. Consultado em 29 de novembro de 2019 
  11. Fernandes, Daniel. «Produtos Tradicionais Portugueses». Produtos Tradicionais Portugueses. Consultado em 29 de novembro de 2019