Pão de ló
Versão caseira do pão de ló em Portugal | |
| Categoria | Bolo |
|---|---|
| País | |
| Ingrediente(s) principal(is) | Ovos, açúcar e farinha |
| Variações | Pão de ló de Alfeizerão, Pão de ló de Alpiarça, Pão de ló de Ovar, Pão de ló de Arouca |
O pão de ló (pré-AO 1990: pão-de-ló), também conhecido como bolo esponjoso, é um bolo (por vezes, pode ser considerado um doce)
Em Portugal, existem versões modificadas da receita de pão de ló que se tornaram símbolos dessas regiões, como o de Alfeizerão, o de Ovar, Guimarães, o de Margaride (Felgueiras) e o de Arouca.
Ainda em Portugal, existe uma versão não original da receita chamado "pão de ló à brasileira", totalmente diferente do original tradicional, principalmente por levar muito menos ovos.
O bolo mais parecido com o pão de ló da culinária da Inglaterra e outros países de idioma inglês, incluindo a culinária dos Estados Unidos, é o sponge cake.
Os primeiros portugueses que chegaram ao Japão no século XVI levaram consigo a receita do pão de ló conhecido por pão de Castela que se tornou num dos doces mais típicos do Japão, o Kasutera.
História e Variedades
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Estima-se que o Pan di Spagna tenha sido criado na segunda metade de 1700, quando o cozinheiro genovês Giobatta Carbona, enviado a Espanha pelo marquês Domenico Pallavicino (nomeado embaixador em 1747 pelo rei da Espanha Fernando VI), presenteou o rei espanhol, por ocasião de um banquete, com um bolo extremamente leve que designou como Pan di Spagna em homenagem à corte espanhola da época.[1]
A inovação dessa receita é justamente o modo de preparação da massa a frio e rica em ovos, com todos os ingredientes adicionados num recipiente e depois cozinhados em banho-maria. Com os anos, essa técnica de preparação foi abandonada.
Origem
[editar | editar código]Existem evidências que apontam para uma origem portuguesa bem mais antiga, do Pão de Ló. No Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues, obra publicada no final do século XVII, encontram-se já receitas de bolos esponjosos sob as designações “Pão de Ló Fofo”, “Pão de Ló Torrado” e “Pão de Ló de Amêndoas”.[2]
A primeira referência conhecida ao Pão de Ló, escrita como "Paão de llo", aparece nos manuscritos da Infanta D. Maria de Portugal em meados do século XVI. A Infanta levou estas receitas para Itália ao tornar-se Duquesa de Parma. Em 1895, os manuscritos originais foram descobertos na Biblioteca Nazionale Vittorio Emanuele III, em Nápoles, e a coleção foi publicada em 1967 como Livro de Cozinha da Infanta D. Maria.[3] Ao contrário do Pão de Ló atual, tratava-se de um pudim espesso feito apenas com amêndoas moídas, sem farinha de trigo.[4]
Pão de ló Tradicional
[editar | editar código]Este tende a ser a receita mais comum, simples e tradicional, sendo as medidas baseadas nos ovos, logo o peso dos ovos é o mesmo peso do açúcar e a farinha é metade do peso do ovos, seguido de uma pitada de sal, tão simples quanto isso, o pão de ló depois deve ser assado numa forma de barro de pão-de-ló forrada com papel no forno em casa ou melhor num forno de lenha.[5]
Pão de ló de Alfeizerão
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Alfeizerão, freguesia do concelho de Alcobaça, região da Estremadura, é conhecida pelo seu famoso pão de ló, ex libris da terra, que o jornal Ecos do Alcoa designava, em 1932, por "pão de ló da tia Amália". Devido a uma deturpação na pronúncia, é conhecido também por "Pão-de-Ló de Alfazeirão".
Pão de ló de Alpiarça
[editar | editar código]Esta é outra variação popular da pão de ló, produzida em Alpiarça na região do Ribatejo, este tende a ser um pão-de-ló mole e cremoso muito similar ao Pão-de-ló de Alfeizerão.[6]
Pão de ló de Ovar
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O Pão de Ló de Ovar é um produto de pastelaria típico e tradicional da cidade de Ovar, sendo considerado o principal prato gastronómico desta localidade.[7][8] Sendo amplamente reconhecido não só na Região de Aveiro, como a nível nacional e internacional, este doce garantiu a proteção internacional da sua denominação de origem, em 2016.[9][10][11]
Pão de ló de Arouca
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Em Arouca, mais concretamente na freguesia de Burgo, é preparado e vendido desde 1840 o chamado pão de ló de Arouca. Distingue-se dos outros pães de ló por ser preparado em formas retangulares. É comercializado sob a forma de fatias embaladas individualmente. Antes de serem embaladas, as fatias de pão de ló de Arouca são envolvidas numa calda quente de açúcar.[12]
Pão de Castela
[editar | editar código]O Castella ou Kasutera, uma especialidade tradicional de Nagasaki. Os portugueses introduziram aí muitos artigos até então desconhecidos, como o pão de Castela.[13]
Referências
- ↑ «カステラの歴史 (língua japonesa) - A história de Castella, 2008-06-22». Consultado em 15 de abril de 2026
- ↑ Rodrigues, Domingos (1680). Arte de Cozinha. Lisboa: [s.n.] pp. 265 (alíneas 155 e 156). Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ Livro de Cozinha da Infanta D. Maria (1967) preparada por Giacinto Manuppella e Salvador Dias Arnaut
- ↑ Boileau, 2010, p. 72–81
- ↑ «Pão-de-Ló a Antiga»
- ↑ «Pão-de-Ló de Alpiarça»
- ↑ Fernandes, Daniel. «Produtos Tradicionais Portugueses». Produtos Tradicionais Portugueses. Consultado em 27 de novembro de 2019
- ↑ Caderno de Especificações do Pão de Ló de Ovar - Indicação Geográfica Protegida, APPO – ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE PÃO DE LÓ OVAR, Consultado em 29 de novembro de 2019
- ↑ Sá, Ana Cordeiro de (25 de agosto de 2016). «Pão de Ló de Ovar com Denominação de Origem Protegida a partir de 1 de Setembro». AGRICULTURA E MAR ACTUAL. Consultado em 27 de novembro de 2019
- ↑ REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) 2016/1407 DA COMISSÃO de 12 de agosto de 2016, relativo à inscrição de uma denominação no Registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas [Pão de Ló de Ovar (IGP)], Comissão Europeia, consultado em 27 de novembro de 2019.
- ↑ Diário da República, 2.ª série — N.º 180 — 15 de setembro de 2015, República Portuguesa, consultado em 29 de novembro de 2019.
- ↑ DIAS, Luiz Duarte de Oliveira. Pão de Ló de São Luiz
- ↑ «Pão-de-ló: history & recipe of Portugal's favorite cake (língua inglesa) - Pão-de-ló: história e receita do bolo preferido de Portugal, Amass Cook, 2019-05-04». Consultado em 15 de abril de 2026