Públio Alfeno Varo

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Públio Alfeno Varo
Cônsul da República Romana
Consulado 39 a.C.

Públio Alfeno Varo (em latim: Publius Alfenus Varus) foi um político da gente Alfena da República Romana nomeado cônsul sufecto em 39 a.C. com Caio Coceio Balbo.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Varo foi pupilo de Sérvio Sulpício Rufo e é o único discípulo dele do qual existem ainda extratos de seu "Digesto". Desconhece-se tudo mais sobre ele, com exceção uma história preservada nos escólios de Heleno Acrão nas "Sátiras" de Horácio.[2] Conta-se ali que ele era provavelmente de Cremona, onde exerceu a profissão de cabeleireiro ou sapateiro. Chegou a Roma para estudar com Sérvio e chegou a alcançar o consulado, conseguindo, na morte, a homenagem de um funeral público.

Tito Pompônio Ático lembra também que Varo alcançou o consulado, mas isto não é prova de que o resto da história do escoliasta[nota 1] seja verdade. O Públio Alfeno Varo, cônsul em 2, dificilmente seria o aluno de Sérvio e, conjectura-se, pode ter sido seu filho.

Obra[editar | editar código-fonte]

Há 54 fragmentos no "Pandectas" do "Digesto" de Alfeno, mas é possível que Alfeno tenha atuado apenas como editor de uma obra de Sérvio. Se depreende dos fragmentos que ele estava familiarizado com o grego. Estes fragmentos mostram que escrevia em um estilo puro e diáfano. Uma passagem mostra que ele conhecia também os filósofos.[4] Segundo Aulo Gélio, Alfeno interessava-se pela Antiguidad e cita uma passagem do livro XXXIV de seu "Compêndio" na qual Alfeno menciona os termos de um tratado entre romanos e cartagineses.[5] Alfeno foi frequentemente citado por juristas posteriores.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul da República Romana
SPQR.svg
Precedido por:
'Lúcio Cornélio Balbo Maior (suf.)

com Públio Canídio Crasso (suf.)

Caio Calvísio Sabino
39 a.C.

com Lúcio Márcio Censorino
com Caio Coceio Balbo (suf.)
com Públio Alfeno Varo (suf.)

Sucedido por:
'Ápio Cláudio Pulcro

com Caio Norbano Flaco


Notas[editar | editar código-fonte]

  1. No campo da literatura clássica ou antiga, chama-se escoliasta (anotador, intérprete, parafraseador) um comentarista (geralmente anônimo) dos escólios (notas ou breves comentários gramaticais, críticos ou explicativos, originais ou extratos de comentários já existentes, que se inseriam nas margens do manuscrito de um autor antigo como uma sucinta glosa).[3] O termo vem do latim "scholiastés" e este, do original grego σχολιαστής ("sjoliastés"), que significa "aquele que escolia". Escoliar é um verbo transitivo que significa "colocar escólios em uma obra ou escrito".

Referências

  1. Smith, p. 1228-1229
  2. Horácio, Sátiras I 3. 130
  3. «Escoliasta» (em espanhol). Diccionario de la lengua española (Real Academia Española) 
  4. Pandectas, 5. tit. 1. s. 76z
  5. Aulo Gélio, Noites Áticas VI, 5

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Broughton, T. Robert S. (1952). The Magistrates of the Roman Republic. Volume II, 99 B.C. - 31 B.C. (em inglês). Nova Iorque: The American Philological Association. 578 páginas 
  • Der Neue Pauly, Stuttgardiae 1999, T. 1, c. 489
  • Luigi De Sarlo: Alfeno Varo e i suoi Digesta. Giuffrè, Milano 1940.
  • Detlef Liebs: P. Alfenus Varus - Eine Karriere in Zeiten des Umbruchs. In: Zeitschrift der Savigny-Stiftung für Rechtsgeschichte. Romanistische Abteilung. 127, 2010, S. 32-52.
  • Este artigo contém texto do Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology (em domínio público), de William Smith (1870).