Públio Clódio Pulcro

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Públio Clódio Pulcro (em latim Publius Clodius Pulcher; Monte Palatino, Roma, 93 a.C.Bovilas, atual Marino, 18 de janeiro de 52 a.C.), político romano da etapa final da república. Nascido Públio Cláudio Pulcro, era membro da rica gente patrícia dos Claudii, filho de Ápio Cláudio Pulcro e uma matrona romana de nome desconhecido (tradicionalmente acreditava-se ser Cecília Metela Baleárica, uma tese hoje desacreditada). Mudou a pronunciação do seu nome, Cláudio, a Clódio (Clodius em lugar de Claudius em latim), para o adaptar à das classes baixas, como fez também a sua irmã Clódia Metelo, adotando a forma popular do seu nome em lugar de Cláudia. Casou-se com Fúlvia, filha de Semprônia, e teve uma filha, Clódia Pulcra, brevemente casada com Otaviano.

Juventude[editar | editar código-fonte]

A sua carreira militar foi geralmente medíocre, lutando na Terceira Guerra Mitridática contra Mitrídates VI do Ponto sob as ordens do seu cunhado Lúcio Licínio Lúculo. Contudo, considerando-se tratado com pouco respeito, instigou uma revolta dos soldados. Outro cunhado, Quinto Márcio Rex, governador da Cilícia, outorgou-lhe o comando da sua frota, se bem que Clódio acabou sendo capturado pelos piratas cilícios. Após a sua libertação marchou até a Síria, onde quase perdeu a vida durante um motim, do qual foi assinalado novamente como instigador.

Ao seu regresso a Roma em 65 a.C. prosseguiu o seu cursus honorum, processando Catilina por extorsão, mas acabou sendo subornado por este, obtendo a sua absolução. Não parece haver razões para acreditar que Clódio estivesse envolvido na conjura de Catilina de 63 a.C.; na realidade, de acordo com Plutarco [1], prestou ajuda a Cícero, agindo como um dos seus guarda-costas.

Porém, em dezembro de 62 a.C. o escândalo dos mistérios de Bona Dea implicou uma brecha na relação entre Cícero e Clódio. Vestido como uma mulher (pois era proibida a presença de homens neste tipo de mistérios), Clódio entrou na casa de Júlio César, nesse momento pontífice máximo (pontifex maximus), quando os mistérios se estavam ainda celebrando. Nesse momento especulou-se com que Clódio se disfarçara assim para intrigar com Pompeia Sula, a esposa de César, com quem teria uma relação. Foi descoberto e levado a juízo, mas evitou a condenação subornando o jurado.

"Se me perguntais porquê desta iniquidade, responderei: a necessidade de dinheiro dos juízes e a sua falta de honradeza.
Cícero Ad Atticum I, 16

. As violentas declarações públicas que fizera Cícero durante o julgamento deveram originar o ódio de Clódio para o orador.

Tribuno da plebe[editar | editar código-fonte]

Ao seu regresso da Sicília, onde fora designado questor em 61 a.C., Clódio decidiu renunciar à sua posição patrícia. Após conseguir o consentimento do Senado, e com a conivência de César,[2] conseguiu ser adotado em 59 a.C. por um tal Públio Fonteio, membro de um ramo plebeu da sua própria família. Assim pôde optar e conseguir o cargo de tribuno da plebe, ao qual não poderia aspirar sendo patrício (10 de dezembro de 59 a.C.).

A sua primeira ação como tal foi levar adiante leis aparentemente calculadas para ganhar o favor popular. Distribuiu grão de modo gratuito uma vez ao mês, em lugar de ser vendido a baixo preço; depois mandou aprovar uma série de medidas que aumentava o poder das assembleias populares sobre as quais se apoiava: aboliu o direito a consultar os preságios num dia que fosse declarado como nefasto, para impedir assim a assembleia dos comícios, um direito próprio de cada magistrado de acordo com a Lex Aelia Fufia; restabeleceu os antigos clubes e guildas de trabalhadores (collegia), associações que se transformaram depressa em bandos armados; e tirou aos censores a potestade de excluir qualquer cidadão para o Senado, ou de infligir qualquer castigo a um suspeitoso até não ser acusado publicamente e depois condenado.

Clódio agiu então contra Cícero e Catão, o Jovem, que foi enviado a Chipre como pretor, para tomar posse da ilha e do tesouro real. Enquanto a Cícero, as suas propriedades foram confiscadas por ordem de Clódio, a sua casa no Palatino demolida, e o seu terreno posto à venda mediante leilão, que adquiriu o próprio Clódio. A persecução de Cícero foi um assunto pessoal para ele, quem, não desejando ver o seu nome envolvido neste assunto, designou outros para se encarregarem desta tarefa.

Adversários[editar | editar código-fonte]

Após a partida de César para as Gálias, Clódio tornou-se praticamente no dono de Roma com a ajuda do seu bando pessoal, um dos muitos que agiam naquele momento na cidade. Em 57 a.C., um dos tribunos propôs que fosse permitida a volta a Cícero, pelo qual Clódio recorreu à violência para impedir a aprovação desta medida. Os seus esforços foram porém frustrados por Tito Ânio Papiano Milão, que reuniu um bando próprio o bastante forte como para controlar o bando de Clódio. Furioso, Clódio atacou os trabalhadores que reconstruíam a casa de Cícero com dinheiro público, assaltando ao próprio Cícero na rua, e acendendo fogo à casa do irmão do orador, Quinto Túlio Cícero. Somente cessaram as suas agressões com a intervenção de Pompeu.

Em 56 a.C., enquanto desempenhava o cargo de edil curul, denunciou Milão por violência pública, por ter defendido a sua casa dos ataques do bando de Clódio, ataques promovidos até mesmo quando Clódio já exercia o cargo edilício. Contudo, os violentos distúrbios fizeram que os procedimentos judiciários iniciados pronto fossem deixados de lado.

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 53 a.C., enquanto Milão era candidato ao consulado e Clódio aspirava ao proconsulado, ambos os rivais reuniram os seus bandos, que se enfrentaram nas ruas de Roma, atrasando-se assim as eleições. Finalmente, a 18 de janeiro de 52 a.C., Clódio foi assassinado perto de Bovilas pelos homens de Milão, na via Ápia. Os seus enfurecidos seguidores estabeleceram a sua pira funerária diante da Cúria e incendiaram o próprio edifício senatorial. Milão foi acusado de assassinato por Ápio Cláudio Pulcro Maior e Menor, os dois filhos de Caio Cláudio Pulcro; Ápio Cláudio Pulcro não participava do juízo. Torpemente defendido por Cícero,[3] Milão deveu exilar-se.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes clássicas[editar | editar código-fonte]

  • CÍCERO, Ad Atticum (I). Pro Caelio. Pro Sestio. Pro Milone. Pro domo sua. De Haruspicum Responsis. In Pisonem.
  • PLUTARCO: Vidas de Lúculo. Pompeu. Cícero. César.

Fontes modernas[editar | editar código-fonte]

  • MOREAU, Philippe: Clodiana religio. Un procès politique en 61 av. J.-C. (Les Belles Lettres, Paris, 1982) ISBN 2-251-33103-4
  • DUPONT, Florence. L’affaire Milon, meurtre sur la voie Appienne, Denoël, Paris, 1987
  • DAVID, J. M. Le patronat judiciaire au dernier siècle de la république romaine pp. 890–891
  • TATUM, W.J., The Patrician Tribune : P. Clodius Pulcher. Studies in the History of Greece and Rome, University of North Carolina Press, Chapel Hill, 1999
  • FEZZI, L. Il tribuno Clodio, Roma-Bari 2008

Referências

  1. Cícero, 29
  2. SUETÔNIO, Caesar, 20
  3. CÍCERO, Pro Milone

Ver também[editar | editar código-fonte]