Púrpura tíria

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Este artigo ou seção precisa ser wikificado (desde setembro de 2013).
Por favor ajude a formatar este artigo de acordo com as diretrizes estabelecidas no livro de estilo.
Duas conchas do gastrópode Bolinus brandaris, também conhecido como murex espinhoso.
Púrpura tíria
Alerta sobre risco à saúde
Tyrian-Purple-2D-skeletal.png
Tyrian-Purple-from-xtal-3D-vdW.png
Outros nomes 6,6'-dibromoíndigo
Identificadores
Número CAS 19201-53-7
SMILES
Compostos relacionados
Compostos relacionados Anil (corante) (índigo, 2,2’-Bis(2,3-diidro-3-oxoindolilideno))
Excepto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições PTN

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A púrpura tíria (também púrpura de Tiro ou púrpura-de-Tiro; em grego: πορφύρα, porphyra; em latim: purpura) é uma tinta natural de coloração vermelho-púrpura, extraída de caramujos marinhos, e que provavelmente foi produzida pela primeira vez pelos antigos fenícios. Esta tinta tinha grande valor na Antiguidade por não desbotar - ao contrário, ela se torna gradualmente mais brilhante e intensa com a exposição ao tempo e à luz do sol.

A púrpura tíria era cara; segundo o historiador Teopompo, do século IV a.C., "a púrpura para as tintas valia o seu peso em prata em Cólofon", na Ásia Menor.[1] Estes custos transformavam os produtos têxteis que utilizavam a púrpura tíria em símbolos de status, e as antigas leis suntuárias ditavam e até probiram o seu uso. A produção dos animais que forneciam a tinta era controlada com rigor durante o Império Bizantino, e subsidiada pela corte imperial, que restringia seu uso para a pintura das sedas imperiais;[2] o filho de um imperador no poder era chamado de porfirogênito (porphyrogenitos, "nascido na púrpura"), tanto referindo-se à Pórfira, o pavilhão do Grande Palácio de Constantinopla revestido de pórfiro onde os herdeiros do trono nasciam, quanto à púrpura que futuramente trajariam.

A substância consiste de uma secreção mucosa da glândula hipobranquial de um dos diversos caramujos marinhos encontrados no Mediterrâneo Oriental, o gastrópode marinho Murex brandaris, o murex espinhoso Bolinus brandaris (Linnaeus, 1758), o murex listrado Hexaplex trunculus, e o Stramonita haemastoma.[3] [4] [4]

No hebraico bíblico, a tinta extraída do Murex brandaris era conhecida como argaman (ארגמן). Outra tinta, extraída do Hexaplex trunculus, produzia uma cor índigo chamada de tekhelet (תְּכֵלֶת‎), usada em vestes trajadas para funções rituais.[5]

Diversas espécies de moluscos da família Muricidae, como por exemplo o Plicopurpura pansa (Gould, 1853), das regiões tropicais do Oceano Pacífico oriental, e Plicopurpura patula (Linnaeus, 1758) da região do Caribe, no Oceano Atlântico ocidental, também produzem uma substância semelhante (que se transforma numa cor púrpura duradoura após exposição à luz do sol), e esta característica foi também explorada pelos habitantes locais nas regiões de ocorrência destes animais. Alguns outros gastrópodes predatórios, como os membros da família Epitoniidae, parecem produzir uma substância similar, que ainda não foi estudada nem explorada comercialmente. O molusco Nucella lapillus, do Atlântico Norte, também pode ser usado para produzir tintas púrpura e violeta.[6]

Na natureza estes moluscos utilizam esta secreção como parte de seu comportamento predatório, e para funcionar como uma camada antimicrobiana que cobre seus ovos.[7] [8] O molusco secreta esta substância quando é tocado ou atacado fisicamente por humanos, portanto a tinta pode ser extraída através de um processo de "ordenha", que embora seja mais trabalhoso é um recurso renovável, ou através do método destrutivo, que consiste da coleta dos moluscos e do esmagamento de suas conchas. Segundo David Jacoby,[9] "doze mil conchas de Murex brandaris não produzem mais que 1,4 g de tinta pura, suficiente apenas para colorir a bainha de uma única veste."

Referências

  1. Teopompo, citado por Ateneu (12:526), por volta de 200 a.C.; citado em Gulick, Charles Barton 1941. Athenaeus, The Deipnosophists. Cambridge: Harvard University Press.
  2. Jacoby, David. "Silk in Western Byzantium before the Fourth Crusade" in Trade, Commodities, and Shipping in the Medieval Mediterranean (1997) pp. 455f e notas 17-19.
  3. Ziderman, I.I., 1986. Purple dye made from shellfish in antiquity. Review of Progress in Coloration, 16: 46-52.
  4. a b Radwin, G. E. e A. D'Attilio, 1986. Murex shells of the world. An illustrated guide to the Muricidae, p. 93, Stanford University Press, Stanford, 284pp incl. 192 figs. & 32 pls.
  5. Elsner, O. "Solution of the enigmas of dyeing with Tyrian purple and the Biblical tekhelet", Dyes in history and Archaeology 10 (1992) p 14f.
  6. Biggam, Carole P. Whelks and purple dye in Anglo-Saxon England. Departmento da Língua Inglesa, Universidade de Glasgow, Escócia. The Archaeo-Malacology Group Newsletter, ed. 9, março de 2006. [1]
  7. Benkendorff, Kirsten. (março de 1999). "Bioactive molluscan resources and their conservation: Biological and chemical studies on the egg masses of marine molluscs" (PDF). Universidade de Wollongong. Página visitada em 25-2-2008.
  8. Devido aos estudos de Benkendorff et al., o precursor da púrpura tíria, tirindoleninona, vem sendo examinada como sendo um potecial agente antimicrobiano para ser utilizado contra bactérias resistentes a múltiplas drogas.
  9. Jacoby, "Silk Economics and Cross-Cultural Artistic Interaction: Byzantium, the Muslim World, and the Christian West" Dumbarton Oaks Papers 58 (2004:197-240) p. 210.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]