Paço da Giela

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Paço da Giela (26872819561).jpg

O Paço da Giela localiza-se na freguesia de Giela, vila e concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

História[editar | editar código-fonte]

Segundo o historiador e arqueólogo Mário Barroca, o sítio onde se ergue atualmente o Paço de Giela foi ocupado por um castelo-refúgio anterior ao século XI, do qual resta o troço Norte da muralha. As escavações conduzidas em 2014 identificaram ainda sinais dessa torre adossada à muralha, próxima da atual mas de menores dimensões. Esta estrutura terá perdido importância e seria mesmo abandonada, possivelmente na segunda metade do mesmo século.

Não há certezas sobre a data em que o sítio de Giela adquiriu a sua segunda configuração, marcada pela presença de uma torre senhorial. A análise estilística de Mário Barroca levou-o a defender que se tratava "de uma construção do primeiro quartel do século XIV, da fase final do reinado de D. Dinis, ou quando muito do segundo quartel da centúria" (BARROCA 2015, p. 159).

Esta datação coincide com a possibilidade de ter sido fundada por D. João Fernandes de Lima, casado com Maria Anes de Aboim, sugerida por outros autores. Sabe-se sim que em 1398, João I doou a "casa de Geella", junto com a Terra de Valdevez, a Fernão Anes de Lima, pai do 1º visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Leonel de Lima.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

O seu aspeto atual é resultado de duas grandes etapas construtivas: a da primeira metade do século XIV, e outra, de inícios do século XVI, para além de espaço de vivência e utilização agrícola dos séculos XIX e XX.

Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde [[1910].

É propriedade do Município de Arcos de Valdevez desde 1999. Abriu totalmente recuperado e reabilitado após um projeto de intervenção, amplo e multidisciplinar, com um investimento de 1,2 milhões de euros, financiado por Fundos Estruturais da Comunidade Europeia e do Município arcuense.

A inauguração foi em 11 de Julho de 2015, Dia do Concelho, e inseriu-se no programa de comemoração dos 500 Anos do Foral de Valdevez. A cerimônia foi presidida pelo então Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho.

A intervenção dotou o imóvel de valências culturais e de promoção turística e insere-se num projeto para aquela área, constituída pelos edifícios classificados e por uma propriedade envolvente com 22 hectares totais, propriedade municipal, denominado de Parque Urbano do Paço de Giela, e que conhecerá intervenções futuras de beneficiação.

Para além da reabilitação total do imóvel composto pela torre e antigas áreas habitacionais, e em respeito pelas características históricas e as marcas temporais da sua evolução, a intervenção recuperou as antigas casas dos caseiros como espaço de recepção ao visitante e auditório/área expositiva, bem como a primitiva Capela de Santa Apolônia, do século XVI. O espaço funciona como um verdadeiro "santuário" patrimonial, num convívio singular entre história e natureza, sendo por tal um dos locais obrigatórios de visita no concelho e na região, naquele que é considerado um dos mais importantes Monumentos Nacionais e um notável exemplar de residência senhorial acastelada da Idade Média e Moderna. A antiga Torre do Paço, completamente recuperada, tem no seu interior um espaço interpretativo e expositivo, composto pro três pisos, tal como no projeto original; um é dedicado à Arqueologia do Concelho, outro à interpretação do próprio monumento e um terceiro dedicado ao Recontro de Valdevez, que em 1141 opôs Afonso Henriques a seu primo Afonso VII de Leão e Castela. Estes espaço estão apoiados num eficaz e dinâmico projeto que articula as novas tecnologias e a componente museológica. O topo da torre de menagem, e o seu primitivo caminho de ronda, é um fantástico miradouro sobre as antigas e medievais "Terras de Valdevez" e o belíssimo vale do Rio Vez.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências[editar | editar código-fonte]

Barroca, Mário Jorge, "O Paço de Giela: Um "Palimpsesto" Arquitectónico", in Sottomayor-Pizarro, J. A., e Barroca, Mário Jorge, (eds.), O Paço de Giela. História de um monumento, Arcos de Valdevez, Câmara Municipal, 2015, pp. 133-215.

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