Paço de Arcos

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 Portugal Paço de Arcos  
—  Freguesia  —
Vista Geral de Paço de Arcos-Oeiras
Vista Geral de Paço de Arcos-Oeiras
Brasão de armas de Paço de Arcos
Brasão de armas
Paço de Arcos está localizado em: Portugal Continental
Paço de Arcos
Localização de Paço de Arcos em Portugal
Coordenadas 38° 41' 42" N 9° 17' 37" O
País  Portugal
Concelho OER.png Oeiras
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 3,49[1]  km²
População (2011)
 - Total 15 315[1]
    • Densidade 4388,3[1] hab/km2 
Código postal 2770
Orago Senhor Jesus dos Navegantes
Sítio www.jf-pacodearcos.pt

Paço de Arcos ou Paço d'Arcos é uma localidade da freguesia de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, do concelho de Oeiras. Na Costa de Lisboa, junto às praias mais atlânticas do Estuário do Tejo, o agradável ambiente ribeirinho das ruas pitorescas da localidade tornou-as especialmente atrativas para a restauração, hotelaria e comércio. Criada a 16 de Janeiro de 2013.[2] , resultante da extinção da freguesia com o mesmo nome, a vila de Paço de Arcos é apelidada pelos seus habitantes como "a vila mais charmosa de Portugal".

A toponímia advém do Palácio dos Arcos, a mais importante edificação da vila, a que o povo chamava de "Paço" porque El-Rei D. Manuel I, o Venturoso, e sua filha D. Maria ter-se-iam hospedado por diversas vezes neste palácio, para participar em caçadas na quinta do morgadio e para assistir à partida das caravelas rumo à Índia. Atualmente este palácio alberga um hotel da chancela Vila Galé Hotéis.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Paço de Arcos [3]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
3 723 5 567 5 486 8 413 11 133 19 645 16 818 23 496 15 315

Criada pelo decreto nº 12.783, de 07/12/1926, com lugares desanexados da freguesia de Oeiras e São Julião da Barra. Com lugares desta freguesia foram criadas em 1993 as freguesias de Porto Salvo e Queijas e em 2001, a freguesia de Caxias

História[editar | editar código-fonte]

Era das Navegações[editar | editar código-fonte]

Antes de tudo, existia uma quinta onde D. Afonso V esteve diversas vezes em caçadas. Mas é no final do século XV que é finalizado o Palácio dos Arcos, pertencente ao capitão-donatário Antão Martins Homem. A família Homem é antiquíssima, “procedendo dos reis Godos que floresceram com sucessão continuada, do ano 700 em diante” (Rogério de Oliveira Gonçalves) sendo o carácter aristocrático desta propriedade inquestionável. A Quinta de Paço de Arcos marcou o carácter de Oeiras, sendo a primeira das muitas quintas de recreio que ali viriam a surgir. Terá sido uma das mais frondosas e magnificentes da zona ribeirinha de Lisboa, nela tendo caçado ou veraneado vasto número de governantes e figuras ilustres da aristocracia lisboeta. Foi precisamente este carácter aristocrático que assegurou ao local um papel de destaque na vida política portuguesa. A tradição popular garante que foi dali que D. Manuel I avistou o embarque das naus que seguiram para a Índia. Ele e a sua filha D. Maria ter-se-ão hospedado deste palácio diversas vezes.[4]

A cerca de 300 metros do Palácio dos Arcos foram construídos os Fornos da Cal, provavelmente no século XVI, datando de 1582 a referencia mais antiga que se conhece. Este conjunto de 5 fornos viriam a constituir durante séculos uma importante atividade económica na região.

O Morgadio de Paço de Arcos foi criado no final do século XVII por D. Teresa Eufrásia de Meneses. Herdeira da sua irmã mais velha, D. Maria Clara de Meneses que tivera mandado edificar a Capela do Senhor Jesus dos Navegantes. Por volta desta época, terá por aqui passado também a mulher de D. João V, D. Maria Ana da Áustria. Mas D. Teresa Eufrásia de Meneses, tal como a sua irmã, não podia ter filhos. Então legou o Morgadio de Paço de Arcos a D. Jorge Henriques, Senhor das Alcáçovas, cujos descendentes desta nova linha de proprietários, mais tarde (em 1777) registariam a situação para a posteridade mandando, em homenagem à benfazeja testadora, executar o seu retrato a óleo, que ainda adorna o salão nobre da velha e aristocrática mansão. Algures durante esta época de descobrimentos foi erguido o Forte de São Pedro de Paço de Arcos.

A 7 de Junho de 1759 é criado o Concelho de Oeiras. A jurisdição das terras é atribuída em Carta Régia pelo Rei D. José I ao seu Primeiro-ministro, que se tornou o 1º Conde de Oeiras, mais tarde Marquês de Pombal. Paço de Arcos foi também conhecido pelas suas pedreiras (hoje desativadas). Tendo sido construído com Pedra de Paço de Arcos, o famoso e emblemático Arco da Rua Augusta, por exemplo. É também neste século que o Palácio dos Arcos foi reedificado.

No século XIX Paço de Arcos fica ligada a Patrão Joaquim Lopes, indivíduo que ficou famoso pelos seus salvamentos aos naufrágios que ocorriam. Era uma zona balnear muito importante e que atraía a média e alta burguesia da capital. D. Fernando II, o ideólogo da Sintra romântica, ali se deslocavam assistir às célebres Regatas de Paço de Arcos, assim como o seu filho D. Luís I e D. Maria Pia de Sabóia. Mas é sobretudo a partir do reinado de D. Luís I que Cascais começa a ganhar protagonismo, a meados do século XIX. Continuou contudo a ser palco de acontecimentos importantes na História de Portugal.

Dá-se em 1889 a inauguração da Linha de Caminho-de-ferro Lisboa-Cascais, com o comboio a vapor, e da Estação Ferroviária de Paço de Arcos.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Foi já no final da primeira década que D. Manuel II pernoitou no palácio, em Setembro de 1910, pouco antes da Implantação da República, para assistir a experiências militares. A 7 de Dezembro de 1926 (decreto n.º 12.783)[5] , resultante do desmembramento do território da freguesia de Nossa Senhora da Purificação de Oeiras, Paço de Arcos é elevada a vila, tornando-se assim a segunda do concelho de Oeiras. Tal designação não permitiu que durante grande parte do século XX esta pequena vila fosse algo mais do que um lugar de passagem e de dormitório. Destaca-se ainda a construção da Avenida Marginal, nos anos 40, que permitiu melhorar as acessibilidades à vila pela zona ribeirinha.

Em Janeiro de 1963, a Valentim de Carvalho inaugura o novo estúdio de áudio em Paço de Arcos, uma instalação pioneira nesta área, por onde passaram alguns dos maiores nomes da música portuguesa (entre outros destacam-se Amália Rodrigues ou António Variações) e que significou um investimento invulgar para a época.

A partir dos anos 80, Oeiras passa a apostar no desenvolvimento de atividades terciárias ligadas à Ciência e Investigação e às Tecnologias de Informação e Comunicação, enquadrando o paradigma atual de desenvolvimento sustentável. Assim, Paço de Arcos contrariou a tendência de dormitório e começou a desenvolver-se económica e socialmente. Destaca-se a inauguração da Escola Náutica Infante D. Henrique, em 1972 e a criação dos estúdios de televisão da Valentim de Carvalho. O centro histórico começou em 1995 a sofrer modificações importantes, decorrentes da implementação do PIPA - Plano Integrado de Paço de Arcos, que vieram requalificar o espaço urbano e o património.

Nos dias de hoje...[editar | editar código-fonte]

Paço de Arcos é hoje uma vila multifacetada. O seu território possui diversas valências, destacando-se a residencial, empresarial e turística. O office park Quinta da Fonte (alberga a HP, Procter & Gamble, Merck Sharp & Dohme, entre outros); a sede do Grupo Impresa (detentor da SIC, semanário Expresso e as revistas Caras, Visão, etc.) e a sede da NetJets Europe localizam-se nesta localidade.

A nível turístico, destacam-se importantes hotéis como o Hotel Real Oeiras, o Hotel Solar Palmeiras e mais recentemente o Hotel Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, que resulta da renovação do Palácio dos Arcos.

Atualmente com a recuperação do espaço urbano e das praias, Paço de Arcos, apostando na área da restauração e da hotelaria com muitos estabelecimentos de grande qualidade, tornou-se um local de atracção turística na Linha de Cascais. O topónimo Paço de Arcos tem hoje especial destaque.

O futuro[editar | editar código-fonte]

Simbologia[editar | editar código-fonte]

O brasão de armas da Vila de Paço de Arcos é explicado da seguinte forma:

  • Vermelho da âncora: vitórias, guerras, força, audácia, vida.
  • Ouro do coração: firmeza, obediência e honestidade.
  • Verde do mar: fé, esperança.
  • Âncora: a vida do mar; a esperança com que os heróis de Paço de Arcos se lançavam à água para salvar outras vidas.
  • Coração de ouro: sentimento humanitário.
  • Golfinhos: a vida atribulada dos pescadores.
  • Mar: a importância das praias e do mar na vida dos habitantes de Paço de Arcos.

Património[editar | editar código-fonte]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Militar[editar | editar código-fonte]

Espaços Públicos[editar | editar código-fonte]

Eventos[editar | editar código-fonte]

  • Festas em honra do Senhor Jesus dos Navegantes[6] (última semana de Agosto e primeira de Setembro)

Outros[editar | editar código-fonte]

Neste ano a 6 de Maio foi inaugurada, nas Escadinhas dos Escuteiros, a sede atual do Agrupamento 242 do Corpo Nacional de Escutas, fundado a 01 de Julho de 1971, conforme Consta na Ordem de Serviço Nacional Nº 309.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Neto, P. (2012). Ao Ritmo de Paço de Arcos. Portugal: Município de Oeiras.
  2. Lei n.º 11-A, Assembleia da República § 1 (2013).
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  4. Lda, Bibliosoft,. Biblioteca Municipal de Pombal biblionet.cm-pombal.pt. Visitado em 2015-08-03.
  5. X Recenseamento Geral da População. (Vol. 1). (1960). Portugal: Instituto Nacional de Estatística.
  6. Paroquia de PACO de ARCOS - Senhor Jesus dos Navegantes paroquiapacodearcos.com.sapo.pt. Visitado em 2015-08-03.