Pais e Filhos

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Pais e Filhos
Autor(es) Ivan Turgueniev
Idioma Russo
País  Rússia
Lançamento 1862
Edição portuguesa
Tradução João Gaspar Simões
Editora Presença
Lançamento 1963
Páginas 285
Edição brasileira
Tradução Ivan Emilianovitch
Editora Cultura Brasileira
Lançamento 1935

Pais e Filhos é a obra-prima do escritor russo Ivan Turgueniev, publicada originalmente em 1862, uma época de grande perturbação social e política em seu país.

Personagens e idéias[editar | editar código-fonte]

Foi nesta obra que se popularizou o termo niilismo, aplicado ao protagonista Bazárov, para descrever uma espécie de rebeldia que "não se inclina a nenhuma autoridade nem aceita nenhum princípio sem exame". Bazárov é um jovem intelectual materialista, que nega o amor, a arte, a religião e a tradição, e diz acreditar apenas em verdades cientificamente comprovadas pela experiência. O personagem teria sido inspirado num médico que o próprio escritor conheceu pessoalmente.

"O lugar insignificante que ocupo é tão minúsculo em comparação com o resto do espaço em que não estou e onde não se importam comigo. A parcela de tempo que hei de viver é tão ridícula em face da eternidade, onde nunca estive e nunca estarei... Neste átomo, neste ponto matemático, o sangue circula, o cérebro trabalha e quer alguma coisa... Que estupidez! Que inutilidade!"- Bazárov refletindo sobre a inutilidade da vontade de viver.

No decorrer da obra, Bazárov se apaixona e dessa forma o livro apresenta uma crítica ao niilismo, fato que fez com que fosse criticado pelos intelectuais da época, militantes do niilismo. No livro, Turgueniev coloca em choque a juventude (geração de 60) e os conservadores (geração de 40), estes descritos pelo jovem personagem Bazárov como "cartas fora do baralho", o que evidentemente desagradou a quem se identificava com a geração dos "pais".

Contexto[editar | editar código-fonte]

Pouco após a publicação do livro, iniciou-se na Rússia uma série de atentados e movimentos. Ainda que se tratasse de manobras políticas com pouca ou nenhuma relação com o niilismo dos personagens de "Pais e filhos", houve quem responsabilizasse Turgueniev pela situação. Consta que certa vez um vizinho gritou para Turgueniev: "Viu o que seus niilistas fizeram? Colocaram fogo em Petesburgo!", o que certamente contribuiu para sua decisão de deixar a Rússia e fixar-se na Alemanha a partir de 1863.

Intertextualidade[editar | editar código-fonte]

Dostoiévski, também russo, teve toda a sua obra permeada pelo ideário niilista, mas sempre de outra perspectiva, em oposição a Turgueniev, tentando expor a decadência moral da negação de todos os valores, tal como defendia Bazárov. Em sua obra Os Demônios (1862), Dostoiévski insere o seu próprio protótipo de Turgueniev: o escritor e livre-pensador Karmazínov, um personagem bastante caricato, que flerta com a juventude revolucionária presente nessa obra, o que já demonstra a rivalidade entre os dois escritores. Existem também algumas alusões ao livro de Turgueniev no livro Crime e Castigo.

Mais tarde Nietzsche intitulou-se "o último niilista". Apesar de não ter citado Turgueniev em suas obras, é crível que o filósofo alemão tenha sido influenciado diretamente por Bazárov e seus contemporâneos.