Palácio Nacional de Queluz

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Palácio Nacional de Queluz
Fachada de Cerimónia do Palácio Nacional de Queluz, edifício de traços neoclássicos.
Estilo dominante rococó e neoclássico
Arquiteto Mateus Vicente de Oliveira
Início da construção 1747 (273 anos)
Função inicial Palácio Real
Proprietário atual Estado português
Função atual museu
Website site oficial
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional
Data 1910
DGPC 70181
SIPA 6108
Geografia
País Portugal Portugal
Cidade Queluz
Coordenadas 38° 45' 2" N 9° 15' 31" O

O Palácio Nacional de Queluz é um palácio do século XVIII localizado na cidade de Queluz, no concelho de Sintra, distrito de Lisboa. Um dos últimos grandes edifícios em estilo rococó erguidos na Europa, marcado também pelo barroco e o neoclassicismo ilustra nas suas divisões e jardins os ambientes e vivências da Família Real e da corte portuguesa na segunda metade do século XVIII e início do XIX, durante momentos de grande importância histórica, na transição do Antigo Regime para o Liberalismo.[1]. O palácio foi construído como um recanto de verão para D. Pedro de Bragança, que viria a ser mais tarde marido e rei consorte de sua sobrinha, a rainha D. Maria I de Portugal.

Serviu como um discreto lugar de encarceramento para a rainha D. Maria I enquanto sua loucura continuou a piorar após a morte de D. Pedro em 1786. Após o incêndio que atingiu o Palácio da Ajuda em 1794, o Palácio de Queluz tornou-se a residência oficial do príncipe regente português, o futuro D. João VI, e de sua família. Permaneceu assim até a fuga da família real para o Brasil em 1807, devido à invasão francesa de Portugal.

A construção do Palácio iniciou-se em 1747, tendo como arquiteto Mateus Vicente de Oliveira. Apesar de ser muito menor, é chamado frequentemente de "o Versalhes português". A partir de 1826, o palácio lentamente deixou de ser o predileto pelos soberanos portugueses. Em 1908, tornou-se propriedade do Estado. Após um grave incêndio em 1934, o qual destruiu o seu interior, o Palácio foi extensivamente restaurado e, hoje, está aberto ao público como um ponto turístico.

Palácio Nacional de Queluz

Uma das alas do Palácio de Queluz, o Pavilhão de Dona Maria, construído entre 1785 e 1792 pelo arquiteto Manuel Caetano de Sousa, é hoje um quarto de hóspedes exclusivo para chefes de Estado estrangeiros em visita a Portugal.

Foi classificado como Monumento Nacional em 1910.

Arquitetura e história[editar | editar código-fonte]

Antes da construção do palácio, a região abrigava o pavilhão de caça dos Marqueses de Castela Rodrigo. Por terem tomado o partido dos espanhóis durante a Guerra de Restauração, os marqueses tiveram sua propriedade em Queluz transferida à família Bragança.[2]

Deve-se a D. Pedro III a iniciativa da construção, do século XVIII, em que trabalharam os arquitectos portugueses Mateus Vicente de Oliveira e Manuel Caetano de Sousa, e o arquitecto-escultor francês João Baptista Robillon. As obras começaram em 1755. No teatro real deste palácio interveio o arquitecto I. de Oliveira Benevides, vindo essa sala a ser inaugurada em 17 de Dezembro de 1778 (1.º aniversário da coroação da Rainha).

Destaca-se, para além do valor arquitectónico e patrimonial, a beleza dos jardins e larga extensão de mata que o cerca.

Foi residência sazonal real e hoje tem vocação turístico-cultural. Os traços arquitectónicos salientam os estilos barroco, rococó e neoclássico. A planta apresenta-se complexa, pois corresponde à aglutinação de vários núcleos e a fases distintas de construção. Porém, pode-se dizer que o palácio se organiza genericamente em L, enquadrando os jardins por meio de várias salas.

Do lado externo, o palácio abre dois braços curvos. No lado dos jardins, é visível a articulação das várias fachadas de aparato, nomeadamente a que enquadra o Jardim de Neptuno ou Jardim Grande. No piso térreo, merece destaque o corpo central de dois andares, firmado por portas e janelas de sacada. A fachada de cerimónia virada ao Jardim dos Azereiros ou Jardim de Malta, é constituída por três corpos.

No rio Jamor, que passa nos jardins do palácio, foi construído o Canal dos Azulejos, com cerca de 130 metros de comprimento. Quando as comportas do canal eram fechadas, criava-se um plano de água onde era possível passear de barco entre paredes azulejadas, com representações de portos, palácios e outros temas.

Pavilhão Robillon, Palácio Nacional de Queluz
Simetria nos jardins com sebes talhadas em buxo Palácio Nacional de Queluz
Corredor das Mangas com revestimento a azulejo policromo

A chamada Quinta de Queluz, que anteriormente pertenceu ao marquês de Castelo Rodrigo, passou para posse real em 1654 e foi incorporada na Casa do Infantado. O palácio começou a ser construído em 1747. Daí até finais do século XVIII o edifício ganhou os contornos que apresenta hoje, nomeadamente com o marcado revestimento azulejar e a construção de sumptuosos jardins, a cargo de um arquitecto holandês. No jardim chegou a existir uma pequena praça de touros, que viria a desaparecer.

A primeira fase de construção do jardim terminou em 1786. A água para os lagos e repuxos dos jardins da zona sudoeste era fornecida por dois aquedutos: o aqueduto da Ponte Pedrinha, proveniente da mina do Pendão no vale do rio Jamor, e o aqueduto da Gargantada, proveniente da mina da Gargantada no vale da ribeira de Carenque. A zona noroeste era alimentada por água proveniente da bacia da ribeira das Forcadas.

Em 1794, o palácio tornou-se oficialmente residência oficial da Família Real Portuguesa. Nele nasceu D. Pedro IV de Portugal (ou Pedro I do Brasil), em 12 de outubro de 1798. Quando da partida dos reis para o Brasil, em 1807, grande parte do recheio do palácio foi despojado. D. João VI e a Corte regressaram a Portugal em 1821, mas Queluz só volta a ser habitado, pela rainha D. Carlota Joaquina.

Também D. Miguel habita o Palácio de Queluz, enquanto rei e durante o período sangrento das guerras fratricidas que o opuseram ao irmão. Em 24 de setembro de 1834, já como rei de Portugal, Pedro IV viria a falecer no mesmo quarto em que nascera (Quarto D. Quixote). [3]. A partir desta data entrou em declínio, até que em 1908 o rei D. Manuel II o cedia à Fazenda Nacional.

O desnível entre os jardins e o parque perde relevo perante a sequência de terraços e galeria porticada por pares de colunas toscanas, rematada por uma monumental escadaria. No interior, a organização dos compartimentos processa-se em linha.

Aposentos[editar | editar código-fonte]

As salas e outras divisões do palácio são: sala do trono, sala da música, sala dos embaixadores, corredor das mangas ou dos azulejos, quarto D. José, sala dos arqueiros ou corpo da guarda, sala do toucador, quarto D. Quixote, sala do Lanternim, aposentos da Princesa D. Maria Francisca Benedita, sala de fumo, sala de jantar, sala da tocha, sala dos archeiros, sala dos particulares, sala das merendas, aposentos da Rainha; pavilhão D. Maria.[4];[5]

Sala do Trono também denominada Casa Grande, é a maior das três salas de aparato do palácio. A sua construção teve inicio em 1768, para o casamento de D. Pedro com a sobrinha, futura rainha D. Maria I, sendo necessário a criação de um grande espaço destinado às audiências oficiais, tendo sido terminada em 1774. A sala foi concebida ao gosto regência-rococó, com os trabalhos de talha da autoria e coordenação do escultor-entalhador Silvestre de Faria Lobo e as pinturas alegóricas do teto foram executadas sob a orientação do pintor João de Freitas Leitão.[6]

Sala da Música, uma das mais antigas salas do palácio, também denominada Sala das Serenatas, foi muitas vezes utilizada para casa de ópera e serões musicais. Projetada pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira, foi concluída em 1759. Decoração em talha dourada no estilo regência-rococó, com motivos alusivos à música, tendo como autor Silvestre Faria Lobo.[7]

Sala do Lanternim, conhecida anteriormente por Sala Escura, tem hoje uma abertura no tecto mandada criar pelo general francês Junot, aquando da 1ª invasão francesa (1807). Esta sala comunica com a Capela Real, a Sala da Música e a Sala do Trono e onde antigamente, uma escada dava acesso à tribuna lateral superior do altar-mor, onde a Família Real podia assistir aos ofícios religiosos sem ser vista. A sala foi restaurada aquando do exílio de D. Miguel, pela Infanta Regente D. Isabel Maria com o objectivo de o alojar aquando do seu regresso em 1828. Apesar de D. Miguel nunca chegou a habitar esta sala, é uma pintura com o seu retrato (o maior do palácio) que domina a sala.[8]

Sala de Escultura, Sala de Fumo e Sala de Café, estas salas pertenciam à ala original dos aposentos da princesa Maria Francisca Benedita, na actualidade devem os seus nomes às funções que tinham na segunda metade do século XIX, aquando das pequenas estadias no palácio do rei D. Luís e da rainha D. Maria Pia de Saboia, nomeadamente a sala onde foi instalado o atelier de escultura da rainha, e salas que serviam para beber café e para fumar.[9]

Sala de Jantar trata-se de uma sala mais recente, que decorre da função que lhe foi atribuída pelos últimos monarcas que a utilizaram. A noção de sala de jantar como espaço definido é tardia, portanto a mesa era literalmente posta conforme as ocasiões, o gosto pessoal dos monarcas e a localização dos seus aposentos privados.[10]

Sala de Porcelanas e Faianças e Pátio da Lontra, sala junto à sala de jantar, apresenta um ordenamento para exposição da colecção de faianças e porcelanas europeias e orientais com origem maioritária das colecções reais, incluindo serviços de mesa da Casa Real utilizados no palácio. Tem vista para um pequeno pátio interior com um lago, chamado de Pátio da Lontra, provavelmente relacionado com a existência deste animal, que teria habitat nas proximidades.[11]

Corredor das Mangas ou dos Azulejos, o nome deste espaço relembra as mangas de vidro que protegiam as velas e que aqui seriam guardadas, bem como os painéis de azulejos policromos neoclássicos de grande qualidade técnica e efeito decorativo (representam as quatro estações, os quatro continentes, caricaturas, motivos chineses e orientais e cenas da mitologia clássica) que revestem as paredes e que são datados de 1784, de autoria atribuída ao pintor ceramista Francisco Jorge da Costa. O lambrim, datado de 1764, está decorado com painéis azuis e brancos que representam predominantemente cenas de caça são atribuídos ao pintor Manuel da Costa Rosado.[12] A sala apresenta ainda decoração com vasos de faiança azul e branco, da Real Fábrica do Rato e réplicas dos mesmos, da Fábrica Viúva Lamego. Encontra-se também aqui exposto um exemplar dos vários "carrinhos" para andar na quinta, encomendados por D. Pedro em 1767 e executados sob a direção de Robillion, com decoração italiana e rodas de madeira cuidadosamente entalhadas.[13]

A decoração de algumas salas é digna de realce, sendo constituída por frescos (Sala das Açafatas), revestimento a espelhos, estuque e talha dourada (Toucador da Rainha, Sala do Trono), parquet de madeiras exóticas (Sala D. Quixote) ou azulejos (Corredor das Mangas). Os jardins são ornamentados por estátuas.

A 4 de outubro de 1934 seria este palácio vítima de um violento incêndio que o destruiria parcialmente. À exceção do corpo central, a reconstrução da ala norte limitou-se ao piso térreo. A 19 de dezembro de 2001 reabriu ao público a Sala de Música com um recital de Christiano Holtz, no restaurado Pianoforte Muzio Clementi, pertencente à coleção de instrumentos musicais do Palácio de Queluz.

Até ao final do século XVIII foi azul esmalte. Depois foi pintado de cor de rosa. Em 2013, a equipa de conservadores pôs em marcha o plano para devolver a cor original ao edifícios.[14]

Biblioteca de Arte Equestre D. Diogo de Bragança[editar | editar código-fonte]

Diogo de Bragança, 8.º Marquês de Marialva, falecido em 2012, foi um exímio cavaleiro e especialista em Arte Equestre que, ao longo da sua vida, adquiriu documentos sobre este tema, sendo ele próprio autor de diversas publicações. A valiosa biblioteca que deixou, centrada no núcleo essencial de Arte Equestre, inclui também obras dedicadas à tauromaquia e à caça. É constituída por cerca de um milhar e meio de obras impressas e manuscritas, do século XVI ao século XX, algumas de grande raridade. Cerca de 200 gravuras e estampas originais completam este acervo.

A Parques de Sintra – Monte da Lua, gestora da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), sediada em Queluz, decidiu adquirir esta coleção em 2014 com o objetivo de a associar à EPAE e ao estudo da Arte Equestre prestando, assim, homenagem a D. Diogo de Bragança.

Inaugurada em 2015, com o nome do seu instituidor, a biblioteca veio enriquecer o acervo do Palácio Nacional de Queluz, residência real que, desde o século XVIII até ao presente, esteve sempre ligada à tradição equestre portuguesa. Os académicos e investigadores, passam a ter acesso a 1 400 títulos (cerca de 2 000 publicações), alguns bastante raros, relacionados com a Arte Equestre. A coleção foi inventariada pela casa leiloeira Cabral Moncada e inclui 800 títulos europeus (entre os quais 16 manuscritos), desde o século XVI ao XX; 294 livros e folhetos dos séculos XIX e XX; 322 livros ilustrados da 2ª metade do século XX; e cerca de 165 gravuras.[15]

Referências

  1. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/descricao/
  2. Rezzutti, Paulo,. D. Pedro, a história não contada : o homem revelado por cartas e documentos inéditos 1a edição ed. São Paulo, SP: [s.n.] OCLC 924416648 
  3. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/descricao/
  4. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz
  5. https://portugalvirtual.pt/sintra/pt/palacio-nacional-queluz.php
  6. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?t%C3%ADtulo=sala-do-trono-queluz&id=4057
  7. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?titulo=sala-musica-queluz&id=4058
  8. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?titulo=sala-lanternim-queluz&id=4061
  9. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?t%C3%ADtulo=roteiro-interiores-queluz&id=5565
  10. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?t%C3%ADtulo=roteiro-interiores-queluz&id=5565
  11. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?t%C3%ADtulo=roteiro-interiores-queluz&id=5565
  12. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?titulo=corredor-azulejos-queluz&id=4067
  13. https://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-e-jardins-de-queluz/pontos-de-atracao/?titulo=corredor-azulejos-queluz&id=4067
  14. «O Palácio de Queluz já foi azul. E agora vai voltar a ser» 
  15. «Biblioteca de Arte Equestre D. Diogo de Bragança». Parques de Sintra. Consultado em 19 de Agosto de 2015 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GUEDES, Natália Brito Correia. O palácio dos senhores do infantado em Queluz Lisboa (1971)
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