Palácio de Friburgo

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Palácio de Friburgo
O exterior do Palácio de Friburgo retratado em gravura de
Frans Post (c. 1643).
Tipo Residência oficial
Início da construção 1640
Inauguração 1642
Demolição 17741787
Local Recife, Pernambuco,
Flag of New Holland.svg Nova Holanda /
Reino de Portugal Brasil Colonial

O Palácio de Friburgo, também conhecido como Palácio das Torres e Palácio das Duas Torres, foi uma residência oficial construída pelo conde João Maurício de Nassau entre 1640 e 1642 na então Mauritsstad, capital da colônia holandesa de Nova Holanda — atual cidade do Recife, capital de Pernambuco —, que existiu até a segunda metade do século XVIII, quando foi demolida devido aos danos causados durante a Insurreição Pernambucana.[1]

O complexo tinha um observatório astronômico, o primeiro do Hemisfério Sul. Abrigou ainda o primeiro farol e o primeiro jardim zoobotânico do continente americano.[2][1]

Entre 2013 e 2015, foi desenvolvida uma maquete virtual do palácio e seu entorno a pedido do Instituto Itaú Cultural.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Características[editar | editar código-fonte]

O Palácio de Friburgo, local de residência e de despachos do conde João Maurício de Nassau-Siegen na Nova Holanda, foi construído na Ilha de Antônio Vaz, atual bairro de Santo Antônio, no Recife, na área onde hoje se encontra o Palácio do Campo das Princesas, o Teatro de Santa Isabel e grande parte da Praça da República. O terreno foi adquirido por Nassau em 1639, sendo as obras iniciadas no ano seguinte e concluídas no início de 1642. O palácio foi edificado de frente para o mar, para a velha zona portuária do Recife, e os fundos para a confluência dos rios Capibaribe e Beberibe. Diante da fachada havia uma larga escadaria.[1]

Era conhecido pelo povo como Palácio das Torres, devido a sua arquitetura. Possuía duas torres altas, quadrangulares, com cinco pavimentos, ligadas por um passadiço coberto, dando-lhe o aspecto de igreja. As torres, além de embelezarem o palácio, serviam como marco para os navegantes. Uma delas era utilizada como farol, sendo visível a seis léguas de distância, e a outra como observatório astronômico, o primeiro fundado no Hemisfério Sul. Protegido, do ponto de vista militar, por canhões, tinha um grande fosso e o Forte Ernesto, estes dois últimos situados na área onde hoje se encontram o Palácio da Justiça e o Convento Franciscano de Santo Antônio.[1][2]

FRIBVRGVM, gravura de Frans Post (c. 1643).

Possuía vários e luxuosos salões, destacando-se o salão de honra, onde podiam ser encontrados quadros de vários pintores, entre os quais Frans Post e Albert Eckhout, ricas tapeçarias e um mobiliário feito com as melhores madeiras do país. Havia cópias de preciosidades de origem europeia, que só existiam em palácios de reis ou residências de nobres da época. A grande maioria dessas riquezas, ou todas elas, encontram-se atualmente espalhadas pela Europa, especialmente na Holanda e na França, países para os quais Nassau vendeu grande parte das suas coleções.[1]

O Palácio de Friburgo ficava situado no centro de um jardim zoobotânico, onde foi reunida uma grande variedade de exemplares da flora e da fauna dos trópicos, que serviram de fonte para os primeiros tratados escritos de história natural do Brasil, como a obra Historia Naturalis Brasiliae dos naturalistas Guilherme Piso e George Marcgraf. Constavam também do jardim zoobotânico um grande viveiro de peixes, um pombal, vários tipos de aves e outros animais como papagaios, araras, cisnes, galinhas da Guiné, pavões, jabutis, tamanduás, antas, coelhos, saguis, pacas, bugios (tipo de macacos), entre outros, grande parte doada por moradores que queriam agradar ao conde-governador. Foram transplantados para o local dois mil coqueiros, além de outras árvores frutíferas como bananeiras, laranjeiras, limoeiros, mamoeiros, mangueiras, cajueiros, pitangueiras, tamarineiras, jenipapeiros, romãzeiras.[1]

Do lado exterior, entre o Palácio e o Forte Ernesto, havia ainda um estábulo para 24 animais, uma grande senzala, uma olaria, uma enorme cacimba e um local para estender roupa lavada. No jardim eram realizados festivais e reuniões, além de existirem no Palácio casas de jogos e entretenimentos, frequentados pela alta sociedade da época.[1]

Degradação e demolição[editar | editar código-fonte]

Com a volta de Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, o local passou a ser utilizado como quartel, durante as lutas contra os holandeses, ficando o complexo praticamente destruído na época da Insurreição Pernambucana, em 1654. Restou apenas, mais ou menos conservado, o edifício, recuperado diversas vezes e que ainda abrigou vários governadores.[1]

Em 5 de abril de 1742, o Vice-Rei do Brasil, D. André de Melo e Castro, enviou carta ao governador de Pernambuco, Henrique Luís Pereira Freire, lastimando a entrega do palácio "... ao uso violento e pouco cuidadoso dos soldados, que em pouco tempo reduzirão aquela fábrica a uma total dissolução, mas ainda me lastima mais que, com ela, se arruinará também uma memória...", no que é considerada a primeira e mais notável ação voltada à preservação do patrimônio histórico ocorrida em terras brasileiras.[4]

Entre 1774 e 1787, encontrando-se bastante arruinado, foi demolido por ordem do então governador da província, José César de Meneses. No seu local foi construído o Erário Régio, que utilizou alicerces do antigo Palácio de Friburgo em uma de suas faces.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i «Palácio de Friburgo, Recife, PE». Fundaj. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  2. a b «Prelúdio para uma história: ciência e tecnologia no Brasil». Google Books. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  3. «Palácio de Friburgo». Itaú Cultural. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  4. Beatriz Mugayar Kühl. «Arquitetura do ferro e arquitetura ferroviária em São Paulo: reflexões sobre a sua preservação». Google Livros. p. 200. Consultado em 24 de março de 2017