Palácio de Seteais

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Fachada, Palácio de Seteais.
Vista para o Palácio Nacional da Pena através do arco do Palácio de Seteais.

O Palácio de Seteais, elegante palácio, foi construído no século XVIII para o cônsul holandês, Daniel Gildemeester, numa porção de terra cedida pelo Marquês de Pombal. Atualmente, pertence à empresa hoteleira Tivoli Hotels & Resorts.

História[editar | editar código-fonte]

Construído pelo Consul Daniel Gildemeestre, holandês nascido em Utrecht, após este ter recebido o monopólio da exportação de diamantes pela mão do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, e assim ter acumulado uma avultada fortuna. Gildemeestre viria a falecer em Seteais em 1793 já depois de ter perdido o monopólio dos diamantes (pensa-se que isto tenha acontecido após a morte de D. José I e a perda de poder político do Marquês de Pombal, seu ministro).[1]

A propriedade foi adquirida aos herdeiros do Consul pelo 5º Marquês de Marialva, 7º Conde de Cantanhede e estribeiro-mor, Diogo Vito de Menezes Coutinho. O Marquês dedicou consideráveis esforços e avultadas somas ao palácio tendo, por exemplo, contratado o arquiteto José Cornélio da Silva para mudar a fachada do edifício. O Marquês de Marialva morre em 1803, o seu filho Pedro não chegaria sequer a habitar o palácio e em 1823 com a morte deste último extingue-se a Casa de Marialva, transitando a propriedade de Seteais por sucessivas gerações e linhas familiares - D.Joaquina de Menezes, Marquesa de Louriçal; Nuno Rolim de Moura Barreto, Duque de Loulé; Augusto Pedro Rolim Moura, Conde de Azambuja e D.António de Mendonça e Melo.[1]

Em 1918 o palácio é comprado pelo Conde de Sucena e em 1946 é finalmente adquirido pela Fazenda Nacional, seria o Presidente do Conselho, Doutor António de Oliveira Salazar a autorizar a conversão da casa em hotel de luxo, como se mantém hoje.[1]

Localização[editar | editar código-fonte]

Localizado em Sintra, património mundial, ergue-se este palácio no meio de um terreno acidentado, de onde se pode avistar o oceano Atlântico e a Serra de Sintra, nomeadamente com vista para o Palácio da Pena e o castelo dos Mouros. O palácio em si encontra-se edificado ao fundo do chamado "Campo de Seteais" uma vez que este era logradouro público até ser aforado por Diogo Vito de Menezes Coutinho. Ficou estabelecido nesse aforamento que o terreno não seria usado para outros fins que não de passeio público e que seria ocupado pela cavalaria da Guarda de Suas Majestades nas visitas da Família Real a Sintra, assim se justifica o generoso relvado que separa o palácio das principais entradas.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

De arquitectura neoclássica, insere-se no conjunto de palácios reformados pela burguesia. Destaca-se a entrada, com frontões triangulares, janelas de guilhotina e uma escada de dois braços que se desenvolve para o interior no sentido da fachada secundária. Pode-se também constatar a adaptação do palácio à irregularidade do terreno, que tem um enquadramento com o Palácio da Pena.

Em 1802 os dois corpos do palácio foram ligados por um imponente arco triunfal que o marquês de Marialva mandou levantar para comemorar a visita do rei D. João VI e da rainha D. Carlota Joaquina. Ao alto, sobre a inscrição comemorativa, o coroamento de lanças, bandeiras e armas emoldurando o medalhão com os bustos dos monarcas, é também característico do estilo neoclássico.[2]

No conjunto, existem dois corpos de planta composta — a ala esquerda, com planta em U, que se desenvolve à volta do pátio interior, e a ala direita, com planta rectangular. As fachadas principais são simétricas, de dois registos. As salas da ala esquerda são pintadas com frisos de flores e grinaldas, salientando-se a Sala Pillement, com cenas figurativas da autoria de Jean Baptiste Pillement, e a Sala da Convenção, com alusões marítimas mitológicas.

Interior da Sala Pillement.

Realce ainda para a escadaria ampla, de dois braços e três lanços, dando acesso ao andar inferior. Refira-se que este é o Palácio de Seteais, descrito como abandonado na famosa obra de Eça de Queirós "Os Maias".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. a b c d Gil, Júlio (1992). Os mais belos Palácio de Portugal. Lisboa: Verbo. 146 páginas 
  2. de Azevedo, Carlos (1988). Solares Portugueses. [S.l.]: Livros Horizonte. 170 páginas