Palácio do Catete

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Palácio do Catete
Nomes anteriores Palacete do Largo do Valdetaro
Palácio de Nova Friburgo
Nomes alternativos Palácio das Águias
Estilo dominante Neoclássico
Arquiteto Carl Friedrich Gustav Waehneldt
Início da construção 1858 (161 anos)
Local Rio de Janeiro, Brasil Brasil.
Endereço Rua do Catete, 153 - Catete
Coordenadas -22.925864,-43.176228

O Museu da República é um museu dedicado à história da República brasileira e tem como sede o Palácio do Catete, situado no bairro do Catete, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. A missão do Museu da República é preservar, investigar e comunicar os testemunhos vinculados à história da República, proclamada no Brasil em 15 de novembro de 1889.

A história de sua criação remonta ao Decreto nº 47.883, de 8 de Março de 1960[1], assinado pelo presidente Juscelino Kubitschek, que determinava a inclusão, na estrutura do Museu Histórico Nacional, da Divisão de História da República (D.H.R.), que funcionaria no Palácio do Catete, sede da Presidência da República entre 1897 e 1960. Esta divisão seria a responsável por receber, classificar, catalogar, pesquisar, expor e conservar objetos adquiridos, doados ou transferidos, ligados à História da República brasileira. Na época, o Museu Histórico Nacional era dirigido pelo jornalista e escritor Josué Montello.

Em 21 de abril de 1960, a capital federal foi transferida para Brasília e a cidade do Rio de Janeiro se tornou o Estado da Guanabara. Já que a sede do governo brasileiro estava prestes a se transferir para a nova capital federal, Brasília, a transformação do palácio em museu significou o reconhecimento da sua importância na vida política e social do país e a vontade de integrá-lo ao patrimônio histórico nacional[2]. O Museu da República foi inaugurado no dia 15 de novembro de 1960.

Em julho de 1983, o Museu da República separou-se administrativamente do Museu Histórico Nacional, passando a ser uma estrutura de gestão autônoma. Entre 1984 e 1989 o Museu da República esteve fechado para realização de obras de restauração dos elementos decorativos e arquitetônicos do Palácio e dos edifícios anexos. A reabertura ao público aconteceu em 15 de novembro de 1989, data em que se comemorava também o centenário da proclamação da República no Brasil[3].

Espaço físico e instalações[editar | editar código-fonte]

A escadaria principal do Palácio do Catete

Palácio do Catete[editar | editar código-fonte]

O Palácio do Catete foi erguido no século XIX, no então chamado “Caminho do Catete”, atual bairro do Catete, região que surgiu com o aterramento de uma área coberta por mangues[4].

A edificação foi erguida como residência da família do cafeicultor português António Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, na então capital do Império do Brasil. Era denominado Palacete do Largo do Valdetaro, bem como Palácio de Nova Friburgo.

Com projeto do arquiteto alemão Carl Friedrich Gustav Waehneldt, datado de 1858, os trabalhos tiveram início com a demolição da antiga casa de número 150 da Rua do Catete. A construção terminou oficialmente em 1866, porém as obras de acabamento prosseguiram ainda por mais de uma década.

Após o falecimento do barão e da baronesa, o filho destes, Antônio Clemente Pinto Filho, o Conde de São Clemente, vendeu o imóvel em 1889, pouco antes da Proclamação da República, para um grupo de investidores, que fundou a Companhia Grande Hotel Internacional. No entanto, devido à crise econômica da virada do século XIX para o XX, conhecida por encilhamento, o empreendimento faliu e seus títulos foram adquiridos pelo conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que, cinco anos mais tarde, quitou as dívidas junto ao então denominado Banco da República do Brasil.

À época, a sede do Poder Executivo do Brasil era o Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro. Em 1897, o presidente Prudente de Morais adoeceu e, entrementes, assumiu o governo o vice-presidente, Manuel Vitorino, o qual fez adquirir o palácio e ali fez instalar a sede do governo. Oficialmente, o palácio foi sede do Governo Federal de 24 de fevereiro de 1897 até 21 de abril de 1960 quando a capital e o Distrito Federal foram transferidos para Brasília.

1º andar[editar | editar código-fonte]

A entrada do Palácio se faz por um portão de ferro, fundido em Ilsenburg am Harz, Alemanha, em 1864. No hall, seis colunas de mármore levam à escada principal, construída em módulos pré-fabricados de ferro fundido e que foi uma das primeiras a serem utilizadas no Brasil. Para seu assentamento foi contratado o serviço do arquiteto alemão Otto Henkel, em outubro de 1864. Na reforma para a chegada da Presidência, o hall recebeu esculturas, luminárias e estuques no teto com as Armas da República, que podem ser observados até hoje. No andar térreo, o requinte das pinturas e ornatos e a distribuição e localização dos cômodos sugerem ter sido esse espaço, inicialmente, destinado às salas de visita e de estar, conforme o costume da época. Durante a república, a área foi redefinida, passando a abrigar setores burocráticos como secretaria, biblioteca, gabinetes, salas de despachos e de audiências.

O Salão Ministerial do Palácio do Catete, onde foram tomadas durante muito tempo as principais decisões políticas do Brasil. Dentre elas, destacam-se, sobretudo, as assinaturas das declarações de guerra contra a Alemanha em 1917,[5] e contra as Potências do Eixo em 1942.[6]

Há ainda, nesse piso, o Salão Ministerial, utilizado, na época do Barão, para pequenas recepções. Com a instalação da Presidência, foi chamado de Salão de Despacho e Conferências e, posteriormente, Salão Ministerial, pois passou a servir para as reuniões do presidente com seus ministros. Seu teto, apesar de vários retoques, apresenta ainda a decoração original, em que se destaca a composição Baco e Ariadne.

Logo que se inicia a subida do primeiro para o segundo andar, os visitantes veem o hall da Escada, decorado com motivos que homenageiam as artes: a pintura, o desenho, a arquitetura e a escultura. Cenas mitológicas que copiam os afrescos pintados pelo renascentista italiano Rafael (1483-1520) na Villa Farnesiana completam a decoração que tem ainda visão central de uma cópia em metal da escultura Afrodite de Cápua, que está no Museu Nacional de Nápoles.

2º andar[editar | editar código-fonte]

Nesse andar, no chamado “piso nobre”, destinado a recepções e cerimônias (tanto na época do Barão quanto da Presidência da Republica), nota-se o luxo e a diversidade temática dos salões, cada um deles retratando, ainda, seu uso específico no período imperial. A riqueza e os esquemas decorativos dos salões mostram como a rica burguesia da época procurava demonstrar um poder social que se consolidava[7].

Uma galeria, com vitrais executados na Alemanha e representando musas e outras figuras mitológicas, no período imperial fazia a ligação entre a escada íntima e a de serviços, além de servir de antecâmara da Capela. Como sede da República, esse espaço recebeu sofás e cadeiras de balanço.

A Capela era o local de recolhimento e oração dos moradores do Palácio. Ela apresenta o teto decorado por painéis reproduzindo a figura de apóstolos e duas telas, cópias das obras A Transfiguração, do italiano renascentista Rafael, e Imaculada Conceição, do espanhol barroco Bartolomé Murillo. Para a instalação da Presidência da República, a decoração foi conservada, mas a sala teve sua utilização modificada. No período republicano, só foi usada como capela no casamento da filha do presidente Rodrigues Alves e no velório do presidente Afonso Pena.

O Salão Francês, também chamado de Salão Azul, localizado entre a Capela e o Salão Nobre, servia de refúgio e apoio às recepções oferecidas no Palácio. Ele tem estilo Luiz XVI, como se vê nos ornatos do teto, nas molduras dos espelhos e nas sanefas. Mais tarde, as paredes receberam nova pintura com toques art-nouveau, adaptada à coloração pastel da sala.

O Salão Nobre ou Salão de Baile relembra a vida social e o luxo da corte. Nele eram realizadas as principais recepções do Palácio. As pinturas verticais representam cenas mitológicas associadas à música e às artes, e, na parte superior das paredes, pinturas em semicírculo referem-se à vida de Apolo, deus da música e da poesia. A presença da música é notada, ainda, na lira que aparece no parquet do piso.

Como sede da Presidência, esse salão continuou sendo o espaço mais nobre, tendo recebido sobre as portas as Armas da República. A recente iluminação elétrica refletia-se nos espelhos bisotadas, por ocasião das festas. Em 1938, o painel do teto foi refeito pelo pintor acadêmico brasileiro Armando Vianna.

A função do Salão Pompeano era a de apoio aos Salões Nobre e Veneziano. Esse espaço é decorado com cenas que se reportam às descobertas artísticas das escavações da cidade de Pompéia. Nas obras de adaptação feitas no prédio, apenas o teto sofreu alteração, com a colocação das Armas Nacionais e das datas históricas: Descobrimento, Independência, Abolição e República.

O Salão Veneziano (também chamado de Salão Amarelo) era usado como sala de visitas. Seu nome decorre do estilo do mobiliário, com móveis pesados e ricamente decorados. Nele há um lustre central em bronze e cristal, candelabros e grandes espelhos.

Na República, o salão foi usado como sala de música e para a realização de saraus. Consta que, nele, realizou-se o famoso e polêmico sarau com músicas da compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga, promovido por D. Nair de Teffé, segunda esposa do presidente Hermes da Fonseca, no qual ela apresentou um novo ritmo, o Corta-jaca, escandalizando a sociedade da época.

Um dos espelhos existentes na época da corte foi substituído por painel executado pelos pintores Antonio Parreiras e Décio Vilares.

O Salão Mourisco, em mais um diferente estilo (tem esse nome por sua decoração inspirada na arte islâmica), era um local masculino, usado como sala de jogos e de fumar. Tem um lustre de bronze dourado e cristal rubi, mobiliário em marfim e palhinha e é decorado por esculturas e um cinzeiro em forma de crocodilo.

O Salão de Banquetes tem sua função definida pela própria decoração. Foi também utilizado, durante o período em que Getúlio Vargas ocupou o Catete, como um espaço para reuniões ministeriais. No teto do salão vêem-se estuques com frutos, pinturas de naturezas mortas nos arcos, e o painel central é uma cópia adaptada da obra Diana, a caçadora, do italiano Domenichino.

3º andar[editar | editar código-fonte]

O último andar do Palácio era destinado aos aposentos privados da família do barão de Nova Friburgo e, mais tarde, das famílias dos presidentes. Com o passar do tempo, o mobiliário e a decoração foram sendo alterados de acordo com as necessidades de cada morador. Com a instalação da Presidência, novos móveis e objetos funcionais e de decoração foram encomendados. Alguns exemplos deste mobiliário estão integrados ao circuito histórico. A galeria circunda todo o centro do prédio e possibilita uma visão mais aproximada da clarabóia composta por 266 peças e decorada por um vitral.

O quarto presidencial foi marcado pelo suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954.

Área externa[editar | editar código-fonte]

Além do jardim, o Museu possui pátio interno e varanda. Originária da construção do Palácio, a varanda tem piso em mármore branco e guarda-corpo em ferro fundido. É sustentada por seis colunas coríntias, com saia decorada com cartelas e palmetas. Na época da Presidência da República, foi palco de várias reuniões e solenidades, como atestam diversas fotos pertencentes ao Arquivo do museu.

Foto do palácio em 1897, com as estátuas das musas no topo.

Na construção original, o alto do edifício possuía águias fundidas em ferro. Posteriormente, esses ornamentos foram substituídos por estátuas de musas, representando o verão, o outono, a justiça e outros temas. A partir de 1910, as estátuas foram substituídas por novas águias (harpias), só que agora em bronze, obra do escultor Rodolfo Bernardelli. As antigas esculturas de ferro foram fundidas para a fabricação dos bancos do jardim. A edificação ficou, então, conhecida como "Palácio das Águias", denominação raramente utilizada, porém.

Jardim[editar | editar código-fonte]

Iniciada a construção do Palácio, o Barão de Nova Friburgo adquiriu novas terras, incorporando a área ao fundo do terreno e a aléia central do parque, onde já então havia as palmeiras existentes até hoje. Segundo alguns historiadores, tanto o jardim do Palácio quanto o do Palácio São Clemente, em Nova Friburgo, também de propriedade do Barão, teriam sido feitos pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou.

A remodelação do jardim do Palácio para a sua ocupação pela sede do Poder Executivo Nacional ficou sob a coordenação de Paul Villon, discípulo do paisagista francês Auguste Marie Françoise Glaziou, com quem Villon já havia trabalhado à época da reforma do Campo da Aclamação, atual Praça da República.

Um antigo pavilhão do parque foi transformado em coreto, seguindo a tendência dos logradouros públicos tanto em voga no período. Foram, também, construídas dependências para os mordomos e criados da presidência. Ainda no parque, seriam adaptados um piquete de cavalaria e cocheiras, próximos à entrada da Praia do Flamengo, no local onde hoje é o prédio da Reserva Técnica do Museu.

As instalações elétricas representaram uma grande inovação tecnológica na reforma de adaptação do Palácio. Coube ao engenheiro Adolfo Aschoff a coordenação dos trabalhos, citados como pioneiros pela imprensa da época. Foi construída uma oficina elétrica e, especialmente para abrigá-la, erguido um prédio de três compartimentos, na lateral do terreno voltada para a Rua Princesa do Catete, atual Rua Ferreira Viana.

Tendo em vista assegurar o transporte de carvão para a usina elétrica do Palácio, foi também construído um novo ramal para a linha férrea que atendia ao bairro do Catete. Alguns anos mais tarde, essa construção foi transformada em garagem presidencial, atualmente funcionando no local parte das instalações do Museu do Folclore. A usina elétrica foi desativada.

Na área do jardim voltada para a Praia do Flamengo, havia um embarcadouro, construído pelo conselheiro Mayrink, para a atracação de seu iate. Quando o Palácio se tornou sede do Governo Federal, este cais passou a ser de uso exclusivo da Presidência da República. Na década de 1960, quando foi construído o Aterro do Flamengo, foi demolido o que restava do embarcadouro.

Em 06 de abril de 1938, o Palácio do Catete e seu respectivo Jardim foram tombados pelo recém-criado Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O tombamento do jardim do Palácio é um instrumento de proteção e preservação de seus traços paisagísticos, que não podem ser alterados sem autorização prévia do IPHAN.

No ano de 1960, com a criação do Museu da República, o jardim foi aberto ao público.

Em 1995, um novo projeto paisagístico foi elaborado para o parque, sendo realizada uma ampla reestruturação de toda a sua rede elétrica e de escoamento de água e implantado um sistema automático de irrigação.

No final dos anos 90, uma nova intervenção substituiu os muros do parque erguidos ao longo da Rua Silveira Martins e da Praia do Flamengo por gradis idênticos aos que já existiam nas demais margens do Palácio, permitindo uma maior visibilidade do seu jardim.

Chafariz no jardim do palácio. O monumento, sem a sua parte superior representando o nascimento de Vênus, estava anteriormente situado no antigo Largo do Valdetaro, em frente ao palácio, de onde foi transferido para sua atual localização no jardim do museu.

Acervo[editar | editar código-fonte]

O Museu da República, por intermédio de suas ambientações, das exposições temporárias, de longa duração e dos eventos culturais, busca oferecer ao visitante um panorama da história republicana. Fotos, documentos, objetos, mobiliário e obras de arte dos séculos XIX e XX integram seu acervo, exposto nos diversos salões do Palácio.

Museologia[editar | editar código-fonte]

O Setor de Museologia do Museu da República, que inclui a Reserva Técnica, é a área que se dedica à preservação do acervo museológico através de medidas de conservação e documentação como forma de salvaguardar o patrimônio cultural presente sob a guarda do Museu. Suas principais funções são a perpetuação do patrimônio com intuito de promover e difundir o acervo, contribuindo para a comunicação entre este e a sociedade, bem como, mediar pesquisas internas e externas.

O acervo museológico do Museu da República reúne cerca de 9.400 itens, produzidos desde fins do século XVIII até os dias atuais. Cerca de dois terços do acervo são oriundos de transferências feitas pelo Museu Histórico Nacional. Os itens estão agrupados em 74 coleções museológicas, batizadas com os nomes das personalidades da história republicana aos quais os objetos se relacionam, ou a partir de referências temáticas. Ao todo, são 63 coleções de titulares e 11 coleções temáticas, o que denota o padrão biográfico da organização do acervo, isto é, objetos que dizem respeito às vidas privadas e públicas desses personagens da história republicana. Por causa do passado do Palácio do Catete como sede da Presidência da República, 29 das coleções de titulares se referem a ex-presidentes, mesmo aqueles que ocuparam o cargo por um curto período como Delfim Moreira, José Linhares e Carlos Luz, por exemplo[8].

As duas coleções de titulares mais volumosas são a Coleção Pereira Passos, formada por objetos doados pela família do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1.457 itens); e a Coleção Getúlio Vargas (1.082 itens), formada tanto pelas doações do próprio Vargas e de seus familiares, como pelos objetos doados por cidadãos sem vínculo familiar com o ex-presidente. Nesta última, destacam-se o revólver e o pijama usados por Getúlio Vargas na noite de seu suicídio, em 24 de agosto de 1954, além de variados itens de homenagem ao presidente, como pinturas, esculturas, desenhos, medalhas, flâmulas, objetos pessoais, presentes recebidos em viagens oficiais, dentre outros.

Das coleções temáticas, a mais volumosa é a Coleção Museu da República (2.643 itens), que reúne objetos sem um perfil temático específico, que lhes desse lugar nas demais coleções; é o caso, por exemplo, do material de propaganda política e sociocultural, como bottons, bandeiras, camisetas, faixas, dentre outros; e das diversas figurações e símbolos oficiais da República, como a Bandeira Nacional Republicana bordada pelas filhas de Benjamin Constant e o quadro Pátria, de Pedro Bruno.

A segunda coleção temática em volume é a Coleção Presidência da República (1.232 itens), que reúne objetos relacionados ao período em que o Palácio do Catete foi sede da Presidência da República e, em menor parte, ao período em que o palácio pertencia à família do Barão de Nova Friburgo. São objetos de uso interior, como cortinas, louças de porcelana, cristais, prataria, vasos decorativos, candelabros, castiçais, móveis diversos, pinturas e esculturas.

Arquivo Histórico e Institucional[editar | editar código-fonte]

O acervo do Arquivo Histórico, foi formado, inicialmente, a partir da transferência de objetos, livros e documentos até então depositados no Museu Histórico Nacional, relacionados ao nosso período republicano. A este primeiro núcleo documental, somam-se outras aquisições e doações relacionadas a personagens ou acontecimentos que marcaram de alguma forma a história republicana brasileira. Os documentos são oriundos, sobretudo, de arquivos pessoais, além de documentos avulsos diversos.

Atualmente, o Arquivo Histórico reúne, preserva e disponibiliza ao público cerca de 90.000 documentos, divididos em 29 coleções. Entre elas, está a Coleção Canudos[9], com fotos de Flávio de Barros (únicas imagens conhecidas do conflito); que, em 2009, recebeu o reconhecimento do Programa Memória do Mundo, da Unesco. Destaca-se ainda a Coleção Nilo Peçanha, arquivo pessoal de uma das mais importantes lideranças políticas fluminenses da Primeira República, composto por mais de 20.000 documentos. Já a Coleção Família Passos[10] reúne registros textuais e fotográficos da trajetória pública e familiar do ex-prefeito Pereira Passos, incluindo documentos relacionados à grande reforma urbana empreendida por ele no Rio de Janeiro do início do século XX. Em 2017, esta coleção também foi reconhecida pelo Programa Memória do Mundo da Unesco. Outro acervo importante é a Coleção Memória da Constituinte[11], que reúne mais de 20.000 registros dos debates que antecederam e acompanharam a Assembléia Nacional Constituinte de 1988.

Trata-se de acervo predominantemente em suporte papel (há apenas alguns itens em suporte tecido ou couro), composto de documentos textuais (manuscritos e impressos), fotografias, plantas e mapas.

O Arquivo Institucional foi inaugurado em 2010, com a entrada de uma equipe específica e tendo como objetivo recuperar e criar registros da trajetória do Museu da República. Assim, como uma das primeiras ações, foi inaugurado o Programa de Memória Institucional. E, como uma de suas primeiras tarefas, o início da organização do fundo MR; criado, inicialmente, a partir de documentos acumulados pela extinta Didop (Divisão de Documentação e Pesquisa), que funcionou durante a década de 1980. Atualmente, o volume do acervo está estimado em 156.000 documentos.

Logo a seguir, e até o presente momento, ocorre o gradativo processo de recolhimento ao Arquivo Institucional da documentação permanente existente em outros setores. Este processo envolve todas as etapas do tratamento técnico da documentação (organização, higienização, confecção de pequenos reparos, acondicionamento, classificação e descrição arquivística). Simultaneamente a todas essas fases, acontece a pesquisa sobre a atuação do MR junto a outras instituições, principalmente aquelas onde o MR esteve ligado, como Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Museu Histórico Nacional (MHN) e Pró Memória.

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro do livro de tombo da Biblioteca data de 11 de agosto de 1964, quatro anos após o Palácio do Catete ter se transformado no Museu da República. Nessa época, o Museu da República fazia parte da estrutura do Museu Histórico Nacional, Divisão de História da Republica, e o acervo da Biblioteca começou a ser formado por obras transferidas do acervo do próprio MHN, acrescido por doações de nomes expressivos da história republicana brasileira ao longo dos anos.

Em 1983, o Museu da República se desvinculou do Museu Histórico Nacional, teve o seu primeiro regimento interno aprovado e a Biblioteca passou a fazer parte da Divisão de Documentação e Pesquisa. Entre 1986 e 1988, como parte de uma reestruturação administrativa, teve o seu acervo atualizado, por meio de um convênio com o CNPq, com a aquisição de obras de referência, história, literatura e artes.

A Biblioteca do MR possui em seu acervo livros, folhetos, revistas, jornais, CDs e DVDs. Especializada em história do Brasil, período republicano, possui também obras de Ciências Sociais, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia, Educação, Arte e Arquitetura, assim como informação sobre a memória institucional do Museu da República.

Referências

  1. «Decreto nº 47.883, de 8 de Março de 1960 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 8 de janeiro de 2019 
  2. Cabral, Magaly; Mangas, Vera; Museu da República (Brazil); Banco Safra (2011). O Museu da República (em Portuguese). São Paulo, Brazil: Banco Safra 
  3. Cabral, Magaly; Mangas, Vera; Museu da República (Brazil); Banco Safra (2011). O Museu da República (em Portuguese). São Paulo, Brazil: Banco Safra 
  4. Almeida, Cícero Antonio F (1994). Catete: memórias de um Palácio (em Portuguese). Rio de Janeiro: Museu da República 
  5. http://www.republicaonline.org.br/html/cd/Palacio/Presidentes/wenceslaubraz.html
  6. http://rioape.com.br/br/museu/013.htm[ligação inativa]
  7. Rodrigues, Marcus Vinícius Macri (2017). Um palácio quase romano. Rio de Janeiro: Museu da República 
  8. Versiani, Maria Helena (2018). Criar, ver e pensar. Um acervo para o Museu da República. [S.l.]: Garamond Universitária. pp. Rio de Janeiro 
  9. «Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros». Consultado em 7 de novembro de 2018 
  10. «Novos acervos: Museu da República». Consultado em 7 de novembro de 2018 
  11. «O PROGRAMA PRÓ-MEMÓRIA DA CONSTITUINTE». Site do Museu da República. Consultado em 7 de novembro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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