Palacete Santa Mafalda

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Palacete Santa Mafalda
Palacete Santa Mafalda em 2011.
Nomes alternativos Grupos Centrais
Estilo dominante Neoclássico[1]
Inauguração 1861
Geografia
Localidade Juiz de Fora
Endereço Esquina da Rua Braz Bernardino com a Avenida Rio Branco, no Centro

Palacete Santa Mafalda, também conhecido como Grupos Centrais, é um edifício localizado na cidade de Juiz de Fora. Foi oferecido a D. Pedro II, mas recusado, e então o imperador aconselhou que fosse destinado a um abrigo de doentes ou uma escola.[1] Foi ampliado na parte de trás e é Patrimônio Histórico de Juiz de Fora.[1]

Abrigou a Escola Normal de Juiz de Fora, que foi transferida para lá e onde José Rangel lecionou.[1] Em 4 de fevereiro de 1907 foi instalado no prédio o Primeiro Grupo Escolar, com 470 alunos e dirigido por José Rangel.[1] Em 23 de março do mesmo ano foi inaugurado o Segundo Grupo Escolar, de funcionamento noturno, com 396 alunos e administrado pelo diretor José Rangel e pelos servente e porteiro do Primeiro.[1] Em 1915 os grupos foram renomeados, respectivamente, para Grupo José Rangel e Grupo Delfim Moreira.[1]

Ficou conhecido como Grupos Centrais devido à sua localização, de frente para a Catedral Metropolitana de Juiz de Fora, em um trecho nobre da cidade do século XX.[1] Somente o Grupo Delfim Moreira está no prédio atualmente.[1]

O Grupo Escolar surgiu com o propósito de tornar os alunos bons trabalhadores e bons cidadãos, e por isto o discurso liberal era ofuscado pelos mecanismos disciplinadores, para que se formassem cidadãos submissos à classe dominante.[1]

História[editar | editar código-fonte]

O prédio foi construído no final da década de 1850 pelo Comendador Manoel do Vale Amado, rico proprietário rural que desejava homenagear Dom Pedro II quando de sua primeira visita à Juiz de Fora. Batizado de Palacete Santa Mafalda, a construção foi erguida num ponto nobre da cidade, na esquina das ruas Braz Bernardino e Principal (atual Avenida Rio Branco).[2][3]

Ao chegar à cidade em 1861 para a inauguração da Companhia União Indústria, o imperador utilizou o casarão, todo ornamentado com mobiliário importado de Paris, para a assinatura de importantes documentos, e também para a cerimônia do Beija-Mão, em que recebia os convidados e pessoas que tinham audiências marcadas. Recusou, porém, a oferta do Comendador para que ficasse com o imóvel de presente, dizendo que só aceitaria se ele fosse doado ao estado para abrigar uma escola ou obra de caridade.[2][3]

Magoado, Manoel do Vale Amado decidiu que a casa jamais seria habitada, desejo que foi respeitado por seu filho, o Barão de Santa Mafalda. O local só foi reaberto em 1904, ocasião em que foi doado à Santa Casa de Misericórdia e teve todo seu acervo leiloado. Adquirido pelo estado, foi transformado em 1907 no primeiro grupo escolar de Minas Gerais, função que ocupa até os dias de hoje, abrigando a Escola Estadual Delfim Moreira.[2][3]

Integra o patrimônio de Juiz de Fora desde 1983, quando foi tombado pela municipalidade.[4]

Referências

  1. a b c d e f g h i j «FORMANDO OS BONS TRABALHADORES: OS PRIMEIROS GRUPOS ESCOLARES EM JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS» (PDF). Cadernos de História da Educação. Universidade Federal de Uberlândia. 2003. pp. 101–102;104. Consultado em 10 de novembro de 2011.. Nesta perspectiva, em 1894 foi criada a Escola Normal de Juiz de Fora, funcionando no prédio que serviu ao antigo mercado da cidade. Posteriormente, foi transferida para o palacete Santa Mafalda, onde lecionaram os acadêmicos José Paixão e José Rangel. [...] Em 04 de fevereiro de 1907 , pelo Decreto nº 1886, ocorreu a instalação do Primeiro Grupo Escolar, sob a direção de José Rangel, cujo total de matrículas foi de 470 alunos. No mesmo ano, no dia 23 de março, foi inaugurado o Segundo Grupo Escolar, com 396 alunos. O segundo Grupo ficava sob a administração do mesmo diretor, do servente e do porteiro do Primeiro Grupo Escolar. Ambos funcionavam no mesmo prédio, que após ter sido oferecido ao Imperador Pedro II que ao recusá-lo aconselhou destiná-lo para o abrigo de doentes ou para uma escola. No ano de 1915 , o Primeiro Grupo Escolar recebeu a denominação de Grupo José Rangel e o Segundo Grupo Escolar de Grupo Delfim Moreira. Em pouco tempo o casarão que antes abrigara a Escola Normal, de estilo neoclássico, passou a ser denominado de Grupos Centrais , nome justificado pela sua localização, em frente a catedral Metropolitana, numa área central, que nos idos dos primeiros vinte anos do século XX, compunha um trecho urbano considerado nobre, na principal avenida da cidade, em cujas vizinhanças abrigavam as residências da alta burguesia local. O casarão permanece ainda nos dias atuais, ampliado na parte de trás do prédio. Abriga, hoje, somente o Grupo Escolar Delfim Moreira, em meio de intensa movimentação de pessoas e veículos, impedido de ser derrubado pela onda de especulação imobiliária, por ser preservado pelo Patrimônio Histórico de Juiz de Fora. [...] O Grupo Escolar nasceu com uma função social bem definida: fazer bons cidadãos e, acima de tudo, bons trabalhadores. O ensino elementar era concebido a partir de uma missão moralizadora e civilizatória onde o discurso liberal era sobreposto pelos mecanismos disciplinadores era preciso formar o cidadão submisso aos moldes impostos pela camada dominante. A visão que se possuía da escola se aproximava da visão do funcionamento de uma fábrica: a hierarquia, a obediência, a disciplina, os bons hábitos. É interessante perceber o aproveitamento do prédio no qual o Grupo Escolar foi instalado no dia 04 de fevereiro, ao inaugurar o dia 23 de março do mesmo ano o “segundo” Grupo Escolar, funcionando no mesmo prédio, com o mesmo diretor, servente e porteiro, mas funcionando no período noturno. 
  2. a b c "Grupos Centrais (Palacete Santa Mafalda)". Prefeitura de Juiz de Fora
  3. a b c "Palacete Santa Mafalda". ACESSA.com
  4. "Grupos Centrais - Palacete Santa Mafalda". Portal do Turismo - Prefeitura de Juiz de Fora