Palmeira

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Como ler uma caixa taxonómicaPalmeira
Coqueiro-anão

Coqueiro-anão
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae Berchtold & J. Presl
Género: ver texto

Palmeira é o nome comum das plantas da família Arecaceae, anteriormente conhecida como Palmae ou Palmaceae, uma família botânica pertencente da ordem Arecales. Esta família de plantas muito conhecidas, como o coqueiro e a tamareira, abrange cerca de 185 gêneros e 2522 espécies reconhecidas[1]. O gênero tipo dessa família é a Areca, cuja espécie mais conhecida é a Areca catechu, uma palmeira da Malásia cuja semente se chama noz de bétele porque costuma ser mascada em conjunto com a "folha de bétele" (proveniente da pimenteira Piper betle).

As palmeiras são plantas perenes, arborescentes, tipicamente com um caule cilíndrico não ramificado do tipo estipe, atingindo grandes alturas, mas por vezes se apresentando como acaules (caule subterrâneo). Não são consideradas árvores porque todas as árvores possuem o crescimento do diâmetro do seu caule para a formação do tronco (crescimento secundário), que produz a madeira e tal não acontece com as palmeiras.

A seiva de algumas espécies de arecáceas é tradicionalmente fermentada para produzir o vinho de palma, muito apreciado e conhecido em Moçambique com o nome de "sura" (onde, para além de ser bebido, é também utilizado como fermento na fabricação de pães e bolos). Em Angola, o vinho de palmeira é conhecido como "marufo". O buriti (Mauritia flexuosa) também é fermentado (entre outras formas de consumo), dando origem ao vinho de buriti, e o açaí (Euterpe oleracea) dá o vinho de açaí. No Brasil, a palmeira-imperial (Roystonea oleracea (Palmae)), plantada em 1809 por D. João VI, tornou-se o "símbolo do império" em meados do século XIX[2].

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Morfologia

Árvores ou arbustos com troncos não-ramificados ou raramente ramificados, ocasionalmente rizomatosos; ápice do caule com um grande meristema apical; com frequência presença de taninos e polifenóis. Pêlos variados e plantas as vezes espinhosas devido a modificações dos segmentos foliares, fibras expostas, raízes de pontas agudas, ou expansões do pecíolo.(JUDD et al, 2009)

Folhas[editar | editar código-fonte]

Folhas alternas e espiraladas, em geral agrupadas em uma coroa terminal, mas as vezes bem separadas, simples e inteiras, geralmente dividindo-se de forma pinada a palmada durante a expansão foliar, e na maturidade parecendo palmado-lobadas (como segmentos radiando de um único ponto). Costa-palmado-lobadas (segmentos=palmados divergindo a partir de um curto eixo central, ou costa), pinado-lobadas ou compostas (com um eixo central desenvolvido que leva segmentos pinados), ou também pode ser raramente compostas bipinadas, diferenciadas em pecíolo e lâmina. Quando plicadas, seus segmentos ora são induplicados (em formato de V em secção transversal) ou reduplicados (em forma de V virado para baixo em secção transversal); cada segmento ou nervuras são mais ou menos paralelas a divergentes, o pecíolo frequentemente possui uma dobra (hástula), invaginante na base com vários padrões de fibras que aparecem após a decomposição dos tecidos tenros; as estípulas ausentes.(JUDD et al, 2009)

Flores de exemplar Arecaceae

Inflorescência[editar | editar código-fonte]

Inflorescências são determinadas ou indeterminadas, com frequência parecendo espigas compostas, axilares ou terminais, com brácteas pequenas a grandes e decíduas a persistentes. (JUDD et al, 2009)

Flores[editar | editar código-fonte]

Suas flores são bissexuais ou unissexuais (portanto plantas monoicas a dioicas), radiais e geralmente sésseis, com perianto geralmente diferenciado em cálice e corola; numerosas porém pequenas. Sépalas em número de 3, livres a conatas, imbricadas a valvadas. Estames em número de 3 ou 6 com filetes livres a conatos, aderidos ou não ás pétalas; grãos de pólen geralmente monossulcadas. Carpelos geralmente em número de 3, mas ocasionalmente até 10, ás vezes parecendo ser um único carpelo, livres a conatos. Possui ovário supero, geralmente com placentação axial, estigmas variados, com um óvulo por lóculo, anátropo a ortótropo. Nectários nos septos do ovário ou ausentes. Androceu com 6 estames dispostos em 2 séries de 3. Estaminódios frequentemente presentes. Gineceu de ovário súpero, tricarpelar. (JUDD et al, 2009)

Polinização[editar | editar código-fonte]

As flores das Palmeiras geralmente são polinizadas por insetos, em especial por coleópteros, abelhas e moscas; o néctar frequentemente é empregado como recompensa floral. (JUDD et al, 2009)

Frutos de exemplar Arecaceae

Fruto[editar | editar código-fonte]

Fruto drupa, em geral apenas um seminado, frequentemente fibroso ou raramente baga; endosperma com óleos ou carboidratos, ás vezes ruminado. (JUDD et al, 2009)

Distribuição  [editar | editar código-fonte]

As espécies da família Arecaceae estão distribuidas nas regiões tropicais e temperadas do mundo. O brasil abriga 37 gêneros, sendo 1 deles endêmico do país; com 288 espécies, das quais 123 são endêmicas[3]. Sua ocorrência é confirmada em todas as regiões do país. Os domínios fitogeográficos de sua ocorrência são Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Os tipos de vegetação que existem são: Área Antrópica, Caatinga (stricto sensu), Campinarana, Campo de Altitude, Campo de Várzea, Campo Limpo, Campo Rupestre, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Igapó, Floresta de Terra Firme, Floresta de Várzea, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Perenifólia, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial), Floresta Ombrófila Mista, Palmeiral, Restinga, Savana Amazônica e Vegetação Sobre Afloramentos Rochosos.

Filogenia[editar | editar código-fonte]

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Dransfield e colaboradores (2005) apresentam uma classificação da família baseada em relações moleculares, isso por que a durabilidade das fibras das palmeiras permitiu grande numero de fósseis para estes estudos. Arecaceae é distinta, facilmente reconhecível e monofilética. Analises filogenéticas de múltiplas sequências de DNA mostram que a subfamília Calamoidae é o grupo irmão de todas as palmeiras. Aqueles gêneros com folhas geralmente pinadas e reduplicadas formam um complexo parafilético, enquanto aqueles com folhas geralmente costa-palmadas ou palmadas e induplicadas formam um grupo monofilético. (JUDD et al, 2009)

Na antiga classificação taxonômica de Jussieu (1789), Aecaceae era conhecido como Palmae, uma ordem botânica da classe Monocotyledones com estames perigínicos e que abrangia 14 gêneros.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

De acordo com o site http://www.theplantlist.org as espécies de Arecaceae pertencem aos 185 gêneros propostos: Acanthophoenix, Acanthorrhiza, Acoelorrhaphe, Acrocomia, Actinokentia, Actinorhytis, Adonidia, Aiphanes, Allagoptera, Ammandra, Aphandra, Archontophoenix, Areca, Arenga, Asterogyne, Astrocário, Atitara, Attalea, Augustinea, Avoira, Bactris, Balaka, Barcella, Barkerwebbia, Basselinia, Beccariophoenix, Bentinckia, Bismarckia, Borassodendron, Borassus, Brahea, Brassiophoenix, Burretiokentia, Butia, Butyagrus, Cálamo, Calyptrocalyx, Calyptrogyne, Calyptronoma, Carpentaria, Carpoxylon, Caryota, Catoblastus, Ceratolobus, Ceroxylon, Chamaedorea, Chamaerops, Chambeyronia, Chelyocarpus, Chuniophoenix, Clinosperma, Clinostigma, Coccothrinax, Cocos, Colpothrinax, Copernicia, Corypha, Cryosophila, Cyphokentia, Cyphophoenix, Cyphosperma, Cyrtostachys, Daemonorops, Deckenia, Deckeria, Desmoncus, Dictyocaryum, Dictyosperma, Didymosperma, Diplothemium, Dransfieldia, Drymophloeus, Dypsis, Elaeis, Eleiodoxa, Eremospatha, Eugeissona, Euterpe, Gaussia, Geonoma, Guihaia, Haplophloga, Hedyscepe, Hemithrinax, Heterospathe, Howea, Hydriastele, Hyophorbe, Hyospathe, Hyphaene, Iguanura, Inodes, Iriartea, Iriartella, Itaya, Jessenia, Johannesteijsmannia, Juania, Jubéia, Jubaeopsis, × Jubautia, Kentia, Kentiopsis, Kerriodoxa, Klopstockia, Korthalsia, Laccospadix, Laccosperma, Latânia, Lemurophoenix, Leopoldinia, Lepidocaryum, Lepidorrhachis, Leucotrinax, Licuala, Linospadix, Livistona, Lodoicea, Loxococcus, × Lytoagrus, Lytocaryum, Malortiea, Manicaria, Marojejya, Martinezia, Masoala, Mauritia, Mauritiella, Maxburretia, Maximiliana, Maximilianea, Medemia, Metroxylon, × Microphoenix, Myrialepis, Nannorrhops, Nenga, Neodypsis, Neonicholsonia, Neoveitchia, Nefrosperma, Normanbya, Nunnezharia, Nypa, Oenocarpus, Oncocalamus, Oncosperma, Orania, Oraniopsis, Orbignya, Oreodoxa, Palma, Parajubaea, Paralinospadix, Paripon, Paschalococos, Pelagodoxa, Phloga, Phoenicophorium, Fénix, Pholidocarpus, Pholidostachys, Physokentia, Phytelephas, Pigafetta, Pinanga, Plectocomia, Plectocomiopsis, Podococcus, Pogonotium, Ponapea, Prestoea, Pritchardia, Pseudophoenix, Pseudopinanga, Ptychandra, Ptychococcus, Ptychorhaphis, Ptychosperma, Raphia, Ravenea, Reinhardtia, Retispatha, Rhapidophyllum, Rhapis, Rhopaloblaste, Rhopalostylis, Rosqueria, Rotang e Roystonea.[1]

Alguns gêneros mais comuns: Acrocomia - com a macaúba brasileira; Areca- com a palmeira de betel; Arenga; Astrocaryum - com o tucum; Attalea - com a piaçava; Bactris - a que pertence a pupunha; Butia - butiá; Borassus; Cocos - onde se situa o coco-da-bahia; Copernicia - que tem a carnaúba; Euterpe - com o açaí e palmito-juçara; Elaeis - como o dendê; Jessenia; Jubaeopsis - com a palmeira-do-pondo; Mauritia - a que pertence o buriti; Orbignya - que tem o babaçu; Phoenix - com a tamareira; Raphia - palmeira da ráfia; Rhapis - palmeira rápis; Roystonea - a que pertence a palmeira imperial; Sabal - com o sabal; Salacca; Syagrus - com o jerivá e o catolé; Veitchia; Wallichia; e Washingtonia.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

Os gêneros Areca (noz-de-betel), Attalea, Bactrix (pupunha), Cocos (coqueiro), Elais (dendê), Euterpe (açaí jussra), Metroxylon (sagu) e Phoenix (tamareira) são plantas alimentícias. Muitos gêneros apresentam um meristema apical comestível, como por exemplo o palmito. Outras plameiras economicamente importantes são Calamus (ratan), Carpenicia (cera da carnaúba), Phytelephas (marfim – vegetal), Raphia (ráfia) e muitos outros gêneros que fornecem fibras que podem ser usados em artesanatos e também como material de cobertura para construções. Por fim, também existe na família plantas ornamentais que são de grande importância econômica como, Caryota, Cahamaerops, Livingstona, Sabal, Washingtonia, Butia , Dypsis entre outros muitos gêneros.

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Palmeira

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]