Palmira

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Pix.gif Sítio de Palmira *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Roman City Palmyra with Bel Temple.jpeg
A cidade romana de Palmira, com o Templo de Bel em evidência
País  Síria
Critérios (i)(ii)(iv)
Referência 23
Coordenadas 34° 33' 15" N 38° 16' E
Histórico de inscrição
Inscrição 1980  (4ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

Palmira (em aramaico: ܬܕܡܘܪܬܐ‎; transl.: Tedmurtā; em árabe: تدمر‎; transl.: Tadmor) foi uma antiga cidade semita, situada num oásis perto da atual cidade de Tadmor, na província de Homs, no centro da Síria, 215 km a nordeste da capital síria, Damasco.

O nome "Palmira" refere-se, tal como o prenome feminino, às palmeiras — árvore que supostamente existiria aí em grande quantidade. Fundada durante o Neolítico, foi documentada pela primeira vez no início do segundo milénio a.C. como uma paragem de caravanas que atravessavam o Deserto Sírio. A cidade aparece nos anais dos reis assírios e é possível que seja mencionada na Bíblia hebraica. Foi incorporada no Império Selêucida (século IV a.C. século I–d.C.) e posteriormente no Império Romano, sob o qual prosperou.

A localização estratégica da cidade, aproximadamente a meio caminho entre o mar Mediterrâneo e o rio Eufrates, fez dela num ponto de paragem obrigatório para muitas das caravanas que percorriam importantes rotas comerciais, nomeadamente a Rota da Seda. A riqueza da cidade possibilitou a edificação de estruturas monumentais. No século III d.C., Palmira era uma metrópole próspera e um centro regional, com um exército suficientemente poderoso para derrotar o Império Sassânida em 260, durante o reinado de Odenato, que foi assassinado em 267. Odenato foi sucedido pelos seus jovens filhos, sob a regência da rainha Zenóbia, que começou a invadir as províncias romanas orientais em 270. Os governantes palmirenses adotaram títulos imperiais em 271. O imperador romano Aureliano derrotou a cidade em 272 e destruiu-a em 273, na sequência de uma segunda rebelião fracassada. Palmira foi um centro de menor importância durante os períodos bizantino, Rashidun, omíada, abássida e mameluco e os seus vassalos. Os Timúridas destruíram-na em 1440 e a partir ficou reduzida a uma pequena aldeia, que pertenceu ao Império Otomano até 1918, depois ao Reino da Síria e ao Mandato Francês da Síria.

Em 1929, os franceses começaram a transferir os aldeões para a nova aldeia de Tadmur. A transferência ficou completa em 1932, ficando o local ao abandono. Em 21 de maio de 2015, Palmira ficou sob o controlo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Etnicamente, os palmirenses eram essencialmente uma mistura de arameus, amoritas e árabes, existindo também uma minoria de judeus. A estrutura social da cidade era tribal e os habitantes falavam palmirense (um dialeto aramaico) e grego. Ambas as línguas foram substituídas pelo árabe depois da conquista árabe em 634. A cultura de Palmira, influenciada pelas culturas greco-romana e persa, produziu arte e de arquitetura distintivas. Os habitantes adoravam divindades locais e deuses mesopotâmicos e árabes. Converteram-se ao cristianismo durante o século IV e depois ao islão durante a segunda metade do primeiro milénio.

A organização política palmirense foi influenciada pelo modelo grego da cidade-estado. A cidade era governada por um senado, o qual era responsável pelas obras públicas e forças armadas. Após tornar-se uma colónia romana, Palmira adotou instituições romanas antes de adotar um sistema monárquico em 260. Os palmirenses, conhecidos como mercadores, estabeleceram colónias ao longo da Rota da Seda e operaram em grande parte do Império Romano.

Localização[editar | editar código-fonte]

Palmira situa-se 215 km a nordeste de Damasco,[1] num oásis rodeado de palmeiras, de pelo menos 20 variedades diferentes.[2] [3] Um pequeno uádi (riacho), o wadi al-Qubur, atravessa a área,[4] que corre desde os montes a oeste da cidade antes de desaparecer nas hortas da parte oriental do oásis.[5] A sul do uádi há uma nascente, chamada Efqa.[6] Plínio, o Velho descreveu a cidade na década de 70 d.C. como sendo famosa pela sua localização, riqueza das suas terras e pelas nascentes que a rodeavam, que tornavam possível a agricultura.[7] [nt 1]

O nome nativo mais antigo é semita, — Tadmor — é registado por fontes históricas do início do : Tadmor. A sua etimologia é vaga; para Albert Schultens (1686–1750) deriva de tamar, tâmara em semita,[8] [nt 2] uma referência às tamareiras que rodeiam a cidade.[3] [nt 3] O nome "Palmira" apareceu durante o início do século I d.C.,[10] nas obras de Plínio,[11] e foi usada no mundo greco-romano.[8] Em geral acredita-se que "Palmira" derive de "Tadmor" como uma alteração (apoiada por Schultens)[8] [nt 4] ou tradução da palavra grega para "palmeira" (palame), uma teoria que é apoiada por Jean Starcky.[10] [nt 5]

Michael Patrick O'Connor propôs uma origem Língua hurrita para "Palmira" e "Tadmor",[10] referindo a inexplicabilidade das alterações às raízes teorizadas de ambos os nomes (representada pela adição do -d- a tamar e -ra- a palame).[3] Segundo a teoria de O'Connor, "Tadmor" deriva do hurrita tad ("amar") com a adição da típica vogal média crescente (mVr) formante mar. Por sua vez, "Palmira" deriva de pal ("saber") usando o mesmo formante mVr mar.[13] O geógrafo sírio do século XIII Yaqut al-Hamawi escreveu que Tadmor, filha de um dos descendentes distantes de Noé, estava sepultada na cidade.[14]

História[editar | editar código-fonte]

As escavações no sítio arqueológico de Palmira revelaram evidências de um povoado neolítico perto de Efqa,[15] onde foram encontrados alguns utensílios de pedra datados de 7 500 a.C.. Estudos acústicos no tell abaixo do Templo de Bel indicam vestígios de atividade de culto que remontam a 2 300 a.C..[16] [17] [18]

Período primitivo[editar | editar código-fonte]

Palmira aparece nos registos históricos ca. 2 000 a.C., quando Puzur-Ishtar, o Tadmoreano negociou um contrato com a colónia assíria de Kültepe, na Capadócia.[19] [20] Foi depois mencionada nas tábuas de Mari[nt 6] como uma paragem para caravanas de comércio e tribos nómadas, como os suteanos.[21] O rei Shamshi-Adad I da Assíria passou pela área a caminho do Mediterrâneo, no início do século XVIII a.C.[22] Palmira era então o ponto mais oriental do reino de Qatna.[23]

A cidade é mencionada numa tábua do século XIII a.C. descoberta em Emar, onde estão registados os nomes de duas testemunhas "tadmoreanas". No início do século XI a.C., o rei assírio Tiglate-Pileser I registou a sua vitória sobre os "arameus de Tadmar".[21]

A Bíblia hebraica (Segundo Livro das Crónicas 8:4) descreve Tadmor como uma cidade do deserto construída (ou fortificada) pelo rei Salomão de Israel.[24] O Talmude também menciona a cidade no Yevamot 17a-b.[25] Flávio Josefo fala na cidade usando o seu nome grego "Palmira", atribuindo a sua fundação a Salomão, no Livro VIII das Antiguidades Judaicas.[26] Tradições islâmicas posteriores atribuem a fundação da cidade ao génio (jinn) de Salomão. A associação de Palmira a Salomão pode ser uma confusão com "Tadmor" e a cidade fundada por Salomão na Judeia que aparece com o nome de "Tamar" no Livro dos Reis (9:18). A descrição bíblica de Tadmor e dos seus edifícios não é compatível com os achados arqueológicos em Palmira, que era um povoado durante o reino de Salomão no século X a.C.[27]

Períodos helenístico e romano[editar | editar código-fonte]

Durante o período helenístico Palmira esteve sob o domínio dos Selêucidas[28] e tornou-se uma cidade próspera.[27] Em 217 a.C., um força militar palmirense comandada por Zabdibel[nt 7] juntou-se ao exército do rei Antíoco III na batalha de Ráfia.[30] Em meados da era helenística Palmira, que até aí ocupava a a margem sul do uádi al-Qubur, começou a expandir-se para a margem norte.[31] No final do século II a.C., os túmulos de torre do Vale Palmirense dos Túmulos e os templos da cidade, nomeadamente os de Baalshamin, Al-Lāt e o templo helenístico, começaram a ser construídos.[27] [30]

Em 64 a.C., a República Romana anexou o Império Selêucida e o general romano Pompeu estabeleceu a província romana da Síria. Palmira manteve-se independente,[30] com relações comerciais com Roma e a Pártia, mas não pertencendo a nenhuma destas potências. A inscrição mais antiga em palmirense data de cerca de 44 a.C.;[32] Palmira era ainda um xarifado menor, que abastecia de água as caravanas que ocasionalmente usavam a rota do deserto em que a cidade se situava. Não obstante, segundo Apiano, Palmira era suficientemente rica para que Marco António enviasse uma força militar para a conquistar em 41 a.C. Os palmirenses retiraram para terras partas, a leste do Eufrates, que prepararam para defender.[32]

República de Palmira[editar | editar código-fonte]

Palmira tornou-se parte do Império Romano quando começou a pagar tributo, durante o início do reinado de Tibério, ca. 14 d.C. Durante o período imperial romano a cidade conheceu grande prosperidade e teve um estatuto privilegiado, mantendo grande parte da sua autonomia[30] e incorporando as instituições típicas das cidades-estado gregas no seu governo.[nt 8] Os romanos definiram as fronteiras de Palmira; foi encontrada uma marca de fronteira colocada por Silano, governador da província da Síria entre 13 e 17 d.C., 75 km a nordeste da cidade, em Khirbet el-Bilaas.[33] Cerca de 90 km a sudoeste, foi encontrada uma marca fronteiriça em Qasr al-Hayr al-Gharbi e a fronteira oriental estendia-se até ao vale do Eufrates.[34]

O texto em palmirense mais antigo atestando a presença romana na cidade data de 18 d.C., quando o general romano Germânico tentou estabelecer relações amistosas com a Pártia. Ele enviou o palmirense Alexandros a Mesene um reino vassalo parta.[35] [nt 9] A seguir a isso a Legio X Fretensis chegou a Palmira.[nt 10] A autoridade romana durante o século I foi mínima, embora os cobradores de impostos fossem residentes[2] e tivesse sido construída uma estrada entre Palmira e Sura no ano 75.[nt 11] Os romanos usaram soldados palmirenses, mas ao contrário do que era comum nas típicas cidades romanas, não há registo de magistrados ou prefeitos locais. Durante o século I a atividade de construção foi intensa; as primeiras fortificações muralhadas e o Templo de Bel (terminado e consagrado em 32 d.C.) datam dessa altura.[36] Durante esse século passou de um entreposto de caravanas do deserto para um centro de comércio de primeira importância,[nt 12] e os mercadores palmirenses estabeleceram colónias nos centros de comércio em redor da cidade.[35]

Prosperidade[editar | editar código-fonte]

O comércio de Palmira atingiu o seu auge durante o século II,[38] impulsionado por dois fatores. O primeiro foi uma rota comercial[7] protegida por guarnições nos pontos principais, entre as quais a guarnição de Dura-Europos, estabelecida em 117. O segundo fator foi a anexação da capital nabateia Petra em 106, que transferiu dos nabateus para Palmira o controlo do comércio das rotas comerciais setentrionais provenientes da Península Arábica.[30] [nt 13]

Em 129, Palmira foi visitada pelo imperador romano Adriano, que a batizou "Hadriane Palmyra" e concedeu-lhe o estatuto de cidade livre (civitas libera).[40] [41] Adriano promoveu o helenismo em todo o império e o modelo usado em Palmira para a sua expansão urbana foi o das cidades gregas. Isso conduziu a novos empreendimentos, que incluíram o teatro, a Grande Colunata e o templo de Nabu. A autoridade romana em Palmira foi reforçada em 167, quando a Ala I Thracum Herculiana foi instalada na cidade como guarnição.

Durante o século III, Palmira iniciou a transição de uma cidade-estado de tipo grego para uma monarquia e o desenvolvimento urbano diminuiu. A ascensão ao trono imperial romano da dinastia severa (193–235) teve um papel determinante nessa transição política em Palmira. A nova dinastia trouxe benefícios à cidade, lá estacionando a Cohors I Flavia Chalcidenorum como guarnição em 206.[42] As milícias palmirenses tiveram um papel importante na proteção das fronteiras romanas na Síria Oriental.[43] Caracala deu à cidade o estatuto de colónia romana entre 213 e 216, substituindo muitas instituições gregas por romanas. As guerras romano-partas promovidas pelos Severos, entre 194 e 217, influenciaram a segurança regional e afetaram o comércio de Palmira.[44] As caravanas começaram a ser assaltadas por bandidos em 199, o que levou a que a presença militar na cidade fosse reforçada. A cidade empenhou mais energia na defesa do Oriente romano do que no comércio e a sua importância cresceu,[43] tendo recebido uma visita do imperador Alexandre Severo pouco antes deste morrer em 235.

Reino de Palmira e Guerras Persas[editar | editar código-fonte]

A ascensão do Império Sassânida na Pérsia implicou graves consequências negativas para o comércio de Palmira. Os sassânidas desmantelaram as colónias palmirenses nos seus territórios e deram início a uma guerra com o Império Romano. Circa 251, Odenato é mencionado num documento com os títulos de exarco e senador de Palmira,[nt 14] partilhados com o seu filho Hairan.[nt 15] Odenato se dirigiu a Sapor I da Pérsia, o seu pedido para garantir os interesses de Palmira na Pérsia foram rechaçados. O líder palmirense combateu Sapor depois da derrota dos romanos em 260 na batalha de Edessa, que terminou com a captura do imperador Valeriano. A seguir a essa batalha Macriano Maior, os seus filhos Quieto e Macriano e o prefeito Balista rebelaram-se contra o filho de Valeriano, Galiano, usurpando o poder imperial na Síria.

Odenato permaneceu leal a Galiano, declarando-se a si próprio rei e formando um exército para enfrentar Sapor, composto por palmirenses, camponeses e o que restava das tropas romanas na região. Os palmirenses obtiveram uma vitória decisiva perto das margens do Eufrates em 260, forçando os persas a retirar e saquearam a cidade judaica de Nehardea.[nt 16] Em 261, Odenato marchou contra os restantes usurpadores na Síria, derrotando e matando Quieto e Balista. Como recmpensa, Galeno concedeu-lhe o título de Imperator Totius Orientis ("Governador do Oriente"), ficando com o governo da Síria, Mesopotâmia, Arábia e as regiões orientais da Anatólia como representante imperial. Em 262 Odenato empreendeu outra campanha contra Sapor, durante a qual retomou a Mesopotâmia romana, nomeadamente as importantes cidades de Nísibis e Carras), e cercou a a capital persa, Ctesifonte. A seguir a estes sucessos militares, o monarca palmirense assumiu o título de "Rei de Reis".[nt 17]

Depois de derrotar novamente o exército persa em 263 ou 264, Odenato coroou o seu filho Hairan como co-Rei de Reis perto de Antioquia e cercou Ctesifonte pela segunda vez. Apesar de não ter tomado a capital persa, Odenato expulsou os persas de todos os territórios que estes tinham conquistado desde que Sapor tinha iniciado a guerra em 252 com a cerco de Nísibis. Um ataque persa a Palmira foi repelido e em 266 Odenato infligiu outra derrota aos seus persas perto de Ctesifonte. O monarca palmirense e o seu filho Haran acabaram assassinados quando regressavam de uma campanha no norte que tinha como objetivo repelir os ataques dos godos na Ásia Menor, realizada em 267. Segundo a História Augusta e João Zonaras, Odenato foi morto por um primo (Zonaras fala em sobrinho) chamado Meónio (em latim: Maeonius) na História. Segundo esta obra, Meónio foi proclamado imperador por um breve período antes de ser julgado e executado pela viúva de Odenato, Zenóbia.[46] [47] No entanto, não há quaisquer inscrições ou evidências de outro tipo relativas ao reinado de Meónio, pelo que ele deve ter sido morto imediatamente depois de ter assassinado Odenato.

Império de Palmira[editar | editar código-fonte]

Odenato foi sucedido pelos seus filhos Vabalato, que tinha 10 anos quando o pai morreu, e Herodianus, mais novo, que morreu pouco depois.[48] A mãe destes, Zenóbia, foi a governante de facto e Vabalato manteve-se na sua sombra enquanto ela consolidou o seu poder.[49] Galeno enviou o seu prefeito Heracliano para comandar as operações militares contra os persas, mas este foi derrotado por Zenóbia e voltou para o Ocidente. A rainha foi cuidadosa em não provocar Roma, reclamando para ela e para o filho os títulos do marido, ao mesmo tempo que garantia a segurança das fronteiras com a Pérsia e pacificava os Tanukhidas em Houran

Zenóbia iniciou a sua carreira militar na primavera de 270, durante o reinado do imperador Cláudio Gótico. A pretexto de atacar os Tanukhidas, ela anexou a Arábia romana[50] e em outubro do mesmo ano invadiu o Egito,[51] uma campanha que terminou vitoriosamente com a proclamação de Zenóbia como rainha do Egito.[52] No ano seguinte, Palmira invadiu a Anatólia, chegando até Ancira , o que marcou o auge da sua expansão.

As conquistas de Zenóbia foram levadas a cabo mantendo a aparência de subordinação a Roma. A rainha cunhou moedas em nome de Aureliano, sucessor de Cláudio,[nt 18] com Vabalato representado como rei. Devido ao facto de Aureliano estar ocupado a repelir as insurgências na Europa, ele autorizou a cunhagem de moeda em Palmira e concedeu os títulos imperiais. No final de 271, Vabalato e a sua mãe assumiram o título de Augusto (imperador).[nt 19] No ano seguinte, Aureliano cruzou o Bósforo e avançou rapidamente através da Anatólia em direção aos territórios de Palmira.[54] Segundo um registo histórico, o general romano Marco Aurélio Probo retomou o Egito a Zenóbia[55] [nt 20] e Aureliano entrou em Isso e dirigiu-se a Antioquia, onde derrotou Zenóbia na batalha de Immae.[56] A rainha palmirense foi depois derrotada na batalha de Emesa e refugiou-se em nessa cidade antes de voltar apressadamente para a sua capital.[57] Quando os romanos cercaram Palmira,Zenóbia recusou render-se pessoalmente ao imperador e fugiu para leste para pedir ajuda aos persas, mas foi capturada. A cidade capitulou pouco depois.

Períodos romano tardio e bizantino[editar | editar código-fonte]

Aureliano poupou a cidade e estacionou lá uma guarnição de 600 arqueiros, comandada por Sandarion, para manter a paz.[58] Em 273, Palmira revoltou-se sob a liderança de Septimius Apsaios, que proclamou Antíoco, um familiar de Zenóbia, como Augusto (imperador). Aureliano marchou novamente sobre Palmira, arrasando-a completamente e assaltando os monumentos mais valiosos para decorar o seu Templo do Sol. Os edifícios da cidade foram demolidos, os residentes foram espancados e o Templo de Bel foi pilhado.

Palmira ficou reduzida a uma aldeia sem território.Aureliano mandou depois reparar o Templo de Bel e a Legio I Illyricorum foi estacionada na cidade. Pouco antes de 303, foi construído o Campo de Diocleciano, um castro na parte ocidental da cidade. Ocupando uma área de quatro hectares, o acampamento foi a base da Legio I Illyricorum, que garantia a defesa das rotas comerciais em volta da cidade.

Palmira tornou-se uma cidade cristã nas décadas seguintes à destruição por Aureliano.[59] No final de 527, o imperador bizantino Justiniano ordenou que fosse fortificada e que as suas igrejas e edifícios públicos fossem restaurados, para proteger o império dos raides do rei lacmida al-Mundhir III ibn al-Nu'man.

Califado árabe[editar | editar código-fonte]

Palmira foi anexada pelo Califado Rashidun depois de ter sido tomada em 634 pelo general muçulmano Khalid ibn al-Walid, que conquistou a cidade depois de uma marcha de 18 dias através do Deserto Sírio desde a Mesopotâmia. Nesse tempo Palmira limitava-se ao Campo de Diocleciano[60] e passou a fazer parte da província de Homs.[61]

Período omíada e início do período abássida[editar | editar código-fonte]

Palmira passou por um período de alguma prosperidade enquanto esteve sob o Califado Omíada e a sua população aumentou. Os Omíadas usaram parte do Templo de Bel como mesquita e como a cidade era uma paragem chave na rota comercial entre o Oriente e o Ocidente construíram um grande suque (mercado). Durante esse período, Palmira foi um reduto da tribo dos Banu Kalb. Depois de ter perdido a guerra civil no califado entre Maruane II e Ibrahim ibn al-Walid, o contendedor omíada apoiante do segundo, Sulayman ibn Hisham, procurou refúgio junto dos Banu Kalb em Palmira em 744. Palmira opôs-se a Maruane até à rendição do líder Kalb al-Abrash al-Kalbi em 745. Nesse mesmo ano Maruane mandou demolir as muralhas de Palmira.[60]

Em 750, uma revolta contra o novo Califado Abássida estalou por toda a Síria, liderada por Majza'a ibn al-Kawthar e o pretendente omíada Abu Muhammad al-Sufyani. As tribos de Palmira apoiaram os rebeldes. Depois de ser derrotado, Abu Muhammad procurou refúgio na cidade, que aguentou os ataques dos Abássidas tempo suficiente para ele fugir.

Descentralização[editar | editar código-fonte]

O poder abássida definhou durante o século X, quando o império se desintegrou e foi dividido entre vários vassalos. Apesar disso, a maior parte dos novos governantes reconhecia o califa como o seu soberano nominal, uma situação que se manteve até à destruição do Califado Abássida pelos mongóis em 1258.

Em 955, Saif al-Daula, o emir hamdanida de Alepo, derrotou nómadas perto de Palmira e construiu uma casbá (fortaleza) para responder aos ataques dos imperadores bizantinos Nicéforo II Focas (r. 963–969) e João I Tzimisces (r. 969–976). Após o colapso dos Hamdanidas no início do século XI, Palmira foi controlada pela dinastia Mirdassida que lhes sucedeu no emirado de Alepo. Em 1068 e 1089 a cidade foi devastada por terramotos.[60] Na segunda metade do século XI, o controlo da cidade passou dos Mirdassidas para Khalaf, da tribo Mala'ib, cuja capital era Homs. Durante a década de 1070, a Síria foi controlada pelo Império Seljúcida, cujo sultão Malique Xá I expulsou os Mala'ib e prendeu Khalaf em 1090. As terras de Khalaf foram entregues ao irmão de Malique Xá, Tutuş, que em 1092 se tornou independente depois da morte do irmão em 1092 e estabeleceu um ramo da dinastia seljúcida na Síria.

Durante o início do século XII, Palmira foi governada por Toghtekin, o atabeg burida de Damasco, que nomeou um sobrinho seu como governador. Este foi morto e o atabeg retomou a cidade em 1126. Palmira foi então dada ao neto de Toghtekin, Shihab ad-Din Mahmud, que foi substuído pelo governador Yusuf ibn Firuz quando Shihab ad-Din Mahmud regressou a Damasco para suceder ao seu pai Taj al-Muluk Buri. Os Buridas transformaram o Templo de Bel numa cidadela em 1132 e fortificaram a cidade, que entregaram três anos depois ao clã Bin Qaraja em troca de Homs.

Em meados do século XII, Palmira foi anexada pelo atabeg zengida Nur ad-Din Mahmud e passou a fazer parte da província de Homs. Esta foi dada como feudo ao general Aiúbida Shirkuh em 1167 e confiscada depois da sua morte dois anos depois. Homs foi anexada pelo sultanato aiúbida em 1174 e no ano seguinte Saladino entregou-a (com Palmira incluída) como feudo ao seu primo Muhammad ibn Shirkuh. Depois da morte de Saladino em 1193, o Império Aiúbida foi dividido e Palmira foi dada ao filho de Muhammad ibn Shirkuh, al-Mujahid (Shirkuh II ou Shirkoh II), que construiu o castelo de Palmira, conhecido como Castelo de Fakhr-al-Din al-Maani (Qalʿat Ibn Maʿn), ca. 1230. Cinco anos antes, em 1225, o geógrafo sírio Yaqut al-Hamawi escreveu que os residentes da cidade viviam "num castelo rodeado por uma muralha de pedra".[14]

Período mameluco[editar | editar código-fonte]

Palmira foi usada como refúgio pelo neto de al-Mujahid, al-Ashraf Musa, que se aliou com o Ilcanato mongol, então governado por Hulagu Khan, e fugiu depois da derrota mongol em 1260, na Batalha de Ain Jalut. Al-Ashraf pediu perdão ao sultão mameluco do Cairo Qutuz, o qual foi concedido, tornando-se vassalo. Al-Ashraf Musa morreu em 1263 sem deixar herdeiros, pelo que o emirado de Homs passou a ser governado diretamente pelos Mamelucos.

Principado de al-Fadl[editar | editar código-fonte]

O clã al-Fadl, um ramo da tribo Banu Tayy, declarou a sua lealdade aos Mamelucos e em 1284 o príncipe Muhanna bin Issa foi nomeado senhor de Palmira pelo sultão Qalawun. Em 1293, Muhanna foi preso pelo sultão al-Ashraf Khalil, tendo sido libertado dois anos depois pelo sultão al-Adil Kitbugha, que também lhe restaurou os títulos. Muhanna declarou-se depois leal a Oljaitu do Ilcanato, em 1312. O sultão mameluco al-Nasir Muhammad destituiu-o e subsituiu-o pelo seu irmão Fadl. Muhanna foi perdoado e recuperou o cargo em 1317, mas em 1320 ele e a sua trubo foram expulsos devido a ter continuado a relacionar-se com o Ilcanato. Foi subsituído pelo líder tribal Muhammad ibn Abi Bakr.[12]

Em 1330, Muhanna foi novamente perdoado e recuperou o governo de Palmira em 1330. Manteve-se leal a al-Nasir até morrer três anos depois, tendo sido sucedido pelo filho. O historiador árabe Chihab al-Umari (1300–1384) descreveu Palmira como tendo «vastas hortas, comércio florescentes e monumentos bizarros». A família Fadl protegeu as rotas comerciais e as aldeias dos raides de beduínos, mas eles próprios assaltaram outras cidades e combateram entre si. Os Mamelucos intervieram militarmente várias vezes, depondo, prendendo ou expulsando os líderes Fadl.

Em 1400, Palmira foi atacada por Tamerlão, que roubou 200 000 ovelhas e destruiu a cidade. O príncipe Fadl Nu'air escapou à batalha com Tamerlão e mais tarde combateu contra o emir de Alepo Jakam. Nu'air foi capturado, levado para Alepo e executado em 1406 o que, segundo o jurista e teólogo egípcio ibn Hajar al-Asqalani (1372–1449), pôs fim ao poder do clã Fadl.

Período otomano e seguintes[editar | editar código-fonte]

A Síria foi integrada no Império Otomano em 1516 e Palmira passou a fazer parte do eyalet de Damasco, como centro do sanjaq de Salyane.[nt 21] Durante o período otomano, Palmira era uma pequena aldeia que ocupava o pátio do Templo de Bel. Depois de 1568, os otomanos nomearam o príncipe libanês Ali bin Musa Harfush, do clã Harfush, como governador do sanjaq de Palmira, que foi destituído em 1584 por traição.

Em 1630, Palmira ficou sob a autoridade de outro prícipe libanês, Fakhr-al-Din II, que renovou o castelo de Shirkuh II, que passou a ser conhecido como Castelo de Fakhr-al-Din al-Maani (Qalʿat Ibn Maʿn). Fakhr-al-Din caiu em desgraça junto dos otomanos em 1633 e perdeu o controlo da aldeia, que permaneceu um sanjaq separado até ter sido integrado no sanjaq de Zor em 1857. Em 1867 a aldeia tornou-se a base de uma guarnição otomana ali colocada para controlar os beduínos.

Palmira retomou alguma importância no início do século XX como estação para caravanas e para isso também contribuiu o advento dos transportes motorizados. Em 1918, quando a Segunda Guerra Mundial estava a terminar, a Força Aérea Britânica construiu um aeródromo para dois aviões.[nt 22] e em novembro desse ano os otomanos retiraram do sanjaq de Zor sem combater.[nt 23] O exército do Emirado Árabe da Síria entrou em Deir ez-Zor em 4 de dezembro e o sanjaq passou a fazer parte da Síria. Em 1919 os britânicos e franceses entraram em desacordo sobre as fronteiras dos mandatos da Sociedade das Nações planeados, tendo sido sugerido pelo representante militar britânico permanente no Conselho Supremo de Guerra Aliado, Henry Wilson, que Palmira fizesse parte do mandato britânico.[nt 24] Contudo, o general britânico Edmund Allenby persuadiu o seu governo a abandonar esse plano e toda a Síria, incluindo Palmira, passou a fazer parte do mandato francês depois da derrota do Reino Árabe da Síria na Batalha de Maysalun, em 24 de julho de 1920.

Durante o mandato francês, Palmira ganhou importância devido à sua localização estratégica para a pacificação do Deserto Sírio. As autoridades fancesas construíram uma base militar na aldeia, junto ao Templo de Bel, em 1921. Em 1929, o diretor geral de antiguidades na Síria, Henri Arnold Seyrig, começou a escavar as ruínas e convenceu os aldeões a mudarem-se para uma nova aldeia, construída pelos franceses perto do sítio arqueológico. A trasladação da população para a nova aldeia de Tadmur foi completada em 1932,[62] deixando a antiga Palmira à disposição dos arqueólogos para a escavarem.

População, língua e sociedade[editar | editar código-fonte]

No seu auge, durante o reinado de Zenóbia, Palmira tinha mais de 200 000 residentes. Os seus habitantes mais antigos foram amoritas, no início do segundo milénio a.C. e no fim desse milénio há registos de que a área era habitado por arameus. No final do primeiro milénio a.C. instalaram-se árabes no área. Os soldados palmirenses de Zabdibel que ajudaram os Selêucidas na batalha de Ráfia (217 a.C.) foram descritos como árabes.[30] Os novos habitantes foram assimilados pelos mais antigos,[32] falavam a sua língua e formaram um segmento significativo da aristocracia. A cidade também teve uma comunidade judaica; na necrópole de Beit She'arim, no sul da Galileia, foram descobertas inscrições em palmirense que atestam o enterro de judeus de Palmira.

Quando a cidade foi conquistada pelo Califado Rashidun em 634, era habitada por cristãos árabes. Durante o século XII, Benjamim de Tudela registou a existência de 2 000 judeus em Palmira,[63] mas depois da invasão de Tamerlão foi uma pequena aldeia onde viviam 30 ou 40 famílias árabes.[63] No início do século XX tinha cerca de 6 000 habitantes.[60]

Antes de 272 a.C., os palmirenses falavam um dialeto aramaico e usavam o alfabeto palmirense. Embora o grego fosse usado no comércio e diplomacia pelos membros das classes mais altas, o uso do latim foi mínimo[64] e o grego tornou-se a língua dominante durante o período bizantino.[18] Depois da conquista árabe, o grego deu lugar ao árabe, do qual evoluiu um dialeto palmirense.

A sociedade palmirense antes de 272 a.C. era constituída por uma mistura de diferentes etnias,[21] o que é patente nos nomes de clãs aramaicos,[nt 25] amoritas[nt 26] e e árabes.[65] [nt 27] Palmira era uma comunidade tribal, não no sentido de nómada, mas como como um grupo de famílias alargadas com uma descendência patrilinear. Foram documentados 14 clãs, 5 deles identificados como tribos (no sentido das tribos gregas [φυλή; phylé]) — Bene Mita, Komare, Mattabol, Ma'zin e Claudia — e vários sub-clãs.[66] No tempo de Nero, Palmira tinha quatro tribos, cada uma residente na sua área da cidade que tinha o seu nome.[67] Três dessas tribos eram a Komare, Mattabol e Ma'zin; não se sabe ao certo qual era a quarta tribo, mas provavelmente era a Mita.[67] [68] Com o tempo as diferenças tribais esbateram-se;[67] [nt 28] no século II d.C., a identidade dos clã perdeu a sua importância e desapareceu no século seguinte.[67] Apesar do acentuado declínio e de estar rodeada por beduínos, os aldeões preservaram o seu dialeto e mantiveram o seu modo de vida.[60]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Palmira tinha uma cultura distinta,[69] influenciada pelas culturas grega e romana,[70] mas com tradições semitas locais.[71] [nt 29] A extensão da influência grega na cultura de Palmira é fonte de debate entre os estudiosos. De acordo com a tradição académica, as práticas gregas dos palmirenses constituíam uma camada superficial sobre uma essência local. O senado de Palmira era um exemplo disso — apesar de ter sido descrito em textos gregos como uma bulé (uma instituição política grega), a reunião de líderes tribais mais velhos não eleitos fazia parte de uma tradição do Médio Oriente. Alguns académicos, como Fergus Millar, vêm a cultura de Palmira como uma fusão entre tradições locais e greco-romanas.

Além da influência ocidental, a cultura persa também influenciou as classes altas de Palmira, nomeadamente o gosto pela caça, a arte, vestuário, cerimónias da corte e táticas militares. Sem grandes bibliotecas ou centros de publicação, Palmira não teve a vida intelectual característica de outras cidades orientais como Edessa ou Antioquia. Não obstante Zenóbia tenha aberto a sua corte a académicos, o único intelectual palmirense notável documentado foi o filósofo Cássio Longino.

Palmira tinha uma grande ágora,[nt 30] mas ao contrário das ágoras gregas, que eram espaços públicos de reunião onde havia edifícios públicos, a ágora de Palmira assemelhava-se mais a um caravançarai do que a um centro da vida pública.

Os palmirenses sepultavam os seus mortos em mausoléus de família elaborados, com paredes interiores formando filas de compartimentos de enterro nos quais eram colocados os mortos. As paredes dos túmulos eram decoradas com o relevo do morto, que fazia o papel de lápide. Alguns túmulos continham múmias completamente vestidas e adornadas com joias. Os métodos de embalsamamento eram similares aos usados no Antigo Egito.

Arte e arquitetura[editar | editar código-fonte]

Embora a arte de Palmira esteja relacionada com a da Grécia, tinha um estilo distinto, influenciado pela arte da Pártia e era única na região do Médio Eufrates.[73] A escultura está bem representada na forma de bustos em relevo que selam as aberturas dos compartimentos fúnebres.Os bustos enfatizavam a roupa, joias e uma representação frontal da pessoal retratada, características que podem ser consideradas como precursoras da arte bizantina.[73] Pouco chegou até nós da pintura e todas as estátuas de bronze de cidadãos proeminentes que estavam em suportes das principais colunas da Grande Colunata desapareceram. Um friso arruinado e outras esculturas do Templo de Bel, muitas delas retiradas e levadas para museus na Síria e no estrangeiro, dão uma ideia da escultura monumental pública da cidade.

Muitos dos bustos funerários que sobreviveram foram para museus ocidentais durante o século XIX. Palmira forneceu os exemplos mais convenientes para apoiar uma controvérsia sobre história da arte no virar do século XX: até que ponto a influência oriental na arte romana substituiu o classicismo idealizado por figuras simplificadas, hieráticas e frontais (como acreditavam Josef Strzygowski e outros). Esta transição é interpretada como sendo mais uma resposta às mudanças culturais no Império Romano do Ocidente do que uma influência artística do Oriente. Como esculturas romanas, os bustos em relevo de Palmira são retratos rudimentares. Não obstante alguns possam ter «uma qualidade individual impressionante», os seus detalhes variam pouco entre figuras de sexo e idade similar.

Como o resto da sua arte, a arquitetura de Palmira foi influenciada pelo estilo greco-romano,[74] ao mesmo tempo que preservou elementos locais, o que é especialmente notório no Templo de Bel.[75] Rodeado por uma parede maciça flanqueada com colunas romanas tradicionais,[75] a planta do santuário de Bel é primariamente semita. Similar ao Segundo Templo, o santuário consistia num amplo pátio com o sacrário principal da divindade descentrado em relação à entrada[75] (uma planta que apresenta elementos dos templos de Ebla e Ugarit).[76]

Governo[editar | editar código-fonte]

Apesar de que desde o início da sua história até ao século I d.C. Palmira não ter sido mais do que um xarifado sem grande importância, no século I a.C. começou a desenvolver-se uma identidade palmirense. Durante a primeira metade do século I d.C. Palmira incorporou algumas instituições políticas das pólis gregas; o conceito de cidadania aparece numa inscrição datada de 10 d.C., que descreve os palmirenses como uma comunidade. Outra inscrição, de 74 d.C., menciona a bulé (senado) da cidade. O conselho ou assembleia de Palmira era constituído por cerca de 600 membros[nt 31] da elite local (como os cidadãos mais velhos ou os líderes das famílias ou clãs mais ricos), representando toda a população.[68] A bulé era encabeçada por um presidente e administrava as responsabilidades civis; supervisionava os serviços e obras públicas (que incluíam a construção de edifícios públicos), aprovava despesas, cobrava impostos e nomeava dois arcontes todos os anos. As tropas de Palmira era comandadas por strategoi (estrategos ou generais) nomeados pela bulé.[77]

Com a elevação de Palmira a colónia romana, por volta de 213–216, a cidade incorporou as instituições romanas no seu sistema grego. A bulé manteve-se e os estrategos designavam um dos dois magistrados que eram eleitos anualmente. Estes duúnviros implementaram a nova constituição colonial, substituindo os antigos arcontes. A cena política de Palmira mudou com a ascensão ao poder de Odenato, que é descrito como um senador e exarco (governador) de Palmira com o seu filho Hairan em 251. Não se sabe se esses títulos se referiam a uma posição militar ou sacerdotal. Em 257, Odenato era conhecido como consularis, possivelmente o legatus da província da Fenícia. No ano seguinte, Odenato começou a expandir a sua influência política, tirando partido da instabilidade regional causada pela agressão dos Sassânidas, que culminou com a derrota romana na batalha de Edessa (270) e a elevação à realeza de Odenato e à mobilização de tropas que fizeram de Palmira um reino.

O rei manteve o conselho e a maior parte das instituições cívicas, permitindo a a eleição de magistrados até 264. Na sua ausência, a cidade era governada por um vice-rei. Apesar dos governadores das províncias romanas orientais sob o controlo de Odenato continuassem a ser nomeados por Roma, o rei tinha autoridade sobre eles. Durante a rebelião de Zenóbia, os governadores foram nomeados pela rainha.

Nem todos os palmirenses aceitaram o domínio da família real. Um senador chamado Septimius Haddudan surge numa inscrição posterior como apoiante dos exércitos de Aureliano durante a rebelião de 273. Após a destruição da cidade pelos romanos, Palmira foi administrada diretamente por Roma e os estados que lhe sucederam, incluindo os Buridas e os Aiúbidas ou por líderes beduínos subordinados do governo central, nomeadamente a família Fadl, que governou sob os Mamelucos.

Exército[editar | editar código-fonte]

O exército de Palmira defendia a cidade e a sua economia, contribuindo para estender a autoridade da cidade para além das suas muralhas e protegendo as rotas comerciais do deserto. Nos períodos de maior prosperidade, a cidade teve um exército substancial;[34] Zabdibel comandou uma força de 10 000 homens no século III d.C.[30] e Zenóbia encabeçou um exército de 10 000 soldados na batalha de Emesa.

Os soldados eram recrutados entre a população da cidade e dos seus territórios, que se estendia por vários milhares de quilómetros quadrados, desde os arredores de Homs até ao vale do Eufrates.[34] Também eram recrutados soldados não palmirenses; há registo de um cavaleiro nabateu em serviço numa unidade palmirense estacionada em Anah em 132. Desconhece-se o sistema de recrutamento, embora a cidade possa ter selecionado e equipado as suas tropas e os estrategos as comandassem, treinasse e disciplinassem. Os estrategos eram nomeados pela bulé com a aprovação de Roma.[77] O exército, comandado pelo monarca e pelos generais,[78] seguia os modelos dos Sassânidas nas armas e táticas. Os arqueiros palmirenses eram famosos e as principais forças de ataque de Palmira eram a infantaria e a cavalaria pesada (catafractários). A infantaria era armada com espadas, lanças e pequenos escudos redondos. Os catafractários e os seus cavalos usavam armaduras integrais e usavam lanças pesadas (kontos) com 3,65 metros de comprimento, sem escudo.

Relações com Roma[editar | editar código-fonte]

Cientes da capacidade de combate dos palmirenses em áreas extensas esparsamente povoadas, os romanos formaram uma auxilia (corpo de tropas auxiliares) palmirense para servir no seu exército imperial. Vespasiano (r. 69–79) teve 8 000 arqueiros palmirenses na Judeia e Trajano (r. 98–117) criou a primeira auxilia palmirense em 116, uma unidade de cavalaria, a Ala I Ulpia dromedariorum Palmyrenorum[79] Em várias ocasiões foram enviadas unidades palmirenses para diversas regiões Império Romano, algumas bastante distantes.[nt 32] Durante o final do reinado de Adriano (r. 117–138) uma unidade de Palmira serviu na Dácia.[80] Durante o reinado de Antonino Pio (r. 138–161) houve tropas palmirenses em El Kantara[nt 33] , na Numídia, e na Mésia.[80] No final do século II, Roma formou a Cohors XX Palmyrenorum, que esteve estacionada em Dura Europos.[80]

Governantes[editar | editar código-fonte]

Hairan retratado como um soldado no Promptuarii Iconum Insigniorum
Meônio retratado no Promptuarii Iconum Insigniorum
Zenóbia representado como Augusta no obverso dum antoniniano
Valabato representado como Augusto no obverso dum antoniniano
Governante Período Título Notas
Dinastina de Odenato
Odenato 260–267 Rei de reis Descrito postumamente como rei de reis, as inscrições conhecidas do tempo de Odenato apresentam-no como rei.[45]
Hairan 263–267 Rei de reis Também conhecido como Herodes de Palmira ou, em latim, Septimius Herodianus, era filho de Odenato e foi coroado pelo seu pai como co-rei de reis perto de Antioquia.
Meónio 267 Imperador Também conhecido como Meónio ou Macónio (Maconius), era familiar de Odenato — geralmente é apontado como primo,[46] mas segundo João Zonaras eras sobrinho.
Herodiano 267 Rei de reis Filho de Odenato e Zenóbio, surge com a sua mãe num selo de chumbo; morreu pouco depois do seu pai.[81]
Vabalato 267-272 Rei de reis
Imperador
Abandonou o título rei de reis em 270, substituindo-o pelo título em latim rex (rei) e declarou-se imperador em 271. Governou durante a regência da sua mãe, Zenóbia.
Antíoco 273 Imperador Segundo uma inscrição, era familiar de Zenóbia, possivelmente filho.
Dinastia al-Fadl
Muhanna bin Issa 1284–1293
1295-1312
Príncipe Preso e perdoado várias vezes pelos Mamelucos.
Fadl bin Issa 1312-1317 Príncipe Irmão de Muhanna.
Muhanna bin Issa 1317-1320
1330-1333
Príncipe O seu terceiro reinado acabou com a sua expulsão juntamente com a sua tribo em 1320; foi novamente perdoado e restaurado em 1330.
Muzaffar al-Din Musa 1333-1341 Príncipe Filho de Muhanna.
Suleiman I 1341-1342 Príncipe Filho de Muhanna.
Sharaf al-Din Issa 1342-1343 Príncipe Filho de Fadl bin Issa.
Saif 1343-1345 Príncipe Filho de Fadl bin Issa.
Ahmad 1345-1347 Príncipe Filho de Muhanna.
Saif 1347-1348 Príncipe Segundo reinado.
Ahmad 1348 Príncipe Segundo reinado.
Fayad 1348 Príncipe Filho de Muhanna.
Hayar 1348-1350 Príncipe Filho de Muhanna.
Fayad 1350-1361 Príncipe Segundo reinado.
Hayar 1361-1364 Príncipe Segundo reinado; revoltou-se e foi destituído.
Zamil 1364-1366 Príncipe Filho de Musa, irmão de Muhanna.
Hayar 1366-1368 Príncipe Terceiro reinado; revoltou-se e foi destituído.
Zamil 1368 Príncipe Segundo reinado; revoltou-se e foi destituído.
Mu'ayqil 1368-1373 Príncipe Filho de Fadl bin Issa.
Hayar 1373-1375 Príncipe Quarto reinado.
Malik 1375-1379 Príncipe Filho de Muhanna.
Zamil 1379-1380 Príncipe Terceiro reinado, juntamente com Mu'ayqil.
Mu'ayqil 1379-1380 Príncipe Segundo reinado, juntamente com Zamil.
Nu'air bin Hayar 1380-? Príncipe Filho de Hayar.
Musa  ?-1396 Príncipe Filho de Assaf, irmão de Hayar.
Suleiman II 1396-1398 Príncipe Filho de 'Anqa, irmão de Hayar.
Muhammad 1398-1399 Príncipe Irmão de Suleiman II.
Nu'air bin Hayar 1399-1406 Príncipe Segundo reinado.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os deuses de Palmira originalmente eram do panteão semita do noroeste, com a adição de desues dos panteões mesopotâmico e árabe. O culto de babilónico de Marduque teve influência na cidade. A principal divindade pré-helenística chamava-se Bel, uma abreviatura de Baal, um título honorífico nas línguas semíticas do noroeste. A seguir em termos de importância a essa divindade suprema havia mais de 60 deuses ancestrais dos clãs de Palmira. A cidade tinha divindades únicas, como o deus da justiça, o guardião da nascente de Efqa Yarhibol, o deus do sol Malakbel e o deus da lua Aglibol. Os palmirenses adoravam divindades regionais, que incluíam os principais deuses levantinos (Astarte, Ba'al Hammon, Baalshamin e Atargatis), deuses babilónicos (Nabu e Nergal) e árabes (Azizos, Arsu, Shamash ou Šams e Al-Lāt.

O panteão palmirense incluía ainda os ginnaye, um grupo de divindades menores populares nas zonas rurais que eram similares aos jinns e aos génios romanos. Contudo, ao contrário dos jinns não podiam possuir ou causar dano a humanos. O seu papel era similar ao dos génios romanos: divindades tutelares que guardavam os individuos e as suas caravanas, gado e aldeias.

Embora ps palmirenses adorassem divindades individuais, algumas dessas divindades eram associadas com outros deuses.[82] Bel tinha Astarte-Belti como consorte e formava uma divindade tripla com Aglibol e Yarhibol (que se tornou um deus do sol na sua associação com Bel). Malakbel fazia parte de muitas associações,[82] fazendo um par com Aglibol e Gad Taimi[83] e formando uma divindade tripla com Baalshamin e Aglibol.[84] Em Palmira realizava-se um Akitu (festival da primavera) todos os nissans. Cada um dos quatro bairros da cidade tinha um santuário para uma divindade considerada ancestral pela tribo residentes. O santuário de Malakbel e Aglibol era no bairro dos Komare; o santuário de Baalshamin era no bairro dos Ma'zin; o de Arsu no bairro dos Mattabol e o de Atargatis no quarto bairro.[nt 34]

O paganismo foi substituído pelo cristianismo quando esta religião se espalhou pelo Império Romano; há registo de um bispo na cidade em 325. Embora a maior parte dos templos tivesse sido transformada em igrejas, o templo de Al-lāt foi destruído em 385 por ordem do prfeiro pretoriano do Oriente Maternus Cynegius.[59] Após a conquista árabe em 634, o islão substituiu gradualmente o cristianismo; o último bispo de Palmira conhecido foi consagrado em 818.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia de Palmira antes do início do período romano era baseada na agricultura, pastorícia, comércio[7] e em servir como estação de repouso e abastecimento para as caravanas que esporadicamente atravessavam o deserto. No fim do século I a.C., a cidade tinha uma economia mista, baseada na agricultura, pastorícia, taxas[85] e, principalmente, no comércio de caravanas.

As taxas eram uma fonte importante de receitas para a cidade;[85] as caravanas pagavam taxas num edifício conhecido como Tribunal de Tarifas,[86] onde foi descoberta uma lei datada de século I d.C. Essa lei regulamentava as taxas pagas pelos mercadores pelos bens vendidos no mercado interno.[86] a maior parte das terras eram propriedade da cidade, que cobrava taxas de pastagem. O oásis tinha cerca de mil hectares de terra irrigável, mas a prdoução agrícola era insuficiente para alimentar a população, pelo que era importados bens alimentares.

Após a destruição da cidade em 273, Palmira tornou-se um mercado para aldeões e nómadas da região em volta.[87] A cidade retomou alguma prosperidade durante a era omíada, o que é atestado pela descoberta de uma grande soco na avenida da grande colunata. Palmira foi um centro de comércio de menor importância até ter sido novamente destruída pelos Timúridas, que reduziram a cidade a uma simples povoação à beira do deserto cujos habitantes se dedicavam à pastorícia e ao cultivo de pequenos talhões com milho e hortaliça.

Comércio[editar | editar código-fonte]

A principal rota comercial de Palmira dirigia-se para leste, em direção ao Eufrates, onde se ligava com a Rota da Seda. Depois seguia para sul ao longo do rio, até ao porto de Charax Spasinu (Alexandria ou Antioquia de Susiana), no golfo Pérsico, onde navios palmirenses viajavam até à Índia.[88] Eram importados da Índia, China e Transoxiana,[89] que eram exportados para ocidente, para Emesa ou Antioquia e para os portos do Mediterrâneo,[90] de onde era distribuídos para todo o Império Romano.[88] Além dessa rota mais usual, alguns mercadores palmirenses usaram o mar Vermelho, provavelmente como consequência das guerras romano-partas. Os bens eram carregados por terra desde os portos marítimos até um porto no Nilo e depois levados para portos mediterrânicos para serem exportados. Há inscrições que atestam a presença de palmirenses no Egito datadas do reinado de Adriano (primeira metade do século II d.C..

Dado que Palmira não se situava na Rota da Seda (que seguia o Eufrates), os palmirenses asseguravam a rota do deserto que passava na sua cidade. Ligaram-na com o vale do Eufrates, fornecendo água e abrigo. A rota de Palmira era usada quase exclusivamente pelos mercadores da cidade, que estavam presentes em muitas cidades.[7] Há registos dessa presença em Dura Europos em 33 a.C.,[37] Babilónia em 19 d.C., Selêucia do Tigre em 24 d.C.[35] e em Dendera, Coptos,[91] Barém, delta do Indo, Merv e Roma.

O comércio de caravanas dependia de patrões e mercadores. Os patrões tinham as terras onde os animais da caravana eram criado, fornecendo animais e guardas aos mercadores. Embora os mercadores usassem os patrões para conduzir os seus negócios, era frequente os seus papéis sobreporem-se e por vezes era um patrão que chefiava a caravana. O comércio colocou Palmira e os seus mercadores entre os mais ricos da região. Algumas caravanas eram financiadas apenas por um mercador,[86] como um tal de Male' Agrippa, que financiou a visita do imperador Adriano em 129 e a reconstrução do Templo de Bel em 139.[40] O principal comércio gerador de receitas era de seda, que era importada do Oriente e exportada para o Ocidente.[92] outros bens exportados incluíam jade, musselina, especiarias, ébano, marfim e pedras preciosas. Para o seu mercado doméstico, Palmira importava escravos, prostitutas, azeite, tecidos tingidos, mirra e perfumes.[85]

Sítio arqueológico e escavações[editar | editar código-fonte]

Palmira começou como um pequeno povoado junto à nascente Efqa, na margem sul do uádi al-Qubur. Este povoado, conhecido como assentamento helenístico, expandiu-se com a construção de residências na margem norte durante o século I d.C. Embora originalmente as muralhas rodeassem uma extensa área em ambas as margens do uádi, as muralhas reconstruídas durante o reinado de Diocleciano (r. 284–305) rodeavam somente a parte da margem norte.[5]

A maior parte das edificações monumentais da cidade foram construídas na margem norte.[93] Entre elas destaca-se o Templo de Bel, situado num tell onde existiu um templo mais antigo (conhecido como o templo helenístico). As escavações suportam a teoria de que o templo se localizava originalmente na margem sul e que o curso do uádi foi modificado para incorporar o templo na nova organização urbana, que foi iniciado com a grande prosperidade da cidade no final do século I d.C. e e início do século II.[31]

Outra edificação notável, também situada a norte do uádi, é a Grande Colunata, a principal avenida de Palmira, com 1,1 km de comprimento, que vai desde o Templo de Bel, a leste, até ao templo funerário, na parte ocidental da cidade. Tem um arco monumental na sua secção oriental e a meio ergue-se um tetrápilo.[20]

As termas de Diocleciano, construídas sobre as ruínas de um edifício anterior que pode ter sido o palácio, situavam-se no lado esquerdo da colunata.[65] [94] Perto dali encontrava-se o Templo de Baalshamin, casas de habitação e as igrejas bizantinas, entre elas uma do século VI, a quarta de Palmira e possivelmente a maior alguma vez descoberta na Síria. Estima-se que a igreja tivesse 12 por 24 metros e as colunas tivessem 6 metros de altura. No pátio da igreja foi descoberto um pequeno anfiteatro.[1]

O Templo de Nabu e o teatro romano foram construídos no lado sul da Grande Colunata. Atrás do teatro havia um pequeno edifício do senado e a ampla ágora, onde há ruínas de um triclínio (salão de banquetes) e do Tribunal de Tarifas. Uma rua perpendicular ao extremo da colunata conduz ao Campo de Diocleciano, construído por Sosianus Hierocles, o governador romano da Síria. Ali perto situam-se os templos de Al-lāt (século II d.C.) e a Porta de Damasco.

A oeste das antigas muralhas foram construídos vários monumentos funerários de grandes dimensões, uma necrópole com um quilómetro de comprimento conhecida como Vale dos Túmulos. Ali se encontram mais de 50 monumentos, quase todos em forma de torre, que chegam a ter quatro andares de altura. A cidade tinha outros cemitérios a norte, sudoeste e sudeste, onde os túmulos são sobretudo hipogeus (subterrâneos).

Escavações e referências de ocidentais[editar | editar código-fonte]

Durante a Idade Média e séculos imediatamente seguintes, Palmira foi praticamente esquecida no Ocidente, embora tenha sido visitada por alguns viajantes como Pietro Della Valle (entre 1616 e 1625) e Jean-Baptiste Tavernier (em 1638) e vários exploradores suecos e alemães. Em 1678, um grupo de comerciantes ingleses visitou a cidade e a sua primeira descrição em documentos académicos surgiu num livro de 1705 da autoria de Abednego Seller. Em 1751, uma expedição liderada por Robert Wood e James Dawkins estudou a arquitetura de Palmira. Houve mais visitas de viajantes e antiquários nas décadas seguintes, nomeadamente a de Hester Stanhope em 1813.[95]

As primeiras escavações em Palmira foram levadas a cabo pelos alemães Otto Puchstein em 1902 em por Theodor Wiegand em 1917. Em 1929, o diretor geral de antiguidades da Síria e Líbano Henri Arnold Seyrig deu início a uma escavação em larga escala, que foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial e retomada pouco depois do fim da guerra. Entre 1954 e 1956, uma expedição suíça organizada pela UNESCO escavou o Templo de Baalshamin.[62] Desde 1958, o sítio tem sido escavado pela direção geral de antiguidades síria e por expedições polacas lideradas por Kazimierz Michałowski (até 1980) e Michael Gawlikowski (até 1984).[62] Em novembro de 2010, o austríaco Helmut Thoma admitiu ter pilhado um túmulo palmirense em 1980, roubando peças de arquitetura para decorar a sua casa. Arqueólogos austríacos e alemães condenaram o roubo.

Situação em maio-junho de 2015[editar | editar código-fonte]

Devido à Guerra Civil Síria, Palmira sofreu muitas pilhagens e foi bastante danificada pelos combatentes. Durante o verão de 2012, os receios sobre pilhagens no museu e no sítio aumentaram quando foi divulgado um vídeo amador que mostrava soldados sírios a carregarem pedras funerárias. Contudo, segundo uma reportagem do canal de televisão francês France 24, é impossível determinar se o vídeo mostrava uma pilhagem. No ano seguinte, a fachada do Templo de Bel apresentava um grande buraco provocado por fogo de morteiro e as colunas da Grande Colunata foram danificadas por estilhaços de artilharia. No início de 2015, Maamoun Abdulkarim, diretor de antiguidades e museus do Ministério da Cultura da Síria informou que o Exército Sírio tinha tropas posicionadas em alguns locais do sítio arqueológico. Por sua vez, as tropas da oposição estavam estacionadas em hortas em volta da cidade.

Em maio de 2015, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) lançou um ataque à cidade moderna, o que provocou receios que o grupo radicalmente iconoclasta destruísse a antiga cidade. Em 21 de maio, o EIIL entrou no sítio arqueológico e segundo testemunhas oculares, em 23 de maio o leão de Al-lāt e outras estátuas foram destruídas por militantes islâmicos. Residentes locais disseram que a força aérea síria bombardeou as ruínas em 13 de junho, danificando a muralha norte junto ao Templo de Baalshamin.

Alvorada em Palmira

Notas[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Palmyra», especificamente desta versão.
  1. Plínio diz que Palmira era independente, mas em 70 d.C. Palmira já fazia parte do Império Romano e os escritos de Plínio sobre a situação política de Palmira são rejeitados pelos historiadores modernos, pois considera-se que se basearam em registos mais antigos, datados do reinado de Otávio, quando Palmira era independente.
  2. A palavra semita T.M.R. é a raiz comum das palavras que designam tâmaras em árabe, hebraico, ge'ez e outras línguas semitas.[9]
  3. A Bíblia hebraica menciona "Tadmor" como uma cidade construída por Salomão. Segundo Schultens seria escrita "Tamor" e na margem[necessário esclarecer] "Tadmor" e que "Tamor" deriva de "Tamar",[8] mas a não há explicação para a inclusão do -d- em "Tamar".[3]
  4. Segundo Schultens, os romanos alteraram o nome de "Tadmor" para "Talmura" e depois para "Palmura" (da palavra latina palma, que signfica palmeira),[10] em referência às palmeiras. Posteriormente o nome adquiriu a sua forma final "Palmira".[12]
  5. O nome pode ser uma tradução de "Tadmor" (partindo do princípio que esta palavra significa "palmeira") e derivar da palavra grega palame.[3]
  6. As tábuas de Mari são uma coleção de várias centenas de placas escritas em acádio datadas quase todas de ca. 1800–1750 d.C., encontradas na antiga cidade de Mari.
  7. Este Zabdibel não é explicitamente identificado como sendo palmirense, mas este nome só é atestado em Palmira.[29]
  8. Não se conhece o ano exato em que Palmira usou pela primeira vez instituições políticas do tipo grego. Não há evidências extensivas que identifiquem Palmira como uma pólis e a referência mais antiga que se conhece é uma inscrição de 51 d.C., escrita em palmirense e grego, que menciona a "Cidade dos Palmirenses" na parte em grego.
  9. Não há provas de que Germânico tenha estado em Palmira.
  10. A legião fazia parte da campanha oriental de Germânico e não ficou estacionada na cidade como guarnição.
  11. A estrada foi uma iniciativa do senador Trajano.
  12. Essa transformação já tinha sido iniciada no século I a.C.[37]
  13. Apesar de ser opinião dominante que Palmira beneficiou da anexação de Petra, note.se que o comércio de Palmira era principalmente com o Oriente, enquanto que o de Petra era sobretudo com o sul da Arábia. Além disso, os artigos transacionados por Palmira eram diferentes dos de Petra, pelo que a anexação desta última pode não ter tido um impacto real no comércio de Palmira.[39]
  14. A forma como Odenato ascendeu ao poder não é clara; ele pertencia à elite mercantil e pode ter sido eleito pelo conselho da cidade.
  15. Também conhecido como em latim como Septimius Herodianus.
  16. Os palmirenses consideravam as população judaica da Mesopotâmia leal aos persas.
  17. A primeira evidência decisiva do uso do título de "Rei de Reis" por Odenato é uma inscrição datada de 271, descrevendo postumamente o monarca como "Rei de Reis".[45] Contudo, as inscrições do próprio Odenato chamam-lhe rei e não é certo que ele tivesse usado o outro título.[45]
  18. Cláudio Gótico morreu em agosto de 270, pouco antes da invasão do Egito por Zenóbia.[53] O sucessor legítimo de Cláudio, o seu irmão Quintilo apenas reinou durante alguns dias em 270, tendo sido destronado no mesmo ano por Aureliano, comandante do corpo de cavalaria.[carece de fontes?]
  19. Entre os historiadores debate-se se esse ato foi uma declaração de independência ou uma usurpação do trono imperial romano.
  20. Todos os outros registos indicam que não era necessária qualquer ação militar, pois ao que parece Zenóbia tinha retirado as suas tropas para defender a Síria.[55]
  21. O sanjaq de Salyane recebia um subsídio anual do governo, ao contrário dos sanjaqs Khas, cujas receitas provinham de terras.[necessário esclarecer]
  22. Os britânicos não ocuparam a área e os beduínos locais concordaram em defender o campo de aviação.
  23. As tropas britânicas, franceses e árabes não atacaram o sanjaq de Zor.
  24. Em 1916, quando a Segunda Guerra Mundial estava em meio, a França e o Reino Unido negociaram secretamente a partilha dos territórios orientais otomanos, que atualmente constituem a Síria e o Iraque, que resultou no Acordo Sykes-Picot, nos termos dos quais a Síria seria entregue aos franceses (ver Mandato Francês da Síria) e o Iraque aos britânicos (ver Mandato Britânico da Mesopotâmia).
  25. Exemplos de nomes de família aramaicos: Gaddibol e Yedi'bel.[65]
  26. Exemplos de nomes de família amoritas: Zmr' e Kohen-Nadu.[65]
  27. Exemplo de nome de família árabe: Bene Ma'zin.[65]
  28. Em geral, uma tribo cívica (phylé) era um conjunto de pessoas escolhidas entre a população a quem era atribuída uma divindade como antepassado tribal e um território para residirem. As phylés era unidas pela sua cidadania e não pela sua origem.
  29. Um exemplo dessa mistura de influências culturais é o facto de no século II d.C., a deusa local Al-Lāt ser representada no estilo da deusa grega Atena e ser chamada Atena Al-Lāt. No entanto, essa assimilação de Al-Lāt a Atena não foi além da iconografia.
  30. Na tradição helenística, a ágora era o centro da vida política, artística, espiritual, política e desportiva da cidade.[72]
  31. Este número é hipotético.
  32. Perto de Newcastle, Inglaterra, foi descoberto um monumento mandado construir por um palmirense chamado Baratas, que era um soldado ou um "seguidor de campo" (alguém que segue as tropas para lhes fornecer ou vender algum tipo de serviço ou bens).
  33. El Kantara é um oásis na atual província argelina de Biskra.
  34. Não se sabe ao certo qual era a quarta tribo de Palmira, mas provalmente era a Mita.[84]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]


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