Pamela Courson

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Pamela Courson
Nome completo Pamela Susan Courson
Nascimento 22 de dezembro de 1946
Weed, Califórnia, EUA
Morte 25 de abril de 1974 (27 anos)
Los Angeles, Califórnia, EUA
Nacionalidade norte-americana
Cônjuge Jim Morrison
(1965–1971)

Pamela Susan Courson (22 de dezembro de 194625 de abril de 1974) foi a companheira de longos anos de Jim Morrison, vocalista da banda The Doors.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Courson nasceu em Weed, Califórnia. Ela foi descrita como uma jovem reclusa, tímida e que seus vizinhos não conheciam bem. Seu pai, Columbus "Corky" Courson (1918-2008), era da marinha dos Estados Unidos e mais tarde tornou-se diretor de uma escola em Orange, Califórnia. Sua mãe, Pearl "Penny" Courson (1923-2014), era dona de casa e que ocasionalmente fazia design de interiores e foi descrita como uma "conhecedora das artes". Pamela tinha uma irmã, Judith.[1]

Teve um bom desempenho escolar até o ginásio, quando registros mostram a sua família que ela estava sempre ausente das aulas após esse período. Ela odiava o ensino médio, tendo estudado em Orange High School, e suas notas começaram a despencar quando ela tinha dezesseis anos. Naquela primavera, se mudou para Los Angeles, onde dividia um apartamento com uma amiga. Há rumores de que Neil Young tenha escrito as canções "Cinnamon Girl" e "The Needle and the Damage Done" sobre ela.[2]

Ray Manzarek, tecladista do The Doors, afirmou em sua autobiografia, lançada em 1998, que Courson conheceu Jim Morrison em 1965, quando a banda apresentou-se em um clube noturno chamado The London Fog em Sunset Strip. Na época, Courson estudava artes em Los Angeles City College, antes da banda alcançar a fama. Pam, como era chamada, incentivava o futuro astro do rock a dedicar-se à poesia.

O relacionamento de Jim e Pamela era tumultuado e marcado por grandes discussões e repetidas infidelidades por ambas as partes. A respeito da relação dos dois, John Densmore, baterista do The Doors, disse: "eles eram como Romeu e Julieta. Brigavam o tempo todo, mas eram feitos um para o outro". Em uma passagem em seu livro, Riders on the Storm, Densmore escreveu:

"Foi quando voltamos para Los Angeles que Jim conheceu Pam Courson. Foi uma relação que duraria para o resto de sua vida. Ela era uma menina ruiva, baixa e tímida, de Orangre County, e seu pai era diretor de uma escola. Com sardas e olhos verde esmeralda, Pam tinha o rosto inocente de uma princesa da neve, e uma voz suave e alegre. Ela também tinha o fogo necessário para ser a companheira de Jim. Com dezenove anos de idade Pam veio a Hollywood para se encontrar; em vez disso ela encontrou Jim."

Ray Manzarek descreveu Courson como "a outra metade e Jim". De acordo com o jornalista Jerry Hopkins, autor da biografia No One Here Gets Out Alive, Morrison se referia à mesma como sua "companheira cósmica".

Morrison falava com Pamela através de suas letras e poesias, e dedicou seu livro de poemas The New Creatures à ela. Canções como “Love Street”, “Queen of the Highway”, “Blue Sunday", e "Indian Summer" assim como muitos de seus poemas foram escritos sobre ela.[3][4] Em 1968, os dois obtiveram uma licença de casamento, mas nunca chegaram a oficializar a relação.

De 1969 a 1971, Courson gerenciou uma boutique chamada Themis, que Morrison comprou para ela com o cheque que recebeu pelo álbum Strange Days.[5][6] Em 1971, durante a pausa do The Doors, Morrison mudou-se para a França para juntar-se à namorada.

Em 3 de julho de 1971, Courson encontrou Morrison morto na banheira do apartamento que os dois dividiam em Paris. O legista diz que a causa da morte do músico foi parada cardíaca, entretanto, nenhuma autópsia foi feita em seu corpo, que foi cremado. Na época, a realização de autópsia não era obrigatória de acordo com as leis francesas. Até hoje, permanecem dúvidas sobre a verdadeira causa de sua morte.

Courson herdou toda a fortuna de Jim, pois ele a incluiu como única herdeira em seu testamento, feito em 1969. Ações contra o Estado fariam com que, por dois anos, ela fosse impedida de receber o dinheiro. Ela não manteve contato com os membros remanescentes do The Doors.

Após a morte de Morrison, Courson tornou-se ainda mais reclusa. Muito abalada, ela voltou para Los Angeles e usava heroína frequentemente, além de mostrar sinais de instabilidade mental. Em negação, referia-se ao cantor como se ainda estivesse vivo, e estivesse o aguardando retornar de turnê. Na biografia No One Gets Out Alive, Hopkins sugeriu que Courson pode ter se prostituído após a morte de Morrison, provavelmente para manter o luxuoso estilo de vida que levava quando ele ainda era vivo, já que sua boutique foi fechada.

O historiador Danny Sugerman tornou-se amigo dela após a morte de Morrison, e, anos mais tarde, escreveu em seu livro Wonderland Avenue que o vício em heroína de Courson havia tornado-se tão grave ao ponto dela contrabandear drogas em seu carro e escondê-las em balões coloridos que planejava engolir caso fosse parada pela polícia.[7]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 25 de abril de 1974, o corpo de Pamela Courson foi encontrado por amigos na sala de seu apartamento em Los Angeles. A causa de morte foi uma overdose de heroína. Ela tinha 27 anos. Um vizinho comentou que ela havia mencionado estar "ansiosa para reencontrar-se com Jim". Seus pais queriam que ela fosse enterrada ao lado de Morrison, e essa informação foi citada em seu certificado de óbito, no entanto, devido a complicações legais para transportar seu corpo a Paris, ela foi cremada e enterrada no cemitério Fairhaven Memorial Park em Santa Ana, Califórnia. Apesar de nunca terem se casado oficialmente, o nome que consta em sua lápide é Pamela Susan Morrison.

Meses após sua morte, seus pais, Columbus e Peny Courson, herdaram toda a fortuna de Morrison, o que foi contestado pelos pais do músico. A herança permaneceu nas mãos dos pais de Courson por anos, após os dois afirmarem em corte que sua filha e Morrison tiveram uma união estável, até em 1979 ambas as partes decidirem dividir a herança igualmente.

Na biografia Break on Through, de James Riordan e Jerry Prochnicky, Diane Gardner, uma amiga de Courson, falou sobre a mesma:

"Pam era uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Ela era linda, parecia a rainha da neve, mas fazia coisas como colecionar Lugers. Ela tinha um senso de humor cruel. Ela amava viajar porque ela dizia que você nunca tinha que pensar. Quando você viaja e é turista, você sai e a vida acontece. Eu gostava dela. Ela era a menina mais perigosa que eu já conheci. Após o Jim morrer e nós duas estávamos fora de nós, nós fazíamos coisas tipo ir para Tijuana e ficar doidas. A gente se hospedava nuns hoteis de quinta categoria e ia para Rosarito Beach e bebíamos tudo que víamos pela frente. Uma vez um rapaz que estava conosco gritou umas coisas bem obscenas para a polícia e eles vieram atrás da gente. Um rapaz queria tomar as chaves do novo fusca da Pam e ir enbora, então eu bati nele com meu sapato. E a gente teve que pagar tudo. Fomos no hotel e deixaram a gente pagar fiado. Não ajo assim normalmente. Pam tinha esse efeito sobre mim."

Em 1991, no filme The Doors (de Oliver Stone), Courson foi interpretada pela atriz Meg Ryan.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Hopkins, Jerry; Sugerman, Danny (1995). No One Here Gets Out Alive. [S.l.]: Mass Market Paperback. p. 68 
  2. Davis, Stephen. Jim Morrison: Life, Death, Legend. New York: Gotham, 2005. ISBN 978-1-59240-099-7.
  3. «Ode to a Deep Love». 92KQRS.com - KQRS-FM 
  4. Rich Weidman (1 de outubro de 2011). The Doors FAQ: All That's Left to Know About the Kings of Acid Rock. [S.l.]: Backbeat Books. p. 210. ISBN 978-1-61713-110-3 
  5. Butler 107
  6. Hopkins, Jerry; Sugerman, Danny (1995). No One Here Gets Out Alive. [S.l.]: Mass Market Paperback. p. 265 
  7. Sugerman, Danny. Wonderland Avenue: Tales of Glamour and Excess. London, United Kingdom: Abacus, 1991. pg. 276.
  8. Norman Kagan. The cinema of Oliver Stone. Continuum, 2000. página 312. ISBN 0826412440.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]