Ir para o conteúdo

Pancrácio de Ravendel

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Pancrácio (em grego: Παγκράτιος; romaniz.: Pankrátios; em armênio: Բագրատ; romaniz.: Bagrat; m. 1116) foi um aventureiro armênio e irmão de Basílio, o Ladrão. Basílio estava entre vários príncipes armênios que estabeleceram pequenas cidades-estados na região durante o colapso do poder centralizado dos abássidas após a ascensão dos seljúcidas.

Pancrácio (Παγκράτιος, Pankrátios; Pancratius) deriva do grego pankratḗs (παγκρατής), "todo poderoso".[1] Equivale ao armênio Bagrate (Բագրատ, Bagrat) e Bagarate (Բագարատ, Bagarat).[2] Bagrate, Bagarate e Bagadia (Բագադիա) derivam do proto-iraniano *Bagadata (*Bágadaʰtah), que equivale ao persa antigo *Bagadata (Bagadātah, "criado por deus"), de bagaʰ⁠ (𐏎, BG), "deus", e ⁠dātaʰ (𐎭𐎠𐎫, d-a-t), "dado, criado". Foi registrado em babilônico tardio como Baguedatu (𒁀𒀝𒁕𒌈 / 𒁀𒄀𒁕𒀀𒌓, Bagdatu), Bagadata (𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒋫 / 𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒋫𒀪 / 𒁀𒂵𒀪𒁕𒀜𒋫𒀪 / 𒁀𒂵𒀪𒁕𒋫𒀪 / 𒀭𒈨𒌍𒁕𒀀𒋫, Bagaʾdata / Bagaʾdāta), Bagadati (𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒋾 / 𒁀𒂵𒁕𒀀𒋾, Bagaʾdāti⁠), Bagadatu (𒁀𒂵𒀪𒁕𒀀𒌅 / 𒁀𒂵𒁕𒀀𒌓 / 𒁀𒂵𒁕𒀀𒌈, ⁠Bagaʾdātu), Bagadadu (𒁀𒂵𒁕𒁺, Bagadadu⁠) e Baguedada (𒄷𒁕𒁕, Bagdada), em elamita aquemênida como Baquedada (𒁀𒀝𒆪𒀜𒆪, Bakdada), Baquedauda (𒁀𒀝𒆪𒌓𒆪, Bakdauda), Baiquedauda (𒁀𒅅𒆪𒌓𒆪, Baikdauda⁠), Bacadade (𒁀𒋡𒆪𒀜, ⁠Bakadad), Bacadada (𒁀𒋡𒆪𒀜𒆪 / 𒁀𒋡𒆪𒆪, Bakadada) e Bacadauda (𒁀𒋡𒆪𒌓𒆪, Bakadauda⁠), em aramaico como Baguedate (𐡁𐡂𐡃𐡕, bgdt),[3] em persa médio e persa novo como Baguedade (بغداد e 𐭡𐭢𐭣𐭲 / 𐭡𐭢𐭣𐭠𐭲𐭩, bgdt / bgdʾty, "Baydād"),[4] em egípcio demótico Peguetete (pgtt), em lício como Magabata,[5] em georgiano como Bagrate (ბაგრატ, Bagrat), em árabe como Bucrate (بُقْرَاط, Buqrāṭ),[6] em grego e latim como Bagadates (Βαγαδάτης, Bagadátēs) e Magadates (Μαγαδάτες, Magadátes).[4]

Pancrácio era irmão de Basílio, o Ladrão. Uma vez a serviço do imperador Aleixo I (r. 1081–1118), conheceu Balduíno de Bolonha durante o Cerco de Niceia.[7] Depois de fazer amizade com Balduíno, entrou em seu serviço e se juntou a ele em sua marcha ao Eufrates. Duas grandes fortalezas foram tomadas durante esta marcha: Ravendel e Turbessel. Balduíno concedeu Ravendel a Pancrácio e Turbessel a um nobre armênio local que se juntou a ele, chamado Fer (Alberto de Aquisgrão, Historia Ierosolimitana, iii.17-18). No início de 1098, enquanto Balduíno considerava uma oferta de Teodoro de Edessa, governante de Edessa, para ajudá-lo, Pancrácio expressou descontentamento com esse curso de ação.[8] Algumas fontes afirmam que foi mais longe, instalando seu filho como governante de Ravendel e recusando a entrada na fortaleza para Balduíno e seus homens.[9] Fer, o nobre armênio que governava Turbessel, relatou a Balduíno que Pancrácio estava conspirando contra ele com os turcos. Pancrácio foi convidado a entregar a fortaleza que lhe havia sido dada e, quando se recusou, foi preso pelas tropas de Balduíno e torturado.[10] Mais tarde, escapou ou foi libertado e levado às montanhas, onde logo foi acompanhado por seu irmão (Alberto de Aquisgrão, Historia Ierosolimitana, iii.18). Pancrácio pode ter se tornado senhor de Coros (Cirro) em 1116. Há alguma disputa sobre se este Pancrácio era o mesmo homem.[9] Independentemente disso, foi derrotado por Balduíno, e Coros foi absorvido pelo Condado de Edessa em 1117.[11]

Referências

  1. «παγκρατής». Logeion. Consultado em 20 de novembro de 2025 
  2. Lilie & et al. 2013, #5680 Pankratios.
  3. Tavernier 2007, p. 132.
  4. a b Justi 1895, p. 57a.
  5. Hinz 1975, p. 54.
  6. Ačaṙyan 1942–1962, p. 355.
  7. Runciman 1989a, p. 163.
  8. Runciman 1989a, p. 169.
  9. a b Edgington 2019, p. 35.
  10. MacEvitt 2010, p. 61.
  11. Runciman 1989b, p. 129–130.

Bibliografia

[editar | editar código]
  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Բագարատ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians] (in Armenian). Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Edgington, Susan B. (2019). Baldwin I of Jerusalem, 1100-1118. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 978-1-4724-3356-5 
  • Justi, Ferdinand (1895). «Bagadāta». Iranisches Namenbuch. Marburgo: N. G. Elwertsche Verlagsbuchhandlung 
  • Lilie, Ralph-Johannes; Ludwig, Claudia; Zielke, Beate; et al. (2013). Prosopographie der mittelbyzantinischen Zeit Online. Berlim-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften: Nach Vorarbeiten F. Winkelmanns erstellt 
  • MacEvitt, Christopher (2010). The Crusades and the Christian World of the East: Rough Tolerance. Filadélfia: Imprensa da Universidade da Pensilvânia. ISBN 978-0-8122-4050-4 
  • Morton, Nicholas (2020). The Crusader States and their Neighbours: A Military History, 1099-1187. Oxônia: Oxford University Press. ISBN 9780192557988 
  • Runciman, Steven (1989a). A History of the Crusades, Volume I: The First Crusade and the Foundations of the Kingdom of Jerusalem. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-06161-X 
  • Runciman, Steven (1989b). A History of the Crusades, Volume II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-06163-6 
  • Tavernier, Jan (2007). «*Tigra-». Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550–330 B.C.): Lexicon of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts. Lovaina e Paris: Peeters Publishers