Panthera onca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Jaguar redireciona para este artigo. Para outros significados, veja Jaguar (desambiguação).
Como ler uma caixa taxonómicaOnça-pintada
Ocorrência: Pleistoceno - Recente, 0.51–0 Ma
Onça-pintada no Zoológico de Belize.

Onça-pintada no Zoológico de Belize.
Estado de conservação
Status iucn3.1 NT pt.svg
Quase ameaçada (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Subfamília: Pantherinae
Género: Panthera
Espécie: P. onca
Nome binomial
Panthera onca
(Linnaeus, 1758)
Distribuição geográfica
  Atual   Original Apesar do espaço "vazio" em parte da Amazônia brasileira, sua presença foi confirmada na região: isso se deu por conta do desconhecimento do status de conservação da espécie.[2]
  Atual   Original
Apesar do espaço "vazio" em parte da Amazônia brasileira, sua presença foi confirmada na região: isso se deu por conta do desconhecimento do status de conservação da espécie.[2]
Subespécies
Ver texto

A onça-pintada (português brasileiro) ou jaguar (português europeu) (nome científico: Panthera onca), também conhecida por onça-preta (no caso dos indivíduos melânicos), é uma espécie de mamífero carnívoro da família Felidae encontrada nas Américas. É o terceiro maior felino do mundo, após o tigre e o leão, e o maior do continente americano. Apesar da semelhança com o leopardo (Panthera pardus) é evolutivamente mais próxima ao leão (Panthera leo). Ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, mas está extinta em diversas partes dessa região atualmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, está extinta desde o início do século XX, mas possivelmente ainda ocorre no Arizona. É encontrada principalmente em ambientes de florestas tropicais, e geralmente não ocorre acima dos 1 200 m de altitude. A onça-pintada está fortemente associada à presença de água e é notável como um felino que gosta de nadar.

É um felino de porte grande, com peso variando de 56 a 92 kg, podendo ter até 158 kg, e comprimento variando de 1,12 a 1,85 m sem a cauda, que é relativamente curta. Assemelha-se ao leopardo fisicamente; diferencia-se dele, porém, pelo padrão de manchas na pele e pelo tamanho maior. Existem indivíduos totalmente pretos. Tem uma mordida excepcionalmente poderosa, mesmo em relação aos outros grandes felinos. Isso permite que ela fure a casca dura de répteis como a tartaruga e de utilizar um método de matar incomum: ela morde diretamente através do crânio da presa entre os ouvidos, uma mordida fatal no cérebro.

É um animal crepuscular e solitário. É um importante predador e pode comer qualquer animal que seja capaz de capturar, desempenhando um papel na estabilização dos ecossistemas e na regulação das populações de espécies de presas. Porém, tem preferência por grandes herbívoros, podendo atacar o gado doméstico. Frequentemente convive com a onça-parda (Puma concolor), influenciando os hábitos e comportamento deste outro felino. Caça formando emboscadas. A área de vida pode ter mais de 100 km², com os machos tendo territórios englobando o de duas ou três fêmeas. A onça-pintada é capaz de rugir e usa esse tipo de vocalização em contextos de territorialidade. Alcança a maturidade sexual com cerca de 2 anos de idade, e as fêmeas dão à luz geralmente a dois filhotes por vez, pesando entre 700 e 900 gramas. Em cativeiro, a onça-pintada pode viver até 23 anos, mais do que em estado selvagem.

A IUCN considera a espécie como "quase ameaçada", dado sua ampla distribuição geográfica, mas suas populações estão caindo, principalmente por causa da perda e fragmentação do seu habitat. Entretanto, localmente ela pode estar em sério risco de extinção, como em áreas da América Central e do Norte e na Mata Atlântica brasileira. O comércio internacional de onças ou de suas partes é proibido, mas o felino ainda é frequentemente caçado por fazendeiros e agricultores na América do Sul. Apesar de ter se reduzido, sua distribuição geográfica ainda é ampla, e há boas chances de sobrevivência da espécie a longo prazo na Amazônia e no Pantanal. Ela faz parte da mitologia de diversas culturas indígenas americanas, incluindo a dos maias, astecas e guaranis e a caça à onça-pintada é uma atividade carregada de simbolismo, principalmente entre os pantaneiros.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada também é conhecida por pintada, onça-verdadeira, jaguar, jaguaretê, jaguarapinima, acanguçu, canguçu ou simplesmente onça.[3] O termo onça origina-se do grego lygx, através do termo latino luncea e do termo italiano lonza.[3] No Brasil, o nome onça-pintada é o mais utilizado, sendo que pintada é uma alusão à pelagem cheia de manchas e rosetas, ao contrário da outra onça, a onça-parda.[3]

Jaguar origina-se do termo tupi-guarani ya'wara, e pode ser traduzido como fera e até cão, já que o termo era utilizado pelos indígenas para se referir a qualquer "fera" antes da chegada dos europeus.[4] Com a colonização européia e a chegada dos cães, a palavra passou a ser usada apenas como referência aos cachorros, e ya'war-e'te ("fera verdadeira") passou a se referir à onça-pintada, originando o termo jaguaretê.[4] Yaguareté é um nome usado em países de língua espanhola em que há muitos descendentes dos guaranis, como a Argentina e Paraguai.[4] Acanguçu e canguçu originam-se do termo tupi-guarani akãgu'su, que significa "cabeça grande", através da junção de a'kãga ("cabeça") e u'su ("grande").[3] Jaguarapinima vem do tupi ya'wara ("onça") e pi'nima ("pintada")[3].

A designição pantera no nome científico, vem do latim, panthera. Panthera, em grego, é uma palavra para leopardo, πάνθηρ. A palavra é uma composição de παν- "todos" e θήρ vem de θηρευτής "predador", significando "predador de todos" (animais), apesar de que esta deve ser considerada uma etimologia popular.[5] A palavra deve ter uma origem do Sânscrito, pundarikam, que significa tigre.[6]

Taxonomia e evolução[editar | editar código-fonte]

Embora numerosas subespécies foram reconhecidas no passado, estudos recentes sugerem a existência de três apenas.

A onça-pintada é o único membro atual do gênero Panthera no Novo Mundo. Filogenias moleculares evidenciaram que o leão, o tigre, o leopardo, o leopardo-das-neves e o leopardo-nebuloso compartilham um ancestral em comum exclusivo, e esse ancestral viveu entre seis e dez milhões de anos atrás apesar do registro fóssil apontar o surgimento do gênero Panthera entre 2 000 000 e 3 800 000 de anos atrás.[7][8] Estudos filogenéticos geralmente mostram o leopardo-nebuloso como um táxon basal ao gênero Panthera.[7]

Baseado em evidências morfológicas, o zoológo britânico Reginald Pocock concluiu que a onça-pintada é mais próxima ao leopardo.[9] Entretanto, filogenias baseadas no DNA são inconclusivas à posição da onça-pintada em relação às outras espécies do gênero, mas coloca a onça-pintada como mais próxima do leão.[7] Fósseis de espécies extintas do gênero Panthera, como o jaguar-europeu (Panthera gombaszoegensis) e o leão-americano(Panthera atrox), mostram características tanto da onça-pintada quanto do leão.[9] Análise do DNA mitocondrial apontam para o surgimento da espécie entre 280 000 e 510 000 anos atrás, bem depois do que é sugerido pelo registro fóssil, que considera seu surgimento há cerca de 1,5 milhões de anos.[10][11]

Relações filogenéticas da onça-pintada.[7]


Neofelis nebulosa - pantera-nebulosa





Panthera tigris - tigre



Panthera uncia - leopardo-das-neves





Panthera pardus - leopardo




Panthera leo - leão



Panthera onca - onça-pintada






Filogenia inferida a partir de estudos citogenéticos e moleculares.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Apesar de habitar o continente americano, a onça-pintada descende de felinos do Velho Mundo. Cerca de 2,87 milhões de anos atrás, a onça-pintada, o leão e o leopardo, compartilharam um ancestral comum na Ásia.[7][12] No início do Pleistoceno, os precursores da atual onça atravessaram a Beríngia e chegaram na América do Norte: a partir daí alcançaram a América Central e a América do Sul.[12][13] A linhagem da onça-pintada se separou da linhagem do leão (que compartilham um ancestral comum exclusivo, sendo a espécie mais próxima da onça-pintada), há cerca de 2 milhões de anos.[7]

Existe a discussão se Panthera gombaszoegensis seria uma subespécie da atual onça-pintada.[14] Isso pode mudar a história evolutiva da onça, considerando até de que ela surgiu na África e não na Ásia.[13]

Subespécies e variação geográfica[editar | editar código-fonte]

A última delineação taxonômica foi feita por Pocock em 1939. Baseado em origens geográficas e morfologia de crânio, ele reconheceu oito subespécies. Entretanto, ele não teve acesso a um número suficiente de espécimes para fazer uma análise crítica das subespécies, e expressou dúvida sobre a validade de várias delas. Uma reconsideração posterior reconheceu apenas três subespécies.[15]

Estudos recentes não demonstraram a existência de subespécies bem definidas, e muitos nem reconhecem a existência delas.[16] Larson (1997) estudou a variação morfológica na onça-pintada e demonstrou que existe variação clinal entre a ocorrência sul e norte da espécie, mas a variação dentro das subespécies é maior do que entre elas, e portanto, não há garantia da existência das subespécies.[17] Um estudo genético confirmou a ausência de divisões geográficas entre as populações, apesar de que foi demonstrado que grandes barreiras geográficas, como o rio Amazonas, limita o fluxo gênico entre as populações.[10] Um estudo subsequente, caracterizou mais detalhadamente a variação genética e encontrou diferenças populacionais nas onças da Colômbia.[18]

As divisões de Pocock (1939) ainda são regularmente citadas em muitas decrições do felino. Seymour reconhece apenas três subespécies.[19][15]

  1. Panthera onca onca Linnaeus, 1758: Venezuela através da bacia amazônica, incluindo
    • P. onca peruviana Blainville, 1843: costa do Peru
  2. P. onca hernandesii Gray, 1857: oeste do México – incluindo
  3. P. onca palustris Ameghino, 1888(a maior subespécie, pesando mais de 135 kg):[20] Ocorre no Pantanal, regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil, ao longo da bacia do rio Paraguai no Paraguai e nordeste da Argentina.

O Mammal Species of the World continua a reconhecer nove subespécies, adicionando P. o. paraguensis Hollister, 1914.[19]

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada é presente desde o México, passando pela América Central, até a América do Sul, incluindo toda a bacia Amazônica, no Brasil.[21] Os países que a onça-pintada ocorrem são: Argentina, Belize, Brasil, Bolívia, Colômbia, Costa Rica (particularmente na península de Osa), Equador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México,Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Estados Unidos e Venezuela. Foi extinta de El Salvador, do Uruguai e de quase toda a Argentina.[1][22] Ocorre nos 400 km² da Reserva Natural de Cockscomb em Belize, nos 5 300 km² da Reserva da Biosfera Sian Ka'an, no México, nos 15 000 km² do Parque Nacional de Manú no Peru, nos 26 000 km² do Parque Indígena do Xingu e nos cerca de 1 800 km² do Parque Nacional do Iguaçu, ambos no Brasil, e em muitas outras unidades de conservação ao longo de sua distribuição.[1]

A onça-pintada vive em uma ampla variedade de habitats, desde campos abertos até florestas densas, mas geralmente, associados a cursos d'água permanentes.

A inclusão dos Estados Unidos na lista é baseada em ocorrências casuais no sudoeste do país, nos estados do Arizona, Texas e Novo México.[23] No início do século XX, a onça-pintada ocorria ao norte até o Grand Canyon e a oeste até o Sul da Califórnia.[23] É provável que em tempos pré-históricos, a onça-pintada tivesse uma ampla distribuição pela América do Norte, como fica evidenciado pela existência de fósseis e representações culturais de uma subespécie da região, Panthera onca augusta.[24] Fósseis de onça-pintada, datados entre 40 000 e 15 000 anos atrás, mostram a ocorrência dessa espécie na era do Gelo até o Missouri.[25]

A ocorrência em tempos históricos da espécie inclui a metade sul dos Estados Unidos no limite norte, e quase todo continente sul-americano, no limite sul.[26][1] Atualmente, sua distribuição ao norte recuou 1 000 km, e ao sul, cerca de 1500 km.[1][22]

A onça-pintada habita tanto florestas tropicais na América do Sul e América Central, quanto áreas abertas secas e com inundações periódicas, como o Pantanal.[22] Historicamente, ocorria nas florestas de carvalho dos Estados Unidos.[22] Estudos com armadilhas fotográficas e rádio colar mostram que elas preferem áreas com densa vegetação, evitando áreas abertas, o que se reflete em uma preferência por áreas de floresta densa e chuvosa, sendo escassa em regiões mais secas, como nos pampas argentinos, nas secas savanas do México, e centro-sul dos Estados Unidos.[22][27] A onça-pintada é dependente de cursos d'água permanentes, vivendo preferencialmente próximo a rios e pântanos, e é uma boa nadadora, apreciando passar parte significativa do dia dentro d'água.[22][26] Não costuma ocorrer em altitudes maiores de 1 200 m, mas há registros em altitudes de até 3 800 m na Costa Rica, 2 700 m na Bolívia e 2 100 m no Peru.[22]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A cabeça da onça-pintada é robusta e a mandíbula é extremamente poderosa. O tamanho dos indivíduos tende a ser maior quanto mais longe das regiões equatoriais.

A onça-pintada é um animal robusto e musculoso. Tamanho e peso variam consideravelmente: o peso normalmente está entre 56 a 96 kg. Os maiores machos registrados pesavam até 158 kg (tendo o peso de uma leoa ou tigresa), e as menores fêmeas chegavam a ter 36 kg.[28][16] As fêmeas são entre 10 a 20 % menores que os machos.[15] O comprimento da ponta do focinho até a ponta da cauda varia de 1,12 m a 1,85 m.[16][29] Sua cauda é a menor dentre os grandes felinos, tendo entre 45 e 75 cm de comprimento. Suas pernas são consideravelmente mais curtas se comparadas a um tigre ou leão com mesma massa corporal, mas são mais grossas e robustas. A onça-pintada tem entre 63 a 76 cm na altura da cernelha.[30] É o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, só não sendo maior que o leão e o tigre.[22][26][15]

Variações no tamanho são observadas ao longo das regiões de ocorrência da onça, com o tamanho tendendo a aumentar nos indivíduos nos limites norte e sul da distribuição geográfica, com os menores indivíduos sendo encontrados na Amazônia e regiões equatoriais adjacentes.[22] Um estudo realizado na Reserva da Biosfera Chamela-Cuixmala na costa do Pacífico no México, reportou medidas de massa corporal ao redor de 50 kg, não muito maior que uma onça-parda.[31] Em contraste, no Pantanal, a média de peso foi de cerca de 100 kg, e machos mais velhos não raramente chegavam a pesar mais de 130 kg.[32][33] Onças que ocorrem em ambientes florestais frequentemente são mais escuras na coloração da pelagem e menores do que aquelas encontradas em regiões de campos abertos (como no Pantanal), possivelmente, devido ao menor número de presas de grande porte em florestas.[27]

Pata dianteira (acima). Pegada (abaixo).

O crânio pode ter até mais de 27,5 cm de comprimento, mas geralmente tem entre 19 e 26 cm, sendo robusto, curto e largo no rostro, principalmente nos machos.[15] Pode apresentar uma crista sagital, especialmente em machos mais velhos.[15] O crânio da onça-pintada é semelhante ao da onça-parda (Puma concolor), mas se diferencia por ser maior e ter o osso nasal em formato côncavo.[34] A anatomia funcional do crânio é semelhante a dos outros grandes felinos: existe um ligamento elástico no aparato hioide, o que permite a onça-pintada rugir.[15] A sínfise mandibular é rígida, o que permite recrutar mais músculos na mastigação.[15] A fórmula dentária na onça-pintada é a mesma para outros felinos: . Os caninos são longos e podem ter 23,5 mm de comprimento, mas geralmente, possuem entre 17,5 e 18,6 mm de comprimento.[15] Eles servem para segurar e matar as presas.[15]

Comparação entre leopardo (acima) e onça-pintada (abaixo). A onça tem rosetas maiores e mais grossas com pintas em seu interior e é mais atarracada.

A forma corporal atarracada e robusta torna a onça-pintada capaz de nadar, rastejar e escalar.[30] A cabeça é grande e a mandíbula é desenvolvida e forte.[35] A onça-pintada possui a mordida mais forte de todos os felinos, capaz de alcançar até 910 kgf e ela pode abrir a boca até a 13,1 cm de diâmetro, em um ângulo de 65 a 70 graus.[15] É duas vezes a força da mordida de um leão e só não é maior que a da mordida de uma hiena; tal força é capaz de quebrar o casco de tartarugas.[36] Um estudo comparativo colocou a onça-pintada como em primeiro lugar em força de mordida, ao lado do leopardo-das-neves, e à frente do leão e do tigre.[37] É dito que uma onça é capaz de arrastar um touro de até 360 kg por 8 m e quebrar ossos com as mandíbulas.[38] A onça-pintada caça grandes herbívoros de até 300 kg em florestas densas, como a anta (Tapirus terrestris), e seu corpo forte e atarracado é uma adaptação a esse tipo de presa e ambiente, como evidenciado pela morfologia de seu cotovelo e dos membros, o que mostra que ela não costuma correr tanto quanto felinos de áreas abertas.[15] As patas são digitígradas como outros carnívoros e sua estrutura é típica de membros do gênero Panthera.[15] As garras são retráteis, o que faz com que suas pegadas geralmente não apresentem marcas de garras, como outros felinos.[15][39] A sua pegada é semelhante a da onça-parda, mas não possui os lobos da almofada plantar tão evidentes quanto a deste felino e é nitidamente maior, tendo até 12 cm de diâmetro as pegadas das patas dianteiras e 7,5 cm as das patas traseiras.[39][15] Suas pegadas também possuem um aspecto arredondado, sendo mais largas do que redondas, principalmente as pegadas das patas dianteiras.[40]

A cor de fundo da pelagem da onça é amarelo acastanhado (às vezes mais pálido), mas pode chegar ao avermelhado, marrom e preto, para todo o corpo.[30][15] As áreas ventrais são brancas.[30] A pelagem é coberta por rosetas, que servem como camuflagem, usando o jogo de luz e sombra do interior de florestas densas.[15] As manchas variam entre os indivíduos: rosetas podem incluir um ou várias pintas em seu interior, e a forma das pintas também pode variar.[15] As manchas e pintas da cabeça e pescoço costumam ser sólidas, e na cauda, elas se unem, de forma a aparecer bandas.[15]

Variedades melânicas da onça-pintada ocorrem com uma frequência de 6% nas populações selvagens.

Enquanto a onça-pintada lembra o leopardo (Panthera pardus), além dela ser maior e mais robusta, as rosetas são diferentes nessas duas espécies: as rosetas da pelagem da onça-pintada são maiores, menos numerosas, mais escuras, são formadas por linhas mais grossas e possuem pintas no meio delas, que não são encontradas nas rosetas do leopardo.[22][15] As onças também possuem cabeças maiores e arredondadas, e membros mais atarracados se comparados com os do leopardo.[22]

Melanismo[editar | editar código-fonte]

Polimorfismo na cor ocorre na espécie e variedades melânicas são frequentes, sendo a principal variação na pelagem encontrada em animais selvagens.[41] Em indivíduos totalmente pretos, quando visto sob a luz e de perto, é possível observar as rosetas.[22][41] Apesar de ser conhecida popularmente como onça-preta, é apenas uma variação natural, não sendo uma espécie propriamente dita.[42][43][26]

A forma totalmente preta é mais rara que a forma de cor amarelo-acastanhado, representando cerca de 6 % da população, o que é uma frequência muito maior do que a taxa de mutação.[43] Portanto, a seleção natural contribuiu para a frequência de indivíduos totalmente negros na população. Existem evidências de que o alelo para o melanismo na onça-pintada é dominante.[42] Ademais, a forma melânica é um exemplo de vantagem do heterozigoto; mas dados de cativeiro não são conclusivos quanto a isso.[42]

Indivíduos albinos são muito raros, e foi reportada a ocorrência na onça-pintada, assim como em outros grandes felinos.[27][41] Como é usual com o albinismo na natureza, a seleção natural mantém a frequência da característica próxima à taxa de mutação.[27]

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada tem uma mordida excepcionalmente forte que permite quebrar cascos de tartarugas.

A onça-pintada é um superpredador, o que significa que está no topo da cadeia alimentar, e praticamente, seu maior predador é o ser humano.[15] Entretanto, filhotes podem ser mortos por outras onças, jacarés e grandes cobras da família Boidae.[15] É considerada uma espécie-chave nos ambientes em que vive, já que é importante no controle das populações de mamíferos herbívoros e mesopredadores, contribuindo para a manutenção da integridade dos ecossistemas florestais.[44][45] Entretanto, predizer quel o efeito que a onça-pintada tem no ecossistema é difícil, principalmente no que se diz respeito ao controle de mesopredadores, pois os dados devem ser comparados com ambientes em que ela não ocorre, e controlar o efeito das atividades humanas em tais ambientes.[46] É aceito que mesopredadores aumentam de população na ausência de superpredadores, e pensa-se que isso tem um efeito cascata negativo no ecossistema.[47][48] Porém, trabalhos de campo mostraram que isso pode ser uma variabilidade natural, e que o aumento populacional não se sustenta. Portanto, a hipótese de uma grande importância ecológica para os superpredadores no controle de mesopredadores não é largamente aceita.[46]

A onça-pintada também possui um efeito em outros predadores. Ela e a onça-parda (Puma concolor), são frequentemente simpátricos e são estudadas em conjunto.[49] Onde a onça-parda é simpátrica com a onça-pintada, o tamanho da primeira tende a ser menor que o das onça-pintadas locais.[49] Estas últimas tendem a matar presas maiores, geralmente, com mais de 22 kg, e a onça-parda, menores, entre 2 e 22 kg.[50][51] Esta parece ser uma situação vantajosa para a onça-parda. Sua capacidade de expandir seu nicho ecológico, incluindo, de se alimentar de presas menores, a torna mais adaptável que a onça-pintada a ambientes perturbados pelo homem;[44] o que se reflete em sua maior distribuição geográfica e menor risco de extinção.[52] Aparentemente, a onça-pintada e a onça-parda se evitam, mas não se pode afirmar se isso parte dos dois lados, ou apenas de um deles.[49] É provável que a onça-parda evite a onça-pintada, dado o seu maior porte e força.[49]

Como os outros felinos, a onça-pintada costuma dormir durante o dia.

A onça-pintada é geralmente descrita como um animal noturno, mas é, mais especificamente, crepuscular (pico de atividade é durante a madrugada ou o crepúsculo), como os outros felinos.[26] Entretanto, pode ser observada caçando durante o dia, e a escolha de ser mais ativa à noite ou durante o dia, depende do padrão de atividade de suas presas habituais no local que vive.[22]

Dieta, forrageamento e caça[editar | editar código-fonte]

Como todos os felinos, a onça-pintada é um carnívoro obrigatório, se alimentando somente de carne. É um caçador oportunista, e sua dieta inclui até 87 espécies de animais.[49] A onça pode predar, teoricamente, qualquer vertebrado terrestre ou semi-aquático nas Américas Central e do Sul, com preferência por presas maiores. Ela regularmente preda jacarés, veados, capivaras, antas, porcos-do-mato, tamanduás e até mesmo sucuris.[15][53][54] Entretanto, o felino pode comer qualquer pequena espécie que puder pegar, como ratos, sapos, aves (principalmente mutuns), peixes, preguiças, macacos e tartarugas.[22] Um estudo conduzido no Santuário de Cockscomb, em Belize, revelou que a dieta das onças era constituída principalmente por tatus e pacas.[55] Mas, por ter preferência a áreas próximas a cursos d'água, a onça-pintada acaba se alimentando preferencialmente de ungulados como a queixada (Tayassu pecari) e a anta (Tapirus terrestris).[56]

Em áreas mais povoadas ou com grande número de pecuaristas, a onça-pintada preda o gado doméstico, e muitas vezes parece ter um preferência por esse tipo de presa (no Pantanal, foi constatado que até 31,7% de sua alimentação era constituída por bezerros de gado bovino).[54][57] Porém, apesar de alguns estudos sugerirem que onças que atacam o gado doméstico são machos jovens ou animais velhos, outros têm sugerido que não existe um padrão individual para determinar a preferência das onças em atacar o gado doméstico.[58] Alguns estudos têm sido conclusivos de que a onça-pintada ataca o gado doméstico quando suas presas habituais, como a queixada (Tayassu pecari), tornam-se mais raras.[58]

Apesar de preferir presas maiores, a onça pode comer qualquer animal, até mesmo pequenos roedores.

Pelo grande porte, é capaz de se alimentar até de outros felinos de tamanho menor, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), apesar de ser incomum.[59] Outros carnívoros, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), o quati (Nasua nasua) e o mão-pelada (Procyon cancrivorus) também podem ser predados pela onça-pintada, e ela é o principal predador desses animais.[58][56]

A onça-pintada raramente mata com uma mordida no pescoço, sufocando a presa, como é típico entre os membros do gênero Panthera, preferindo matar por uma técnica única entre os felinos: ela morde o osso temporal no crânio, entre as orelhas da presa (especialmente se for uma capivara) com os caninos, acertando o cérebro.[60][61] Isto também permite quebrar cascos de tartaruga, após as extinções do Pleistoceno, quelônios podem ter se tornado presas abundantes em seu habitat.[27][62] A mordida na cabeça é empregada em mamíferos, principalmente, enquanto que em répteis, como jacarés, a onça-pintada ataca o dorso do animal, acertando a coluna cervical, imobilizando o alvo. Embora capaz de rachar o casco de tartarugas, a onça pode simplesmente esmagar o escudo com a pata e retirar a carne.[63] Quando ataca tartarugas-marinhas que vão nidificar na praia, a onça ataca a cabeça, e frequentemente decapita o animal, antes de arrastá-la para comer.[64] Ao caçar cavalos, a onça pode pular sobre o dorso, colocar uma pata no focinho e outra na nuca, de forma de deslocar o pescoço. Moradores de ambientes em que ocorre a onça-pintada já contaram anedotas de uma onça que atacou um par de cavalos, e depois de ter matado um, ainda arrastou o outro, ainda vivo.[65]

A onça-pintada mata preferencialmente com uma mordida na base da nuca.

A onça-pintada caça em espreita e formando emboscadas, perseguindo pouco a presa. O felino anda de forma lenta, ouvindo e espreitando a presa, antes de armar a emboscada ou atacá-la. Ela ataca por cima, através de algum ponto cego da presa, com um salto rápido: as habilidades de espreita e emboscada dessa espécie são consideradas inigualáveis tanto por povos indígenas quanto por pesquisadores, e tal capacidade deve derivar do papel de ser um superpredador nos ambientes em que vive. Quando arma a emboscada, a onça pode saltar na água enquanto persegue a presa, já que é capaz de carregar grandes presas nadando, sua força permite levar novilhos para a copa das árvores.[63]

Após matar a presa, a onça arrasta a carcaça para alguma capoeira ou outro lugar seguro, podendo a arrastar por até 1,5 km.[39] Começa a comer pelo pescoço e peito, em vez de começar pelo ventre.[39] O coração e pulmões são consumidos, seguidos pelos ombros e ela frequentemente deixa as partes traseiras da carcaça intactas.[39] Entretanto, bezerros podem ser consumidos completamente.[39] Elas raramente cobrem suas carcaças com folhas, o que a diferencia da onça-parda.[39]

A necessidade diária alimentar de um indivíduo com 34 kg (que é menor peso encontrado em um indivíduo adulto) é de 1,4 kg.[23] Para animais em cativeiro, pesando entre 50 a 60 kg, mais de 2 kg de carne são recomendados.[66] Em liberdade, o consumo é naturalmente mais irregular: felinos selvagens gastam considerável energia e tempo para obter alimento, e podem comer até 25 kg de carne de uma só vez, seguidos por longos períodos sem se alimentar.[67] Ao contrário das outras espécies do gênero Panthera, a onça-pintada raramente ataca seres humanos.[68] Não existem casos de man-eaters como é reportado para os leopardos.[68] Muitos dos escassos casos reportados mostram que se tratavam de indivíduos velhos ou feridos, com dentes danificados ou em momentos que eram caçadas.[68] Às vezes, se feridas ou ameaçadas, as onças podem atacar os tratadores em zoológicos.[69]

Território e comportamento social[editar | editar código-fonte]

Rugidos são utilizados para demarcar território, e lembram uma tosse repetitiva.

Como muitos felinos, a onça-pintada é solitária, exceto quando formam pequenos grupos de mãe e filhotes.[22][26] Adultos encontram-se somente no período de corte e acasalamento (embora socializações não relacionadas a esses eventos foram observados anedoticamente[63]) e mantém grandes territórios para si. Os territórios das fêmeas podem se sobrepor, mas os animais geralmente se evitam nesses locais.[22] Os territórios dos machos frequentemente englobam o de duas ou três fêmeas, variando o tamanho de acordo com a disponibilidade de recursos, e seus territórios dificilmente se sobrepõem.[63][70] De fato, os territórios das onças podem variar de tamanho em diversas áreas em que elas são estudadas e pode variar de acordo com as estações do ano, como mostrado em alguns estudos no Pantanal: na fazenda Miranda, os territórios variavam de 92 a 168 km² e durante a estação chuvosa, as distâncias percorridas pelos animais era bem menores do que na estação seca.[22] Em outra fazenda no Pantanal, Acurizal, em que as cheias são menos severas do que na fazenda Miranda, os territórios eram menores e variavam de 25 a 38 km².[22] O mesmo padrão é observado nos llanos da Venezuela.[22]

A onça-pintada usa marcas de arranhões, urina e fezes para marcar território, além de utilizar uma série de vocalizações, incluindo rugidos, para se comunicar.[22][55][71] Mas, comparada a outros grandes felinos, a onça-pintada faz isso com menos freqüência.[22] Foi observado, em Belize, um aumento significativo nesses comportamentos de marcação de território em áreas de disputa, quando dois machos morreram e animais mais jovens visavam conquistar o território, o que sugere que a territorialidade só é mais evidente em áreas com instabilidade demográfica.[22]

Como outros grandes felinos, a onça é capaz de rugir[72][73] e faz isso para repelir competidores: ataques com indivíduos intrusos podem ser observados em liberdade.[62] Seu rugido lembra uma repetitiva tosse, e as vocalizações podem consistir também de grunhidos.[33] Brigas por cópulas entre machos podem ocorrer, mas são raras, e comportamentos evitando a agressão podem ser observados.[55]

Ambos os sexos caçam, mas os machos se deslocam para mais longe do que as fêmeas, diariamente, o que é condizente com seus grandes territórios.[26] A onça-pintada pode caçar durante o dia se existe caça disponível; é um felino relativamente enérgico, com cerca de 50 a 60% do tempo mantendo-se ativo.[27] A natureza arredia e a inacessibilidade de seus habitats preferidos tornam a onça-pintada um animal difícil de ser avistado e de ser estudado.[68]

Reprodução e ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

A fêmea é responsável por todo cuidado parental até 20 meses de idade.

As fêmeas da onça-pintada alcançam a maturidade sexual com cerca de 2 anos de idade, e os machos entre 3 e 4 anos.[26] Acredita-se que esse felino copule durante todo o ano em estado selvagem, e os nascimentos podem ocorrer durante o ano todo, mas em áreas mais temperadas, eles podem se concentrar no verão.[22][74] Pesquisas com machos em cativeiro corroboram a hipótese de que os acasalamentos ocorrem durante o ano todo, com nenhuma variação em características do sêmen e da ejaculação: baixo sucesso reprodutivo também tem sido observado em cativeiro.[75] O estro dura entre 6 e 17 dias, em um ciclo de 37 dias, e fêmeas demonstram o período fértil com marcação de urina e aumento nas vocalizações.[74] Ambos os sexos se deslocam mais durante o período da corte.[26]

O casal se separa após o ato sexual e as fêmeas providenciam todo o cuidado parental.[26] A gestação dura entre 93 e 105 dias: elas podem dar à luz a até quatro filhotes, mas o mais comum é nascerem dois de cada vez.[26] A mãe não tolera a presença de machos após o nascimento dos filhotes, visto o risco de infanticídio: tal comportamento também se observa no tigre.[63][26]

Os filhotes nascem cegos, e abrem os olhos após duas semanas pesando entre 700 e 900 gramas.[22] Os dentes começama aparecer depois de um mês de idade.[22] São desmamados após três meses, mas podem permanecer no ninho por até 6 meses, quando passam a acompanhar a mãe nas caçadas.[76] A partir de vinte meses de idade eles dispersam do território natal e os machos raramente voltam, enquanto que as fêmeas podem voltar algumas vezes.[22] Os machos também dispersam consideravelmente mais que as fêmeas, indo até 30 km mais longe que elas.[22] Jovens machos são primeiramente nômades, competindo com outros mais velhos até que conseguem obter um território.[22] Deve-se salientar que essa dispersão se dá antes da maturidade sexual dos indivíduos.[22]

Em estado selvagem, a onça-pintada vive entre 12 e 15 anos de idade, mas em cativeiro, pode viver até mais de 23 anos, sendo um dos felinos com maior longevidade.[33] Foi reportado uma fêmea que viveu até os 30 anos de idade.[22]

Conservação[editar | editar código-fonte]

O comércio internacional de peles de onça-pintada é proibido.

Atualmente, é classificada, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, como "quase ameaçada", visto sua ampla distribuição geográfica.[1] A onça-pintada é regulada pelo Appêndice I da CITES: todo comércio internacional de onças-pintada é proibido. A caça é proibida na maior parte dos países onde ocorre: Argentina, Colômbia, Guiana Francesa, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Venezuela, Estados Unidos e Uruguai; sendo que a caça de "animais-problemas" (aqueles que atacam o gado doméstico) é permitida no Brasil, Costa Rica, Guatemala, México e Peru.[32] Na Guiana e no Equador, a espécie carece de proteção legal.[32]

Estudos detalhados realizados pela Wildlife Conservation Society mostraram que a espécie perdeu 37 % da sua distribuição histórica, e possui um status de conservação desconhecido em 17 % da sua área de ocorrência atual.[21] A onça-pintada foi extinta em grande parte do extremo norte e sul de sua distribuição geográfica, assim como em algumas regiões da América Central e no nordeste, leste e sul do Brasil.[21][26] Encorajador para a conservação da espécie, é de que a probabilidade de sobrevivência a longo prazo é considerada alta em 70 % de seu habitat, notadamente nas regiões da Amazônia, do Gran Chaco e do Pantanal.[21] Entretanto, apenas nesta regiões citadas a onça ainda tem chances de sobrevivência a longo prazo, enquanto que no restante de sua ocorrência, incluindo o México; a América Central; o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, no Brasil; ela encontra-se em algum grau de ameaça de extinção a curto e médio prazo.[1] As estimativas populacionais variam ao longo da distribuição geográfica, sendo que em Belize, estimou-e que existiam cerca de 600 a mil onças no país; no México, há variação do grau de conservação ao longo do país , sendo que, em 1990, por exemplo, na província de Chiapas, havia 350 onças; e na Reserva da Biosfera Maya na Guatemala havia entre 465-550.[32] Na Argentina, ela ainda ocorre na província de Misiones, área ainda densamente florestada, mas que tem mostrado não ser suficiente para proteger as onças restantes: calculava-se uma população entre 25 a 53 animais em meados dos anos 2000, com densidades frequentemente mais baixas do que era reportado na região do Parque Nacional Iguazú, no início dos anos 1990.[77]

As maiores ameaças à onça-pintada são a fragmentação de seu habitat e a caça.[1] A caça a suas presas habituais e consequente diminuição da densidade dessas em seu ambiente, também impacta negativamente as populaçoes de onças.[78][1] Em áreas mais alteradas pelo homem, atropelamentos em rodovias que cortam unidades de conservação são também fatores que diminuem significativamente as populações.[79][80]

A caça para o comércio de peles já foi um grande problema na conservação da espécie: na década de 1960 houve uma diminuição significativa no número de indivíduos, pois anualmente mais de 15.000 peles foram exportadas ilegalmente da Amazônia Brasileira.[81] A implementação da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, em 1973, resultou numa forte queda do comércio de peles.[81]

O Pantanal, no Brasil, é uma das áreas em que existem as maiores populações de onça-pintada.

Entretanto, é a caça por parte de fazendeiros, que consideram o animal uma ameaça às criações de gado, uma das atividades que mais tem contribuído para extinções locais da espécie.[32] Em áreas próximas a grandes populações humanas, como em Guaraqueçaba, as onças-pintadas acabam apresentando uma preferência pelo gado doméstico, talvez por uma diminuição na densidade populacional de suas presas habituais, o que acaba incomodando os criadores de gado.[57] No Pantanal, esta atividade é parte da cultura local.[68] A maior parte da caça acontece por conta de retaliações posteriores a ataques de onças ao gado. Mas também são frequentes as caçadas "desportivas" (assim como da onça-parda) mesmo sendo ilegal em muito dos países que habita, principalmente no Brasil.[68] Por causa desse tipo de relação a onça é considerada um animal problema para muitos dos habitantes de sua área de distruibição. Por outro lado, é uma importante espécie bandeira para a comunidade científica, o que pode ser fonte de conflitos entre essas duas "culturas" e pode dificultar as estratégias de conservação que buscam evitar a caça.[68] Já houve situações em que estudos de ecologia tiveram que ser interrompidos, pois os animais estudados foram mortos por caçadores, como foi o caso dos estudos de George Schaller em 1980.[22][68] Por isso, as principais estratégias na conservação da onça-pintada são a educação ambiental e uma integração entre pesquisadores e os habitantes das áreas que ela ocorre. Em algumas localidades do Pantanal tal integração vem ocorrendo, se mostrando eficiente nos esforços de conservação e estudos da biologia da espécie. Essa integração conta com a colaboração de ex-caçadores e as onças são estudadas com eficientes métodos de caça utilizando cães, armadilhas fotográficas e rádio-colares. Alguns autores sugerem que a caça manejada poderia ser uma importante estratégia na conservação da onça-pintada.[68]

Como observado na região da Mata Atlântica, as estratégias de conservação da onça-pintada são dificultadas pela intensa fragmentação de seu habitat em algumas regiões. Algumas unidades de conservação em que existem onças em pequeno número estão isoladas: como o caso da Reserva Biológica de Sooretama e a Reserva Natural Vale, que contam com menos de 20 indivíduos e são os únicos fragmentos de floresta capazes de abrigar onças-pintada no Espírito Santo.[82] Por isso é necessário que se criem corredores ecológicos unindo as unidades de conservação, impedindo, inclusive, que os animais precisem sair de áreas florestadas e causar problemas às populações rurais.[21][83][84] Foi criada a iniciativa, idealizada por Alan Rabinowitz, de que se una todas as áreas de ocorrência da onça-pintada, desde o norte do México até a América do Sul, constituindo o chamado Paseo del Jaguar.[83][84]

A onça-pintada possui uma grande população em cativeiro, pois é um animal popular em zoológicos e coleções particulares e se reproduz com relativa facilidade nessas condições.[22]

Conservação no Brasil[editar | editar código-fonte]

Panthera onca (Brasil)
Importantes unidades de conservação da onça-pintada na Mata Atlântica,[82] no Cerrado[85] e na Caatinga,[86] biomas em que ela se encontra em alto risco de extinção no Brasil. A onça já foi extinta dos Pampas.

O Brasil detém cerca de 50% das populações de onça-pintada em estado selvagem, a maior parte delas, na Amazônia.[78] É no Brasil em que se foi registrada as maiores densidades da espécie, também. Ela ocorre em todos os biomas brasileiros (exceto nos Pampas, ao qual já foi extinta), com diferentes estados de conservação em cada um destes.[78] Estima-se que tenham até 55 mil indivíduos por todo o Brasil, mas com uma população efetiva menor do que 10 mil.[87] Estudos demográficos concluíram que uma população de mais de 200 indivíduos em uma dada unidade de conservação é a adequada para uma sobrevivência a longo prazo da espécie: a maior parte destas áreas protegidas está na Amazônia e no Pantanal. Na Mata Atlântica, nenhuma população é viável por mais de 100 anos.[78]

Dado esta situação, a onça-pintada é listada como "vulnerável" pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade,[88] entretanto, seu estado de conservação varia pelo país, sendo considerada "criticamente em perigo" nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro,[89][90] o que alerta para uma extinção da espécie nesses estados em um futuro muito próximo.[90]

Na Mata Atlântica, a população total não ultrapassa estimativas entre 156 e 180 indivíduos, mas a população efetiva não é de mais de 50 indivíduos, sendo classificada como "criticamente em perigo".[82][91][92] Neste bioma, a Serra do Mar (estimativas entre 31 a 51 animais adultos), o Parque Nacional do Iguaçu e o Parque Estadual do Turvo (que são contínuos por meio do "Corredor Verde", da província de Misiones, na Argentina, possuindo juntos, estimativas de no máximo 32 indivíduos adultos), o Pontal do Paranapanema (principalmente no Parque Estadual do Morro do Diabo), o Parque Nacional de Ilha Grande e as várzeas do rio Ivinhema (essas três áreas juntas têm estimativas em torno de 52 onças) são os locais com as maiores populações de onça-pintada.[82] Em Minas Gerais a maior população está no Parque Estadual do Rio Doce, com apenas 13 animais.[82] Além do número baixo de indivíduos, estudos mostram que houve drástica redução na população de onça-pintada na Mata Atlântica em tempos recentes: em menos de 15 anos, é provável que ela tenha se reduzido em até 87% na região de Foz do Iguaçu; também foi extinta entre 1960 e 1990 do litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e algumas projeções apontam para a extinção da onça em 88 anos na região do Alto Paraná.[82] Em outras regiões, a espécie está completamente restrita a unidades de conservação e em número muito reduzido: no Parque Nacional do Monte Pascoal, a estimativa está entre 1 e 5 animais, e apenas uma deve ocorrer na Serra do Espinhaço.[82] A Mata Atlântica é o bioma tropical com maior probabilidade de extinção da onça-pintada a curto prazo, e apesar de 24% dos remanescentes de floresta serem adequados para a ocorrência da espécie, ela ocorre em apenas 7% deles.[91] Ademais, a recuperação das populações de onça-pintada, neste bioma, é problemática, visto o alto grau de degradação e perda de habitat: é necessário a integração, via corredores ecológicos, das unidades de conservação onde ela ainda ocorre.[93]

Na Caatinga, a situação também é crítica, com estimativas não ultrapassando 250 indivíduos adultos, apesar de que pouco se conhece a cerca da demografia da onça-pintada neste bioma. A população está dividida em 5 subpopulações, sendo que apenas as que ocorrem no complexo dos parques nacionais da Serra da Capivara e da Serra das Confusões (que juntas somam até 78 indivíduos adultos), no Piauí, e a região de Boqueirão da Onça, na Bahia (com até 64 animais adultos), possuem boas perspectivas de sobrevivência a longo prazo. Nestes parques, a densidade de onças ultrapassa 2 indivíduos por 100 km², entretanto, ela é muito baixa em outras regiões, não chegando a 0,5 indivíduo por 100 km². A Chapada Diamantina é outra região onde ainda pode ocorrer onças em números significativos, embora as densidades sejam baixas (estima-se que existam no máximo 25 onças na região). Essas três subpopulações não parecem ser inteiramente isoladas entre si, o que daria melhores pespectivas para a sobrevivência da onça nessas regiões. Por fim, as duas últimas subpopulações, no Raso da Catarina e em Bom Jesus da Lapa são as mais severamente ameaçadas, possuindo apenas 8 e 5 animais adultos, respectivamente, além de serem as mais isoladas entre si. Além da crescente perda de habitat (mais de 60% da caatinga já foi alterada pelo homem), a onça-pintada na caatinga é ameaçada pela caça, principalmente como forma de retaliação por fazendeiros e a diminuição das presas disponíveis, o que é uma constante mesmo em áreas relativamente isoladas e protegidas.[86]

Extensão e localização do Pantanal, bioma estratégico na conservação do felino.

No Cerrado, a onça-pintada é classificada como em melhor situação do que na Caatinga e na Mata Atlântica. Entretanto, ela também está ameaçada, principalmente por conta do agronegócio, que converteu mais da metade do Cerrado em campos cultivados nos últimos 50 anos. A construção de usinas hidrelétricas e a mineração também são causas de perda do habitat. A caça como forma de retaliação por fazendeiros e a diminuição de presas disponíveis são ameaças diretas às populações remanescentes, mesmo em áreas protegidas.[85] As estimativas são de que não existam mais de 323 indivíduos adultos, divididos em 11 subpopulações.[85] A maior parte das onças do Cerrado encontra-se no complexo dos parques nacionais do Araguaia (cerca de 53 onças) e das Nascentes do Rio Parnaíba (estimativas de até 69 adultos), no complexo dos parques nacionais do Grande Sertão Veredas e Cavernas do Peruaçu (os dois juntos contam com até 56 onças) e no norte de Goiás e sul do Tocantins (as duas regiões somadas contam com 61 adultos).[85] Outras subpopulações significativamente menores incluem as dos parques nacionais da Serra da Bodoquena (seis adultos), Emas (sete adultos) e Chapada dos Guimarães (estimativa de até 19 onças adultas) e o Parque Estadual do Mirador (com até 20 animais adultos).[85]

O Pantanal possui uma das maiores densidades registradas da onça-pintada (entre 6,5 e 7 indivíduos por 100 km²).[94] Além, disso, este bioma foi pouco alterado pelo homem, apesar de na bacia do Alto Paraguai mais de 50% da vegetação já ter sido alterada. Essa situação coloca a onça-pintada no Pantanal como "quase ameaçada", situação melhor que no Cerrado ("em perigo"), na Mata Atlântica e Caatinga (ambas em situação "crítica").[94] Visto ser região com criação de gado, a caça como retaliação por conta de ataques ao gado, é uma das maiores ameaças.[94] Entretanto, em unidades de conservação do Pantanal, como o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, a onça-pintada tem boas perspectivas de sobrevivência a longo prazo.[78][93]

Onça-pintada na Amazônia, região com boas chances de sobrevivência da espécie.

Na Amazônia, apesar de ser estimado ocorrer até mais de 10.000 indivíduos adultos (a maior estimativa para todos os biomas), com uma densidade média de 1 a 2 onças a cada 100 km² (com maior densidade em áreas alagáveis bem preservadas), é considerada como "espécie vulnerável": o crescente desmatamento, a caça e a diminuição de presas disponíveis coloca a onça-pintada em algum grau de ameaça na Amazônia brasileira.[2] As populações não estão separadas, mas em um futuro próximo, ela pode estar divida entre 4 ou 5 subpopulações.[2] Destas, 4 estariam no "arco do desflorestamento", e se o atual ritmo de desmatamento continuar, as populações do sudoeste de Rondônia, nordeste do Mato Grosso e norte do Maranhão estarão extintas em 100 anos (há chance de sobrevivência apenas das populações no sul do Pará).[2] No século XX, principalmente nos anos 60, a grande ameaça à onça-pintada na Amazônia era o comércio internacional de peles, atividade que está proibida atualmente.[2] Ainda assim, a caça por conta de conflito de interesses com fazendeiros de gado e a diminuição de presas disponíveis constituem-se em ameaças importantes.[2]

Um plano nacional para a conservação da espécie foi estabelecido em 2009.[95] A onça-pintada ocorre em pelo menos 91 unidades de conservação brasileiras,[87] e destas, foram definidas 20 unidades de conservação como prioritárias para a conservação da onça-pintada no Brasil, entre terras indígenas, áreas de uso sustentável e de proteção integral.[95] Embora na Amazônia e Pantanal grande parte da vegetação é contínua, isso não ocorre nos outros biomas, principalmente na Mata Atlântica, o que torna necessário estudos de ecologia de paisagem para a aplicação do plano.[95] Com a aplicação desse plano, com a integração das várias unidades de conservação da onça-pintada, é possível salvar a espécie da extinção, principalmente por conta de ainda existirem populações saudáveis e viáveis a longo prazo no Brasil.[95]

Conservação nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

El Jefe (abaixo), macho comumente avistado na Serra de Santa Rita (acima), e derivado de populações do noroeste do México.

Nos Estados Unidos, a onça-pintada foi citada, historicamente, por Thomas Jefferson em 1799.[96] Há inúmeras citações da espécie na Califórnia, duas tão ao norte quanto Monterey em 1814 (por Langsdorff) e em 1826 (por Beechey).[97] O povo Kumeyaay de San Diego e o povo Cahuilla de Palm Springs tinham palavras para a onça-pintada e ela ocorreu neste locais até 1860.[98] A única descrição de uma ninhada de onças nos Estados Unidos foi nas Montanhas Tehachapi da Califórnia, antes de 1860.[97] Em 1843, Rufus Sage, um explorador e experiente observador registrou a presença da onça-pintada na nascente do rio Platte Norte, ao norte do Longs Peak no Colorado. O mapa de Sebastião Caboto de 1544 tinha um desenho de onça-pintada nos vales da Pensilvânia e Ohio. Historicamente, a espécie foi registrada no leste do Texas, norte do Arizona e Novo México. Entretanto, desde a década de 1940, a onça-pintada tem se limitado ao sul desses estados. Artefatos de nativos americanos relacionados a esse felino sugerem uma ocorrência desde o Noroeste Pacífico até a Pensilvânia e a Flórida.[99]

Atualmente os registros de onça-pintada nos Estados Unidos se resumem a avistamentos eventuais de machos, provavelmente não residentes.[26] A espécie foi rapidamente eliminada nos Estados Unidos. A última fêmea foi morta em 1963, nas White Mountais, no Arizona. A caça da onça-pintada foi proibida em 1969, mas já não restava nenhuma fêmea e os únicos dois machos encontrados foram mortos. Em 1996, Warner Glenn, um fazendeiro e guia de caça de Douglas, encontrou uma onça-pintada nas Montanhas Peloncillo e se tornou um pesquisador da espécie, instalando câmeras que registraram outros quatro indivíduos.[100] Nenhum desses machos registrados no Arizona durante 15 anos foram avistados desde 2006.[101] Até que em 2009 o indivíduo nomeado "Macho B" morreu, logo após ter sido marcado pelo Arizona Game and Fish Department. Em 2011, um macho de cerca de 90 kg foi fotografado perto de Cochise, sul do Arizona, após ter sido detectado por cães. Um segundo avistamento aconteceu em 2011, também no Arizona, e pesquisadores confirmaram a presença de dois indivíduos próximo à fronteira com o México em 2010.[102] Em setembro de 2012 outro indivíduo foi fotografado na Serra de Santa Rita do Arizona, o segundo registro em dois anos.[103] Aparentemente esse mesmo indivíduo foi fotografado inúmeras vezes em 9 meses, até junho de 2013.[104]

Em 1996 e 2004, guardas florestais no Arizona fotografaram e documentaram onças-pintadas na parte sul do estado. Entre 2004 e 2007 dois ou três onças foram reportadas por pesquisadores no sul do Arizona: um deles, chamado "Macho B", já havia sido avistado em 1996.[105] Em 2 de março de 2009, descobriu-se que esse indivíduo, "Macho B", possuía insuficiência renal, e foi eutanasiado.[106] É a onça-pintada com maior longevidade em estado selvagem.[106] Para que exista uma população permanente e viável nos Estados Unidos, a proibição da caça, a existência de presas e a conectividade com populações do México são essenciais.[107] Em 25 de fevereiro de 2009, um macho de 53,5 kg foi capturado e marcado em um área a sudoeste de Tucson, que é uma região mais ao norte do que esperado, que tinha sugerido a possibilidade de existir alguma população residente no sul do Arizona.[108] Entretanto, estudos com armadilhas fotográficas, confirmaram que esse era o mesmo macho encontrado na Serra de Santa Rita, e que provavelmente é um indivíduo proveniente do noroeste do México.[109] Atualmente, ele é considerado o único exemplar de onça-pintada nos Estados Unidos, e foi nomeado El Jefe (O chefe, em espanhol).[109][110]

O muro fronteiriço Estados Unidos-México pode inviabilizar o estabelecimento de populações de onça-pintada nos Estados Unidos, já que pode impedir o fluxo gênico com indivíduos do México.[111]

Aspectos culturais[editar | editar código-fonte]

Culturas mesoamericanas[editar | editar código-fonte]

Guerreiro-jaguar na cultura asteca.

Nas culturas pré-colombianas das Américas Central e do Sul a onça-pintada foi um símbolo de força e poder. Entre as culturas andinas, o culto ao jaguar foi disseminado pela cultura Chavín e passou a ser aceito na maior parte do que é hoje o Peru a partir de 900 a.C. A cultura Moche, do norte do Peru, utilizava a onça como símbolo de poder em muitas das suas cerâmicas.[112][113][114]

Na Mesoamérica, a cultura Olmeca, precoce e influente na região da costa do Golfo do México, aproximadamente contemporânea da Cultura Chavín, desenvolveu um distinto "homem-jaguar" motivo de esculturas e figuras que mostram onças estilizadas ou seres humanos com características de onça. Na Civilização maia, acreditava-se que a onça-pintada facilitava a comunicação entre os vivos e os mortos e protegia a família real. Os maias viam esses felinos poderosos como os seus companheiros no mundo espiritual. Uma série de governantes maias tinham nomes que incorporavam a palavra maia para a onça-pintada, b'alam. A civilização asteca compartilhou essa imagem do jaguar como representante do governador e como guerreiro. Os astecas formaram uma classe de guerreiros de elite conhecidos como guerreiros jaguares. Na mitologia asteca, a onça-pintada foi considerada o animal totêmico do poderoso deus Tezcatlipoca.[115]

Cultura contemporânea[editar | editar código-fonte]

O Exército brasileiro mantém onças como mascote.

A onça-pintada ainda é amplamente usada em manifestações simbólicas. Interessante notar que ela "ofusca" a presença de outros predadores aos moradores dos locais em que habita: a onça-pintada certamente é um dos animais mais conhecidos da fauna brasileira, fazendo com que a "outra onça", a onça-parda, seja completamente ignorada em algumas ocasiões.[68][116] É o animal nacional da Guiana, e é representada em seu brasão.[117] A bandeira do Departamento do Amazonas, da Colômbia, representa uma silhueta preta de onça pulando em direção a um caçador.[118] A onça-pintada também é representada na cédula de cinquenta reais, no Brasil.[119] Dado sua associação à força e ferocidade, o 61º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, em Cruzeiro do Sul, possui uma onça-pintada como mascote e é relativamente comum que ela seja usada como mascote pelas Forças armadas do Brasil, principalmente em batalhões na região amazônica.[120][121]

Mesmo em indígenas sul-americanos contemporâneos a onça faz parte da mitologia e folclore, sendo um animal que é capaz de dar aos homens, o poder sobre o fogo.[122] Os guaranis a consideram um animal perigoso, e muitas vezes considerada um inimigo de toda a humanidade, capaz de destruí-la inteira.[123] Dado isso, entre os guaranis, matar uma onça é uma forma de mostrar que não se é mais criança, e isso confere um status social elevado na comunidade.[123] Deve-se salientar que essa visão contrasta com a de populações urbanas atuais, que muitas vezes possui uma visão romântica de como seria um encontro com uma onça-pintada.[123] Ser um bom caçador de onças também confere elevado status social entre os homens guató, que podem até mesmo ter várias esposas dado uma elevada posição entre os caçadores.[68]

Matar uma onça é uma forma de se obter status social em muitas sociedades indígenas atuais.

Para alguns povos da Bacia Amazônica, a onça-pintada simboliza o sexo, reprodução e fuga da morte, sendo uma inimiga do tamanduá-bandeira, considerado um trickster.[124][125] Em um conto do povo Shipibo-conibo, a onça-pintada foi desafiada pelo tamanduá a ficar mais tempo debaixo d'água sem respirar, e após ela aceitar e submergirem, o tamanduá roubou sua pele como travessura, e deixou sua para o grande felino: a partir de então, a onça e o tamanduá passaram a ser inimigos.[125]

Apesar dos raros registros de humanos atacados pela onça-pintada e de a espécie ser vista como um animal belo, ela é tida como um animal perigoso.[68][116][126] Muitas vezes, ela é responsabilizada por qualquer morte de animal doméstico, mesmo que não seja responsável.[68][116] Dado esse "perigo", não raro ser um "caçador de onça" pode ser símbolo de status, não somente entre povos indígenas atuais, mas também entre fazendeiros e funcionários de propriedades rurais, principalmente no Pantanal.[68] Entre pantaneiros, saber como caçar uma onça demonstra astúcia e coragem, dadas as dificuldades relacionadas a essas caçadas.[68] Esses valores relacionados à onça-pintada, tanto entre povos indígenas e descendentes de europeus, se relacionam a uma mistura de medo, respeito e admiração pelo animal.[68] Por isso, caçar uma onça-pintada é uma atividade carregada de simbolismo, representando muitas vezes, um enfrentamento entre "homem e natureza".[68]

A zagaia, uma lança construída especificamente para matar onças, possui extremo valor simbólico neste contexto, pois é um instrumento frágil e que coloca o caçador em uma posição vulnerável em comparação ao animal.[68] Ela também tem um importante componente indígena e inspirou até mesmo caçadores estrangeiros, como Sasha Siemel, em seu livro Tigrero!.[68] O ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt também viu na caça à onça-pintada fonte de inspiração para seus ideais sobre a caça esportiva e os estudos sobre a natureza.[68]

A caça à onça-pintada também tem outras manifestações simbólicas, não diretamente relacionadas a essa atividade, como é o caso do personagem "amigo da onça", criado por Péricles de Andrade Maranhão, e que representa a figura de um "falso amigo",[127] ou o conto de Guimarães Rosa, Meu Tio o Iauaretê, que conta a história de um caçador de onças e sua conflituosa relação com o "mundo dos homens", passando a se tornar uma onça também.[68]

Associações simbólicas do felino não se relacionam somente à comunidades locais a sua ocorrência e à caça. O sinônimo de onça-pintada, "jaguar", é utilizado amplamente em nomes de marcas, como no carro Jaguar.[128] Esse mesmo nome também é utilizado em franquias esportivas, como no time da National Football League, Jacksonville Jaguars, e no time de futebol mexicano, Jaguares de Chiapas.[129] Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, na Cidade do México, uma onça-pintada vermelha foi o primeiro mascote oficial.[130]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i Caso, A.; Lopez-Gonzalez, C.; Payan, E.; Eizirik, E.; de Oliveira, T.; Leite-Pitman, R.; Kelly, M. & Valderrama, C. (2008). Panthera onca (em Inglês). IUCN 2011. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2011 Versão 2011.2. Página visitada em 19 de dezembro de 2011.
  2. a b c d e f de Oliveira, T.G.; Ramalho, E.E.; de Paula, R.C.. . "02 Red List Assessment of the jaguar in Brazilian Amazonia - Jaguar in Brazil". CATNews Special Issue (7): 8-13.
  3. a b c d e Ferreira, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.980
  4. a b c Antonio Tovar. (1949). "Semántica y etimología en el guaraní". Thesaurus, Boletín del Instituto Caro y Cuervo 5: 41-51.
  5. "panther", Oxford English Dictionary, 2nd edition
  6. «Panther». Online Etymology Dictionary. Consultado em 17 de fevereiro de 2013. 
  7. a b c d e f Johnson, W. E., Eizirik, E., Pecon-Slattery, J., Murphy, W. J., Antunes, A., Teeling, E. and O'Brien, S. J.. (2006). "The Late Miocene radiation of modern Felidae: A genetic assessment". Science 311 (5757): 73-77.
  8. Turner, A.. (1987). "New fossil carnivore remains from the Sterkfontein hominid site (Mammalia: Carnivora)". Annals of the Transvaal Museum 34.
  9. a b Janczewski, Dianne N.; Modi, William S.; Stephens, J. Claiborne and O'Brien, Stephen J.. (1996). ""Molecular Evolution of Mitochondrial 12S RNA and Cytochrome b Sequences in the Pantherine Lineage of Felidae"". Molecular Biology and Evolution 12 (4).
  10. a b Eizirik, E.; Kim, J.; Menotti-Raymond, M.; Crawshaw Jr, P.G.; O'Brien, S.; Johnson, W.. (2001). "Phylogeography, population history and conservation genetics of jaguars (Panthera onca, Mammalia, Felidae)". Molecular Ecology 10 (1): 65-79. DOI:10.1046/j.1365-294X.2001.01144.x.
  11. Turner, Alan, and Mauricio Antón. (2000). "The big cats and their fossil relatives: an illustrated guide to their evolution and natural history": 39-93. Columbia University Press.
  12. a b «Spirits of the Jaguar: A Vibrant Landscape». PBS online - Nature. Consultado em 23 de janeiro de 2013. 
  13. a b Hemmer, Helmut, Ralf-Dietrich Kahlke, and Abesalom K. Vekua.. (2010). ""Panthera onca georgica ssp. nov. from the Early Pleistocene of Dmanisi (Republic of Georgia) and the phylogeography of jaguars (Mammalia, Carnivora, Felidae)."". Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie-Abhandlungen 257: 115-127. DOI:10.1127/0077-7749/2010/0067.
  14. Werdelin, L.; Yamaguchi, N.; Johnson, W.E.; O'Brien, S. J. (2010). «Phylogeny and evolution of cats (Felidae)». In: MacDonald, D.W.; Loveridge, A.J. Biology and Conservation of Wild Felids (Oxford, Reino Unido: Oxford University Press). pp. 59–83. ISBN 978-0-19-923445-5. 
  15. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w Seymour, K.L.. (1989). "Panthera onca". Mammalian Species 340 (340): 1-9. DOI:10.2307/3504096.
  16. a b c Nowak, Ronald M (1999). «Cats». Walker's Mammals of the World 6ª ed. (Baltimore: JHU Press). pp. 793–837. ISBN 0-8018-5789-9. 
  17. Larson,S.E.. (1997). "Taxonomic re-evaluation of the jaguar" 16 (2): 107-120. DOI:<107::AID-ZOO2>3.0.CO;2-E 0.1002/(SICI)1098-2361(1997)16:2<107::AID-ZOO2>3.0.CO;2-E.
  18. Ruiz-Garcia, M.; Payán, E.; Murillo, A.; Alvarez, D.. (2006). "DNA microsatellite characterization of the jaguar (Panthera onca) in Colombia". Genes & Genetic Systems 81 (2): 115-127. DOI:10.1266/ggs.81.115.
  19. a b Wozencraft, W.C. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), : . Mammal Species of the World 3 ed. (Baltimore: Johns Hopkins University Press). pp. 546–547. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494. 
  20. «Brazil nature tours, Pantanal nature tours, Brazil tours, Pantanal birding tours, Amazon tours, Iguazu Falls tours, all Brazil tours». Consultado em 23 de janeiro de 2013. 
  21. a b c d e E. W. Sanderson, K. H. Redford, C.-L. B. Chetkiewicz, R. A. Medellin, A. R. Rabinowitz, J. G. Robinson y A. B. Taber. (2002). "Planning to Save a Species:the Jaguar as a Model". Conservation Biology 16 (1): 58-72. DOI:10.1046/j.1523-1739.2002.00352.x.
  22. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af Sunquist, M.; Sunquist, F. (2002). «Jaguar». Wild Cats of the World (Chicago: The University of Chicago Press). pp. 305–318. ISBN 0-226-77999-8. 
  23. a b c «Endangered and Threatened Wildlife and Plants; Determination That Designation of Critical Habitat Is Not Prudent for the Jaguar». U.S. Environmental Protection Agency. Consultado em 17 de fevereiro de 2013. 
  24. Daggett, P. & Henning, D.R.. (1974). "The Jaguar in North America". American Antiquity 39 (3): 465-469. DOI:10.2307/279437.
  25. «Jaguars». The Midwestern United States 16,000 years ago. Illinois State Museum. Consultado em 17 de fevereiro de 2013. 
  26. a b c d e f g h i j k l m n Sunquist, M.E.; Sunquist, F.C. (2009). «Family Felidae (Cats)». In: Wilson, D.E.; Mittermeier, R. Handbook of the Mammals of the World - Volume 1 (Barcelona: Lynx). pp. 54–170. ISBN 978-84-96553-49-1. 
  27. a b c d e f Nowell, K. and Jackson, P. (1996). «Panthera onca». Wild Cats. Status Survey and Conservation Action Plan. (PDF) (Gland, Suíça: IUCN/SSC Cat Specialist Group. IUCN). pp. 118–122. 
  28. Burnien, David and Wilson, Don E. (2001). Animal: The Definitive Visual Guide to the World's Wildlife (New York City: Dorling Kindersley). ISBN 0-7894-7764-5. 
  29. Boitani, Luigi (1984). Simon and Schuster's Guide to Mammals Simon & Schuster [S.l.] ISBN 0-671-43727-5. 
  30. a b c d «All About Jaguars: ECOLOGY». Save the Jaguar. Consultado em 18 de fevereiro de 2012. 
  31. Núñez, R., Miller, B., & Lindzey, F.. (2000). "Food habits of jaguars and pumas in Jalisco, Mexico". Journal of Zoology 252 (3): 373-379.
  32. a b c d e «Jaguar Species Survival Plan». Consultado em 06 maio 2012. 
  33. a b c «Jaguar Fact Sheet». Jaguar Species Survival Plan. American Zoo and Aquarium Association. Consultado em 2013-05-05. 
  34. Sims, M.E.. (2005). "Identification of Mid-Size Cat Skulls". Identification Guides for Wildlife Law Enforcement (7): 1-4.
  35. Wroe, S.; McHenry, C.; Thomason,J.. (2006). "Bite Club: Comparative Bite Force in Big Biting Mammals and the Prediction of Predatory Behaviour in Fossil Taxa". Proceedings: Biological Sciences 272 (1563): 619-625. DOI:10.1098/rspb.2004.2986.
  36. Hamdig,P. (2007). «Sympatric Jaguar and Puma». ECOLOGY.INFO 6. Consultado em 23 de janeiro de 2013. 
  37. «Search for the Jaguar». Kentucky Educational Television. 2003. Consultado em 18 de fevereiro de 2013. 
  38. McGrath, Susan (2004). «Top Cat». National Audubon Society. Consultado em 18 de fevereiro de 2013. 
  39. a b c d e f g de Oliveira, T.G.; Cavalcanti, S.M.C. (2002). «Identificação dos Predadores de Animais Domésticos». In: Pitman, M.R.P.L.; de Oliveira, T.G.; de Paula, T.G.; Indrusiak,C. Manual de Identificação, Prevenção e Controle de Predação por Carnívoros (PDF) (Brasília, DF: Edições IBAMA). pp. 31–53. 
  40. Borges, P. L., & Tomás, W. M. (2004). Guia de rastros e outros vestígios de mamíferos do Pantanal (Corumbá: Embrapa Pantanal). p. 148. ISBN 85-98B93-01-3 Verifique |isbn= (Ajuda). 
  41. a b c Robinson, R.. (1990). "Homologous genetic variation in the Felidae" 46 (1): 1-31. DOI:10.1007/BF00122514.
  42. a b c Meyer, J.R. (1994). «Black jaguar in Belize? A survey of the melanism in the jaguar, Panthera onca». Biodiversity in Belize. Consultado em 19 de fevereiro de 2013. 
  43. a b Dinets, V.; Plechla Jr, P.J. (2007). «First documentation of melanism in the jaguar (Panthera onca) from northern Mexico». IUCN/SSC Cat News. Consultado em 19 de fevereiro de 2013. 
  44. a b Rodrigo Nuanaez, Brian Miller, and Fred Lindzey. (2000). "Food habits of jaguars and pumas in Jalisco, Mexico". Journal of Zoology 252 (3) p. 373.
  45. «Jaguar (Panthera Onca)». Phoenix Zoo. Consultado em 2006-08-30. 
  46. a b Wright, S. J.; Gompper, M. E.; DeLeon, B.. (1994). "Are large predators keystone species in Neotropical forests? The evidence from Barro Colorado Island". Oikos 71 (2): 279–294. DOI:10.2307/3546277.
  47. «Structure and Character: Keystone Species». mongabay.com. Rhett Butler. Consultado em 2006-08-30. 
  48. Oliveira, T. G., M. A. Tortato, L. Silveira, C. B. Kasper, F. D. Mazim, M. Lucherini, A. T. Jácomo, J. B. G. Soares, R. V. Marques, and M. E. Sunquist (2010). «Ocelot ecology and its effect on the small-felid guild in the lowland Neotropics.». In: Macdonald, D.W. & Loveridge, A. Biology and Conservation of Wild Felids (Oxford, Reino Unido: Oxford University Press). pp. 563–584. ISBN 978-0199234455. 
  49. a b c d e Harmsen, BJ.; et al. (2010). «The ecology of jaguars in the Cocksomb Basin Wildlife Sanctuary». In: Macdonald, D.W. & Loveridge, A. Biology and Conservation of Wild Felids (Oxford, Reino Unido: Oxford University Press). pp. 403–416. ISBN 978-0199234455. 
  50. Iriarte, J. A.; Franklin, W. L.; Johnson, W. E. and Redford, K. H.. (1990). "Biogeographic variation of food habits and body size of the America puma". Oecologia 85 (2) p. 185. DOI:10.1007/BF00319400.
  51. Brakefield, T. (1993). Big Cats: Kingdom of Might [S.l.: s.n.] ISBN 0-89658-329-5. 
  52. Caso, A., Lopez-Gonzalez, C., Payan, E., Eizirik, E., de Oliveira, T., Leite-Pitman, R., Kelly, M., Valderrama, C. & Lucherini, M. (2008). Puma concolor (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 29 de novembro de 2012.
  53. Otfinoski, Steven (2010). Jaguars Marshall Cavendish [S.l.] p. 18. ISBN 978-0-7614-4839-6. Consultado em 2011-03-16. 
  54. a b Cavalcanti,S.M.C.; Gese, E.M.. (2010). "Kill rates and predation patterns of jaguars (Panthera onca) in the southern Pantanal, Brazil". Journal of Mammology 91 (3): 722-736.
  55. a b c Rabinowitz, A. R., Nottingham, B. G., Jr. (1986). "Ecology and behaviour of the Jaguar (Panthera onca) in Belize, Central America". Journal of Zoology 210 (1) p. 149. DOI:10.1111/j.1469-7998.1986.tb03627.x.
  56. a b Novack, A. J., Main, M. B., Sunquist, M. E., & Labisky, R. F. (2005). "Foraging ecology of jaguar (Panthera onca) and puma (Puma concolor) in hunted and non‐hunted sites within the Maya Biosphere Reserve, Guatemala". Journal of Zoology 267 (2): 167-178. DOI:10.1017/S0952836905007338.
  57. a b Leite, M. R. P. (2000). "Relações entre a onça-pintada, onça-parda e moradores locais em três unidades de conservação da Floresta Atlântica do Estado do Paraná, Brasil". Dissertação de Mestrado.
  58. a b c Cavalcanti, S.; et al. (2010). «Jaguars, livestock and people in Brazil: realities and perceptions behind the conflitct». In: Macdonald, D.W. & Loveridge, A. Biology and Conservation of Wild Felids (Oxford, Reino Unido: Oxford University Press). pp. 383–402. ISBN 978-0199234455. 
  59. Gonzalez-Maya, J. F., Navarro-Arquez, E., & Schipper, J.. (2010). "Ocelots as prey items of jaguars: a case from Talamanca, Costa Rica.". CATNews 53: 11-12.
  60. de la Rosa, C. L.; Nocke, C. C. (2000). A Guide to the Carnivores of Central America: Natural History, Ecology, and Conservation (Austin: University of Texas Press). p. 244. ISBN 978-0-292-716056-9 Verifique |isbn= (Ajuda). 
  61. Schaller, G. B. and Vasconselos, J. M. C.. (1978). "Jaguar predation on capybara". Z. Saugetierk 43: 296–301.
  62. a b Emmons, Louise H.. (1987). "Comparative feeding ecology of felids in a neotropical rainforest". Behavioral Ecology and Sociobiology 20 (4) p. 271. DOI:10.1007/BF00292180.
  63. a b c d e Baker, Natural History and Behavior, pp. 8–16.
  64. Travellers' Wildlife Guide to Costa Rica by Les Beletsky. Interlink Publishing Group (2004), ISBN# 1566565294
  65. The animal kingdom: based upon the writings of the eminent naturalists Audubon, Wallace, Brehm, Wood, and Others, edited by Hugh Craig. Trinity College (1897), New York.
  66. Baker, Hand-rearing, pp. 62–75 (table 5).
  67. Baker, Nutrition, pp. 55–61.
  68. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u Süssekind, F. (2014). O rastro da onça: relações entre humanos e animais no Pantanal 1 ed. (Rio de Janeiro, RJ: 7 Letras). p. 203. ISBN 978-8-5757-7895-1. 
  69. «Jaguar: The Western Hemisphere's Top Cat». Planeta. February 2008. Consultado em 2009-03-08. 
  70. Schaller, George B. and Crawshaw, Peter Gransden, Jr.. (1980). "Movement Patterns of Jaguar". Biotropica 12 (3): 161–168. DOI:10.2307/2387967.
  71. Harmsen, B. J., Foster, R. J., Gutierrez, S. M., Marin, S. Y., & Doncaster, C. P.. (2010). "Scrape-marking behavior of jaguars (Panthera onca) and pumas (Puma concolor)". Journal of Mammalogy 91 (5): 1225-1234. DOI:10.1644/09-MAMM-A-416.1.
  72. Weissengruber, G. E.; Forstenpointner, G.; Peters, G.; Kübber-Heiss, A.; Fitch, W. T.. (2002). "Hyoid apparatus and pharynx in the lion (Panthera leo), jaguar (Panthera onca), tiger (Panthera tigris), cheetah (Acinonyx jubatus) and domestic cat (Felis silvestris f. catus)". Journal of Anatomy 201 (3): 195–209. DOI:10.1046/j.1469-7580.2002.00088.x. PMID 12363272.
  73. Hast, M. H.. (1989). "The larynx of roaring and non-roaring cats". Journal of Anatomy 163: 117–121. PMID 2606766.
  74. a b Baker, Reproduction, pp. 28–38.
  75. Morato, R. G.; Vaz Guimaraes, M; A; B.; Ferriera, F.; Nascimento Verreschi, I. T. and Renato Campanarut Barnabe. (1999). "Reproductive characteristics of captive male jaguars". Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science 36 (5).
  76. «Jaguars: Magnificence in the Southwest» (PDF). Newsletter. Southwest Wildlife Rehabilitation & Educational Foundation. 2006. Consultado em 20 de outubro de 2015. 
  77. Paviolo, A., De Angelo, C. D., Di Blanco, Y. E., & Di Bitetti, M. S.. (2008). "Jaguar Panthera onca population decline in the upper Paraná Atlantic forest of Argentina and Brazil". Oryx 42 (04): 554-561. DOI:10.1017/S0030605308000641.
  78. a b c d e Sollmann, R., Torres, N. M., & Silveira, L.. (2008). "03 Jaguar conservation in Brazil: the role of protected areas". Cat News Special Issue (4): 15-20.
  79. «Onças-pintada são mortas atropeladas». Apoena. Consultado em 01 maio 2012. 
  80. «Tragédia anunciada no Parna do Iguaçu». Grupo Boticário. Consultado em 01 maio 2012. 
  81. a b Weber,W.; Rabinowitz, A. (2002). "A Global Perspective on Large Carnivore Conservation". Conservation Biology 10 (4): 1046-1054. DOI:10.1046/j.1523-1739.1996.10041046.x.
  82. a b c d e f g Beisiegel, B.D.M.; Sana, D.A.. (2012). "03 Jaguar in Brazil - The jaguar in the Atlantic Forest". CATNews Special Issue (7): 14-18.
  83. a b Rabinowitz, A.;Zeller, L.A.. (2010). "A range-widemodel of landscape connectivity and conservation for the jaguar, Panthera onca". Biological Conservation 143 (4): 939-945. DOI:10.1016/j.biocon.2010.01.002.
  84. a b Mel White (2009). «Path of the Jaguar». Consultado em 08 maio 2012. 
  85. a b c d e Moraes Jr, E.A.. . "05 The status of Jaguar in the Cerrado". CATNews Special Issue (7): 25-28.
  86. a b de Paula, R. C., de Campos, C. B., & de Oliveira, T. G.. (2012). "04 Red List assessment for the jaguar in the Caatinga Biome". CATNews Special Issue (7): 19-24.
  87. a b Morato, E.G.;Beisiegel, B.M.; Ramalho, E.; de Campos, C.B.; Boulhosa, R.L.. (2013). "Avaliação do risco de extinção da Onça-pintada Panthera onca (Linnaeus, 1758) no Brasil". Biodiversidade Brasileira 3 (1): 122-132.
  88. «PORTARIA No - 444, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2014» (PDF). ICMBio. Consultado em 5 de fevereiro de 2016. 
  89. Costa, L. P.; Leite, Y. L. R.; Mendes, S. L.; Ditchfield, A. B.. (2005). "Conservação de mamíferos no Brasil". Megadiversidade (1). Visitado em 31 mar. 2012.
  90. a b Chiarello, A.G.; Aguiar, L.M.S., Cerqueira, R.; de Melo, F.R.; Rodrigues, F.H.G.; da Silva, V.M. (2008). «Mamíferos». In: Machado, A.B.M.; Drummond, G.M.; Paglia, A.P. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume 2 (PDF) (Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente). pp. 680–883. ISBN 978-85-7738-102-9. 
  91. a b Galetti et al. (2013). "Atlantic Rainforest's Jaguar in Decline". Science 342 (6161): 930. DOI:10.1126/science.342.6161.930-a.
  92. Camila Turtelli (27 de janeiro de 2014). «Onça-pintada corre risco extremo de extinção na mata atlântica». Folha de S.Paulo. Consultado em 11 de abril de 2014. 
  93. a b Tôrres, N. M., Marco Jr, P., Diniz-Filho, J. A. F., & Silveira,L.. (2008). "01 Jaguar distribution in Brazil: past, present and future". CAT News Special Issue 4: 1-5.
  94. a b c Cavalcanti,S.M.C.; de Azevedo, F.C.C.; Tomás, W.; Boulhosa, R.L.P.; Crawshaw Jr, P.G.. (2012). "06 The status of the jaguar in Pantanal - Jaguar in Brazil". CATNews Special Issue (7): 29-34.
  95. a b c d Nijhawam, S.. (2012). "09 Conservation units, priority areas and dispersal corridors for jaguars in Brazil - Jaguar in Brazil". CATNews Special Issue (7): 43-47.
  96. Full text of "The writings of Thomas Jefferson"
  97. a b Merriam, C. Hart. (1919). "Is the Jaguar Entitled to a Place in the California Fauna?". Journal of Mammalogy 1: 38–40.
  98. (2003) "Rohonas and Spotted Lions: The Historical and Cultural Occurrence of the Jaguar, Panthera onca, among the Native Tribes of the American Southwest". Wicazo Sa Review 18 (1): 157–175. DOI:10.1353/wic.2003.0006.
  99. Daggett, Pierre M. and Henning, Dale R.. (1974). "The Jaguar in North America". American Antiquity 39 (3). DOI:10.2307/279437.
  100. Will Rizzo. . "Return of the Jaguar?". Smithsonian Magazine.
  101. Davis, Tony and Steller, Tim (2011-11-22). «Jaguar seen in area of Cochise». Arizona Daily Star. Consultado em 2011-11-23. 
  102. Christie, Bob (2011-12-01). «2 Rare Jaguar Sightings in Southern Arizona Excite Conservationists, State Wildlife Officials». Associated Press. Consultado em 2011-12-04. 
  103. Davis, Tony (November 25, 2012). «Jaguar photo taken near Rosemont». azstarnet.com. Arizona Daily Star. Consultado em December 1, 2012. 
  104. Tony Davis (2013-06-28). «Jaguar roves near Rosemount mine site». Arizona Daily Star. Consultado em 2013-06-29. 
  105. McCain, E.B.; Childs, J.L.. (2008). "Evidence of resident jaguar (Panthera onca) in the southwestern United States and the implications for conservation". Journal of Mammalogy 89 (1): 1-10. DOI:10.1644/07-MAMM-F-268.1.
  106. a b «Illness forced vets to euthuanize recaptured jaguar». azcentral.com. Consultado em 17 de fevereiro de 2013. 
  107. «Jaguar conservation». Arizona Game and Fish Department. Consultado em 17de fevereiro de 2013. 
  108. «Arizona Game and Fish collars first wild jaguar in United States». Arizona Game and Fish Department. Consultado em 17 de fevereiro de 2013. 
  109. a b Jessica Lamberton-Moreno (September 8, 2015). «Student project results in new jaguar sighting». Sky Island Alliance. Consultado em 25 de julho de 2016. 
  110. H, Brian; 3, werk PUBLISHED February; 2016. «Only Known Jaguar in U.S. Filmed in Rare Video». National Geographic News. Consultado em 25 de julho de 2016. 
  111. «Addressing the Impacts of Border security Activities On Wildlife and Habitat in Southern Arizona: STAKEHOLDER RECOMMENDATIONS» (PDF). Consultado em 17 de fevereiro de 2013. 
  112. Katherine Berrin (1997). The Spirit of Ancient Peru. Treasures from the Museo Arqueologico Rafael Larco Herrera (Nova Iorque: Thames and Hudson). ISBN 978-0-500-01802-6. 
  113. Bulliet, Richard W.; et al. (2010). «New civilizations in the Eastern and Western hemispheres, 2200-250 B.C.E.». The Earth and Its Peoples: A Global History 5ª ed. Cengage Learning [S.l.] pp. 52–80. ISBN 978-1-4390-8476-2. Verifique |isbn= (Ajuda). 
  114. Lockard, Craig A. (2010). «Clasical societies and regional networks in Africa, the Americas, and Oceania, 600B.C.E.-600C.E.». Societies, Networks, and Transitions, Volume I: To 1500: A Global History 2ª ed. Cengage Learning [S.l.] pp. 204–230. ISBN 978-1-4390-8535-6. 
  115. Christenson, Allen J. (2007). «The First Four Men». Popol vuh: the sacred book of the Maya University of Oklahoma Press [S.l.] pp. 196–197. ISBN 978-0-8061-3839-8. 
  116. a b c Conforti, V. A., & de Azevedo, F. C. C.. (2003). "Local perceptions of jaguars (Panthera onca) and pumas (Puma concolor) in the Iguacu National Park area, south Brazil". Biological Conservation 111 (2): 215-221. DOI:10.1016/S0006-3207(02)00277-X.
  117. «"Guyana"». RBC Radio. Consultado em 18 de fevereiro de 2013. 
  118. «Departamento de Amazonas». Todo Colombia - Es mi pasión. Consultado em 18 de fevereiro de 2013. 
  119. «Cédulas do Real». Banco Central do Brasil. Consultado em 18 de fevereiro de 2013. 
  120. «No Acre, batalhão de selva do Exército tem onça-pintada como mascote». Consultado em 29 de agosto de 2015. 
  121. «Onças-pintadas são 'mascotes' de tropa de selva no Amazonas». Consultado em 04 de setembro de 2015. 
  122. Levi-Strauss, Claude (2004) [1964]. O Cru e o Cozido (São Paulo: Cosac & Naify). 
  123. a b c Baptista, J.. (2005). "Matar um jaguar: a natureza na cultura Guarani através do discurso missionário. História Unisinos" 9 (1): 61-64.
  124. Arcand, B. (1993). The Jaguar and the Anteater: Pornography Degree Zero Verso [S.l.] p. 286. ISBN 0-86091-446-1. 
  125. a b Roe, P. (1982). The Cosmic Zygote: Cosmology in the Amazon Basin (PDF) (New Brunswick, New Jersey: Rutgers University Press). p. 416. ISBN 0-81535-0896-7 Verifique |isbn= (Ajuda). 
  126. Marchini, Silvio; Peter G. Crawshaw. (2015-07-04). "Human–Wildlife Conflicts in Brazil: A Fast-Growing Issue". Human Dimensions of Wildlife 20 (4): 323-328. DOI:10.1080/10871209.2015.1004145. ISSN 1087-1209.
  127. Marcelo Luis de Faria. «Como surgiu a expressão "Amigo da Onça"?». Galileu. O prazer de conhecer. Consultado em 04 de setembro de 2015. 
  128. S.S. Cars Limited. The Times, Wednesday, Apr 04, 1945; pg. 10; Issue 50108
  129. «Historia». Chiapas Jaguar Sitio Oficial. Consultado em 28 de agosto de 2015. 
  130. Welch, Paula. «Cute Little Creatures: Mascots Lend a Smile to the Games» (PDF). Consultado em 18 de fevereiro de 2013. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Categoria no Commons
Wikispecies Diretório no Wikispecies