Paracryphiaceae
Paracryphiaceae
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Paracryphiaceae é uma pequena família de plantas com flor que agrupa 38 espécies repartidas por 3 géneros de arbustos e árvores lenhosas nativas da Austrália, Sudeste Asiático e Nova Caledónia. No sistema APG III, de 2009, a família é colocada na sua própria ordem, Paracryphiales, no clado campanulídeas das asterídeas. [1] No sistema APG II anterior, a família não estava classificada em nenhuma ordem (estava em incertae sedis) e incluía apenas Paracryphia.[2] O sistema APG IV mantém a família como o único membro da ordem monotípica Paracryphiales.[3]
Descrição
[editar | editar código]Os membros da família Paracryphiaceae são árvores ou arbustos de folhagem perene, com elementos vasculares com placas de perfuração altamente escalariformes [>48 barras/placa - número médio]; nós 3:3; folhas espirais, margens da lâmina serrilhadas; inflorescências terminais racemosas com flores tetrâmeras; P ou K + C livres; A não adnato a P/C, tecas das anteras mais ou menos embutidas no conectivo ou basifixas. O fruto é uma cápsula septicida.[3]
Taxonomia e filogenia
[editar | editar código]Taxonomia
[editar | editar código]A família Paracryphiaceae foi inicialmente estudada por William C. Dickison, após as suas viagens à Nova Caledónia, tendo depois publicado vários artigos que incluíam várias temáticas, como as relações sistemáticas das três famílias existentes no local com um só género, nomeadamente Strasburgeriaceae, Oncothecaceae e Paracryphiaceae. Com base na morfologia, foi então concluído que o género Paracryphia deveria ser tratado dentro de uma família própria, com um posicionamento próximo ao da família Sphenostemonaceae.
A família era inicialmente composta por um único género, Paracryphia, e uma única espécie, Paracryphia alticola.[4]
A família tem uma história taxonómica complexa, com múltiplas alterações de posicionamento. As Paracryphiaceae foram incluídas nas Theales no sistema de Cronquist (1981) e nas Theanae pelo sistema de Takhtajan (1997). O género Quintinia esteve muito tempo incluído nas Saxifragaceae e nas Hydrangeaceae lenhosas. Pieter Baas, em 1975, considerava que as Sphenostemonaceae eram membros das Celastrales,[5] constituindo um grupo próxima da família das Icacinaceae;[6] Arthur John Cronquist, em 1981, colocou-as nas Aquifoliaceae, ao lado das Icacinaceae, enquanto Takhtajan (1997) as incluiu nas Icacinales. O género Sphenostemon (como o seu sinónimo taxonómico Idenburgia) também foi colocada em Trimeniaceae.[3]
A classificação clássica, de base morfológica, coloca a família na divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopsida, subclasse Dilleniidae, ordem Theales. Tanto o sistema de Cronquist como o sistema de Takhtajan reconheceram esta família.[7][8]
Filogenia
[editar | editar código]As relações de proximidade filogenética são [Quintinia [Paracryphia + Sphenostemon]].[9] No entanto, note-se que Polyosma (Escalloniales) está ligado ao género Quintinia numa análise de genes mitocondriais, mas não de outros genes, o que se deve provavelmente à transferência horizontal do genoma mitocondrial de Quintinia para Polyosma.[10]
Embora dados de genética molecular tenham suportado a hipótese de que esta família seria melhor colocada na ordem Dipsacales,[4] no sistema APG (1998) esta família tinha uma posição incerta e no sistema APG II (2003) esta família era colocada na base das euasterídeas II.
Conforme a sua presente circunscrição taxonómica, a família inclui três géneros, todos anteriormente colocados em famílias monogenéricas, mas combinados numa única família após o sistema APG III. Os géneros são:[11]
- Paracryphia Baker f. – 1 espécie, endémica da Nova Caledónia.
- Quintinia A.DC – 25 espécies nas Filipinas, Nova Guiné, costa leste da Austrália, Nova Zelândia e Nova Caledónia; anteriormente classificada na família Quintiniaceae.
- Sphenostemon Baill. – 10 espécies na Nova Guiné, Austrália (Queensland) e Nova Caledónia; anteriormente classificada na família Sphenostemonaceae.
Acredita-se que a relação evolutiva (filogenética) da família e dos seus três géneros seja:[11]
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Referências
[editar | editar código]- ↑ a b Angiosperm Phylogeny Group (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III». Botanical Journal of the Linnean Society. 161 (2): 105–121. doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x
. hdl:10654/18083
- ↑ Angiosperm Phylogeny Group (2003). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG II». Botanical Journal of the Linnean Society. 141 (4): 399–436. doi:10.1046/j.1095-8339.2003.t01-1-00158.x
- ↑ a b c Angiosperm Phylogeny Website: order Paracryphiales.
- ↑ a b Kenneth M. Cameron; On the Phylogenetic Position of the New Caledonian Endemic Families Paracryphiaceae, Oncothecaceae, and Strasburgeriaceae: A Comparison of Molecules and Morphology; Botanical Review , Vol. 68, No. 4, Structural Botany in Systematics: A Symposium in Memory of William C. Dickison (Oct. - Dec., 2002), pp. 428-443
- ↑ Pieter Baas, Vegetative anatomy and the affinities of Aquifoliaceae, Sphenostemon, Phelline, and Oncotheca. Blumea 22 (1975): pp. 311–407.
- ↑ William C. Dickison & Pieter Baas, The morphology and relationships of Paracryphia (Paracryphiaceae). Blumea: Biodiversity, Evolution and Biogeography of Plants, Volume 23 (1977), Issue 2, pp. 417-438.
- ↑ Cronquist, A. 1981. An integrated system of classification of flowering plants. Columbia Univ. Press, New York.
- ↑ Takhtajan, A. 1973. Evolution und Ausbreitung de Bluitenpflanzen. G. Fischer Verlag, Stuttgart, Germany.
- ↑ Tank, D.C. & Donoghue, M.J. 2010. Phylogeny and Phylogenetic Nomenclature of the Campanulidae Based on an Expanded Sample of Genes and Taxa. Systematic Botany 35(2): 425–441. doi:10.1600/036364410791638306 PDF.
- ↑ Douglas E. Soltis et al., Angiosperm phylogeny: 17 genes, 640 taxa. Am J Bot, 2011 Apr 98(4):704-730 (doi: 10.3732/ajb.1000404).
- ↑ a b Stevens, P.F., «Paracryphiaceae», Angiosperm Phylogeny Website, consultado em 19 de setembro de 2014
Bibliografia
[editar | editar código]- Johannes Lundberg: Phylogenetic Studies in the Euasterids II. With Particular Reference to Asterales and Escalloniaceae (= Comprehensive Summaries of Uppsala Dissertations from the Faculty of Science and Technology. Bd. 676). Uppsala University, Biology, Department of Evolutionary Biology, Department of Systematic Botany, Uppsala 2001, ISBN 91-554-5191-8 (Zugleich: Uppsala, Universität, Dissertation, 2002), Online (PDF; 0,9 MB).
- Richard C. Winkworth, Johannes Lundberg, Michael J. Donoghue: Toward a resolution of Campanulid phylogeny, with special reference to the placement of Dipsacales. In: Taxon. Bd. 57, Nr. 1, ISSN 0040-0262, 2008, S. 53–65.
Ligações externas
[editar | editar código]- La fiche de cette espèce sur Endemia.nc
- (em inglês) Paracryphiaceae em L. Watson and M.J. Dallwitz (1992 onwards). The families of flowering plants: descriptions, illustrations, identification, and information retrieval. Sur http://delta-intkey.com
- caesalpinea
- «Paracryphiaceae» (em inglês). NCBI
- GRIN : família Paracryphiaceae Airy Shaw (em inglês)
