Paridade de rede

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Estado da paridade de rede de instalações solares fotovoltaicas ao redor do mundo:

     Paridade de rede atingida dantes de 2014      Paridade de rede atingida só para preços pico      Paridade de rede atingida após 2014      Estados de EEUU que atingirão a paridade de rede proximamente
Fonte: Deutsche Bank, fevereiro de 2015[1][2]

A paridade de rede define-se como o momento no que uma fonte de geração de energia eléctrica a um custo inferior ou igual ao preço generalista de compra da eletricidade directamente da rede eléctrica.

Considera-se que atingir a paridade de rede é um ponto de inflexão importantíssima no desenvolvimento de novas fontes de energia. Supõe o ponto a partir do qual uma fonte de produção energética pode se converter num directo competidor das energias convencionais, levando a cabo seu desenvolvimento sem subsídios ou apoio governamental. Este termo é empregado principalmente em referência a fontes de energia renovável, mais especificamente a energia solar fotovoltaica e a energia eólica. Crê-se amplamente que o alcance da paridade de rede, terá como consequência uma mudança radical no mix de geração energética.

Alemanha foi um dos primeiros países onde se atingiu a paridade de rede em instalações fotovoltaicas em 2011 e 2012, para grandes centrais de conexão à rede e pequenas instalações sobre telhado, respectivamente.[3]:11 A princípios de 2014, a paridade de rede fotovoltaica tinha-se atingido em pelo menos 19 países em todo mundo.[4]

Energia solar fotovoltaica[editar | editar código-fonte]

Projecção do custo de produção de energia fotovoltaica em Europa[5]

O conceito de paridade de rede usa-se habitualmente no campo da energia solar, especificamente no da energia solar fotovoltaica. Isto é devido à redução em massa do custo dos equipamentos que fazem possível esta fonte de energia (painéis solares, inversores, etc.) que tem tido lugar entre 1990 e 2010, durante os quais o preço se reduziu aproximadamente um total de 25 vezes. Na atualidade este rácio de redução está inclusive acelerando-se: entre finais de 2009 e meados de 2011 o preço dos módulos solares caiu aproximadamente uns 70%.[6] Esta rápida redução de preços não tem precedentes na indústria, e atualmente não mostra sinais de desacelarar.

A solar é a cada vez mais competitiva e em países como Itália e Índia tem atingido a paridade em custos com os outros tipos de energia. A paridade em custos atingir-se-á em muito menos tempo do previsto devido à redução do custo dos painéis solares e em breve, poderia ser muito competitiva sem necessidade de contar com nenhuma ajuda.[7]

Esta redução no custo da energia solar fotovoltaica desde que fabricaram-se as primeiras células solares comerciais produziu-se graças aos avanços tecnológicos, a sofisticação e a economia de escala, conseguindo que o seu custo médio de geração eléctrica já seja competitivo com as fontes de energia convencionais num crescente número de regiões geográficas.[8] Sistemas de autoconsumo fotovoltaico e balanço neto estão a conseguir a popularização das instalações fotovoltaicas num grande número de países.[9] Com a tecnologia actual, os painéis fotovoltaicos recuperam a energia necessária para sua fabricação num período compreendido entre 6 meses e 1,4 anos; tendo em conta que sua vida útil média é superior a 30 anos, produzem electricidade limpa durante mais de 95% de seu ciclo de vida.[10]

Lei de Naam[editar | editar código-fonte]

A lei de Naam é similar à lei de Moore, mas referida ao custo por watt de energia fotovoltaica. Assim, promediada a trinta anos, a tendência é a uma redução anual de 7% no preço. Os motivos são dois. O primeiro, é que os fabricantes de células solares estão a aprender -da mesma forma que o fizeram os fabricantes de chips- como reduzir o custo de fabricação. Em segundo lugar, a eficiência da célula solar - a parte da energia do sol que lhe chega e que capturada está a melhorar continuamente. No laboratório, os pesquisadores têm obtido eficiências tão altas como podem ser um 41%, algo inédito 30 anos antes. Os métodos de filme fino barato têm obtido eficiências de laboratório tão altas como de 20%, quase o dobro da maioria dos sistemas solares em desenvolvimento instalados hoje em dia. Isto significa que, no futuro, com esta diminuição de 7% nos custos (e 2010 e 2011 têm conseguido estes números) em 20 anos o custo por kilowatt das células solares estará por uns cêntimos de dólar. Por outro lado, a paridade em rede já se conseguiu nos territórios mais ensolaradas.[11]


Referências

  1. Deutsche Bank (10 de março de 2015). «Deutsche Bank report: Solar grid parity in a low oil price era» (em inglês). Consultado em 2 julho de 2015 
  2. Deutsche Bank. «Crossing the Chasm - Solar grid parity in a low oil price era» (PDF) (em inglês). Consultado em 2 julho de 2015 
  3. «Recent facts about photovoltaics in Germany» (PDF). Fraunhofer ISE. 7 de janeiro de 2015. Consultado em 2 julho de 2015 
  4. «2014 Outlook: Let the Second Gold Rush Begin» (PDF). Deutsche Bank Markets Research. 6 de janeiro de 2014. Consultado em 2 julho de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 21 de novembro de 2014 
  5. epia.org; "Solar Photovoltaics Competing in the Energy Sector", Septiembre de 2011
  6. K. Brankera, M.J.M. Pathaka, J.M. Pearce, "A review of solar photovoltaic levelized cost of electricity", Renewable and Sustainable Energy Reviews, Volume 15 Issue 9 (December 2011), pp. 4470-4482
  7. http://www.laverdad.es/murcia/201412/14/monedero-murcia-merece-tener-20141214140414.html
  8. Swanson, R. M. (2009). «Photovoltaics Power Up» (PDF). Science. 324 (5929): 891–2. PMID 19443773. doi:10.1126/science.1169616 
  9. Renewable Energy Policy Network for the 21st century (REN21), Renewables 2010 Global Status Report, Paris, 2010, pp. 1–80.
  10. epia.org; Sustainability of Photovoltaics Systems - The Energy Pay Back Time.
  11. http://blogs.scientificamerican.com/guest-blog/2011/03/16/smaller-cheaper-faster-does-moores-law-apply-to-solar-cells/