Paris, Texas

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Paris, Texas
Paris, Texas (PT/BR)
 França /  Alemanha
1984 •  cor •  147 min 
Direção Wim Wenders
Roteiro L.M. Kit Carson / Sam Shepard
Elenco Harry Dean Stanton
Nastassja Kinski
Dean Stockwell
Hunter Carson
Género drama
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

Paris, Texas é um filme franco-germânico de 1984, do gênero drama, dirigido por Wim Wenders. É provavelmente um de seus trabalhos mais conhecidos e aclamados pela crítica. O roteiro é de L. M. Kit Carson e Sam Shepard; os temas musicais foram compostos por Ry Cooder e a direção de fotografia é de Robby Muller.

O filme foi uma coprodução entre a França e Alemanha, porém filmado nos Estados Unidos.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Paris, Texas conta a história de Travis, um homem que, depois de estar desaparecido por mais de quatro anos, é reencontrado pelo irmão Walt num hospital na região desértica do Texas, próximo à fronteira com o México. Maltrapilho e com amnésia, é levado por Walt para a sua casa em Los Angeles, onde reencontra Hunter, seu filho de sete anos que foi abandonado pela mãe, Jane. Inicialmente estranhos, Travis e Hunter iniciam uma reaproximação que culmina num a grande amizade e também no desejo secreto de reencontrar Jane e reconstruir sua verdadeira família.

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Harry Dean Stanton.... Travis Henderson
  • Dean Stockwell.... Walt Henderson
  • Nastassja Kinski.... Jane Henderson
  • Hunter Carson.... Hunter Henderson
  • Aurore Clément.... Anne Henderson
  • Bernhard Wicki.... doutor Ulmer
  • Sam Berry.... atendente do posto de gasolina

Título[editar | editar código-fonte]

O filme tem como título o nome de uma cidade do Texas, chamada Paris, mas não foi filmado ali. Em vez disso, Paris é mostrado como um lote de terra de propriedade de Travis visto de uma fotografia.

A fotografia mostra um paisagem de deserto, mas na verdade a real Paris fica na beira de uma floresta ao leste do Texas, muito longe de qualquer deserto.

Estilo[editar | editar código-fonte]

Paris, Texas é notável pelos seus enquadramentos. A primeira cena começa com o ponto de vista de um pássaro sobre o deserto, uma paisagem austera, seca, alienígena. Um falcão pousa em um pedregulho. Um homem que anda sozinho no deserto para e olha. Ele está usando um terno mexicano desgastado e barato, um boné de beisebol vermelho, e está a diversos dias de restolho, seus tornozelos estão enfaixados. Desconcertado, ele esta perdido e sozinho. Sua roupa é coberta pela poeira e a úmida com o suor. As cenas passam por velhos quadros de avisos com propagandas, cartazes, graffites, carcaças oxidadas de ferro, velhas linhas de trem, cartazes de néon, motéis, estradas que nunca terminam, e Los Angeles, culminando finalmente em alguma parte externa da famosa cena do banco em Houston. A fotografia é típica do trabalho de Robby Muller, um colaborador de longo tempo de Wim Wenders.

A trilha sonora apresenta um solo de guitarra de Ry Cooder, baseada na canção Dark Was the Night, Cold Was the Ground, de Blind Willie Johnson.

Tema[editar | editar código-fonte]

O tema central na película está na alienação social na América [carece de fontes?]. O cenário do Texas, ambos na vastidão das paisagens de estrada e na arquitetura em desenvolvimento de Houston, refletem este tema. Um outro tema é os pais que usam suas crianças como um pretexto de manter uma relação [carece de fontes?]. Além de uma crise social, pode-se ver uma crise emocional, a separação de um casal. Nos anos 1980, os EUA viviam uma era de particular prosperidade econômica e social, durante o Governo Reagan, com a acentuada decadência dos países do bloco socialista e o fortalecimento das economias de mercado. As nações da Europa Ocidental e os EUA entraram em uma era que permitiu acelerar o desmantelamento daquele bloco através do aprimoramento da tecnologia de produção, resultando na posterior hegemonia neoliberal. O cenário de desolação, angústia e frustração da nova Ámerica e suas vivências através da personagem andarilha de Travis, contrasta em muito com o referido progresso e desenvolvimento industrial da sociedade americana na época[1], calcado no consumismo e na impossibilidade das particularidades humanas se sobressairem em um universo massificado, congestionado de propaganda e ruído[2][3].

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Sucesso de público e de crítica, o filme recebeu muitos prêmios internacionais, entre eles a Palma de Ouro de melhor filme no Festival de Cannes de 1984, além do Prêmio FIPRESCI e do Prêmio do Júri Ecumênico.

Em 1985 filme recebeu o BAFTA na categoria de melhor direção, além de ter sido indicado nas categorias de melhor filme, melhor trilha sonora e melhor roteiro adaptado; o Prêmio René Clair na cerimônia do David di Donatello; o Prêmio San Jordi de melhor filme estrangeiro; e o Prêmio Bodil de melhor filme europeu. No mesmo ano foi também indicado ao Globo de Ouro e ao Cesar de melhor filme estrangeiro.

Influências na cultura popular[editar | editar código-fonte]

O grupo australiano COG, possui uma canção com o nome do filme, Paris, Texas.

Referências

  1. «"Paris, Texas" é o fim do melhor Wim Wenders». Inácio Araújo. Folha de S. Paulo. 13 de novembro de 2007. Consultado em 25 de setembro de 2016 
  2. Sidnei Cassal (8 de abril de 2013). «Paris, Texas». Plano Crítico. Consultado em 25 de setembro de 2016 
  3. Victor Ribeiro Guimarães (13 de maio de 2010). «Notas sobre a imagem impossível: Paris, Texas e o cinema de Wim Wenders» (PDF). Consultado em 25 de setembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]