Parque Ecológico do Córrego Grande

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Parque Ecológico do Córrego Grande
Lago central no parque
País  Brasil
Estado  Santa Catarina
Cidade Florianópolis
Bairro Córrego Grande
Tipo Público
Área 21,3 hectares (213 000 m2)
Inauguração 05 de agosto de 1994 (26 anos)
Nº de visitas anuais ~250 000
Coordenadas 27° 35' 53.35" S 48° 30' 39.88" O
Parque Ecológico do Córrego Grande está localizado em: Santa Catarina
Parque Ecológico do Córrego Grande

O Parque Ecológico do Córrego Grande (ou Parque Horto Florestal do Córrego Grande, ou também, Parque Ecológico Municipal Prof. João Davi Ferreira Lima) é uma unidade de conservação localizada no município brasileiro de Florianópolis.[1]

O parque linear conta com uma pista de caminhada amplamente encoberta por árvores típicas da região

Descrição[editar | editar código-fonte]

O parque cobre uma área de 21,3 hectares (213 000 m2) e está localizado na região centro-oeste da Ilha de Santa Catarina, entre os bairros do Córrego Grande e Santa Mônica. Este é o único parque integralmente em área urbana da capital catarinense.[2] Apresenta relevo plano, cortado por cursos d'água, sendo utilizado para realização de atividades de recreação, lazer, educação ambiental, pesquisa e cultura voltadas à área ambiental.[3] Existem no parque 3 trilhas (Palmiteiro, Pau-Jacaré e Garapuvu) e uma pista de caminha de 1 km de comprimento. O parque recebe um número aproximado de 800 visitantes diariamente.[4]

Fauna[editar | editar código-fonte]

O parque horto florestal do Córrego Grande serve de refúgio para a vida silvestre nos arredores da UFSC. A fêmea de jacaré-de-papo-amarelo, chamada de Harolda, é uma das figuras corriqueiramente vistas no local.[5][6]. Outros répteis avistados no local foram uma cobra-coral e um tigre d’água.[7] Além de répteis, alguns mamíferos também são vistos no parque, como gambás e grupos de saguis. Em Florianópolis, podem ser encontrados vários membros dessa família, como o sagui-do-tufo-preto, sagui-do-tufo-branco, sagui-da-cara-branca e o sagui-de-wied.[8] Em 2009, Nakamura estudou a relação de convivência entre saguis e humanos no parque do Córrego.[9] Algumas das aves que podem ser vistas são biguás, garças, araquã, papagaios, tucanos e gralhas.

Em 2014, foi inaugurado o primeiro borboletário de Florianópolis, pelo departamento de ecologia e zoologia da UFSC. O espaço recebe o nome de Woody Benson, um ecologista norte-americano que estuda borboletas há mais de 40 anos no Brasil.[6] No insetário são encontrados ainda besouros, louva-a-deus e bichos-pau. Em 2019, foram instaladas 20 câmaras de monitoramento em diversas regiões da Ilha.[10] O projeto é uma parceiria entre a FLORAM e pesquisadores da UFSC e tem o objetivo de realizar um levantamento sobre aves e mamíferos que vivem ou passam por estes locais.

No parque, pode-se encontar exemplares de Laelia purpurata, flôr símbolo de Florianópolis.

Flora[editar | editar código-fonte]

A vegetação do parque foi amplamente modificada ao longo do século XX, de uma pastagem para um reduto de Mata Atlântica. O parque conta com mais de 100 espécies de árvores identificadas. Algumas das espécias encontradas hoje no local são pau-Brasil (árvore nacional do Brasil), garapuvu (árvore símbolo de Florianópolis), embaúba, palmiteiro, araribá-amarelo, paineira, pau-jacaré, capororoca e tanheiro. Além de grandes quantidades de bromélias e orquídeas (entre as quais, destaca-se a Laelia purpurata, flôr símbolo de Florianópolis).

Histórico[editar | editar código-fonte]

Até o início do século XX, o local abrigava uma chácara produtora de leite. A vegetação era pouco mais que capim gordura, pinus e eucalípitos.[6][11] Segundo o Professor Cesar Floriano dos Santos, foi o esforço da comunidade que tornou o parque no que é hoje. Essa unidade era uma antiga reserva florestal do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), posteriormente do IBAMA, tendo sido cedida ao município. O parque foi inaugurado em 5 de agosto de 1994 graças a uma parceirinha entre o IBAMA, a prefeitura de Florianópolis (na época, prefeito Sérgio Grando) e a COMCAP (Companhia de Melhoramentos da Capital). [12] Apenas 51 dias após sua abertura, parque foi fechado ao público em razão de um acidente envolvendo um pai com seu filho que foram atingidos por um eucalipto num dia de fortes ventos (111,2 km/h).[13] Após reformas e recuperação da vegetação nativa, o Parque Ecológico foi reaberto à visitação no dia 3 de dezembro de 2001.

Em 2013, na ocasião da celebração dos 90 anos da fundação do clube catarinense de futebol Avaí, foram plantadas 50 mudas de árvores no parque. Além destas, os integrantes do clube também plantaram mudas no Parque Municipal da Lagoa do Peri e no Parque Natural Municipal do Morro da Cruz num total de 150 mudas de árvores.[14]

Nome[editar | editar código-fonte]

O Professor João Davi Ferreira Lima foi um dos fundadores da Universidade Federal de Santa Catarina em 1960, sendo o seu primeiro reitor.[15][16] Hoje, seu nome é celebrado, além do parque ecológico, também no campus da UFSC e como uma medalha concedida anualmente pela prefeitura florianopolitana.[17]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Atualmente, funciona todos os dias, das 7 às 18 horas, possui estrutura para passeios familiares. Dotado de equipamentos de lazer (lago, pistas de caminhada, bancos rústicos), recebe cerca de 500-800 visitantes diariamente, sendo que este número dobra nos finais de semanas e feriados. O período da tarde é o preferido e o público é composto sobretudo de famílias, com freqüência de visitação de 3 a 4 dias por semana.

O ingresso de animais de estimação no parque é proibido.[6]

Em 2020, ações do ministro do meio ambiente colocaram o parque numa lista para privatização.[18] Sob pressão da comunidade, tanto o ministro (Ricardo Salles) quanto o presidente do IBAMA (Eduardo Bim) indicaram que o parque seria retirado da dita lista.[6][4]

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

A proximidade com a Universidade Federal de Santa Catarina tem favorecido o desenvolvimento de diversas ações, em parte por estudantes e pesquisadores do Centro de Ciências Biológicas e doutros departamentos daquela instituição. Alguns exemplos:

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Prefeitura de Florianópolis». www.pmf.sc.gov.br. Consultado em 5 de setembro de 2020 
  2. «FLORAM - Fundação Municipal do Meio Ambiente». www.pmf.sc.gov.br. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  3. Storch, Adriana Carvalho da Silva; Rossetto, Adriana Marques; Scalco, Veridiana Atanasio (31 de maio de 2016). «Espaços públicos de lazer em Florianópolis/SC: análise de praças e parques da bacia hidrográfica do Itacorubi». Departament d’Urbanisme i Ordenació del Territori. Universitat Politècnica de Catalunya. doi:10.5821/siiu.6261. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  4. a b «MMA renova concessão do Parque Ecológico do Córrego Grande». Agência Brasil. 22 de junho de 2020. Consultado em 5 de setembro de 2020 
  5. «Departamento de Educação Ambiental - DEPEA /FLORAM». floramea.blogspot.com. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  6. a b c d e «Parque Ecológico do Córrego Grande é espaço para o convívio com a natureza». ND. 30 de maio de 2020. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  7. Ambiental/floram, Depea-Departamento De Educação (6 de outubro de 2012). «Departamento de Educação Ambiental - DEPEA /FLORAM: Cobra Coral». Departamento de Educação Ambiental - DEPEA /FLORAM. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  8. Ambiental/floram, Depea-Departamento De Educação (7 de março de 2012). «Departamento de Educação Ambiental - DEPEA /FLORAM: Os saguis do Parque Ecológico Córrego Grande». Departamento de Educação Ambiental - DEPEA /FLORAM. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  9. Nakamura, Elaine Mitie (24 de abril de 2015). «Convívio entre saguis e pessoas: Experiências no parque ecológico do córrego grande e entorno, Florianópolis - SC». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  10. «Projeto Fauna Floripa instala câmeras em áreas naturais de Florianópolis». www.nsctotal.com.br. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  11. a b Góes, Talita Laura (2011). «Transformações da cobertura vegetal do Parque Ecológico Municipal Professor João Davi Ferreira Lima e a sua importância como área verde para Florianópolis-SC». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  12. «Parque Ecológico do Córrego Grande - Corredores Ecológicos». sites.google.com. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  13. «Ibama é condenado a indenizar por queda de árvore que causou mortes». Consultor Jurídico. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  14. «Avaí Futebol Clube » 2ª etapa do Avaí Sustentável na terça». Consultado em 5 de setembro de 2020 
  15. «Joaquim Davi Ferreira Lima / Biografias / Memória Política de Santa Catarina». memoriapolitica.alesc.sc.gov.br. Consultado em 5 de setembro de 2020 
  16. SeTIC-UFSC. «Estrutura UFSC». Consultado em 5 de setembro de 2020 
  17. «MEDALHA PROFESSOR JOÃO DAVI FERREIRA LIMA - Câmara Municipal de Florianópolis». www.cmf.sc.gov.br. Consultado em 5 de setembro de 2020 
  18. «Ibama analisa possibilidade de privatização do Parque do Córrego Grande». Folha da cidade. 26 de maio de 2020. Consultado em 5 de setembro de 2020 
  19. Silva, Renan da (3 de julho de 2019). «Levantamento da fauna de flebotomíneos e de sua infecção natural por Leishmania sp. em Florianópolis, Santa Catarina.». Consultado em 5 de setembro de 2020 
  20. Rocha, Simone (14 de março de 2018). «Do encanto dos insetos às descobertas do lecionar: uma vivência na diversidade do autismo, down e outras condições cognitivas». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  21. Gonçalves, Luisa Ribeiro (27 de novembro de 2018). «Comunidade de abelhas e vespas solitárias no Parque Ecológico do Córrego Grande obtidas através de ninhos-armadilha». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  22. Marcineiro, Frederico Rottgers (30 de junho de 2017). «Formigas de solo no Parque Ecológico Municipal Prof. João David Ferreira Lima, Córrego Grande, Florianópolis: um caso de estudo em uma área verde em ambiente urbano». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  23. Palau, Artur (2016). «Relatório do projeto de extensão: Diversidade de Insetos do Parque Ecológico do Córrego Grande: Educação Ambiental e Conservação» (PDF). Universidade Federal de Santa Catarina. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  24. Costa, Bruno; Freitas, Cíntia; Silva, Kelly (1 de janeiro de 2016). «Atividade física e uso de equipamentos entre usuários de duas Academias ao Ar Livre». Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde (1): 29–38. ISSN 2317-1634. doi:10.12820/rbafs.v.21n1p29-38. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  25. Silva, Luciana Zago da; Miranda, João Marcelo Deliberador; Neto, Cássio Daltrini; Santos, Cristina Valéria; Passos, Fernando Camargo (21 de março de 2013). «Dieta de Callithrix penicillata (E. Geoffroy, 1812) (Primates, Callitrichidae) introduzidos na Ilha de Santa Catarina». Biotemas (2): 227–235. ISSN 2175-7925. doi:10.5007/2175-7925.2013v26n2p227. Consultado em 5 de setembro de 2020 
  26. Vieira, Paulo Barral de Hollanda Gomes (25 de outubro de 2012). «Evolução da urbanização do bairro do Córrego Grande, Florianópolis/SC entre 1938 a 2009». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  27. Fuzinatto, Cristiane Funghetto (2009). «Avaliação da qualidade da água de rios localizados na Ilha de Santa Catarina utilizando parâmetros toxicológicos e o índice de qualidade de água». Consultado em 4 de setembro de 2020 
  28. «Unidades de Conservação de Santa Catarina». documentos.mpsc.mp.br. Consultado em 4 de setembro de 2020