Parque Estadual de Vila Velha
| Parque Estadual de Vila Velha | |
|---|---|
| Categoria II da IUCN (Parque Nacional) | |
A Taça, cartão-postal de Ponta Grossa | |
| Localização | Ponta Grossa, Paraná, |
| País | Brasil |
| Área | 3,803 ha |
| Criação | 24 de setembro de 1990 |
| Gestão | IAP[1] |
| Sítio oficial | http://www.uc.pr.gov.br |
| Coordenadas | 25° 14′ 17″ S, 50° 00′ 39″ O |
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O Parque Estadual de Vila Velha é um sítio geológico situado no município brasileiro de Ponta Grossa, do qual é a principal atração turística. Está localizado a vinte quilômetros ao sudeste do centro da cidade e a cem quilômetros de Curitiba, capital do estado do Paraná.
O conjunto de formações lembra uma cidade medieval com seus castelos e torres em ruínas, daí o seu nome. A altura média das colunas de pedra e muralhas é de vinte metros e pode chegar a trinta metros ou mais em alguns pontos, em função do terreno acidentado.[2]
O Parque
[editar | editar código]Criado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná em 1966, para proteger seus 18 km² de formações rochosas, classificadas como um dos sítios geológicos brasileiros pela SIGEP, devido suas impressionantes esculturas naturais, esculpidas pelas erosões eólica e pluvial nos arenitos do Grupo Itararé.[3][4]
É composto por três sítios vizinhos: os Arenitos; as Furnas e a Lagoa Dourada.
Os arenitos são uma enorme coleção de grandes blocos esculpidos em formas exóticas, enquanto as Furnas são três crateras com paredes verticais, erodidas no solo, a maior delas com cerca de 100 metros de profundidade, metade da qual coberta de água. Todas são ligadas entre si e à Lagoa Dourada, assim chamada pelo efeito criado pela água cristalina e a coloração de suas areias nos poentes.[5]

Formações rochosas
[editar | editar código]Algumas das formações receberam o nome de animais como a "Tartaruga" ou o "Camelo", ou formas como a "Taça", símbolo de Vila Velha; a "Bota"; a "Esfinge"; a "Cabeça de índio"; também há paredes de pedra que lembram muralhas de castelos, torres de diversos formatos e alturas, além de fendas cujo formato interno lembram garrafas e rochas equilibradas entre paredões.
Formação geológica
[editar | editar código]Na região são predominante as rochas sedimentares formadas pelo acúmulo de sedimentos ao longo de eras. Elas ficam na borda leste da Bacia do Paraná, a parte mais antiga do parque, dividida em dois grandes grupos: o Grupo Paraná (com rochas do período Siluro-Devoniano) e o Grupo Itararé (do período Permo-Carbonífero), rochas que testemunharam eras glaciais e desertos antigos. O Arco de Ponta Grossa é uma estrutura geológica que surgiu devido a forças tectônicas elevadas que aconteceram na Era Mesozóica, esses movimentos da crosta terrestre foram o início do chamado Evento Sul-Atlântico, que foi exatamente a época em que a América do Sul e a África começaram a se separar para formar o Oceano Atlântico que conhecemos hoje.[6]
A formação arenítica de Vila Velha remonta ao período Carbonífero (há aproximadamente 340 milhões de anos), quando o mar interior que existia no local começou a ser drenado, expondo o material arenoso que acabou cimentado com óxido de ferro (daí a cor avermelhada).
Nos milênios seguintes o terreno gradativamente se elevou e foi vagarosamente erodido pela ação dos ventos e da chuva que atuaram nas zonas mais frágeis das rochas, desgastando-as de forma diferencial e até mesmo isolando-as em diversos blocos.
A lenda
[editar | editar código]Muito tempo atrás, teria existido um lugar chamado Abaretama, a "Terra dos Homens". Segundo a lenda, era um refúgio sagrado onde os primeiros habitantes escondiam um tesouro muito valioso, o “itainhareru”. Para garantir que o tesouro ficasse bem guardado, era protegido pelos apiabas guerreiros mais fortes da tribo, com a bênção de Tupã. Eles viviam uma vida cheia de privilégios, contanto que deveriam viver, longe do contato com qualquer mulher, pois acreditava-se que elas poderiam, sem querer, revelar a localização do tesouro aos inimigos.[7]
O conflito começa quando Dhui, o chefe dos guerreiros, começa a questionar seu destino solitário. As tribos rivais, percebendo essa fragilidade, enviaram Aracê Poranga para seduzi-lo e conseguir o segredo.[7]
Porém, o plano tomou outro caminho, em vez de apenas uma estratégia de guerra, foi paixão à primeira vista. Em um encontro à sombra de um ipê, enquanto compartilhavam uma taça de “uirucuri”, um licor de butiá, Dhui e Aracê se entregaram ao amor, esquecendo-se de qualquer dever ou perigo.[7]
Tupã, com raiva, não perdoou a quebra do juramento. Lançou um terremoto violento que destruiu Abaretama e transformou tudo em pedra, o ouro do tesouro derreteu-se e deu origem à famosa Lagoa Dourada, e os dois amantes foram eternizados na rocha, unidos para sempre em um abraço petrificado juntos com a taça de licor. Assim, Abaretama se tornou Itacueretaba.[7]
Referências
- ↑ Parque estadual de Vila Velha. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação do Ministério do Meio Ambiente. Página visitada em 30 de janeiro de 2012.
- ↑ Prefeitura de Ponta Grossa
- ↑ Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil 029 – Vila Velha: http://sigep.cprm.gov.br//sitio029/sitio029.pdf
- ↑ Parque Estadual de Vila Velha: http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=14
- ↑ «Gazeta do Povo Ed. 17.08.2009». Consultado em 23 de novembro de 2012. Arquivado do original em 5 de julho de 2012
- ↑ Letenski, Ricardo; Guimarães, Gilson (1 de junho de 2009). «Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: Nas trilha da dissolução». digital commons. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 1 de junho de 2009
- 1 2 3 4 «Parque Estadual de Vila Velha (PEVV)». INSTITUTO ÁGUA E TERRA. 3 de março de 2020. Consultado em 5 de junho de 2026. Cópia arquivada em 3 de março de 2020
