Parque Ibirapuera Conservação

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Parque Ibirapuera Conservação
(PIC)
Lema "Transformando o parque com você"
Fundação 2014 (4 anos)
Tipo Organização da sociedade civil de interesse público
Propósito Conservar o parque e consolidar comunidades dedicadas a cuidar de áreas públicas verdes e abertas para proveito de todos.
Sede Av. República do Líbano, 331 São Paulo, SP
CEO Thobias Furtado
Fundadores Maria Carolina e Thobias Furtado
Organização Otávio Villares de Freitas e Mário Sergio Andrade Silva
Voluntários +1000
Sítio oficial parqueibirapuera.org

Parque Ibirapuera Conservação (PIC) é uma organização privada, sem fins lucrativos, dedicada a proteger as áreas do parque, tornando-as relevantes e acessíveis e tendo como princípio o senso de compromisso na melhoria da qualidade dos espaços públicos e abertos para proveito de todos.[1] O PIC é qualificado como organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) e nasceu do esforço contínuo de um grupo determinado de cidadãos em melhorar o Parque Ibirapuera.

Unindo amigos do parque, o PIC provê expertise na revitalização de espaços construídos e jardins quando planeja, aprova e executa trabalhos de melhorias no parque e em áreas verdes públicas. O PIC faz parte do Conselho Gestor do Parque Ibirapuera desde 2015 encabeçando uma agenda de transparência na gestão e fomento a política de parcerias para o cuidado do parque, e desde 2018 a organização é membro titular no Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Município de São Paulo[2].

Diferentemente de movimentos e grupos de amigos de parques existentes em São Paulo que ocasionalmente colaboram com benfeitorias em parques e áreas verdes, o PIC se profissionalizou e investiu na governança sendo hoje inteiramente mantido por sua comunidade de amigos e vizinhos do parque com apoio de diferentes empresas, institutos e fundações. O PIC também se diferencia pela transparência, sendo a única organização entre outras voltadas ao cuidado de parques urbanos a promover anualmente a auditoria independente[3] em sua contas, como a dedicar parte expressiva de seu trabalho ao fomento da formalização, engajamento e profissionalização de outras associações de amigos de parques.

Entre organizações mundiais voltadas à preservação de parques urbanos, o Parque Ibirapuera Conservação é conhecido pela sua força mobilizadora junto aos frequentadores. A organização tem quase um milhão de seguidores em suas redes sociais e usa todo este poder engajador na promoção de ações de cuidado, limpeza, assistência social e transformações de áreas verdes abertas e públicas.

História[editar | editar código-fonte]

Durante os mais de 60 anos de história, o Parque Ibirapuera passou por mudanças e recorrentes ciclos de dificuldade de investimento na manutenção e restauração de suas áreas verdes. Em 2010, Thobias Furtado, recém eleito representante dos usuários no conselho do parque foi escolhido entre seus colegas como secretário do conselho gestor, encabeçando internamente um movimento que buscava unir conselheiros com outros voluntários interessados no fomento da transparência da gestão e na conscientização da importância do parque em ter uma visão única: um parque mais limpo, seguro e bonito[4]. Em 2013, o movimento já com visibilidade na internet e redes sociais passou a contar com o apoio crescente de frequentadores dedicados e líderes filantropos que apoiaram e co-fundaram PIC no começo de 2014, com o objetivo de profissionalizar a organização e contribuir também para a restauração e conservação de espaços mais complexos do parque, onde é necessária uma série de aprovações e termos junto à prefeitura e órgãos de tombamento.[5]

O Parque Ibirapuera Conservação é inspirado na história e no modelo da organização não governamental Central Park Conservancy de Nova Iorque, organização sem fins lucrativos, fruto de esforço comunitário que, após 30 anos de trabalho com doações de amigos do parque, consegue levantar mais de 75% do orçamento anual necessário para manter o Central Park[6].Devido ao porte do Central Park e sua relevância municipal no coração de Manhattan, seu modelo de governança[7] funcionou como inspiração para o surgimento de inúmeras outras organizações sem fins lucrativos que hoje ajudam a cuidar de mais de 80% dos 1700 parques e praças da cidade de Nova Iorque[8]. No artigo Gestão Privada de Espaços Públicos (inglês: Private Management of Public Spaces: non profit organizations and Urban Parks), o advogado M. Murray, PhD na Harvard Law Review explica em detalhes o surgimento destas organizações sem fins lucrativos no cuidado de áreas verdes, sua vantagens e desafios.

Movimentos comunitários de engajamento social para o cuidado de área verdes e abertas surgiram em inúmeras cidades do mundo, diante da crescente exigência de melhores espaços públicos e de restrições orçamentárias comuns no setor público[8]. Mas, comum a todas elas é a soluções do empoderamento das pessoas através de organizações de interesse público para cuidar do seu entorno tem sido a resposta. A fundação britânica Nesta em seu estudo Repensando Parques: Explorando modelos de negócios para os parques no século 21 (inglês: Rethinking Park: Exploring New Business Models for Parks in the 21st Century) organizou e sistematizou algumas destas inovações em uma serie de estudos de caso em gestão de parques.

Em 2016, a prefeitura de São Paulo, diante do exemplo do PIC e das dificuldades encontradas pela organização e prefeitura em vencerem a desinformação e burocracia pública em lidar inovação de gestão através de organizações das sociedade civis, contratou a agência municipal SP Negócios por 1.5 milhões de reais para auxiliar na estruturação do modelo e viabilizar parcerias com os parques[9]. Mas, foi no final de 2016 com a mudança de gestão da prefeitura que o plano decolou com o anúncio em rede aberta de televisão[10] pelo então prefeito eleito João Doria de que colocaria os parques como prioridade do governo em seu plano de desestatização ao adotar o modelo do Central Park para o Ibirapuera[11]. Porém, no primeiro semestre de governo, o governo municipal acabou por abrir mão de construir sozinho o modelo para parques, ou assinar parcerias com associações como o PIC para colaborar, e lançou[12] o Procedimento de Manifestação de Interesse para que empresas pudessem explorar comercialmente o parque em troca do cuidado das áreas verdes[13].

Atividades[editar | editar código-fonte]

O PIC trabalha em três frentes. Primeiro com reformas e restaurações de espaços construídos e jardins no parque. O PIC faz ações de plantio e investe em sistemas de irrigação para o parque. Entre os trabalhos de restauração, a primeira reforma complexa, a do Bosque da Leitura foi entregue a população em Outubro de 2015[14][15]. A restauração foi inovadora, onde o PIC assinou contrato de parceria[16] ainda em 2014 com a Prefeitura de São Paulo para restaurar e manter a área do bosque, sem qualquer repasse municipal, e até a véspera do anúncio da concessão de todo parque em 2018, o PIC foi co-responsável pela gestão, ampliação do atendimento e manutenção do espaço do bosque. Em 2015, o PIC protocolou proposta para auxiliar na melhoria da qualidade das águas do Ibirapuera e manifestou interesse em revitalizar os banheiros e perímetro do parque. Em 2017, o PIC apresentou á prefeitura proposta para restaurar a fonte, pergolado e espelho d'água do Viveiro Manequinho Lopes[17].

Segundo, o PIC mobiliza e engaja frequentadores em atividades de conservação[18]. O PIC é exemplo entre as organização brasileira em transparência em suas horas voluntárias que são devidamente organizadas e auditadas, provando a dedicação comunitária e anseios dos frequentadores e amigos do parque de cuidar e transformar o parque. Os voluntários do PIC também colaboram no cuidado, plantio e desenvolvimento de projetos para áreas verdes públicas e abertas. Através destas ações de conservação, o PIC tem um programa que trabalha a assistência social em áreas verdes e públicas, engajando pessoas que precisam de uma atenção especial para a inserção na vida comunitária e assim melhoram sua vida social. Para isto, recorre ao apoio de empresas que buscam uma estrutura sólida e transparente para engajar seus funcionários em atividades voluntário[19] e promover a para adesão de outros nesta iniciativa.

Por último, o PIC atua na sensibilização e comunicação com os usuários através da sua ativa participação nas mídias sociais tratando de tópicos de civilidade, cultura e comportamento, como em seu site com o blog/Revista do parque. O PIC também promove atividades monitoradas para conhecer o parque, birdwatching, esculturas e flora/fauna. A revista do PIC até o começo de 2018 já ultrapassava 380 artigos, escritos por voluntários estudiosos, jornalistas e redatores contribuintes. Desde 2010, os artigos voltados ao parque e conservação de parques geram um tráfego de 1 milhão de usuários por ano, segundo Google Analytics, o que posiciona o portal entre os 3000 mil mais acessados do Brasil, segundo relatório públicos do Alexa/Amazon. As caminhadas monitoradas desde 2016 já levaram milhares de pessoas para conhecer melhor o parque, o que o PIC faz e assim se tornarem doadores recorrentes e amigos do parque.

Inovação[editar | editar código-fonte]

Enquanto no Brasil é comum que organizações da sociedade civil trabalhem no cuidado e gestão de áreas culturais como o MAM, Auditório Ibirapuera, Pavilhão Japonês, Bienal de São Paulo, MuseuAfro Brasil, todos dentro do próprio Ibirapuera, o mesmo não acontece com a área verdes e comum nos parques urbanos. O PIC é um exemplo vivo deste movimento conservacionista atual dedicado aos parques. Segundo a procuradora e professora da UFRJ Arícia Correa, PhD, no Seminário Parques do Brasil, este cenário deve mudar com a nova lei 13.019/14[20], que elevará o modelo de OSCIP e OSC a um novo patamar de governança, dando à sociedade civil a possibilitando de se associar mais ao público, especialmente no caso dos parques.

No município de São Paulo a Secretária do Verde e Meio Ambiente é a responsável pelos 105 parques municipais com um orçamento de aproximadamente R$169MM/ano[21]. O cuidado da área verde e segurança privada do Parque Ibirapuera ultrapassa R$20MM/ano e consomem mais de 5 vezes o investimento médio por metro quadrado usado para a manutenção das outras áreas de parques municipais[22]. O sucesso de iniciativas como o Parque Ibirapuera Conservação de aproximar a sociedade civil e levar outras fontes de recursos para o parque, ainda que gradualmente, tem grande potencial de transformação no longo prazo uma vez que o PIC traz em sua maioria CAPEX ao parque, enquanto a prefeitura segue mantendo com OPEX os espaço verdes e públicos do Ibirapuera. Indiretamente, a contribuição do PIC também afeta outros parques na medida em que incentiva a criação de outras organizações da sociedade civil, como o PIC, em parques municipais, visto como reduz, indiretamente, a necessidade de investimento no parque, o que possibilita à prefeitura investir recursos que iriam para Ibirapuera em outros parque mais carentes.

Campanha Ibira Amo e Cuido[editar | editar código-fonte]

Conscientes da ainda modesta cultura da doação no país, se comparada a outros com organizações da sociedade civil também consolidadas, em 2014, o PIC criou a campanha Ibira Amo e Cuido com o apoio do Instituto Azzi para incentivar usuários a se tornarem amigos do parque, ou doadores sementes. A campanha foi fundamental para a consolidação da organização quando buscou incentivar a participação ativa dos usuários do parque no PIC com doações pequenas e periódicas. Hoje, centenas de pessoas já doaram para a organização e vestem a camiseta com o motto da campanha, espalhando o hashtag #IbiraAmoeCuido pela redes sociais. No Instagram o termo se tornou um marco com mais de 7000 fotos marcadas pelo usuários até o final de 2015. O Parque Ibirapuera foi eleito pelo próprio Instagram como o lugar mais fotografado da América Latina.[23]

Plano Municipal de Desestatização[editar | editar código-fonte]

Em 2016, a Prefeitura de São Paulo, através da Secretária do Verde e Meio Ambiente, assinou contrato 028/SVMA/2016 com a SP Negócios, agência municipal da prefeitura de fomento á parcerias, prevendo a criação de modelo de gestão compartilhada que avançasse e superasse a experiência e visão de trabalho conjunto como a do Parque Ibirapuera Conservação. No terceiro trimestre de 2016, a Diretora da agência foi convidada para explicar o projeto em reunião do Conselho Gestor do Parque Ibirapuera e prometeu finalizar o plano diretor antes da concessão. No último trimestre de 2017, o Conselho deliberou que eventual concessão deveria ser feita para uma organização da sociedade civil, dedicada ao parque.

Em janeiro de 2017, a pedido da nova gestão municipal, o PIC apresentou proposta para investimento de 29MM em 30 meses no parque, tal como restauração das quadras, Viveiro Manequeinho Lopes, playgrounds, restaurante e muito mais.[24] Os recursos seriam levantados pelo PIC através de apoio de empresas, fundações, institutos e usuários, com doações diretas e leis de incentivo fiscal, assim como fazem organizações da sociedade civil. A prefeitura rejeitou a proposta pois não coadunava com o Plano da Administração que buscava também a desoneração pública e não somente investimentos novos. Em maio de 2017, a prefeitura abriu ás empresas e interessados em geral o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) na busca de soluções de investimento, mas com desoneração pública.

Até 2017, o PIC segue reunindo vizinhos e amigos do parque[25] para colaborar com uma eventual proposta e parceria para a cogestão do parque junto a prefeitura. Não há só temor, mas certa harmonia nas relações, porém ainda há dúvida entre qual modelo de gestão o município adotara na concessão: privado sem fins lucrativos, modelo adotado em todos os paques icônicos do mundo, ou empresa visando lucro, com o parque até hoje sem plano diretor, modelo normalmente adotado em concessões de estradas no Brasil.

Links Externos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Sobre o Parque Ibirapuera Conservação». Parque Ibirapuera Conservação. Consultado em 24 de fevereiro de 2018. 
  2. «:: imprensa oficial ::» (PDF). www.imprensaoficial.com.br. Consultado em 5 de julho de 2018. 
  3. «Relatórios e Balanços - Parque Ibirapuera Conservação». Parque Ibirapuera Conservação 
  4. Letícia Mori, Menos no Ibirapuera é mais para o parque Augusta, Folha de S.Paulo, 16 de março de 2014
  5. Parque Ibirapuera Conservação, Sobre a Conservação, Parque Ibirapuera Conservação, 19 de março de 2015
  6. Central Park Conservancy, About Us, Central Park Conservancy, 5 de janeiro de 2016
  7. Parque Ibirapuera Conservação, A história da Conservação do Central Park (que nos espelhamos), consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  8. a b Murray, Michael (2010). «PRIVATE MANAGEMENT OF PUBLIC SPACES: NONPROFIT ORGANIZATIONS AND URBAN PARKS» (PDF). Harvard Environmental Law Review. Consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  9. «Contrato 028/SVMA/2016» (PDF). Prefeitura de São Paulo. 13 de Julho de 2016. Consultado em 23 de Fevereiro de 2018. 
  10. «Roda Viva | João Doria | 07/11/2016». tvcultura.com.br. TV Cultura, Programa Roda Vida. Consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  11. Ferraz, Adriana. «Doria estuda importar modelo do Central Park para o Ibirapuera». Estado de São Paulo. Consultado em 24 de Fevereiro de 2018. 
  12. Stochero, Tahiane. «Prefeitura de São Paulo inicia processo de concessão de 14 parques». G1. Consultado em 23 de Fevereiro de 2018. 
  13. «O debate sobre a concessão do Ibirapuera e outros parques em São Paulo». Nexo Jornal 
  14. Editorial, Bosque da Leitura, no Ibirapuera, será reinaugurado neste domingo, Guia da Folha de S.Paulo, 18 de outubro de 2015
  15. Bia Reis, Parque do Ibirapuera reinaugura Bosque da Leitura, Estado de São Paulo, 16 de outubro de 2015
  16. Secretária de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Contrato de Parceria, Diário Oficial, 07 de agosto de 2014
  17. «:: imprensa oficial ::» (PDF). www.imprensaoficial.com.br. Consultado em 29 de abril de 2018. 
  18. Mara Gama, Lixo: Ibira Amo e Cuido faz mutirão de limpeza no Ibirapuera, Folha de S.Paulo, 05 de dezembro de 2014
  19. Parque Ibirapuera Conservação, Empresa amiga do parque, consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  20. Arícia Correa, [Seminário Parque do Brasil], Canal Youtube Veja.com, 18 de novembro de 2014
  21. Câmara Municipal de São Paulo, Orçamento 2016, Câmara Municipal de São Paulo, 16 de janeiro de 2016
  22. Parque Ibirapuera Conservação, Apresentação, PIC, 20 de julho de 2015
  23. Redação G1, Parque Ibirapuera entra para lista de locais mais fotografados no Instagram, G1-Globo, 02 de dezembro de 2015
  24. Racy, Sônia (4 de fevereiro de 2017). «Missão: proteger o Ibirapuera». Direto da Fonte 
  25. Juste Lores, Raul (13 de março de 2017). «Vizinhos temem plano de Doria e propõem assumir parque Ibirapuera». Folha de S.Paulo. Consultado em 8 de janeiro de 2018.