Parque Ibirapuera Conservação

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Parque Ibirapuera Conservação
Fundação 2014
Tipo Associação
Propósito Preservar o Parque Ibirapuera, melhorar a experiência dos visitantes e construir uma comunidade dedicada a conservar o parque para o futuro.
Sede São Paulo, SP
CEO Thobias Furtado
Voluntários +1000
Sítio oficial parqueibirapuera.org

O Parque Ibirapuera Conservação é uma associação privada, sem fins lucrativo, qualificada como organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), que nasceu do esforço contínuo de um grupo determinado de cidadãos em melhorar o Parque Ibirapuera. O PIC foi eleito membro do Conselho Gestor do Parque Ibirapuera em 2015 e trabalha com a revitalização de espaços construídos e jardins ao planejar, aprovar e executar trabalhos de melhorias no parque.

Entre organizações mundiais voltadas à preservação de parques urbanos, o Parque Ibirapuera Conservação é conhecido pela sua força mobilizadora junto aos frequentadores. A organização tem mais de meio milhão de seguidores em suas redes sociais e usa seu poder engajador na promoção de ações de cuidado, limpeza e fomento da cultura de doação.

História[editar | editar código-fonte]

Durante os mais de 60 anos de história, o Parque Ibirapuera passou por mudanças e recorrentes ciclos de dificuldade de investimento na manutenção e restauração de suas áreas verdes. Em 2010, a partir de movimento comunitário encabeçado por Thobias Furtado, então representante dos usuários no conselho do parque[1], o grupo começou a trabalhar no fomento da transparência e na conscientização dos frequentadores para alcançar a visão de um parque mais limpo, seguro e bonito. Em 2013, passou a contar com o apoio crescente de frequentadores dedicados e líderes filantropos que co-fundaram e apoiaram o PIC no começo de 2014, com o objetivo de profissionalizar a organização e contribuir também para a restauração e conservação de espaços mais complexos do parque, onde é necessária uma série de aprovações junto à prefeitura e órgãos de tombamento.[2]

O Parque Ibirapuera Conservação é inspirado na história e no modelo da organização não governamental Central Park Conservancy de Nova Iorque, que, após 30 anos de trabalho com doações de amigos do parque, consegue levantar mais de 75% do orçamento anual necessário para manter o Central Park[3]. Com a crescente participação de vizinhos do Parque Ibirapuera, como também de empresas e instituições, o PIC conseguiu estruturar o caminho transparente e participativo para o cuidado das áreas verdes pela sociedade civil organizada.

Atividades[editar | editar código-fonte]

O PIC trabalha em três frentes. Primeiro com reformas/restaurações de espaços construídos e jardins no parque. Segundo, mobilizando e engajando frequentadores em atividades de conservação e preservação[4]. Por último, na sensibilização dos usuários, com sua ativa participação nas mídias sociais tratando de tópicos de civilidade, cultura e comportamento em seu site com o blog/Revista do PIC. A revista até o começo de 2017 já ultrapassava 350 artigos, escritos por voluntários estudiosos, jornalistas e redatores contribuintes. Desde 2010, os artigos voltados ao parque e conservação de parques geram um tráfego de 1 milhão de usuários por ano, segundo Google Analytics, o que posiciona o portal entre os 3000 mil mais acessados do Brasil, segundo relatório públicos do Alexa/Amazon.

Entre os trabalhos de restauração, a primeira reforma complexa, a do Bosque da Leitura foi entregue a população em Outubro de 2015[5][6]. O Parque Ibirapuera Conservação assinou contrato de parceria[7] em 2014 com a Prefeitura de São Paulo para restaurar e manter a área do bosque, sem qualquer repasse municipal, e é hoje co-responsável pela gestão e planos de ampliação do atendimento do espaço.

Inovação[editar | editar código-fonte]

Enquanto no Brasil é comum que organizações da sociedade civil trabalhem no cuidado e gestão de áreas culturais como o MAM, Auditório Ibirapuera, Pavilhão Japonês, Bienal de São Paulo, MuseuAfro Brasil, todos dentro do próprio Ibirapuera, o mesmo não acontece com os parques urbanos. O PIC é um exemplo vivo deste movimento conservacionista atual dedicado aos parques. Segundo a procuradora e professora da UFRJ Arícia Correa, PhD, no Seminário Parques do Brasil, este cenário pode mudar, quando entrar em vigor a nova lei 13.019/14[8], que elevará o modelo de OSCIP a um novo patamar de governança, dando à sociedade civil a possibilitando de se associar mais ao público, especialmente no caso dos parques.

No município de São Paulo a Secretária do Verde e Meio Ambiente é a responsável pelos 105 parques municipais com um orçamento de aproximadamente R$169MM/ano[9]. O cuidado da área verde e segurança privada do Parque Ibirapuera ultrapassa R$20MM/ano e consomem mais de 5 vezes o investimento médio por metro quadrado usado para a manutenção das áreas de parques municipais[10]. O sucesso de iniciativas como o Parque Ibirapuera Conservação de aproximar a sociedade civil e levar outras fontes de recursos para o parque, ainda que gradualmente, tem grande potencial de transformação no longo prazo uma vez que o PIC traz em sua maioria CAPEX ao parque, enquanto a prefeitura segue mantendo com OPEX os espaço verdes e públicos do Ibirapuera. Indiretamente, a contribuição do PIC também afeta outros parques na medida em que incentiva a criação de outras organizações da sociedade civil, como o PIC, em parques municipais, visto como reduz, indiretamente, a necessidade de investimento no parque, o que possibilita à prefeitura investir recursos que iriam para Ibirapuera em outros parque mais carentes.

Campanha Ibira Amo e Cuido[editar | editar código-fonte]

Conscientes da ainda modesta cultura da doação no país, se comparada a outros com organizações da sociedade civil também consolidadas, a Conservação criou, em 2014, a campanha Ibira Amo e Cuido com o apoio do Instituto Azzi para incentivar usuários a se tornarem amigos do parque, ou doadores sementes. A campanha busca incentivar a participação ativa dos usuários do parque no PIC com doações pequenas e periódicas. Hoje, centenas de pessoas já doaram para a organização e vestem a camiseta com o motto da campanha, espalhando o hashtag #IbiraAmoeCuido pela redes sociais. No Instagram o termo se tornou um marco com mais de 7000 fotos marcadas pelo usuários até o final de 2015. O Parque Ibirapuera foi eleito pelo próprio Instagram como o lugar mais fotografado da América Latina.[11]

Plano Municipal de Desestatização[editar | editar código-fonte]

Em 2016, a Prefeitura de São Paulo, através da Secretária do Verde e Meio Ambiente, assinou contrato 028/SVMA/2016 com a SP Negócios, empresa mista da prefeitura de fomento á parcerias, prevendo a criação de modelo de gestão compartilhada que avançasse e superasse a experiência e visão de trabalho conjunto como a do Parque Ibirapuera Conservação. Em janeiro de 2017, a pedido da nova gestão municipal, o PIC apresentou proposta para investimento de 29MM em 30 meses no parque, tal como restauração das quadras, Viveiro Manequeinho Lopes, playgrounds, restaurante e muito mais.[12] Os recursos seriam levantados pelo PIC através de apoio de empresas, fundações, institutos e usuários, com doações diretas e leis de incentivo fiscal, assim como fazem organizações da sociedade civil. A prefeitura rejeitou a proposta pois não coadunava com o Plano da Administração que buscava também a desoneração pública e não somente investimentos novos. Em maio de 2017, a prefeitura abriu ás empresas e interessados em geral o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) na busca de soluções de investimento, mas com desoneração pública.

Links Externos[editar | editar código-fonte]