Parque Natural da Serra de São Mamede

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Parque Natural da Serra de São Mamede
Categoria V da IUCN (Paisagem/Costa Protegida)
Localização  Portugal
Dados
Área 31750 hectares
Criação 14 de abril de 1989
Gestão Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade

O Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM) é uma área protegida portuguesa, situada na Serra de São Mamede, na região fronteiriça do nordeste Alentejano. Ocupa uma área aproximada de 56000ha, distribuídos por quatro concelhos do distrito de Portalegre:[1]

A zona sul do parque apresenta um relevo suave e ondulado, com uma altitude que varia entre 300 e 400 m. O Patamar de Portalegre, que se situa a uma altitude de 400 a 500 m, forma uma espécie de degrau que sobressai da zona sul do parque. Constitui uma zona de transição entre a paisagem tradicional alentejana e a serra.

A serra propriamente dita, que se situa na sua maioria a norte e centro da área do parque, com altitudes superiores a 800 m, é uma zona marcada paisagisticamente pelo atravessamento de cristas quartzíticas e por relevos proeminentes.

A criação do Parque Natural marca, em consonância com o seu património natural e paisagístico, o início de um processo de restauro dos sistemas agrícolas tradicionais da serra, em degradação desde finais do século XIX pelas campanhas cerealíferas.

A agricultura continua a ser a actividade económica dominante nesta região.

Na zona mais serrana, a norte, predomina a pequena e média propriedade, com uma utilização diversificada que resulta da consequente compartimentação do espaço: carvalhais, soutos e montados de sobro, alternando com olivais, pinhais e eucaliptais, e o sequeiro alternando com pequenos regadios e matos, nos terrenos de maior altitude.

A sul, a pequena e média propriedade é substituída pela grande propriedade, predominando a agricultura extensiva de sequeiro, por vezes em associação com o montado de sobro e azinho e a criação de gado.

Clima[editar | editar código-fonte]

‎As morfológias do PNSSM influenciam o tipo de clima existente na região. Este apresenta um período seco acentuado no Verão e um Inverno frio e chuvoso, situação que ocorre devido à sua elevada altitude, que faz com que a serra sofra uma influência continental ibérica e uma atlântica.

As linhas de maior altitude da serra têm uma orientação NW-SE o que leva a que as encostas viradas a S-SE sejam quentes e secas enquanto as encostas a N-NW sejam frias e húmidas. Os ventos dominantes são os de quadrante norte, noroeste e oeste, que atenuam o calor e secura estivais mantendo as chuvas mais abundantes.

A acção do ar marinho leva a que haja uma menor amplitude térmica e maior precipitação anual em relação à zona envolvente.

A posição geográfica e topográfica da Serra de São Mamede faz dela a mais elevada a sul do Tejo, assim combinando as altitudes com as diferentes exposições, sendo possível encontrar espécies vegetais com características mediterrâneas, atlânticas e centro-europeias.

Além disso a serra constitui o limite sul de Portugal para algumas plantas comuns de carácter atlântico e o limite sudoeste da Europa para a distribuição de algumas espécies.

Flora do parque[editar | editar código-fonte]

Carvalho-negral.

Encontram-se assim áreas edafoclimáticas muito distintas que se associam a unidades de paisagem diferenciadas: - Nas encostas viradas a norte, mais frescas e húmidas, estamos em presença de condições marcadamente atlânticas. Teríamos como vegetação clímax o domínio de:

Todavia, estes foram inicialmente substituídos, por acção antropogénica, por:

Os matos são dominados por

  • Estevas (Cistus hirsutus, Cistus psilosepalus)
  • Tojo (Ulex minor)

Nas encostas viradas a sul, mais quentes, a panorâmica é bem diferente uma vez que o clima é marcadamente mediterrâneo, sendo a espécie dominante:

Os matos dominantes são xarais mediterrâneos dominados por:

  • Esteva (Cistus ladanifer)

Nas zonas limites do Parque encontramos um tipo de vegetação tipicamente mediterrânea com predominância de:

  • Sobro (Quercus suber)
  • Azinho (Quercus rotundifólia)
  • Pastagens

Na área do Parque encontram-se diversas espécies rupícolas e casmófitas, de habitats rochosos ao longo das cristas e dos afloramentos rochosos. Evidencia-se:

  • Armeria (Franesi)
  • Silene acutifolia
  • Linaria sexatilis
  • Umbilicus heilandianus
  • Narcisus
  • Pseudonarcisus
  • Cheilanthus hispanica

Em menor altitude surgem espécies típicas como:

  • Viscum cruciatum
  • Euphorbia welwitschii
  • Euphorbia matritensis
  • Euphorbia micaensis
  • Daucus setifolius
  • Lamium bifidum.

Fauna do parque[editar | editar código-fonte]

Toda a variedade de biótopos que caracteriza o PNSSM associada aos diversos tipos de habitats, proporciona uma grande riqueza faunística.

A área do parque é de grande importância a nível ornitológico, tanto no território nacional como da Península Ibérica, fazendo parte da rota migratória de muitas espécies de aves entre a Europa e a África. Foram inventariadas pelo Atlas das Aves do PNSSM cerca de 150 espécies em que 40 nidificam no Parque, das quais se destacam espécies com estatuto de conservação da natureza, como é o caso de:

Águia-de-bonelli.

Quanto à mamofauna temos a presença de espécies como:

Quanto aos mamíferos mais comuns temos:

Na antiga mina de chumbo da Cova da Moura, bem como em grutas calcárias, encontram-se importantes colónias de:

sendo aquela considerada uma das mais importantes da Europa.

Existe ainda nesta área a presença de numerosos anfíbios e répteis de entre os quais se destacam:

Referências

  1. «Decreto-Lei nº 121/89» (PDF). Diário da República. Consultado em 18 de Novembro de 2013. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]