Partido Democrata (Estados Unidos)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Partido Democrático.
Partido Democrata
Democratic Party
US Democratic Party Logo.svg
Presidente Thomas Perez[1]
Fundação 1828
Sede 430 South Capital Street
Washington, D.C.,  Estados Unidos
Ideologia Liberalismo social
Liberalismo americano
Progressismo
Populismo de esquerda
Terceira via
Social-democracia
Espectro político Centro a Centro-esquerda
Ala jovem Young Democrats of America
Membros  (2012) 43.100.000
Afiliação internacional Aliança Progressista
Senado
46 / 100
Câmara dos Representantes
193 / 435
Governadores estaduais
15 / 50
Cores      Azul
Página oficial
www.democrats.org
Política dos Estados Unidos

Partidos políticos

Eleições

O Partido Democrata (em inglês: Democratic Party) é um dos dois partidos majoritários do atual sistema bipartidário dos Estados Unidos, ao lado do Partido Republicano. Com origens que remotam ao Partido Democrata-Republicano (fundado em 1791 por Thomas Jefferson), o atual Partido Democrata foi fundado por volta de 1828, fazendo dele uma das mais antigas agremiações políticas ainda em atividade do mundo. Quinze dos 43 presidentes dos EUA foram democratas.

Desde a década de 1930, o partido adota uma linha política de centro-esquerda, com um plataforma voltada para o liberalismo social,[2] defendendo politicas de economia mista e justiça social.[3] O partido adota uma visão moderna do liberalismo americano que defende igualdade social e econômica, junto com o chamado Estado de bem-estar social.[4] O Partido Democrata também advoga mais participação do governo em questões econômicas na forma de melhores regulamentações do mercado.[5] Estas visões, junto com a defesa do sistema universal de saúde, apoio a sindicatos, programas de assistência social, oportunidades iguais, proteção do consumidor e preservação ambiental, formam a plataforma ideológica do partido.[6] Atualmente, a base eleitoral e política do Partido Democrata é composta basicamente por progressistas e centristas,[7] com uma pequena parcela de democratas conservadores.

Nas eleições para a Câmara dos Representantes e para o Senado, em 2010, os Democratas tiveram perdas significativas na Câmara, perdendo a maioria das cadeiras para o Partido Republicano. Nas eleições de 2014 também perderam o controle do Senado. As eleições para governador também não foram boas, perdendo governadores para estados do interior, onde a força política do Partido Republicano é maior. Apesar dos números insatisfatórios, os Democratas governam os estados que concentram grande parte da população e da produção industrial do país como a Califórnia e Nova Iorque, além das maiores cidades do país como Denver, Chicago, Detroit, entre outras.

História

O Partido Democrata tem suas origens no Partido Democrata-Republicano, que foi fundado em 1792 por Thomas Jefferson, James Madison e outros opositores ao Partido Federalista. O Partido Democrata atual só surgiu na década de 1830, com a eleição de Andrew Jackson. Desde a nomeação de William Jennings Bryan em 1896, o partido tem se posicionado à esquerda do Partido Republicano em questões econômicas. Desde 1948, o partido tem sido mais liberal (de esquerda) em matéria de direitos civis. Quanto à política externa, ambos os partidos mudaram de posição por várias vezes.[8]

1828–1860

O Partido Democrata surgiu a partir do Partido Democrata-Republicano, também chamado de Partido Republicano Jeffersoniano, que foi criado por Thomas Jefferson e James Madison em oposição ao Partido Federalista de Alexander Hamilton e John Adams. O Partido Democrata-Republicano defendia o republicanismo, um governo federal fraco, mais poder para os estados, interesses agrários (especialmente os agricultores do sul do país) e estrita obediência à constituição; e era contra a criação de um banco central, laços estreitos com a Grã-Bretanha e os interesses bancários e de negócios. Este partido chegou ao poder na eleição presidencial nos Estados Unidos em 1800.

Após a Guerra anglo-americana de 1812, o Partido Federalista virtualmente desapareceu e o único partido político do país passou a ser o Partido Democrata-Republicano. O período de unipartidarismo no país, conhecido como "Era dos bons sentimentos", durou de 1816 até o começo da década de 1830, com o surgimento de um partido rival, o Partido Whig. O Partido Democrata-Republicano, no entanto, também tinha divisões internas. Elas se tornaram evidentes na escolha do sucessor do presidente James Monroe. A facção que apoiava a maior parte dos antigos princípios jeffersonianos, liderada por Andrew Jackson e Martin Van Buren, se tornou o atual Partido Democrata. Como explica Norton:

Os jacksonianos acreditavam que a vontade popular havia finalmente prevalecido. Através de uma financeiramente pródiga coalizão de partidos estaduais, líderes políticos e editores de jornais, um movimento popular tinha eleito um presidente. Os democratas se tornaram o primeiro partido político bem-organizado do país... e disciplinada organização partidária se tornou a marca da política estadunidense no século XIX.[9]

Facções opositoras lideradas por Henry Clay ajudaram a formar o Partido Whig. O Partido Democrata teve uma pequena porém decisiva vantagem sobre o Partido Whig até a década de 1850, quando o Partido Whig se esfacelou diante da questão da escravidão. Em 1854, revoltados diante do Ato de Kansas-Nebraska, que deixava a decisão sobre a escravidão nos novos territórios do oeste a cargo dos colonos, democratas antiescravistas deixaram o partido e se uniram aos whigs do norte para formar o Partido Republicano.[10][11]

Com base nas plataformas defendidas pelo partido a nível local e a nível nacional, pode ser traçado um perfil do partido Democrata:

Os democratas representavam uma grande gama de visões, mas se uniam no conceito jeffersoniano de uma sociedade agrária. Eles viam o governo central como um inimigo da liberdade individual. A "barganha corrupta" de 1824 aumentou suas suspeitas em relação à política de Washington. ...Os jacksonianos temiam a concentração de poder político e econômico. Eles acreditavam que a intervenção governamental na economia beneficiava grupos determinados e criava monopólios corporativos que favoreciam os ricos. Eles procuravam restaurar a independência do indivíduo - o artesão e o agricultor comum - através do fim do apoio federal a bancos e corporações e restringindo o uso de papel-moeda, no qual eles não confiavam. A sua definição do papel apropriado do governo tendia a ser negativa, e o poder político de Jackson se expressava largamente em atos negativos. Ele exercitou o poder de veto mais do que todos os presidentes anteriores juntos. Jackson e seus apoiadores também se opunham ao movimento reformista. Os reformistas cobravam uma maior ação governamental. Os democratas tendiam a se opor a programas como a reforma educacional com instauração de um sistema público de ensino. Eles acreditavam que a escola pública restringia a liberdade do indivíduo na medida em que interferia na responsabilidade dos pais e enfraquecia a liberdade religiosa ao substituir as escolas das igrejas. Jackson também não compartilhava das ideias humanitárias dos reformistas. Ele não tinha simpatia pelos povos nativos dos Estados Unidos, e iniciou a remoção dos cheroquis ao longo da Trilha das Lágrimas.[12]

1860–1900

Os democratas se dividiram na escolha do sucessor do presidente James Buchanan entre norte e sul: o partido apresentou duas candidaturas à eleição presidencial nos Estados Unidos em 1860, na qual o Partido Republicano ganhou importância. Os radicais escravistas "comedores de fogo" lideraram greves tanto na convenção democrata de abril no Institute Hall de Charleston (Carolina do Sul) quanto na convenção de junho em Baltimore quando o partido não adotou uma resolução apoiando a extensão da escravidão aos novos territórios mesmo se os eleitores desses territórios não o quisessem. Estes "democratas do sul" apresentaram a candidatura de John C. Breckinridge para presidente e Joseph Lane para vice-presidente. Os "democratas do norte" apresentaram a candidatura de Stephen A. Douglas para presidente e Herschel Vespasian Johnson para vice-presidente. Alguns democratas do sul apoiaram a candidatura do Partido da União Constitucional, com John Bell para presidente e Edward Everett para vice-presidente. A divisão dos democratas levou a uma vitória dos republicanos, e Abraham Lincoln foi eleito o 16º presidente dos Estados Unidos.

Com a eclosão da Guerra de Secessão, os democratas do norte se dividiram em democratas de guerra e democratas de paz. Os Estados Confederados da América, cientes da confusão reinante na política do país no período pré-guerra e com uma premente necessidade de união, viam francamente os partidos políticos como inimigos da boa governança. Consequentemente, os Estados Confederados não tinham nenhum partido político, ou pelo menos nenhum com tanta organização quanto os partidos políticos do norte. A maior parte dos democratas de guerra se uniu ao presidente Abraham Lincoln e ao Partido União Nacional na eleição presidencial nos Estados Unidos em 1864. O Partido da União Nacional apresentou a candidatura de Andrew Johnson, que veio a suceder Abraham Lincoln na presidência em 1865. Os democratas se beneficiaram do ressentimento dos brancos do sul com a Reconstrução dos Estados Unidos e consequente hostilidade para com os republicanos. Depois que os "redentores" (coalizão conservadora do sul) encerraram a reconstrução na década de 1870, e em seguida ao violento processo de "desemancipação dos afro-americanos" liderada por políticos democratas adeptos da supremacia branca como Benjamin Tillman nas décadas de 1880 e 1890, o sul passou a votar predominantemente nos democratas, e passou a ser conhecido como "Sul Sólido". Embora os republicanos só não tivessem ganho duas eleições, os democratas continuavam competitivos. O partido era dominado pelos pró-negócios (e conservadores) "democratas bourbons" liderados por Samuel J. Tilden e Grover Cleveland, que: representavam interesses mercantis, bancários e de ferrovias; se opunham ao imperialismo e à expansão além-mar; lutavam pelo padrão-ouro; e combatiam o bimetalismo, a corrupção, os altos impostos e as taxas alfandegárias. Grover Cleveland foi eleito para mandatos presidenciais não consecutivos em 1884 e 1892.[13]

1900–1930

Os democratas agrários que defendiam a "prata livre" (política monetária expansionista, com cunhagem ilimitada de moedas de prata de acordo com a demanda, em oposição ao mais contido padrão-ouro) sobrepujaram os democratas bourbons em 1896 e nomearam William Jennings Bryan como candidato à presidência (nomeação esta que viria a ser repetida em 1900 e 1908). Bryan lançou uma vigorosa campanha contra os interesses monetários do leste, mas perdeu a eleição para o republicano William McKinley. Os democratas adquiriram o controle da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em 1910 e elegeram Woodrow Wilson como presidente em 1912 e 1916. Wilson levou o Congresso dos Estados Unidos a sepultar as questões de taxas alfandegárias, dinheiro e leis antitrustes que haviam dominado a política do país por quarenta anos, e promulgou leis progressistas.

1930–1960

A Grande Depressão em 1929, que ocorreu sob a presidência do republicano Herbert Hoover, e o Congresso com maioria republicana prepararam o terreno para um governo mais liberal; os democratas controlaram a Câmara dos Representantes quase ininterruptamente de 1930 a 1994 e ganharam a maioria das eleições presidenciais até 1968. Franklin D. Roosevelt, eleito presidente em 1932, lançou o programa de governo conhecido como New Deal. O liberalismo do "Novo Acordo" se baseava na regulação dos negócios (especialmente o setor bancário e de finanças) e na promoção dos sindicatos, assim como em gasto federal na ajuda aos desempregados e aos agricultores desesperados e na realização de grandes obras públicas. O programa marcou o início do estado de bem-estar social estadunidense.[14] Seus opositores, que se opunham especialmente aos sindicatos e apoiavam os negócios e os tributos reduzidos, começaram a se chamar "conservadores".[15]

Até a década de 1980, o Partido Democrata foi uma coalizão de dois partidos divididos pela linha de Mason-Dixon: os democratas liberais do norte de um lado, e os eleitores culturalmente conservadores do sul (que, embora se beneficiassem das grandes obras públicas do New Deal, se opunham às iniciativas relacionadas aos direitos políticos levadas a cabo pelos liberais do nordeste). A polarização entre esses dois grupos se acentuou após a morte de Roosevelt. Os democratas do sul desempenharam um papel chave na coalizão conservadora com os republicanos do meio-oeste. A filosofia economicamente ativista de Roosevelt, que influenciou poderosamente o liberalismo nos Estados Unidos, modelou muito da agenda econômica do partido após 1932. Da década de 1930 até meados da década de 1960, a coalizão do New Deal geralmente controlou a presidência, enquanto a coalizão conservadora geralmente controlou o congresso.[16]

Questões que desafiaram o partido e o país após a Segunda Guerra Mundial incluíram a Guerra Fria e o Movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Os republicanos atraíram os conservadores e os sulistas brancos da coalizão democrata com sua "estratégia sulista" (apelar para o racismo contra os afro-americanos como forma de ganhar votos) e sua resistência ao New Deal e ao liberalismo da Grande Sociedade. Os afro-americanos haviam tradicionalmente apoiado o Partido Republicano por causa das políticas antiescravistas de Abraham Lincoln e as políticas de direitos civis de seus sucessores, como Ulysses S. Grant. Mas eles começaram a apoiar os democratas a partir da administração de Roosevelt, do New Deal, da integração nas Forças Armadas dos Estados Unidos, da defesa da legislação de direitos civis pelo presidente Harry Truman em 1947-48 e do movimento dos direitos civis no pós-guerra. A principal base de apoio dos democratas passou a ser, então, a Região Nordeste dos Estados Unidos, numa virada radical na sua história.

1960–1980

A eleição do presidente John F. Kennedy, de Massachusetts, em 1960, foi parcialmente um reflexo dessa mudança na base de apoio dos democratas. Na sua campanha, Kennedy atraiu uma nova geração de jovens eleitores. Na sua agenda, chamada de "Nova Fronteira", Kennedy prometeu programas sociais e grandes obras públicas, além de um maior apoio à NASA, propondo uma viagem tripulada à Lua no final da década. Ele apoiou iniciativas de direitos civis e propôs a Lei dos Direitos Civis de 1964, mas seu assassinato em novembro de 1963 impediu-o de ver a aprovação da lei.

O sucessor de Kennedy, Lyndon B. Johnson, foi capaz de persuadir o congresso majoritariamente conservador a aprovar a Lei dos Direitos Civis de 1964 e, com um congresso mais progressista em 1965, conseguiu aprovar muito da Grande Sociedade, que consistia num conjunto de programas sociais destinados a ajudar os mais pobres. A defesa de Kennedy e Johnson dos direitos civis solidificou o apoio dos afro-americanos aos democratas, mas, em compensação, afastou os brancos sulistas, que acabaram migrando para o Partido Republicano, particularmente após a eleição de Ronald Reagan em 1980. O envolvimento do país na Guerra do Vietnã na década de 1960 foi outro assunto polêmico que ajudou a dividir ainda mais a coalizão democrata. Após a Resolução do Golfo de Tonkin em 1964, o presidente Johnson enviou maior número de tropas para o Vietnã, mas isso não foi capaz de afastar a Frente Nacional para a Libertação do Vietname do Vietname do Sul, resultando num crescente atoleiro que, em 1968, gerou uma grande campanha popular contra a guerra no país e mesmo no resto do mundo. Com crescentes perdas humanas e noticiários noturnos veiculando imagens perturbadoras do Vietnã, o custoso engajamento militar no Vietnã tornou-se crescentemente impopular, afastando, do partido, muitos dos jovens eleitores que os democratas haviam atraído no começo da década. Os protestos nesse ano, junto com os assassinatos de Martin Luther King Jr. e do candidato democrata à presidência Robert F. Kennedy (irmão mais novo de John F. Kennedy), chegaram a seu clímax na controversa Convenção Nacional Democrata no verão em Chicago, a qual, em meio ao tumulto dentro e fora do salão de convenções, escolheu o vice-presidente Hubert Humphrey como candidato democrata à presidência, numa série de eventos que marcou o declínio da ampla coalizão do partido.

O candidato republicano à presidência, Richard Nixon, se aproveitou da confusão democrata e se elegeu presidente nesse ano. Em 1972, ele ganhou novamente a eleição, desta vez contra o democrata George McGovern, o qual, como Robert Kennedy, conseguira atrair os jovens contrários à guerra e os partidários da contracultura, mas ao contrário deste, não fora capaz de atrair os trabalhadores brancos, tradicionais eleitores dos democratas. O segundo mandato de Nixon foi abalado pelo caso Watergate, que o forçou a renunciar em 1974. Ele foi sucedido pelo vice-presidente Gerald Ford. O caso Watergate deu, aos democratas, uma oportunidade de se recuperar, e seu candidato Jimmy Carter ganhou a eleição em 1976. Com o apoio inicial dos eleitores evangélicos do sul, Carter pôde, momentaneamente, reunir as diferentes facções do partido, mas a inflação e a Crise dos reféns americanos no Irã em 1979-1980 contribuíram para a esmagadora vitória do republicano Ronald Reagan em 1980, que prenunciou o predomínio republicano nos anos seguintes.

1980–presente

Com o predomínio dos republicanos a partir do governo de Ronald Reagan, os democratas procuraram reagir, mas Walter Mondale perdeu a eleição de 1984. Em consequência, os democratas começaram a procurar uma nova geração de líderes inspirados pelo idealismo pragmático de John F. Kennedy. Os democratas encontraram esse perfil no governador do Arkansas, Bill Clinton, que se elegeu presidente em 1992. Bill Clinton fazia parte dos Novos Democratas, uma facção centrista do partido. Seu governo adotou uma política econômica centrista, mas uma agenda social progressista. Num esforço para atrair tanto liberais quanto conservadores do ponto de vista fiscal, os democratas passaram a defender um orçamento equilibrado e economia de mercado temperada com intervencionismo econômico (economia mista), mantendo a ênfase na justiça social e ações afirmativas. A política econômica adotada pelos democratas, incluindo o governo Clinton, tem sido descrita como Terceira Via.

Os democratas perderam o controle do congresso nas eleições de 1994 para o Partido Republicano. Reeleito em 1996, Clinton foi o primeiro presidente democrata desde Franklin Roosevelt a ser eleito para dois mandatos. Após doze anos de predomínio republicano, os democratas reconquistaram a maioria tanto na Câmara de Representantes quanto no Senado na eleição de 2006.

Na sequência dos Ataques de 11 de setembro de 2001 e com o aumento da preocupação com o aquecimento global, alguns dos principais tópicos abordados pelo partido no início do século XXI foram métodos de combate ao terrorismo, segurança nacional, ampliação do acesso a assistência médica, direitos trabalhistas, ambientalismo e manutenção do programa de governo liberal de esquerda.[17] Barack Obama foi eleito o primeiro presidente afro-americano do país em 2008. Na sequência da recessão de 2007, o partido ganhou o controle de ambas as casas do congresso. O governo Obama fez avançar reformas como o Ato de Recuperação e Reinvestimento Estadunidense de 2009, o Ato Dodd-Frank de Proteção do Consumidor e Reforma de Wall Street e o Ato de Proteção ao Paciente e Assistência Acessível. Nas eleições nos Estados Unidos em 2010, o partido perdeu o controle da Câmara dos Representantes, bem como a maioria nos legislativos e governos estaduais. Na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2012, Obama foi reeleito mas o partido continuou a ser minoria na câmara. Em 2014, o partido perdeu o controle do senado pela primeira vez desde 2006. Após a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016, com a vitória de Donald Trump, o partido passou para a oposição, não possuindo nem a presidência nem a maioria no senado ou na câmara.

De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, o partido se tornou mais socialmente liberal e secular em comparação ao que era em 1987.[18] Uma pesquisa de agosto de 2017 da Gallup descobriu que 28% dos estadunidenses se considerava democrata, 28% republicano e 41% independente.[19]

Características

"Um burro vivo chutando um leão morto": caricatura de Thomas Nast publicada em 19 de janeiro de 1870 na revista Harper's Weekly. No burro, está escrito "jornais dos cabeças de cobre" (os "cabeças de cobre" eram uma facção dos democratas que se opunha à Guerra Civil dos Estados Unidos). No leão, está escrito o nome de Edwin M. Stanton, secretário de guerra do governo estadunidense durante a maior parte da guerra.

O seu símbolo é um burro, geralmente representado em cores vermelha e azul. Essa última é considerada a cor oficial do Partido Democrata.

Localmente, o Partido Democrata tem vindo a aproximar-se do conservadorismo do seu adversário, o Partido Republicano, em especial na região oeste, no centro e no sul do país. O Partido Democrata costuma ser tradicionalmente apoiado pelos trabalhadores, sindicatos, assalariados, pela maioria das profissões intelectuais (professores, jornalistas, artistas) e por algumas minorias étnicas (afro-americanos, hispânicos) e religiosas (católicos, judeus), enquanto o Partido Republicano costuma ser associado à população dita WASP ("White Anglo-Saxon Protestant"; Branca, Anglo-Saxã, Protestante), mais próxima dos meios financeiros e de negócios, profissionais liberais, empreendedores e também das correntes religiosas protestantes maioritárias no país.

Entretanto, vale lembrar que foi Abraham Lincoln, presidente republicano, que garantiu a abolição da escravatura, liderando a União (norte) contra os confederados (sul). Além disso, o Partido Democrata abrigou todos os governadores pró-segregacionismo do sul dos Estados Unidos, como Bob Kennon, George Wallace, Lester Maddox entre outros.

Resultados eleitorais

Eleições presidenciais

Data Candidato CI. Votos % +/- Colégio Eleitoral +/- Status
1828 Andrew Jackson 1.º 642 553
56,0 / 100,0
178 / 261
Eleito
1832 Andrew Jackson 1.º 701 780
54,2 / 100,0
Baixa1,8
219 / 286
Aumento41 Eleito
1836 Martin van Buren 1.º 764 176
50,8 / 100,0
Baixa3,4
170 / 294
Baixa49 Eleito
1840 Martin van Buren 2.º 1 128 854
46,8 / 100,0
Baixa4,0
60 / 294
Baixa110 Não Eleito
1844 James K. Polk 1.º 1 339 494
49,5 / 100,0
Aumento2,7
170 / 275
Aumento110 Eleito
1848 Lewis Cass 2.º 1 223 460
42,5 / 100,0
Baixa7,0
127 / 290
Baixa43 Não Eleito
1852 Franklin Pierce 1.º 1 607 510
50,8 / 100,0
Aumento8,3
254 / 296
Aumento127 Eleito
1856 James Buchanan 1.º 1 836 072
45,3 / 100,0
Baixa5,5
174 / 296
Baixa80 Eleito
1860 Stephen A. Douglas 2.º 1 380 202
29,5 / 100,0
Baixa15,8
12 / 303
Baixa162 Não Eleito
1864 George B. McClellan 2.º 1 812 807
45,0 / 100,0
Aumento15,5
21 / 233
Aumento9 Não Eleito
1868 Horatio Seymour 2.º 2 708 744
47,3 / 100,0
Aumento2,3
80 / 294
Aumento59 Não Eleito
1872 Horace Greeley 2.º 2 834 761
43,8 / 100,0
Baixa3,5
3 / 352
Baixa77 Não Eleito
1876 Samuel J. Tilden 1.º 4 286 808
50,9 / 100,0
Aumento7,1
184 / 369
Aumento181 Não Eleito
1880 Winfield Hancock 2.º 4 444 260
48,3 / 100,0
Baixa2,6
155 / 369
Baixa29 Não Eleito
1884 Grover Cleveland 1.º 4 914 482
48,9 / 100,0
Aumento0,6
219 / 401
Aumento64 Eleito
1888 Grover Cleveland 1.º 5 534 488
48,6 / 100,0
Baixa0,3
168 / 401
Baixa51 Não Eleito
1892 Grover Cleveland 1.º 5 553 898
46,0 / 100,0
Baixa2,6
277 / 444
Aumento109 Eleito
1896 William Jennings Bryan 2.º 6 509 052
46,7 / 100,0
Aumento0,7
176 / 447
Baixa101 Não Eleito
1900 William Jennings Bryan 2.º 6 370 932
45,5 / 100,0
Baixa1,2
155 / 447
Baixa21 Não Eleito
1904 Alton B. Parker 2.º 5 083 880
37,6 / 100,0
Baixa7,9
140 / 476
Baixa15 Não Eleito
1908 William Jennings Bryan 2.º 6 408 979
43,0 / 100,0
Aumento5,4
162 / 483
Aumento22 Não Eleito
1912 Woodrow Wilson 1.º 6 296 284
41,8 / 100,0
Baixa1,2
435 / 531
Aumento273 Eleito
1916 Woodrow Wilson 1.º 9 126 868
49,2 / 100,0
Aumento7,4
277 / 531
Baixa158 Eleito
1920 James M. Cox 1.º 9 139 661
34,2 / 100,0
Baixa15,0
127 / 531
Baixa150 Não Eleito
1924 John Davis 2.º 8 386 242
28,8 / 100,0
Baixa5,4
136 / 531
Aumento9 Não Eleito
1928 Al Smith 2.º 15 015 464
40,8 / 100,0
Aumento12,0
87 / 531
Baixa49 Não Eleito
1932 Franklin Roosevelt 1.º 22 821 277
57,4 / 100,0
Aumento16,6
472 / 531
Aumento385 Eleito
1936 Franklin Roosevelt 1.º 27 752 648
60,8 / 100,0
Aumento3,4
523 / 531
Aumento51 Eleito
1940 Franklin Roosevelt 1.º 27 313 945
54,7 / 100,0
Baixa6,1
449 / 531
Baixa74 Eleito
1944 Franklin Roosevelt 1.º 25 612 916
53,4 / 100,0
Baixa1,3
432 / 531
Baixa17 Eleito
1948 Harry S. Truman 1.º 24 179 347
49,6 / 100,0
Baixa3,8
303 / 531
Baixa129 Eleito
1952 Adlai Stevenson II 2.º 27 375 090
44,3 / 100,0
Baixa5,3
89 / 531
Baixa214 Não Eleito
1956 Adlai Stevenson II 2.º 26 028 028
42,0 / 100,0
Baixa2,3
73 / 531
Baixa16 Não Eleito
1960 John F. Kennedy 1.º 34 220 984
49,7 / 100,0
Aumento7,7
303 / 537
Aumento230 Eleito
1964 Lyndon B. Johnson 1.º 43 127 041
61,1 / 100,0
Aumento11,4
486 / 538
Aumento183 Eleito
1968 Hubert Humphrey 2.º 31 271 839
42,7 / 100,0
Baixa18,4
191 / 538
Baixa295 Não Eleito
1972 George McGovern 2.º 29 173 222
37,5 / 100,0
Baixa5,2
17 / 538
Baixa174 Não Eleito
1976 Jimmy Carter 1.º 40 831 881
50,1 / 100,0
Aumento12,6
297 / 538
Aumento280 Eleito
1980 Jimmy Carter 2.º 35 480 115
41,0 / 100,0
Baixa9,1
49 / 538
Baixa248 Não Eleito
1984 Walter Mondale 2.º 37 577 352
40,6 / 100,0
Baixa0,5
13 / 538
Baixa36 Não Eleito
1988 Michael Dukakis 2.º 41 809 476
45,7 / 100,0
Aumento5,1
111 / 538
Aumento98 Não Eleito
1992 Bill Clinton 1.º 44 909 806
43,0 / 100,0
Baixa2,7
370 / 538
Aumento259 Eleito
1996 Bill Clinton 1.º 47 401 185
49,2 / 100,0
Aumento6,2
379 / 538
Aumento9 Eleito
2000 Al Gore 1.º 50 999 897
48,4 / 100,0
Baixa0,8
266 / 538
Baixa113 Não Eleito
2004 John Kerry 2.º 59 028 444
48,3 / 100,0
Baixa0,1
251 / 538
Baixa15 Não Eleito
2008 Barack Obama 1.º 69 498 516
52,9 / 100,0
Aumento4,6
365 / 538
Aumento114 Eleito
2012 Barack Obama 1.º 65 915 795
51,1 / 100,0
Baixa1,8
332 / 538
Baixa33 Eleito
2016 Hillary Clinton 1.º 65 844 954
48,2 / 100,0
Baixa2,9
227 / 538
Baixa105 Não Eleito

Presidentes democratas

Animação com os resultados das eleições presidenciais nos EUA desde 1856
Política dos Estados Unidos
Great Seal of the United States (obverse).svg
Nome Retrato Estado de origem Período dos mandatos
Andrew Jackson Andrew Jackson.jpg Tennessee 4 de março de 1829 – 4 de março de 1837
Martin Van Buren Martin Van Buren by Mathew Brady c1855-58.jpg Nova Iorque 4 de março de 1837 – 4 de março de 1841
James K. Polk James Polk restored.jpg Tennessee 4 de março de 1845 – 4 de março de 1849
Franklin Pierce Mathew Brady - Franklin Pierce - alternate crop.jpg Nova Hampshire 4 de março de 1853 – 4 de março de 1857
James Buchanan James Buchanan.jpg Pensilvânia 4 de março de 1857 – 4 de março de 1861
Andrew Johnson President Andrew Johnson.jpg Tennessee 15 de abril de 1865 – 4 de março de 1869
Grover Cleveland StephenGroverCleveland.png Nova Iorque 4 de março de 1885 – 4 de março de 1889
4 de março de 1893 – 4 de março de 1897
Woodrow Wilson President Woodrow Wilson portrait December 2 1912.jpg New Jersey 4 de março de 1913 – 4 de março de 1921
Franklin D. Roosevelt FDR in 1933.jpg Nova Iorque 4 de março de 1933 – 12 de abril de 1945
Harry S. Truman Harry S. Truman.jpg Missouri 12 de abril de 1945 – 20 de janeiro de 1953
John F. Kennedy John F. Kennedy, White House color photo portrait.jpg Massachusetts 20 de janeiro de 1961 – 22 de novembro de 1963
Lyndon B. Johnson 37 Lyndon Johnson 3x4.jpg Texas 22 de novembro de 1963 – 20 de janeiro de 1969
Jimmy Carter JimmyCarterPortrait2.jpg Geórgia 20 de janeiro de 1977 – 20 de janeiro de 1981
Bill Clinton 44 Bill Clinton 3x4.jpg Arkansas 20 de janeiro de 1993 – 20 de janeiro de 2001
Barack Obama President Barack Obama, 2012 portrait crop.jpg Illinois 20 de janeiro de 2009 – 20 de janeiro de 2017

Referências

  1. «Democratas elegem Tom Perez como seu novo líder». G1. Consultado em 25 de fevereiro de 2017 
  2. Arnold, N. Scott (2009). Imposing values: an essay on liberalism and regulation. Florence: Oxford University Press. p. 3. ISBN 0-495-50112-3 
  3. Grigsby, Ellen (2008). Analyzing Politics: An Introduction to Political Science. Florence: Cengage Learning. pp. 106–107. ISBN 0-495-50112-3 
  4. Larry E. Sullivan. The SAGE glossary of the social and behavioral sciences (2009) p 291
  5. Levy, Jonah (2006). The state after statism: new state activities in the age of liberalization. Florence: Harvard University Press. p. 198. ISBN 0-495-50112-3 
  6. "A Mixed Economy" retrieved: December. Acessado em dezembro de 2014
  7. Hale, John (1995). The Making of the New Democrats. New York City: Political Science Quarterly. p. 229 
  8. PAULSON, A. Realignment and Party Revival: Understanding American Electoral Politics at the Turn of the Twenty-First Century. 2000. pp. 46-72.
  9. Mary Beth Norton et al., A People and a Nation, Volume I: to 1877 (Houghton Mifflin, 2007) p. 287
  10. GALBRAITH, S. Of the People: The 200 Year History of the Democratic Party. 1992. capítulos 1–3.
  11. RUTLAND, R. A. The Democrats: From Jefferson to Clinton. University of Missouri Press. 1995. Capítulos 1–4.
  12. Mary Beth Norton et al., A People and a Nation, Volume I: to 1877 (2007) pp 287–88
  13. RUTLAND. The Democrats: From Jefferson to Clinton. 1995. Capítulos 5–6.
  14. RUSSEL, E. New Deal Banking Reforms and Keynesian Welfare State Capitalism. Routledge. 2007. pp. 3–4.
  15. RUTLAND. The Democrats: From Jefferson to Clinton. 1995. Capítulo 7.
  16. FINKELMAN, P. WALLENSTEIN, P. eds. The Encyclopedia Of American Political History. CQ Press. 2001. pp. 124–126.
  17. RUTLAND. The Democrats: From Jefferson to Clinton. 1995. Capítulo 8.
  18. Pew Research Center. Disponível em http://www.people-press.org/2012/06/04/partisan-polarization-surges-in-bush-obama-years/. Acesso em 20 de setembro de 2017.
  19. Gallup News. Disponível em http://news.gallup.com/poll/15370/party-affiliation.aspx. Acesso em 20 de setembro de 2017.

Ver também

Ligações externas