Partido Liberal Democrata (Japão)
Partido Liberal Democrata 自由民主党 Jiyū-Minshutō | |
|---|---|
Logo usada na página oficial do partido | |
| Sigla |
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| Presidente | Sanae Takaichi |
| Vice-presidente | Tarō Asō |
| Secretário-geral | Shun'ichi Suzuki |
| Fundadores | Ichirō Hatoyama Taketora Ogata |
| Fundação | 15 de novembro de 1955 (70 anos) |
| Sede | 11–23, Nagatachō 1-chōme, distrito de Chiyoda, Tóquio 100-8910, |
| Ideologia | |
| Espectro político | Direita[a][8] |
| Publicação | Jiyu Minshu[9] |
| Ala de estudantes | 自民党学生部 (Divisão Estudantil do PLD) |
| Ala de juventude | 自民党青年局 (Divisão Jovem do PLD) |
| Membros (2025) | |
| Afiliação nacional | Coligação PLD–Kōmeitō (1999–2025) Coligação PLD–PIJ (desde 2025) |
| Afiliação internacional | União Internacional da Democracia (anteriormente) |
| Conselheiros | 111 / 228
|
| Representantes | 316 / 465
|
| Prefeitos | 1 284 / 2 614
|
| Cores | Vermelho (desde 2017) Verde (antes de 2017) |
| Hino | “われら” “Ware-ra” (‘Nós’)[11] |
| Slogan | “日本列島を、強く豊かに!” “Nippon rettō o, tsuyoku yutaka ni! ” (‘Faça o arquipélago japonês forte e próspero!’)[12] |
| Símbolo eleitoral | |
| Bandeira do partido | |
| Página oficial | |
| jimin.jp (em japonês) | |
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O Partido Liberal Democrata (PLD; em japonês: 自由民主党; rōmaji: Jiyū-Minshutō), também conhecido como Jimintō (em japonês: 自民党) ou LDP (sigla do inglês Liberal Democratic Party), é o principal partido político conservador e nacionalista do Japão. Desde sua fundação, em 1955, o PLD permaneceu no poder quase ininterruptamente (período conhecido como Sistema de 1955), com exceção dos intervalos entre 1993 e 1996 e novamente entre 2009 e 2012.
O PLD foi criado em 1955 a partir da fusão de dois partidos conservadores, o Partido Liberal e o Partido Democrata do Japão, formando uma frente unificada contra o Partido Socialista do Japão, e teve como primeiro líder o primeiro-ministro Ichirō Hatoyama. O partido apoiou a aliança do Japão com os Estados Unidos e promoveu uma estreita cooperação entre o setor empresarial e o governo japonês, desempenhando papel fundamental no milagre econômico japonês entre as décadas de 1960 e o início dos anos 1970, bem como na estabilidade política sob os governos de primeiros-ministros como Hayato Ikeda, Eisaku Satō, Kakuei Tanaka, Takeo Fukuda, e Yasuhiro Nakasone. Escândalos políticos e o colapso da bolha especulativa japonesa levaram o PLD a perder o poder em 1993 e 1994, governando sob um primeiro-ministro não pertencente ao partido até recuperar o governo em 1996. Em 1999, o partido formou a coligação PLD–Kōmeitō, que perdurou pelos 26 anos seguintes.
O PLD recuperou sua estabilidade durante o governo de Junichiro Koizumi, na década de 2000, conquistando um número expressivo de cadeiras nas eleições de 2005. Contudo, sofreu seu pior resultado eleitoral em 2009, quando o Partido Democrata do Japão conquistou a maioria parlamentar. Em 2012, sob a liderança de Shinzō Abe, o partido retomou o controle do governo com uma vitória esmagadora, embora tenha perdido cadeiras nas eleições subsequentes. Desde 2017, o Partido Democrático Constitucional do Japão tornou-se seu principal adversário na política nacional. Após as eleições de 2024 e 2025, o PLD perdeu a maioria em ambas as casas da Dieta Nacional, e sua coalizão com o Kōmeitō foi desfeita, levando à formação da coalizão com o Partido da Inovação do Japão. Sob a liderança de Sanae Takaichi, o partido recuperou a maioria na Câmara dos Representantes, conquistando o maior número de cadeiras da história eleitoral japonesa em 2026, com 316 assentos na Câmara dos Representantes e 101 assentos na Câmara dos Conselheiros.
O PLD é frequentemente descrito como um partido conservador pega-tudo ou mesmo como um “GOP nipônico”,[13] abrigando facções que vão do conservadorismo moderado à extrema-direita, com a última sendo representada pela Nippon Kaigi.[14][15] Embora não possua uma ideologia política totalmente coesa, sua plataforma historicamente defende o aumento de despesas com defesa, a revisão do Artigo 9 da Constituição para formalizar a condição das Forças de Autodefesa do Japão, a manutenção de laços estreitos com os Estados Unidos e, desde o século XXI, o fortalecimento das relações com seus aliados no Indo-Pacífico como forma de conter a ascensão da China como superpotência. A história e a estrutura interna do partido também são marcadas por um intenso faccionalismo, característica presente desde sua criação, em 1955.
O PLD não deve ser confundido com os extintos Partido Democrata do Japão (民主党; Minshutō) e Partido Democrata (民進; Minshintō). A sigla também não deve ser confundida com o Partido Liberal (自由党; Jiyūtō), existente de 1998 a 2003, ou com o Partido Liberal (自由党; Jiyū-tō), existente de 2016 a 2019.
História
[editar | editar código]Início
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O PLD foi fundado em 1955, como resultado da fusão de dois partidos políticos japoneses: o Partido Liberal (liderado por Taketora Ogata) e o Partido Democrata do Japão (liderado por Ichirō Hatoyama). Ambos eram partidos conservadores e uniram-se em uma frente comum para enfrentar o então popular Partido Socialista do Japão, atualmente Partido Social-Democrata. O novo partido venceu as eleições seguintes, e o primeiro governo conservador majoritário do Japão foi formado ainda em 1955. O PLD manteria governos com maioria parlamentar de forma ininterrupta até 1993.[16]
O PLD iniciou sua trajetória promovendo reformas na política externa japonesa, que incluíram a adesão do Japão à ONU e o estabelecimento de relações diplomáticas com a União Soviética. Seus líderes, durante a década de 1950, consolidaram o partido como a principal força governista do país. Em todas as eleições realizadas nessa década, o PLD conquistou a maioria dos votos, tendo como principais adversários apenas partidos de esquerda, especialmente o Partido Socialista do Japão e o Partido Comunista Japonês. Entre a década de 1950 e o início dos anos 1970, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) destinou milhões de dólares para apoiar o PLD na disputa contra partidos de esquerda, como os socialistas e os comunistas. Esse apoio, entretanto, só veio a público em meados da década de 1990, quando foi revelado pelo jornal The New York Times. Muitos dos detalhes dessa operação continuam classificados, embora documentos já divulgados indiquem ligações com os governos dos primeiros-ministros Nobusuke Kishi e Eisaku Satō.[17][18][19]
Décadas de 1960 a 1990
[editar | editar código]Durante a maior parte da década de 1960, o PLD e o Japão foram liderados pelo primeiro-ministro Eisaku Satō. Seu governo teve início com a realização dos Jogos Olímpicos de Verão de 1964, em Tóquio, e encerrou-se em 1972, período marcado pela política de neutralidade japonesa em relação à Guerra do Vietnã e pelo início da bolha especulativa dos ativos japoneses. Ao final da década de 1970, o PLD começou a entrar em um período de declínio. Embora continuasse no controle do governo, o partido passou a ser abalado por sucessivos escândalos, enquanto a oposição (agora reforçada pelo Kōmeitō) ganhava força. Em 1976, no decorrer dos escândalos de suborno da Lockheed,[a] um grupo de jovens parlamentares do PLD na Dieta Nacional rompeu com o partido e fundou sua própria legenda, o Novo Clube Liberal. Cerca de uma década depois, esse partido foi reincorporado ao PLD.[20]
No fim da década de 1970, o Partido Socialista do Japão, o Partido Comunista Japonês e o Kōmeitō, juntamente com a comunidade internacional, exerceram forte pressão para que o Japão rompesse suas relações diplomáticas com Taiwan (República da China) e passasse a reconhecer a República Popular da China. Em 1983, o PLD tornou-se um dos membros fundadores da União Democrática Internacional. No mesmo ano, sofreu uma perda significativa de assentos nas eleições gerais de 1983. Contudo, recuperou-se de forma expressiva nas eleições gerais de 1986, conquistando 300 assentos em uma vitória esmagadora. Entretanto, ao final da década de 1980, o PLD voltou a enfrentar dificuldades eleitorais, principalmente em razão da impopularidade de suas políticas de liberalização comercial e tributação, além de escândalos envolvendo seu líder, Sōsuke Uno, e o Escândalo Recruit.[b] Nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 1989, o partido perdeu a maioria nessa casa legislativa pela primeira vez em 34 anos.[21]
Período fora do poder
[editar | editar código]Apesar de algumas perdas, o PLD conseguiu permanecer no poder após as eleições gerais de 1990. Em junho de 1993, contudo, dez membros de sua ala conservadora-liberal romperam com o partido para formar novas legendas. O fim do milagre econômico do pós-guerra, o colapso da bolha especulativa japonesa e fatores como o Escândalo Recruit contribuíram para que o PLD perdesse sua maioria nas eleições gerais de 18 de julho de 1993. Em seguida, sete partidos de oposição, incluindo várias legendas criadas por dissidentes do próprio PLD, formaram o Gabinete Hosokawa, liderado por Morihiro Hosokawa, do Partido Novo do Japão e ex-membro do PLD, que sucedeu Kiichi Miyazawa como primeiro-ministro. Ainda assim, o PLD permaneceu, de longe, o maior partido da Câmara dos Representantes, com mais de 200 assentos, enquanto nenhum outro partido ultrapassou a marca de 80 assentos. Yōhei Kōno assumiu a presidência do PLD, sucedendo Kiichi Miyazawa, tornando-se o primeiro líder do partido que não ocupava simultaneamente o cargo de primeiro-ministro, já que o PLD havia passado à oposição.[22]
Em 1994, o Partido Socialista do Japão e outros partidos deixaram a coligação governista e juntaram-se ao PLD na oposição. Os integrantes remanescentes tentaram permanecer no poder por meio do governo minoritário de Tsutomu Hata, mas a iniciativa fracassou. Em seguida, o PLD e o Partido Socialista, adversários históricos por cerca de 40 anos, formaram uma coligação majoritária. Embora o Gabinete Murayama fosse dominado pelo PLD, o acordo permitiu que o socialista Tomiichi Murayama ocupasse o cargo de primeiro-ministro até 1996, quando foi sucedido pelo líder do PLD, Ryutaro Hashimoto.[23]
1996–2009
[editar | editar código]Nas eleições gerais de 1996, o PLD recuperou parte de suas perdas, mas ainda ficou 12 assentos abaixo da maioria absoluta. No entanto, nenhum outro partido tinha condições de formar um governo, permitindo que Ryutaro Hashimoto estabelecesse um governo minoritário do PLD. Após uma série de mudanças de filiação de parlamentares, o partido recuperou sua maioria em menos de um ano. Em outubro de 1999, o PLD formou uma coligação com o Kōmeitō. Nas eleições gerais de 2000, o PLD perdeu várias cadeiras e passou a depender da coligação com o Kōmeitō para manter a maioria parlamentar. O pleito também consolidou o Partido Democrata do Japão como a principal força de oposição. Na eleição para a liderança do PLD em 2001, Junichiro Koizumi foi eleito com uma plataforma reformista, prometendo enfrentar a tradicional política de facções do partido. No mesmo ano, o PLD ampliou sua representação nas eleições para a Câmara dos Conselheiros, fortalecendo a posição de Koizumi. Contudo, nas eleições gerais de 2003, o partido não conquistou maioria própria, enquanto o Partido Democrata do Japão continuou ampliando sua presença parlamentar. Após projetos de lei para a privatização dos Correios do Japão serem rejeitados, Koizumi convocou eleições antecipadas em 2005. O PLD obteve uma vitória esmagadora, conquistando 296 cadeiras na Câmara dos Representantes. Koizumi também se recusou a apoiar 37 parlamentares de seu próprio partido que votaram contra a reforma postal, obrigando muitos deles a disputar a eleição como candidatos independentes. Koizumi aposentou-se da política em 2006, sendo sucedido por Shinzō Abe, vencedor da eleição para a presidência do PLD naquele ano. O partido permaneceu como a maior força política em ambas as casas da Dieta Nacional até as eleições para a Câmara dos Conselheiros de 29 de julho de 2007, quando perdeu a maioria na câmara alta.[24]
Na eleição para a liderança do PLD, realizada em 23 de setembro de 2007, Yasuo Fukuda foi eleito presidente do partido, sucedendo Abe, que havia renunciado ao cargo. Fukuda derrotou Tarō Asō, obtendo 330 votos contra 197.[25][26] Fukuda renunciou inesperadamente em setembro de 2008, e Tarō Asō tornou-se primeiro-ministro após vencer a eleição para a presidência do PLD naquele ano, superando outros quatro candidatos. Nas eleições gerais de 2009, o PLD sofreu uma derrota histórica, conquistando apenas 118 cadeiras, o seu pior resultado de um governo em exercício na história política japonesa contemporânea e a primeira verdadeira alternância de poder no período pós-guerra. Assumindo a responsabilidade pelo revés, Tarō Asō anunciou sua renúncia à presidência do partido na própria noite da eleição. Em 28 de setembro de 2009, Sadakazu Tanigaki foi eleito o novo presidente do PLD.[27]
2009–2024
[editar | editar código]O apoio ao PLD continuou a diminuir, com frequentes mudanças de primeiros-ministros. Nas eleições gerais de 2009, o partido perdeu sua maioria parlamentar, conquistando apenas 118 assentos. Esse foi o único período em que o PLD permaneceu fora da maioria, além do breve intervalo entre 1993 e 1994, até 2024.[28][29] A partir desse momento, diversos membros deixaram o partido para ingressar em outras legendas ou fundar novos partidos, entre eles o Seu Partido,[carece de fontes] o Partido do Amanhecer do Japão[30] e o Partido da Nova Renascença.[carece de fontes] O partido obteve algum sucesso nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 2010, conquistando 13 assentos adicionais e impedindo que o Partido Democrata do Japão alcançasse a maioria na câmara alta.[31][32] Em setembro de 2012, Shinzō Abe voltou à presidência do PLD após vencer uma disputa interna entre cinco candidatos. Poucos meses depois, o PLD retornou ao poder em coalizão com o Kōmeitō, conquistando uma maioria expressiva nas eleições gerais de 2012, após mais de três anos na oposição. Abe voltou a ocupar o cargo de primeiro-ministro, sucedendo Yoshihiko Noda, líder do Partido Democrata do Japão.[33]
Abe conduziu o PLD à vitória nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 2013, garantindo ao partido o controle de ambas as casas da Dieta Nacional.[34] Em 2014, convocou eleições antecipadas para obter apoio às suas políticas econômicas, e o PLD voltou a vencer com folga.[35] Em julho de 2015, Abe e o PLD aprovaram, com o apoio do Kōmeitō, a Legislação para a Paz e a Segurança, que ampliou os poderes das Forças de Autodefesa do Japão, permitindo sua participação em conflitos no exterior sob determinadas circunstâncias.[36] O PLD consolidou ainda mais sua posição nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 2016.[37] Nas eleições gerais de 2017, o partido voltou a triunfar, tornando Shinz Abe o primeiro líder do PLD a vencer três eleições gerais consecutivas.[38] Nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 2019, o PLD perdeu sua maioria própria, mas manteve o controle da câmara alta graças à coligação com o Kōmeitō. A coligação, contudo, perdeu a maioria de dois terços necessária para aprovar uma reforma constitucional.[39] Em 2020, Abe renunciou ao cargo de primeiro-ministro alegando o agravamento de problemas de saúde. Após uma disputa interna entre três candidatos, Yoshihide Suga foi eleito presidente do PLD e assumiu o governo.[40]
Quando Suga decidiu não disputar a reeleição para a liderança do partido, Fumio Kishida venceu a eleição interna de 2021, superando outros três candidatos.[41] Sob sua liderança, o PLD venceu as eleições gerais de 2021, contrariando as expectativas de parte da imprensa e dos analistas. Apesar da queda na popularidade do partido em 2022, provocada pelo assassinato de Shinzō Abe e pela revelação de vínculos entre diversos parlamentares do PLD e a Igreja da Unificação, o partido obteve um bom desempenho nas eleições locais unificadas de 2023, conquistando mais da metade das 2.260 cadeiras em disputa nas assembleias provinciais e vencendo as eleições para seis governos provinciais.[42] Entre 18 e 19 de janeiro de 2024, em meio ao escândalo do caixa paralelo do PLD, envolvendo a omissão e o uso irregular de cerca de ¥ 600 milhões em recursos de campanha por integrantes das facções Seiwa Seisaku Kenkyūkai e Shisuikai, em violação às leis japonesas de financiamento eleitoral, três importantes facções do partido (Seiwa Seisaku Kenkyūkai, Shisuikai e a Kōchikai, liderada pelo primeiro-ministro Fumio Kishida) anunciaram sua dissolução na tentativa de restaurar a confiança da população.[43][44] Diversos parlamentares do PLD foram formalmente indiciados, entre eles Yasutada Ōno e Yaichi Tanigawa, que renunciaram ao partido após as acusações.[45] Em agosto de 2024, pressionado pelo escândalo e pelos baixos índices de aprovação, Fumio Kishida renunciou à presidência do PLD. Ele foi sucedido por Shigeru Ishiba.[46]
2024–presente
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Nas eleições gerais japonesas de 2024, o governista PLD e seu parceiro de coalizão, o Kōmeitō, perderam a maioria parlamentar na Câmara dos Representantes pela primeira vez desde 2009. O PLD obteve apenas 191 assentos, seu segundo pior resultado eleitoral da história. Já o Partido Democrático Constitucional do Japão, principal força de oposição liderada pelo ex-primeiro-ministro Yoshihiko Noda, alcançou o melhor desempenho de sua história, ampliando sua bancada de 96 para 148 assentos. Foi a primeira eleição geral no Japão, desde 1955, em que nenhum partido conquistou pelo menos 200 assentos. O resultado eleitoral foi amplamente atribuído ao grande escândalo do caixa paralelo que veio à tona em novembro. O primeiro-ministro Shigeru Ishiba convocou eleições antecipadas em setembro na tentativa de fortalecer o apoio ao governo, mas a estratégia fracassou quando surgiram denúncias de que o PLD continuava repassando recursos a diretórios liderados por parlamentares envolvidos no escândalo. Em resposta ao resultado das urnas, Ishiba comprometeu-se a implementar reformas profundas no financiamento da atividade política. O Kōmeitō também registrou um desempenho decepcionante: seu líder, Keiichi Ishii, perdeu seu assento parlamentar e anunciou sua renúncia. O revés eleitoral foi especialmente significativo para o PLD, que governou o Japão quase ininterruptamente desde 1955, evidenciando o impacto do escândalo de corrupção sobre a confiança pública no partido.[47]
Nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 2025, a coalizão governista perdeu sua maioria na câmara alta. Foi a primeira vez na história do PLD em que o partido deixou de controlar qualquer uma das duas casas da Dieta Nacional. Após Shigeru Ishiba anunciar sua renúncia, Sanae Takaichi foi eleita para sucedê-lo, tornando-se a primeira mulher a presidir o PLD. Em outubro de 2025, o líder do Kōmeitō, Tetsuo Saito, anunciou a saída do partido da coalizão governista em razão de divergências com a liderança de Takaichi.[48] Como consequência, Takaichi negociou um acordo de confiança e apoio parlamentar com o Partido da Inovação do Japão.[49][50][51] O acordo foi firmado em 20 de outubro de 2025,[52] e, no dia seguinte, 21 de outubro, Takaichi tomou posse como a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão.[53] Em 23 de janeiro de 2026, Takaichi dissolveu a Câmara dos Representantes, convocando eleições antecipadas para 8 de fevereiro.[54] As eleições gerais de 2026 resultaram em uma vitória histórica e esmagadora do PLD. O partido conquistou uma supermaioria de dois terços, recuperando sua maioria absoluta na Câmara dos Representantes. Com 316 cadeiras, o PLD alcançou o maior número de assentos já obtido por um partido na história eleitoral japonesa. Analistas atribuíram esse resultado, em grande parte, à elevada popularidade pessoal de Sanae Takaichi durante a campanha eleitoral.[55][56]
Resultados eleitorais
[editar | editar código]Resultados em eleições legislativas
[editar | editar código]Câmara dos Representantes
[editar | editar código]| Eleição | Líder | Assentos | Cl. | Votos | Votos em bloco por RP | Resultado | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Total | ± | % | Total | % | Total | % | ||||
| 1958 | Nobusuke Kishi | 289 / 467 |
61,8% | 1.º | 22.976.846 | 57,80% | Governo majoritário | |||
| 1960 | Hayato Ikeda | 296 / 467 |
64,2% | 22.740.272 | 57,56% | Governo majoritário | ||||
| 1963 | 283 / 467 |
60,5% | 22.423.915 | 54,67% | Governo majoritário | |||||
| 1967 | Eisaku Satō | 277 / 486 |
56,9% | 22.447.838 | 48,80% | Governo majoritário | ||||
| 1969 | 288 / 486 |
59,2% | 22.381.570 | 47,63% | Governo majoritário | |||||
| 1972 | Kakuei Tanaka | 271 / 491 |
55,1% | 24.563.199 | 46,85% | Governo majoritário | ||||
| 1976 | Takeo Miki | 249 / 511 |
48,7% | 23.653.626 | 41,78% | Governo majoritário | ||||
| 1979 | Masayoshi Ōhira | 248 / 511 |
48,5% | 24.084.131 | 44,59% | Governo majoritário | ||||
| 1980 | 284 / 511 |
55,5% | 28.262.442 | 47,88% | Governo majoritário | |||||
| 1983 | Yasuhiro Nakasone | 250 / 511 |
48,9% | 25.982.785 | 45,76% | Coligação LDP–NLC | ||||
| 1986 | 300 / 512 |
58,5% | 29.875.501 | 49,42% | Governo majoritário | |||||
| 1990 | Toshiki Kaifu | 275 / 512 |
53,7% | 30.315.417 | 46,14% | Governo majoritário | ||||
| 1993 | Kiichi Miyazawa | 223 / 511 |
43,6% | 22.999.646 | 36,62% | Oposição (até 1994) | ||||
| Coligação LDP–JSP–NPS (de 1994) | ||||||||||
| 1996 | Ryutaro Hashimoto | 239 / 500 |
47,8% | 21.836.096 | 38,63% | 18.205.955 | 32,76% | Coligação LDP–SDP–NPS | ||
| 2000 | Yoshirō Mori | 233 / 480 |
48,5% | 24.945.806 | 40,97% | 16.943.425 | 28,31% | Coligação LDP–Komeito–NCP | ||
| 2003 | Junichiro Koizumi | 237 / 480 |
49,3% | 26.089.326 | 43,85% | 20.660.185 | 34,96% | Coligação LDP–Komeito | ||
| 2005 | 296 / 480 |
61,6% | 32.518.389 | 47,80% | 25.887.798 | 38,20% | Coligação LDP–Komeito | |||
| 2009 | Tarō Asō | 119 / 480 |
24,7% | 27.301.982 | 38,68% | 18.810.217 | 26,73% | Oposição | ||
| 2012 | Shinzō Abe | 294 / 480 |
61,2% | 25.643.309 | 43,01% | 16.624.457 | 27,79% | Coligação LDP–Komeito | ||
| 2014 | 291 / 475 |
61,2% | 25.461.427 | 48,10% | 17.658.916 | 33,11% | Coligacão LDP–Komeito | |||
| 2017 | 284 / 465 |
61,0% | 26.719.032 | 48,21% | 18.555.717 | 33,28% | Coligação LDP–Komeito | |||
| 2021 | Fumio Kishida | 259 / 465 |
55,7% | 27.626.235 | 48,08% | 19.914.883 | 34,66% | Coligação LDP–Komeito | ||
| 2024 | Shigeru Ishiba | 191 / 465 |
41,1% | 20.867.762 | 38,46% | 14.582.690 | 26,73% | Coligação minoritária LDP–Komeito (até 2025) | ||
| Coligação minoritária LDP–JIP (desde 2025)[c] | ||||||||||
| 2026 | Sanae Takaichi | 316 / 465 |
67,9% | 27.789.183 | 49,23% | 21.026.139 | 36,72% | Coligação LDP–JIP[c] | ||
Câmara dos Conselheiros
[editar | editar código]| Eleição | Líder | Assentos | Cl. | Nacionalmente[d] | Prefeituras | Resultado | |||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Total[e] | Contested | Total | % | Total | % | ||||
| 1956 | Ichirō Hatoyama | 122 / 250 |
61 / 125 |
1.º | 11.356.874 | 39,7% | 14.353.960 | 48,4% | Governo minoritário |
| 1959 | Nobusuke Kishi | 132 / 250 |
71 / 125 |
12.120.598 | 41,2% | 15.667.022 | 52,0% | Governo majoritário | |
| 1962 | Hayato Ikeda | 142 / 250 |
69 / 125 |
16.581.637 | 46,4% | 17.112.986 | 47,1% | Governo majoritário | |
| 1965 | Eisaku Satō | 140 / 251 |
71 / 125 |
17.583.490 | 47,2% | 16.651.284 | 44,2% | Governo majoritário | |
| 1968 | 137 / 250 |
69 / 125 |
20.120.089 | 46,7% | 19.405.546 | 44,9% | Governo majoritário | ||
| 1971 | 131 / 249 |
62 / 125 |
17.759.395 | 44,5% | 17.727.263 | 44,0% | Governo majoritário | ||
| 1974 | Kakuei Tanaka | 126 / 250 |
62 / 125 |
23.332.773 | 44,3% | 21.132.372 | 39,5% | Governo majoritário | |
| 1977 | Takeo Fukuda | 125 / 249 |
63 / 125 |
18.160.061 | 35,8% | 20.440.157 | 39,5% | Governo minoritário | |
| 1980 | Masayoshi Ōhira | 135 / 250 |
69 / 125 |
23.778.190 | 43,3% | 24.533.083 | 42,5% | Governo majoritário | |
| 1983 | Yasuhiro Nakasone | 137 / 252 |
68 / 126 |
16.441.437 | 35,3% | 19.975.034 | 43,2% | Governo majoritário | |
| 1986 | 143 / 252 |
72 / 126 |
22.132.573 | 38,58% | 26.111.258 | 45,07% | Governo majoritário | ||
| 1989 | Sōsuke Uno | 50 / 100 |
36 / 126 |
15.343.455 | 27,32% | 17.466.406 | 30,70% | Governo minoritário | |
| 1992 | Kiichi Miyazawa | 106 / 252 |
68 / 126 |
14.961.199 | 33,29% | 20.528.293 | 45,23% | Governno minoritário (até 1993) | |
| Minoria (1993–1994) | |||||||||
| Governo majoritário LDP–JSP–NPS (de 1994) | |||||||||
| 1995 | Yōhei Kōno | 111 / 252 |
46 / 126 |
10.557.547 | 25,40% | 11.096.972 | 27,29% | Governo majoritário LDP–JSP–NPS | |
| 1998 | Ryutaro Hashimoto | 102 / 252 |
44 / 126 |
14.128.719 | 25,17% | 17.033.851 | 30,45% | Governo majoritário LDP–Liberal–Komeito (até 2000) | |
| Governo majoritário LDP–Komeito–NCP (desde 2000) | |||||||||
| 2001 | Junichiro Koizumi | 111 / 247 |
64 / 121 |
21.114.727 | 38,57% | 22.299.825 | 41,04% | Governo majoritário LDP–Komeito–NCP (até 2003) | |
| Governo majoritário LDP–Komeito (desde 2003) | |||||||||
| 2004 | 115 / 242 |
49 / 121 |
16.797.686 | 30,03% | 19.687.954 | 35,08% | Governo majoritário LDP–Komeito | ||
| 2007 | Shinzō Abe | 83 / 242 |
37 / 121 |
16.544.696 | 28,1% | 18.606.193 | 31,35% | Governo majoritário LDP–Komeito (até 2009) | |
| Minoria (desde 2009) | |||||||||
| 2010 | Sadakazu Tanigaki | 84 / 242 |
51 / 121 |
14.071.671 | 24,07% | 19.496.083 | 33,38% | Minoria (até 2012) | |
| Governo minoritário LDP–Komeito (de 2012) | |||||||||
| 2013 | Shinzō Abe | 115 / 242 |
65 / 121 |
18.460.404 | 34,7% | 22.681.192 | 42,7% | Governo majoritário LDP–Komeito | |
| 2016 | 121 / 242 |
56 / 121 |
20.114.833 | 35,9% | 22.590.793 | 39,9% | Governo majoritário LDP–Komeito | ||
| 2019 | 113 / 245 |
57 / 124 |
17.712.373 | 35,37% | 20.030.330 | 39,77% | Governo majoritário LDP–Komeito | ||
| 2022 | Fumio Kishida | 119 / 248 |
63 / 125 |
18.256.245 | 34,43% | 20.603.298 | 38,74% | Governo majoritário LDP–Komeito | |
| 2025 | Shigeru Ishiba | 101 / 248 |
39 / 125 |
12.808.307 | 21,64% | 14.470.017 | 24,46% | Governo minoritário LDP–Komeito (até 2025) | |
| Governo minotitário LDP–JIP (desde 2025)[c] | |||||||||
| Coligação LDP–JIP (desde 2026)[c] | |||||||||
Ver também
[editar | editar código]Notas
[editar | editar código]- ↑ Os escândalos de suborno da Lockheed foram uma série de casos de corrupção revelados em 1976, nos quais a fabricante estadunidense de aeronaves Lockheed Corporation pagou propinas a políticos e empresários japoneses para garantir a compra de seus aviões. O escândalo envolveu figuras importantes do PLD, incluindo o ex-primeiro-ministro Kakuei Tanaka, que foi preso e posteriormente condenado por corrupção. O caso abalou a credibilidade do PLD e contribuiu para divisões internas, levando à criação do Novo Clube Liberal por parlamentares dissidentes.
- ↑ O Escândalo Recruit foi um caso de corrupção política ocorrido em 1988, no qual a empresa Recruit Cosmos distribuiu ações não listadas a políticos, empresários e altos funcionários públicos antes de sua valorização na bolsa. Após o aumento do preço das ações, os beneficiários obtiveram grandes lucros, em um esquema visto como favorecimento e tráfico de influência. O escândalo levou à renúncia de diversos políticos, incluindo o primeiro-ministro Noboru Takeshita, e abalou seriamente a credibilidade do Partido Liberal Democrata.
- 1 2 3 4 Apesar de ter assinado um acordo de coligação com o Partido da Inovação do Japão em outubro de 2025, o PLD permanece como o único partido no 1.º e 2.º Gabinete Takaichi.
- ↑ De 1947 a 1980, 50 membros eram eleitos por meio de um distrito eleitoral de âmbito nacional, conhecido como “bloco nacional” (sistema de voto em bloco plurinominal). Esse sistema foi substituído em 1983 por um bloco de representação proporcional com listas fechadas. Em 2001, o bloco de representação proporcional foi reduzido para 48 membros, passando a utilizar listas predominantemente abertas.
- ↑ A Câmara Alta divide-se em duas classes, sendo uma delas eleita a cada três anos.
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Japan has been ruled by the same centre-right Liberal Democratic Party (LDP) for 65 of the past 69 years.
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But the LDP is fundamentally a centre-right organisation, and Ishiba offered no olive branch to the party's conservative wing.
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Though the center-right Liberal Democratic Party (LDP) has dominated the country's politics for nearly seven decades, the top job has frequently changed hands.
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'We ought to be a party that lets members discuss the truth in a free and open manner, a party that is fair and impartial on all matters and a party with humility,' he told a press conference after winning the centre-right party's contest.
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The shifting dynamics around the new era name (gengō 元号) offers an opportunity to understand how the domestic politics of the LDP's project of ultranationalism is shaping a new Japan and a new form of nationalism.
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In 1955, with funds from the ultranationalists, the conservatives merged the Liberal Party with the Democratic Party to form the Liberal Democratic Party (LDP), which effectively held the Japanese Communist Party in check.
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The first is provided by Yamatani Eriko, one of the darlings of Shinseiren and a person who represents the far-right of the LDP.
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Another sign of the rise of the uyoku dantai's ideas is the growing power of the Nippon Kaigi. The organization is the largest far-right group in Japan and has heavy lobbying clout with the conservative LDP; 18 of the 20 members of Shinzo Abe's cabinet were once members of the group.
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In Japan, populist and extreme right-wing nationalism has found a home within the political establishment.
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Of those three victories, the first election in December 2012 was a rout of the leftist Democratic Party of Japan and it thrust the more powerful Lower House of Parliament firmly into the hands of the long-incumbent Liberal Democratic Party under Abe. The second election in December 2014 further normalized Japan's lurch to the far right, giving the ruling coalition a supermajority of 2/3 of the seats in the Lower House.
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Mr. Abe is strongly supported by the far right wing of the ruling Liberal Democratic Party, which hews to tradition and tends toward insularity.
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... Far-right LDP legislators led by Prime Minister (PM) Shinzo ̄ Abe demanded the withdrawal of the 1993 Ko ̄no Statement and attacked the ...
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Because the influential political ideology among intellectuals in Japan continued to be center-left long after World War II, the purest economic liberalism is hard to find in Japanese politics. Within the LDP there are many different attitudes toward economic policy: some member of the LDP still believe in the importance of public spending and Keynesian economics, while others are reluctant to employ this tool because of the huge state deficit.
- Lockhart, Charles (2010). «Protecting the Elderly: How Culture Shapes Social Policy» (em inglês). University Park, Pennsylvania: Penn State Press. p. 84. Cópia arquivada em 16 de novembro de 2025
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