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Cidadania (partido político)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Partido Popular Socialista)
 Nota: Para o partido político espanhol, veja Cidadãos - Partido da Cidadania.
Cidadania
SiglaCidadania
Número eleitoral23[1]
PresidenteRoberto Freire[2]
Secretário-geralRegis Cavalcante
Tesoureiro-geralAlex Manente[2]
Fundação26 de janeiro de 1992 (33 anos)[3]
Registro19 de março de 1992 (33 anos)
(como PPS)
23 de março de 2019 (6 anos)
(como Cidadania)
SedeBrasília, DF[4]
Ideologia
Espectro políticoCentro-esquerda[8] a centro-direita[6][9][10][11]
Histórico:
Centro-esquerda a esquerda
PublicaçãoPolítica Democrática
Think tankFundação Astrojildo Pereira
Ala de juventudeJuventude 23
Ala femininaMulheres 23
Ala negraIgualdade 23
Ala LGBTDiversidade 23
AntecessorPC-SBIC
Membros (2026)416.826 filiados[12]
Afiliação nacionalFederação PSDB Cidadania[13]
Afiliação internacionalForo de São Paulo (até 2004)[14]
Governadores (2026)
0 / 27
Prefeitos (2024)[15]
33 / 5 569
Senadores (2026)[16]
0 / 81
Deputados federais (2026)[17]
5 / 513
Deputados estaduais (2022)
14 / 1 024
Vereadores (2024)[18]
431 / 58 026
Cores     Azul
     Magenta
     Ciano
Slogan"A mudança já começou."
Página oficial
cidadania23.org.br

O Cidadania é um partido político brasileiro de alinhamento entre a centro-direita e a centro-esquerda.[9] Foi fundado e registrado em 1992 com o nome Partido Popular Socialista (PPS), a partir de uma manobra política de parte da executiva nacional do Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PCB).[7] Em março de 2019, alterou o nome para Cidadania, oficializado pelo TSE em setembro.[19][20] Em dezembro de 2025, o partido possuía 416.826 filiados, tendo mais membros nos estados de São Paulo, de Minas Gerais e do Paraná.[12]

O PPS inicialmente defendia o socialismo democrático e social-democracia, abandonando o comunismo e marxismo-leninismo defendido pelo antigo PCB.[21] O partido lançou Ciro Gomes como seu candidato presidencial nas eleições de 1998 e 2002, sendo que na primeira Gomes se tornou o terceiro candidato mais votado.[21] Apesar de seu alinhamento de esquerda, o PPS passou a fazer oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2004, formando alianças com partidos de centro-direita, em particular o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e apoiando o impeachment de Dilma Rousseff.[22] Com o tempo, o PPS se moveu mais para o centro e deixou de dar ênfase à maioria de suas políticas socialistas tradicionais, e em 2019 a Convenção Nacional do partido adotou a nova nomenclatura de "Cidadania",[9] junto com uma nova agenda defendo o progressismo, o liberalismo social e econômico.[9][22][23]

Em 2022 se juntou ao seu aliado histórico PSDB para formar a Federação PSDB Cidadania,[24] mas em 2025 votou para a dissolução da federação partidária.[25]

Durante sua história, o partido deu apoio aos presidentes Itamar Franco, Luiz Inácio Lula da Silva (no início) e Michel Temer.[7][26] Fez oposição aos presidentes Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff.[7] Atualmente setores do partido apoiam os governos estaduais do Acre,[27] de Alagoas,[28] do Ceará,[29] do Espírito Santo,[30] de Goiás,[31] do Maranhão,[32] da Paraíba,[33] do Paraná,[34] do Rio de Janeiro,[35] do Rio Grande do Sul[36] e de Roraima[37] além de já terem sido apoiadores dos atuais governos de Minas Gerais[38] e de Santa Catarina.[39]

Mesmo tendo alinhamento (em votações na Câmara dos Deputados até abril de 2021) de 83% com o governo do presidente Jair Bolsonaro,[40] em fevereiro de 2021 o Diretório Nacional aprovou um indicativo de impeachment dele.[41]

História

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A fundação do Partido Popular Socialista (PPS), antiga nomenclatura do atual "Cidadania", ocorreu por decisão controversa de parte da executiva nacional do Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PCB) de alterar sua denominação e sigla.[19] A maior parte dos delegados presentes no X Congresso que realizou a mudança de nome de PCB para PPS estavam ali por fruto de uma manobra política que feria os estatutos do partido. A manobra constituiu na realização de "Fóruns Socialistas" que elegeram os delegados para o referido Congresso, sendo que esses fóruns contavam com a presença de não filiados ao partido. De tal modo, a maioria existente que extinguiu o antigo PCB era composta por vários indivíduos não-fíliados, o que contrariava os seus estatutos e não constituía, portanto, em maioria de direito.[42]

O partido foi criado frente a uma nova ordem internacional, após a queda dos antigos modelos comunistas (fim da URSS e da Guerra Fria). Abandonando o marxismo-leninismo do PCB em prol de um modelo de socialismo democrático e social-democracia. Foi mantido o mesmo código eleitoral (23) do antigo PCB, além de seu patrimônio.

O partido foi fundado e obteve registro permanente em 19 de março de 1992.[43] Em 1992, cerca de mil militantes que formavam o grupo chamado "Movimento Nacional em Defesa do PCB" decidiram não participar do "X Congresso" que foi manipulado para destruição da sigla passando por cima do IX congresso e do Estatuto, nesse mesmo momento foi feito uma conferencia de organização e mantido o marxismo-leninismo, a sigla PCB os símbolos do Partido Comunista Brasileiro.[44]

Logo do PPS, utilizado até 2019

Governo Lula

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O PPS inicialmente fez parte do Primeiro Governo Lula, apoiando o Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2004 no entanto, o PPS quebrou com Lula e começou a fazer parte da oposição ao PT.[45] O PPS começou a se aproximar e a fazer alianças com partidos de centro-direita, em especial com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).[46]

Governo Dilma

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Mantendo a postura que adota desde 2004, permaneceu na oposição ao governo petista. Com a morte do ex-presidente e senador pelo PPS, Itamar Franco, o partido perdeu sua única cadeira no Senado. Atualmente é processado pelo PCB no STF por uso indevido de sua imagem em propagandas políticas.[47]

Em abril de 2013 a executiva nacional do partido anunciou a fusão com Partido da Mobilização Nacional (PMN) para formar a Mobilização Democrática (MD), entretanto em junho a executiva nacional do PMN rejeitou a proposta, anulando o processo de fusão.[48] Em 2014, o PPS esteve envolvido noutro processo de fusão (ou incorporação), dessa vez com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), com possibilidades de participação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) e do Partido Ecológico Nacional (PEN), cujas negociações foram suspensas em 2015.[49][50][51]

O mais recente caso de um possível processo de fusão foi durante o fim de 2018, quando entrou em discussão a união com o Partido Verde (PV) e com a Rede Sustentabilidade (Rede). Entretanto, o processo não se deu devido à discordâncias nas lideranças dos outros dois partidos.[52][53][54]

Sob o nome "Cidadania"

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Governo Bolsonaro

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Em meio a uma tentativa de atrair novos eleitores devido ao desgaste provocado pela crise político-econômica de 2014,[55] o PPS decidiu, em março de 2019, mudar seu nome para "Cidadania".[19] No dia 19 de setembro de 2019 o TSE aprovou a mudança.[20] O Cidadania (como partido político) faz oposição ao Governo Jair Bolsonaro.[56] No entanto, em votações mais polêmicas, como a votação recente da PEC do Voto impresso (Proposta de Emenda à Constituição 135/19), apesar da recomendação do voto: "não", apenas cerca de 60% (e não a totalidade, como era esperado) dos deputados votaram alinhados com a recomendação do partido.[57]

Para as Eleições gerais no Brasil em 2022, o Cidadania formou uma federação partidária com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a Federação PSDB Cidadania.[58] Para presidente, a federação apoiou a candidatura de Simone Tebet do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).[59] Para o segundo turno, o Cidadania declarou apoio à Luiz Inácio Lula da Silva contra Jair Bolsonaro.[60]

Diagrama da origem histórica do partido[61][62][63]
Partido Comunista do Brasil (PCB)
1922–1961
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
1961–1992
  Partido Popular Socialista (PPS)
1992–2019
Cidadania
2019–presente
  Partido Comunista (PC)
1992–1993
  Partido Comunista Brasileiro (PCB)
1993–presente
  Liga Comunista Internacionalista (LCI)
  Partido Operário Leninista (POL)
  Partido Socialista Revolucionário (PSR)
  Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
1962–presente
  Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8)   Partido Pátria Livre (PPL)
2009–2019
 

Ideologia

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O PPS se considerava, em seu estatuto, como um partido socialista, e em discursos, como uma terceira via. Entretanto, as recentes alianças com partidos tradicionalmente de centro e de direita, como DEM, PTB e PSDB, tanto na esfera federal quanto em governos estaduais e municipais, e afastamento de outros partidos oposicionistas de esquerda como o PSOL e o PSTU, despertam críticas de jornalistas e analistas políticos sobre a real posição do partido no espectro político, sendo muitas vezes considerado "linha auxiliar" dos tucanos.O partido é oficialmente a favor do parlamentarismo.[5][64][65]

Roberto Freire, figura influente na sigla e presidente do partido por mais de 30 anos, é amigo de José Serra desde os tempos de liderança estudantil.[66] Ainda em 2005, o então Ministro da Integração Nacional pelo PPS, Ciro Gomes, fez duras críticas às políticas de Roberto Freire, reforçando a ideia de que o mesmo queria transformar o partido em uma "linha auxiliar de José Serra e do PSDB".[46]

O ex-deputado Raul Jungmann mostrou ter divergências sobre os rumos do partido, afirmando que "(...) infelizmente o PPS tem se posicionado como aliado do PSDB, sem nenhuma reciprocidade por parte desse. Estes interesses dos aliados são legítimos, mas cabe a nós a organização enquanto partido, e não como linha auxiliar". Porém, após o anúncio de sua pré-candidatura para a Prefeitura de São Paulo em 2012, Soninha Francine reiterou que "o PPS insiste na tese da construção de uma terceira via, fora da polarização PT × PSDB", e citou o histórico do PPS em apoiar candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva e Luiza Erundina.[67]

Desde 2004, o ex-PPS não mais participa do "Foro de São Paulo" por discordar e divergir dos seus participantes que chegaram ao poder em países como Bolívia, Venezuela, Equador, Colômbia, Argentina, Cuba e o próprio Brasil.[68] O partido estava na oposição ao governo Dilma Roussef, apoiando movimentos como a "Marcha Pela Liberdade",[69] uma iniciativa da direita liberal que pedia pelo impeachment da então presidente brasileira.

Também na oposição do governo Dilma, o Partido Comunista Brasileiro emitiu nota em repúdio ao PPS, distanciando-se do partido ao classificá-los como uma sigla pertencente à direita política. Conforme a publicação do PCB, no ano de 1992 os atuais líderes do PPS empreenderam ação liquidacionista contra o Partido Comunista Brasileiro no contexto da crise mundial do socialismo e da queda da União Soviética e do Leste Europeu. Estes líderes então teriam organizado "um congresso fajuto, com a participação de delegados não pertencentes aos quadros do PCB e decidiram pela criação de um novo partido chamado PPS".[70]

Após mudar o nome para 'Cidadania' em 2017, o partido abandonou o socialismo democrático e os ideais anticapitalistas e iniciou a defesa pelo liberalismo econômico, apesar de ainda ter mantido o caráter progressista.[23]

A Fundação Astrojildo Pereira (FAP) é uma entidade vinculada ao Cidadania, dedicada à formação política, produção intelectual e promoção do debate democrático. Seu nome homenageia o jornalista e militante Astrojildo Pereira, um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro.[71] Atua como centro de estudos e pesquisa, desenvolvendo atividades como cursos, seminários, publicações de livros e revistas, e apoio a projetos culturais e educativos.[72] Em Brasilia aFAP mantém a Biblioteca Salomão Malina, um centro público de consulta e empréstimo de obras.[73]

Mandatos relevantes atuais

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Deputados federais atuais (5) [17]
UF Deputados e
Legislaturas
Imagem
AM Amom Mandel
57ª
Amon Mendel
RS Any Ortiz
57ª
Any Ortiz
SP Alex Manente
55ª, 56ª, 57ª
Alex Manente
SP Arnaldo Jardim
53ª, 54ª, 55ª, 56ª, 57ª
Arnaldo Jardim
Observações: Em 2022, o então Cidadania elegeu 5 deputados federais.[74] Em 2024 Carmen Zanotto renunciou ao cargo para tomar posse como prefeita de Lages.[75]
Deputados estaduais atuais (14)
UF Deputado(a) UF Deputado(a)
AP Telma Nery* RR Marcelo Cabral
CE Luana Ribeiro SP Rafa Zimbaldi
MG Raul Belém SP Ana Carolina Serra
MG João Vítor Xavier SP Dirceu Dalben
MG João Bosco SE Georgeo Passos
MT Faissal Calil SE Samuel Carvalho
PR Douglas Fabrício TO Eduardo do Dertins

Observações: Nomes marcados com o símbolo * foram eleitos em 2018 por outros partidos. Nomes marcados com o símbolo + são suplentes em exercício ou efetivados. Os números (a partir de 2) indicam a quantidade de mandatos exercidos no cargo.

Congressos Nacionais

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Edição Data Local
X janeiro de 1992 São Paulo[7]
XI maio de 1996 Rio de Janeiro[7]
XII abril de 1998 Brasília[7]
XIII março de 2002 Niterói[7]
XIV março de 2004 São Paulo[7]
XV março de 2006 Belo Horizonte[76]
XVI julho de 2009 Rio de Janeiro[77]
XVII dezembro de 2011 São Paulo[78]
XVIII dezembro de 2013 São Paulo[79]
XIX março de 2018 São Paulo[80]
Extraordinária março de 2019 Brasília[19]
Extraordinária outubro de 2019 Brasília[81]
indefinida etapas municipais
em julho de 2021
indefinido[82]

Número de filiados

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Data Filiados[12] Crescimento anual
dez./2006 405.010
dez./2007 409.766 Aumento 4.756 +1%
dez./2008 407.634 Baixa 2.132 -0,5%
dez./2009 385.479 Baixa 22.155 -6%
dez./2010 445.185 Aumento 59.706 +15%
dez./2011 465.300 Aumento 20.115 +4,5%
dez./2012 467.352 Aumento 2.052 +0,4%
dez./2013 465.310 Baixa 2.042 -0,4%
dez./2014 463.275 Baixa 2.035 -0,4%
dez./2015 465.134 Aumento 1.859 +0,4%
dez./2016 482.415 Aumento 17.281 +4%
dez./2017 480.977 Baixa 1.438 -0,2%
dez./2018 480.748 Baixa 229 -0,0%
dez./2019 441.772 Baixa 38.976 -9%
dez./2020 461.902 Aumento 20.130 +4,5%
dez./2021 453.560 Baixa 8.342 -1,8%
dez./2022 444.464 Baixa 9.096 -2%
dez./2023 431.846 Baixa 12.618 -2,8%
dez./2024 423.859 Baixa 7.987 -1,84%
dez./2025 416.826 Baixa 7.033 -1,6%

Desempenho eleitoral

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Eleições municipais

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