Passivo (relação sexual)

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O indivíduo do lado esquerdo é o sujeito passivo da relação sexual e o do lado direito é o ativo

O termo passivo, uma expressão que, na gíria sexual, se refere à posição da pessoa que é penetrado vaginal, anal ou oralmente por outra pessoa, sendo essa última denominado de ativa.[1][2]

Qualquer pessoa pode tomar a posição sexual passiva, independentemente de seu género ou sexo, sua expressão de gênero ou orientação sexual, inclusive um homem bissexual ou transgênero masculino e uma heterossexual ou lésbica butch podem ser passivos(as), não sendo termo exclusivo de homens gays, cisgêneros, afeminados, femininos, femmes ou HsHs.[3][4][5][6]

Um passivo também pode ser assexual ou preferir sexo não penetrativo,[7][8] esse último também pode ser chamado de gouine, estrangeirismo do francês para sapatão, sendo goinage, o termo lusófono, para quem prefere práticas sexuais que não envolvem penetração, do pênis com o ânus ou a vagina mais especificamente.[9][10]

Por extensão, a palavra passivo também é usada para identificar pessoas que geralmente preferem esta posição sexual, predominantemente ou exclusivamente, ou que preferem desempenhar um papel passivo. A pessoa que escolhe uma ou outra posição sexual é chamada de versátil.[11][12]

Pode ser considerado passivo quem escolher por relaxar ou ter uma participação mais tranquila durante a relação físico-sexual, sendo o ativo que predominantemente toma o controle durante a atividade sexual.

Na prática BDSM, o termo se aplica a pessoas envolvidas no papel submisso. Porém, um service top também qualificaria um ativo submisso,[13] enquanto power bottom um passivo dominante.[14][15][16]

Em inglês, o termo "Bottom" é usado em referência ao passivo, e "Top" para ativo, enquanto que no linguajar da sexologia ou jargão da psicologia, a terminologia "receptivo" e "insertivo" ou "sertivo" também possa ser por vezes usada para passivo e ativo respectivamente, uma vez que são termos derivados dos verbos receber e inserir aludindo aos papéis sexuais.[17][1]

A noção do termo passivo ou passividade, passibilidade ou passível, também é utilizada no contexto da sexualidade, para fazer alusão à uma pessoa que em uma relação conjugal, seja hétero ou homossexual, tende a ter uma postura de submissão durante o ato sexual. Este tipo de conduta também pode se estender para a vida cotidiana do casal.[18][19]

Âmbito Histórico[editar | editar código-fonte]

Detalhe do Taça Warren (Museu britânico) de um jovem sendo penetrado por um homem

Na Grécia clássica, os ativos desempenharam um papel instrutor, enquanto os passivos se configuravam como alguém mais jovem ou meramente sexualmente inexperiente.[20]

As fontes históricas disponíveis sobre a prática homossexual na Roma Antiga, suas atitudes e a aceitação deste fato são abundantes. Há obras literárias, poemas, gravuras e comentários sobre a condição sexual de todos os tipos de personagens, incluindo imperadores solteiros e casados. Por outro lado, as representações gráficas são mais raras do que no período da Grécia clássica. Atitudes em relação à homossexualidade mudaram com o tempo de acordo com o contexto histórico, variando de forte condenação a uma aceitação consideravelmente ampla. Na verdade ela foi considerada um costume cultural em certas províncias.[21]

Paradoxo Legal[editar | editar código-fonte]

Em termos legais importa referir que o homossexual ativo continua a ser menos perseguido em muitas civilizações do que o homossexual passivo, nomeadamente na cultura muçulmana, onde não se verifica uma qualquer segregação entre o dogma religioso e ordenamento jurídico. Assim sendo, enquanto por vezes o homossexual passivo é condenado pelos códigos penais de determinados países, o mesmo não acontece com o homossexual ativo. Situação semelhante acontece em alguns países africanos, mas já não relativo aos papéis sexuais, onde as relações lésbicas não são criminalizadas, mas as relações homossexuais do sexo masculino são, ou as primeiras são menos penalizadas que as últimas.[22][23]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Let's Talk About Sex: Tips for How to Take a Sexual History». Medscape (em inglês). Consultado em 19 de maio de 2021 
  2. «What Does Top and Bottom Mean? - expert sex education from BISH». www.bishuk.com. Consultado em 19 de maio de 2021 
  3. «Angélica Morango - Você é ativa, passiva ou total flex?». blogdamorango.blogosfera.uol.com.br. Consultado em 19 de maio de 2021 
  4. «Universa - "Dá certo o namoro entre lésbicas ativas que nunca foram passivas na vida?"». blogdamorango.blogosfera.uol.com.br. Consultado em 19 de maio de 2021 
  5. Rolim, Marcio. «BBB21: Afeminado pode ser ativo? Meme com Gilberto gera discussão na web». Consultado em 19 de maio de 2021 
  6. «Diversidade». O passivo versátil e o machismo gay. 8 de novembro de 2016. Consultado em 19 de maio de 2021 
  7. Luedeman, Ian Ayres & Richard. «Tops, Bottoms, and Versatiles: What Straight Views of Penetrative Preferences Could Mean for Sexuality Claims Under Price Waterhouse». www.yalelawjournal.org. Consultado em 19 de maio de 2021 
  8. Box 5/7/2020, Bobby. «Say What? These Tops Don't Like Penetrative Sex». LOGO News. Consultado em 19 de maio de 2021 
  9. «Nem ativos nem passivos: conheça os 'gouines', gays que não curtem penetração». www.bol.uol.com.br. Consultado em 19 de maio de 2021 
  10. «Gouinage: conheça a técnica que dá prazer sem penetração!». Mulheres Bem Resolvidas. 7 de agosto de 2020. Consultado em 19 de maio de 2021 
  11. «O passivo versátil e o machismo gay #leia». Revista Lado A. 13 de dezembro de 2016. Consultado em 19 de maio de 2021 
  12. «Topo tudo: maioria dos gays brasileiros é versátil, mostra pesquisa - Guia Gay São Paulo». www.guiagaysaopaulo.com.br. Consultado em 19 de maio de 2021 
  13. «What is a Service Top? - Definition from Kinkly». Kinkly.com (em inglês). Consultado em 19 de maio de 2021 
  14. Box 8/25/2020, Bobby. «What Does Being a "Power Bottom" Really Mean?». LOGO News. Consultado em 19 de maio de 2021 
  15. Stabbity (14 de julho de 2014). «What on earth is a dominant bottom?». Not Just Bitchy (em inglês). Consultado em 19 de maio de 2021 
  16. «Service Tops, Pillow Princesses and Other Sexual Terms». Autostraddle (em inglês). 31 de julho de 2018. Consultado em 19 de maio de 2021 
  17. Rios, Luís Felipe; Albuquerque, Amanda Pereira de; Santana, Warlley Joaquim de; Pereira, Amanda França; Oliveira Júnior, Cristiano José de (2019). «Posições sexuais, estilos corporais e risco para o HIV entre homens que fazem sexo com homens no Recife (Brasil)». Ciênc. Saúde Colet: 973–982. Consultado em 19 de maio de 2021 
  18. «Blog: Como a passividade é explicada segundo a psicologia». Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. 25 de outubro de 2016. Consultado em 19 de maio de 2021 
  19. «Utilizando comunicação assertiva como forma de amor». www.psicologia.pt. Consultado em 19 de maio de 2021 
  20. «Gay History: Ancient Greece». ROMEO (em inglês). 2 de dezembro de 2016. Consultado em 19 de maio de 2021 
  21. http://www.gaystarnews.com/article/truth-about-sexuality-ancient-greece-and-rome261012
  22. http://www.theguardian.com/news/datablog/2013/oct/15/state-sponsored-homophobia-gay-rights
  23. http://www.hrw.org/topic/lgbt-rights