Paul Sweezy

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Paul Malor Sweezy (Nova York, 10 de abril de 1910 - Larchmont, Condado de Westchester, 27 de fevereiro de 2004) economista marxista estadunidense, "o mais importante intelectual marxista do país", segundo publicado pelo New York Times em seu obituário . Com Leo Huberman, fundou o periódico Monthly Review (1949),[1] a mais importante e a mais antiga revista socialista dos EUA.

Sweezy é conhecido como formulador da teoria neomarxista do imperialismo,[2] ou "escola da Monthly Review" (ele mesmo usava esta denominação), e também, junto a Baran, como um dos fundadores da escola da dependência, e em especial de seu ramo marxista. Vítima do macartismo, não chegou a ser professor permanente, embora tenha sido professor visitante nas universidades de Cornell, Stanford e Yale, entre outras, e sobretudo em Harvard (1934-42), trabalhou que compatibilizou com sua participação em várias das instituções características do New Deal rooseveltiano (como o NRPB - Conselho para a planificação dos recursos nacionais ou Temporary National Economic Committee).

Paul Sweezy também ficou conhecido pelo seu debate com o inglês Maurice Dobb sobre a transição do feudalismo para o capitalismo. [3] [4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de um banqueiro de Wall Street - caçula de três filhos de um dos cinco vice-presidentes do First National Bank de Nova York, Everett P. Sweezy, e de Caroline Wilson. Sweezy estudou em Exeter (no seleto internado Philips Exeter Academy, de Nova Inglaterra) e na Universidade Harvard (obteve o título de bacharel, ou B. A., em 1931), e o doutorado, em 1937, sob a direção de Joseph Schumpeter, de quem foi muito amigo e assistente por dois anos) e em Londres, na London School of Economics (LSE). Durante seus anos em Harvard (1928 - 1932), foi diretor de redação do Harvard Crimson (o clube esportivo da universidade) e recebeu a formação económica neoclássica habitual.

Sua graduação, em 1932, ocorre num período turbulento - marcado pelo colapso do mercado de valores, quebra de bancos, o início da Grande Depressão dos anos 1930, o ascenso de Hitler ao poder e o primeiro plano quinquenal soviético. Depois de concluir a pós-graduação em Londres, Sweezy regressa a Harvard convertido em um marxista ainda muito insipiente. A partir do fim da década, a universidade Harvard se converte em um bom lugar para aprender economia marxista. Havia ali licenciados como Shigeto Tsuru e Paul A. Baran, grupos de estudantes que discutiam o socialismo e professores que conheciam a obra de Marx, como Schumpeter, Oskar Lange e Wassily Leontief. Em 1938, Sweezy passa a ensinar em Harvard, onde ministra um curso sobre economia do socialismo. Começa a estudar por sua conta e a absorver as tradições do pensamento marxista europeu (especialmente de língua alemã, por influência de Schumpeter e seus contemporâneos austríacos, Hilferding e Otto Bauer).

Durante a II Guerra Mundial, Sweezy presta 4 anos de serviço militar como oficial do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS, o precedente imediato da CIA), onde conheceu seu amigo Paul A. Baran. Ao voltar a Harvard como professor contratado, abandonou-a em seguida (em 1946) com o objetivo de estabelecer nos Estados Unidos "um ramo rigoroso e autêntico do marxismo".

Foi vítima da caça às bruxas macartista empreendida por um comitê de atividades subversivas de New Hampshire. [5]Interrogado em 1953, foi declarado culpado de desacato ao tribunal e condenado à prisão. Porém, enquanto se encontrava em liberdade sob fiança, apelou contra as condenações, as quais finalmente foram anuladas pela Suprema Corte dos Estados Unidos em uma das decisões que marcaram o declínio do macartismo.

Produção acadêmica[editar | editar código-fonte]

Teoria do Desenvolvimento Capitalista (1942) é o seu primeiro livro, publicado aos 31 anos. Ao contrário dos manuais de economia política do marxismo ortodoxo, o livro de Sweezy problematiza a idéias básicas de Marx e examina com abertura o pensamento de outros autores. Inclui, por exemplo, dois apêndices: um tomado do livro de Hilferding, O Capital Financeiro, e outro, escrito por Shigeto Tsuru, economista japonês, grande estudioso do marxismo, que compara os esquemas de reprodução de Quesnay, Marx e Keynes.

Escreveu ainda, com Paul A. Baran, Monopoly Capital: An Essay on the American Economic and Social Order (Capitalismo Monopolista). Nesse livro, dedicado a Che Guevara, ele e Baran deixam de lado o conceito central de Marx, a mais-valia, e o substituem pelo de excedente econômico, que Baran usou e analisou detalhadamente em seu livro Economia Política do Crescimento.

Paul Sweezy apresentou uma contribuição fundamental à teoria dos preços de monopólio, publicando o artigo Demand Under Conditions of Oligopoly (Demanda sob condições de oligopólio) em 1939 no Journal of Political Economy. Nesse artigo, ele introduz a curva de demanda quebrada, ferramenta operativa para a determinação do equilíbrio dos mercados oligopolísticos.

Sweezy procurou sintetizar o marxismo com certos aspectos do keynesianismo e da teoria do monopólio. Para isso, além da contribuição de Paul Baran, contou com os trabalhos de Josef Steindl e Michal Kalecki.

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Monopoly and Competition in the English Coal Trade, 1550–1850. [1938] Westport, CT: Greenwood Press, 1972.
  • The Theory of Capitalist Development. London: D. Dobson, 1946.
  • Socialism. New York: McGraw-Hill Company, 1949.
  • The Present as History: Reviews on Capitalism and Socialism. (1953, 1962).
  • Modern Capitalism and Other Essays. New York: Monthly Review Press, 1972.
  • The Transition from Feudalism to Capitalism. London: New Left Books, 1976.
  • Post-Revolutionary Society: Essays. New York: Monthly Review Press, 1980.
  • Four lectures on Marxism. (New York: Monthly Review Press, 1981).
  • "The Limits of Imperialism." In Chilcote, Ronald H. (ed.) Imperialism: Theoretical Directions. New York: Humanity Books, 2000.

Com Paul Baran[editar | editar código-fonte]

Com Charles Bettelheim[editar | editar código-fonte]

  • On the Transition to Socialism. New York: Monthly Review Press, 1971.

Com Leo Huberman[editar | editar código-fonte]

  • F.O. Matthiessen, 1902–1950. New York: S.N., 1950.
  • Cuba: Anatomy of a Revolution. New York: Monthly Review Press, 1960.
  • Regis Debray and Latin American Revolution. New York: Monthly Review Press, 1968.
  • Socialism in Cuba. New York: Monthly Review Press, 1969.
  • The Communist Manifesto after 100 Years: New translation by Paul M. Sweezy of Karl Marx's "The Communist Manifesto" and Friedrich Engels' "Principles of Communism." New York: Modern Reader, 1964.
  • Vietnam: The Endless War: From Monthly Review, 1954–1970. New York: Monthly Review Press, 1970.

Com Harry Magdoff[editar | editar código-fonte]

  • The Dynamics of US Capitalism: Corporate Structure, Inflation, Credit, Gold, and the Dollar. New York: Monthly Review Press, 1972.
  • Revolution and Counter-Revolution in Chile. New York: Monthly Review Press, 1974.
  • The End of Prosperity. New York: Monthly Review Press, 1977.
  • The Deepening Crisis of US Capitalism. New York: Monthly Review Press, 1981.
  • Stagnation and the Financial Explosion. New York: Monthly Review Press, 1987.
  • The Irreversible Crisis: Five Essays. New York: Monthly Review Press, 1988.

Referências

  1. Site da Monthly Review
  2. Noonan, Murray Marxist theories of imperialism: evolution of a concept. 2010
  3. Hilton, Rodney H. 1976. ed. The Transition from Feudalism to Capitalism. London
  4. Mariutti, Eduardo Barros A gênese do capital - um estudo sobre a polêmica Dobb-Sweezy e seus desdobramentos no debate contemporâneo. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Economia, 2000
  5. Memorial Service for Paul Marlor Sweezy (1910-2004), por John Bellamy Foster. 27 de fevereiro de 2004.