Legião Urbana

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Disambig grey.svg Nota: Para o álbum homônimo desta banda, veja Legião Urbana (álbum).
Legião Urbana
Formação clássica da banda.
Da esquerda para a direita; Renato Rocha, Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos
Informação geral
Origem Brasília,  Distrito Federal
País  Brasil
Gênero(s)
Período em atividade 19821996
20112012
20152016
2018
Gravadora(s) EMI
Afiliação(ões) Aborto Elétrico, Capital Inicial, Dado e o Reino Animal, Os Paralamas do Sucesso, Plebe Rude
Influência(s) Joy Division[1]
The Smiths[1]
The Beatles[2][3]
The Clash[3]
The Cure[4]
Ramones[5]
Joni Mitchell[3]
Gang of Four[6]
Talking Heads[6]
Sex Pistols[3]
The Jesus and Mary Chain[3]
Public Image Ltd[3]
U2[7]
Bob Dylan[8]
Integrantes Dado Villa-Lobos
Marcelo Bonfá
Ex-integrantes Renato Russo
Renato Rocha
Eduardo Paraná (Kadu Lambach)
Paulo Paulista
Ico Ouro-Preto
Página oficial Site oficial

Legião Urbana foi uma banda brasileira de rock fundada na cidade de Brasília no ano de 1982 por Renato Russo e Marcelo Bonfá. A banda também contou com Dado Villa-Lobos e Renato Rocha em sua formação clássica. Ativa até o ano de 1996,[9] encerrou suas atividades após a morte de Renato Russo, seu vocalista e letrista, em 11 de outubro de 1996. O grupo possui uma discografia de 8 álbuns de estúdio; 3 compilações e 6 álbuns ao vivo (sendo 5 com a presença de Russo).

Em dados apurados pelo Pro-Música Brasil (ABPD), a Legião Urbana soma um total de mais de 25 milhões de discos vendidos (em uma média de 250 mil por ano), sendo o segundo grupo musical brasileiro que mais vendeu discos na história,[10] além de fazer parte do chamado quarteto sagrado do rock brasileiro, juntamente com Barão Vermelho, Titãs e Os Paralamas do Sucesso.[11]

Entre outubro de 2015 e dezembro de 2016, seus integrantes remanescentes Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá apresentaram, junto a André Frateschi nos vocais e vários músicos convidados, a turnê Legião Urbana XXX Anos, que consistiu na comemoração dos 30 anos de seu primeiro álbum de estúdio. Devido a boa aceitação do público, o grupo resolveu voltar aos palcos em 2018, desta vez para tocar sucessos do segundo e terceiro discos da banda.

História[editar | editar código-fonte]

Formação e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

A banda foi formada em agosto de 1982 após uma discussão de Renato Russo com o integrante Fê Lemos, baterista de sua antiga banda, Aborto Elétrico, numa execução ao vivo da música "Veraneio Vascaína" (na ocasião, Renato havia errado a letra e levou uma baquetada em pleno show).[12] Com o fim da banda, Fê Lemos e seu irmão, Flávio Lemos (contrabaixo), formaram o Capital Inicial, com sua formação estabelecida juntamente a Dinho Ouro Preto e Loro Jones.[13]

Para compor, Renato Russo se inspirava muito em bandas como Sex Pistols, The Beatles, Ramones, Gang of Four, The Smiths, The Cure, Talking Heads, Joy Division e nos filósofos Bertrand Russell e Jean-Jacques Rousseau (dos quais, juntamente ao pintor Henri Rousseau, veio a inspiração para o seu nome artístico).[14][15]

O nome "Legião Urbana" deriva da frase “Urbana Legio omnia vincit” ("Legião Urbana a tudo vence", em latim). A sentença é uma referência à frase do imperador romano Júlio César, “Romana Legio Omnia Vincit”, traduzida como “Legionários Romanos a tudo vencem”.[16] O nome também veio pois a ideia original de Renato e Bonfá quando formaram a banda era de revezar guitarristas e tecladistas para completar o grupo. Ou seja, uma "legião" de músicos.[17] A primeira apresentação da Legião Urbana aconteceu em 5 de setembro de 1982 na cidade mineira de Patos de Minas, durante o festival Rock no Parque, que contou com outras oito atrações, entre elas o grupo musical Plebe Rude (banda amiga dos integrantes do Legião). Esse foi o único concerto em que a banda apareceu com a sua primeira formação: Renato Russo (voz, contrabaixo), Marcelo Bonfá (bateria), Paulo Paulista (teclado) e Eduardo Paraná (hoje conhecido como Kadu Lambach - guitarra).[18] Na verdade, a Cadoro Promoções — empresa responsável pela produção do festival — havia contratado o Aborto Elétrico e impresso centenas de cartazes com o nome da banda formada por Renato Russo, Fê Lemos, Flávio Lemos, Ico Ouro-Preto e, anteriormente, André Pretorius. Mas como o grupo havia encerrado suas atividades, Renato convenceu o dono da produtora, Carlos Alberto Xaulim, a se apresentar com a banda que tinha acabado de formar com o baterista Marcelo Bonfá. Após a apresentação, Paulo Paulista e Eduardo Paraná deixaram a Legião.[19] O próximo guitarrista a participar do grupo seria Ico Ouro-Preto (irmão de Dinho Ouro-Preto, vocalista do Capital Inicial; e antigo participante do Aborto Elétrico), mas, por conta de falta de compromisso com o grupo, foi substituído por Dado Villa-Lobos, que assumiu o posto de guitarrista da Legião em março de 1983.[12]

Vista de Brasília, cidade do surgimento do grupo.

Brasília era ainda uma ilha cultural em relação ao resto do país. Até 1978, a história curta da nova capital não lhe atribuíra ainda nenhum momento particularmente brilhante nas artes, até porque não havia sido formada a primeira geração de artistas brasilienses.[12] Estes estavam surgindo, justamente ali, com a cara que aquelas duas primeiras décadas tinha tido na cidade. "Química" era um dos hinos do Aborto Elétrico e foi a primeira canção daquela turma a ser gravada em fonograma e lançada em LP e K7 por todo o país. Herbert Vianna (que já havia gravado seu primeiro LP com Os Paralamas do Sucesso pela gravadora britânica EMI) apresentou a Jorge Davidson, agente da gravadora, uma fita cassete[20] com gravações de Renato Russo (correspondentes ao álbum solo de Renato chamado de O Trovador Solitário), o que interessou ao diretor artístico. A Legião Urbana foi chamada no final do ano de 1983 para gravar três demos, incluindo "Geração Coca-Cola" e "Ainda É Cedo". Logo de início o som feito pela banda não agradou aos executivos da EMI, que esperavam canções mais próximas ao folk, pois a fita apresentada ao Jorge por Herbert Vianna foi do período em que Renato Russo estava tocando e cantando sozinho (fase esta chamada de O Trovador Solitário). Foi então que o produtor Mayrton Bahia surgiu para intermediar a relação entre a banda e a EMI, explicando aos dois lados o que seria necessário fazer. Não tardou para que Jorge Davidson assinasse contrato com a banda em fevereiro de 1984.[21]

O sucesso[editar | editar código-fonte]

No ano de 1984, alguns meses após o Legião assinar um contrato com a EMI, entra, por indicação de Marcelo Bonfá e em virtude de uma tentativa de suicídio de Renato Russo em junho de 1984 na qual ele cortou o pulso esquerdo e ficou impossibilitado de tocar baixo por um tempo,[21] o baixista Renato Rocha. Em outubro de 1984, eles começam a gravação de seu primeiro álbum de estúdio.[22]

Legião Urbana (1985)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Legião Urbana (álbum)

Legião Urbana, lançado em 2 de janeiro de 1985,[23] possui um forte engajamento político-social, com letras que fazem críticas contundentes a diversos aspectos da sociedade brasileira. Paralelo a isso, possui algumas canções de amor que foram marcantes na história da música brasileira, como "Será", "Ainda É Cedo" e "Por Enquanto" - esta última que é considerada como a melhor faixa de encerramento de um disco, segundo Arthur Dapieve, crítico e amigo de Renato Russo. "Geração Coca-Cola" é outra música famosa deste álbum, pois assumia a voz daqueles que tinham crescido sob o regime militar, chamando-os de “Geração Coca-Cola”. Todas as quatro músicas já citadas foram, juntamente a "Soldados", promovidas como singles.

Com este lançamento, a Legião entra em cena acelerando o andamento da música jovem brasileira. De toda a geração emergida no "boom" do rock nacional em 1985, a Legião Urbana foi a banda mais venerada pelo público e a mais respeitada pela crítica. Apesar das letras consideradas sérias, por outro lado, o discurso não caía para a facilidade do tom panfletário.

Dois (1986)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dois (álbum)

O segundo álbum do grupo, Dois, foi lançado em 1986. Um estilo mais próximo do folk com letras mais líricas aflorou mais. Se o primeiro trabalho tinha toda uma urgência pós-punk, "Dois" era um contraponto; a visão complementar de um trovador que já não era mais solitário. A intenção era que o disco fosse duplo e se chamasse "Mitologia E Intuição". Mas o projeto foi recusado pela gravadora, fazendo com que o disco tivesse que ser simples.[24] "Daniel na Cova dos Leões" abre o disco e no início da gravação, ouve-se algo parecido com um rádio mal-sintonizado tocando um trecho de "Será" e alguns trechos do hino da Internacional Socialista.[25] Este álbum é o segundo mais vendido da banda, com mais de 1,8 milhão de cópias (Ver Discografia).[26][27] "Tempo Perdido", seu primeiro single, fez um grande sucesso e se tornou um dos clássicos da Legião. "Eduardo e Mônica", "Índios" e "Quase Sem Querer" também foram promovidos como singles com muito sucesso.[26][27]

Que País é Este 1978/1987[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Que País É Este

O disco seguinte, Que País É Este 1978/1987 foi lançado em dezembro de 1987. O sucesso de Dois fez com que a gravadora pressionasse muito a banda para o lançamento de um novo álbum, sem que houvesse repertório novo para isso.[25] Das nove faixas de Que País É Este, apenas duas foram compostas depois do álbum "Dois" - estas, justamente as duas últimas: Angra dos Reis (em menção à construção de uma usina nuclear na cidade fluminense de mesmo nome) e Mais do Mesmo.[25] A música Que País É Este foi escrita em 1978, na época em que Renato tinha apenas 18 anos e estava começando seu projeto com o Aborto Elétrico. Faroeste Caboclo, por sua vez, foi composta em 1979, na fase "trovador solitário" de Renato.[28] Com mais de nove minutos de duração, esta última música, que possui 168 versos sem refrão, conta a história do nordestino João de Santo Cristo.[29] Renato a considerava sua Hurricane (música de Bob Dylan sobre boxeador que passou anos injustamente atrás das grades),[29] além de se basear inicialmente como um repente com similaridades com as músicas de Raul Seixas e com "Domingo No Parque", música composta por Gilberto Gil.[30]

Show no Estádio Mané Garrincha e dedicação aos estúdios[editar | editar código-fonte]

Estádio Mané Garrincha, local de uma série de graves incidentes que marcaram um novo rumo à Legião Urbana.

Por conta da falta de organização nos shows causada, na maioria das vezes, pelos fãs; além das complicações internas com Renato Russo, as turnês do grupo nunca foram longas. O imenso circo que era preciso se formar para cada show se tornava um ritual um tanto quanto incômodo. Emocionalmente também era tudo muito intenso e desgastante. Renato, por ser o líder em quem os fãs depositavam tantas expectativas, sofria ainda mais com aquilo tudo. Mesmo com toda a expectativa e preparação positivas especialmente de Renato Russo, que acreditava que este seria o show de sua vida,[31] o apogeu dessa catarse coletiva aconteceu em 18 de junho de 1988, em Brasília, no Estádio Mané Garrincha.[32] Durante o show que marcava a volta da banda à cidade, houve muita confusão e muitas pessoas foram presas e saíram feridas (ver Polêmicas). A turnê foi suspensa e, a partir dali, a Legião se voltaria ainda mais aos estúdios.[33]

As Quatro Estações (1989)[editar | editar código-fonte]

O álbum As Quatro Estações, do ano de 1989, levou um ano para ser lançado (o preparo começou em agosto de 1988 e o resultado foi publicado em 30 de outubro de 1989).[34] Por conta de toda a meticulosidade dos arranjos e letras construídos ao decorrer deste tempo, o álbum é considerado por fãs o melhor e mais inspirado trabalho do grupo, e inclusive pelos próprios Dado Villa-Lobos[35] e Renato Russo (que, segundo sua entrevista para a MTV em maio de 1994, passou a considerar o álbum seguinte, "V", o melhor do Legião até então). De todas as 11 músicas do disco, apenas "1965 (Duas Tribos)" e "Maurício" não foram promovidas como singles. É o álbum mais vendido da Legião, com mais de 2,6 milhões de cópias.[36] O baixista Renato Rocha tocou com os demais integrantes nos três primeiros álbuns de estúdio do grupo e chegou a gravar algumas linhas de baixo deste álbum. Porém, deixou o grupo devido a falta de compromisso com os demais integrantes do grupo.[35] As linhas de baixo originalmente gravadas por Rocha foram descartadas, e novas linhas foram criadas e gravadas tanto por Renato quanto por Dado. A canção "Feedback Song for a Dying Friend" era em homenagem a Cazuza, que, antes de Renato descobrir ser portador da doença, já tinha anunciado ser portador do vírus HIV.[37] Uma das canções mais tocadas, "Pais e Filhos", fala sobre uma menina que comete suicídio jogando-se da janela do quinto andar.[37]

V (1991)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: V (álbum de Legião Urbana)

Lançado em novembro de 1991, V é considerado o disco mais melancólico da banda. Renato estava em um momento complicado de sua vida, por conta da descoberta de que era soropositivo um ano e meio antes; problemas no relacionamento com seu namorado, Robert Scott Hickman; e o seu problema com o alcoolismo.[38] Também houve muita influência do então Governo Collor, que teve muito destaque com o bloqueio da poupança de todos os brasileiros.[38] O álbum apresenta um estilo bem atípico do grupo. "Metal Contra As Nuvens" - a música mais longa do grupo, com total de exatamente 11 minutos e 24 segundos de duração - e "O Teatro Dos Vampiros" foram as músicas mais politizadas do disco.[38] "A Montanha Mágica" também se destacou por se tratar da dependência química de Renato. Somente "O Teatro Dos Vampiros", "Vento No Litoral" e "O Mundo Anda Tão Complicado" foram promovidas como singles. O disco teve vendagens muito fracas se comparado principalmente ao disco anterior, não chegando nem a 500 mil cópias vendidas.[39]

O Descobrimento do Brasil (1993)[editar | editar código-fonte]

O álbum O Descobrimento do Brasil (1993) foi lançado na época em que Renato Russo tinha iniciado o tratamento para livrar-se da dependência química e mostrava-se otimista quanto ao seu sucesso. O álbum é dedicado ao músico Tavinho Fialho, baixista que acompanhou a banda na turnê do álbum anterior, e havia falecido em um acidente.[40] Desta forma, Descobrimento é um álbum com fortes notas de esperança, mas permeado por tristeza e saudosismo. Ainda assim, é considerado por muitos o álbum mais "alegre" e delicado da Legião Urbana. O art rock passa a ser muito presente no disco, junto com o rock alternativo. "Perfeição" - única música politizada do disco, com forte crítica social -, "Giz" - a música que Renato se sente mais contente de ter feito, com referências à infância[40] - e "Vinte e Nove" - referência ao ciclo de 29 anos de Saturno como um recomeço para Renato - foram as músicas de maior sucesso.

A Tempestade (1996) e fim do grupo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: A Tempestade ou O Livro dos Dias
O cantor e compositor Renato Russo, líder da Legião Urbana.

O último concerto da Legião Urbana aconteceu em 14 de janeiro de 1995, na casa de apresentações Reggae Night em Santos, litoral do estado de São Paulo. No mesmo ano, todos os discos de estúdio da banda até 1993 foram remasterizados no lendário estúdio britânico Abbey Road Studios, em Londres, famoso por vários discos dos Beatles; e lançados em uma lata, intitulada "Por Enquanto 1984-1995". A lata também incluía um pequeno livro, com um texto escrito pelo antropólogo Hermano Vianna, irmão do músico Herbert Vianna.[41]

A Tempestade ou O Livro dos Dias, lançado em 20 de setembro de 1996,[42] foi o último da banda com Renato Russo em vida. Além disso, o álbum possui músicas muito tristes, alternando entre o rock clássico de "Natália" e "Dezesseis"; ao lirismo de "L'Avventura" e "O Livro Dos Dias"; ao experimentalismo de "Música Ambiente"; à lembrança do sofrimento da juventude em "Aloha" e à sutileza de "Soul Parsifal", "1º De Julho" (música composta especialmente para a intérprete Cássia Eller, que a lançou em primeira mão em 1994)[43] e "Esperando Por Mim". As letras, em geral, abordam temas como solidão, passado, amor, depressão, homossexualidade, AIDS, intolerância e injustiças, sendo um disco "melodramático" e de alma triste. "A Via Láctea" e "Dezesseis" foram seus principais singles.

Algumas canções do disco sugerem uma despedida antecipada, como diz o trecho "e quando eu for embora, não, não chore por mim", da canção "Música Ambiente".[43] As fotos do encarte foram tiradas próximas à época do lançamento, exceto a de Renato, que foi aproveitada da sessão de fotos do seu álbum solo Equilíbrio Distante (1995), já que o cantor, um pouco debilitado, se recusou a fotografar para o disco. O álbum A Tempestade foi lançado inicialmente na época com capa de papel e anos depois relançado com capa de plástico. A foto de Dado Villa-Lobos é diferente entre estas duas versões. Com exceção de "A Via Láctea", as demais faixas do álbum possuem apenas a voz-guia de Renato, que não quis gravar as vozes definitivas. As vozes-guia foram gravadas no início das gravações do álbum, em virtude de que Renato estava perdendo sua potência vocal. Também não foram incluídas as frases "Urbana Legio Omnia Vincit" e "Ouça no Volume Máximo", presentes nos discos do grupo. Em seu lugar, uma frase do escritor modernista brasileiro Oswald de Andrade: "O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus". O fim oficial da banda foi anunciado em 22 de outubro de 1996, onze dias após a morte de Renato Russo. Ele faleceu 21 dias após o lançamento de A Tempestade, no dia 11 de outubro de 1996. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá seguiram suas carreiras e lançaram discos solo nos anos seguintes.

Por conta de um processo de recuperação judicial do grupo iniciado em 1985 (no qual um oportunista registrou a marca do grupo antes de seus integrantes), quando o processo foi concluído, em 1991, o poder da marca Legião Urbana teria que ser centralizada em apenas uma pessoa. A escolhida foi Renato Russo. Um mês depois da morte dele, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá receberam uma ligação movida pelos pais de Renato, através da qual foi anunciado que os dois perderam o direito de dizerem publicamente que participaram do Legião Urbana. O direito de Dado e Bonfá de dizerem publicamente que participaram do Legião foi recuperado permanentemente em 27 de março de 2015, dia em que Renato faria 55 anos se estivesse vivo.[44][45]

Após o fim[editar | editar código-fonte]

Uma Outra Estação (1997)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Uma Outra Estação

Uma Outra Estação foi um álbum póstumo. A ideia original era de que A Tempestade fosse um álbum duplo. Mas como disco duplo era caro para produzir e vender ao consumidor final naquela época, a ideia foi descartada e o material não lançado foi retrabalhado e lançado neste álbum.[46] Canções como "Clarisse" ficaram de fora do álbum anterior por desejo do próprio Renato, que a considerava com uma temática muito pesada. A letra da canção "Sagrado Coração" consta no encarte, porém, Renato não conseguiu gravá-la porque já estava muito debilitado.[47] O álbum conta com participações especiais como Renato Rocha, baixista dos primeiros discos da Legião e Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas do Sucesso.[48][49] "Antes das Seis", "As Flores do Mal" e "Marcianos Invadem a Terra" foram seus principais singles.[50][51] O produtor musical vencedor do Grammy Latino, Tom Capone, trabalhou como coprodutor do álbum e gravou guitarras e efeitos.[52]

Acústico MTV[editar | editar código-fonte]

No ano de 1992, a banda participou da série Acústico MTV. Eles foram o segundo grupo a participar do então novo programa da MTV no Brasil.[53] O registro, datado de janeiro de 1992, foi publicado em outubro de 1999 e foi impulsionado por covers como “Hoje a Noite não tem Luar”, versão de uma música do Menudo chamada “Hoy Me Voy Para México”, Neil Young, PiL, The Jesus and Mary Chain e Joni Mitchell.[54]

Tributos[editar | editar código-fonte]

Membros vivos do Legião Urbana realizando um show tributo em 2012 com o ator Wagner Moura como vocalista.

Em 5 de setembro de 2009, após rumores sobre um possível retorno às atividades, a família Manfredini, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e a gravadora EMI, alegam que eram infundadas informações sobre retorno da banda, esclarecendo que "uma possível volta da banda Legião Urbana é falsa. Não existe possibilidade alguma de uma volta da banda Legião Urbana."[55] Quinze dias após o desmentido, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá fizeram uma participação especial em um concerto do festival Porão do Rock, em Brasília.[56] Em 2011, Dado e Bonfá conduziram, juntamente com a Orquestra Sinfônica Brasileira, um tributo à Legião Urbana durante o Rock in Rio 4. O concerto contou com convidados que cantaram alguns sucessos da banda (entre eles, Rogério Flausino (Jota Quest) - na música "Tempo Perdido" - e Pitty - na música "Índios"), além de um medley especial feito pela Orquestra Sinfônica Brasileira com trechos de músicas do grupo.[57][58] No ano seguinte, a MTV Brasil organizou um novo tributo para a série MTV ao Vivo, em São Paulo, pelos trinta anos de início das atividades do grupo.[59] A homenagem teve a participação do ator Wagner Moura, fã assumido da banda, como vocalista principal, além de participações dos músicos Fernando Catatau & Clayton Martin (Cidadão Instigado), Bi Ribeiro (Os Paralamas do Sucesso) e Andy Gill (Gang of Four), este último guitarrista de uma das maiores influências da Legião.[60]

Legião Urbana XXX Anos[editar | editar código-fonte]

Show da turnê "Legião Urbana XXX anos" na cidade de João Pessoa.

Ao recuperarem permanentemente seus direitos de dizer publicamente que participaram do Legião Urbana em 27 de março de 2015, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá usaram o nome Legião Urbana algumas vezes. A primeira vez foi na gravação do especial "Rock In Rio 30 Anos", uma compilação de vários artistas do rock brasileiro interpretando clássicos de colegas de cena e de influências brasileiras.[61] Dado e Bonfá gravaram, acompanhados de Lucas Vasconcellos (guitarra solo) e Mauro Berman (contrabaixo elétrico), versões para "Toda Forma de Poder", do grupo Engenheiros do Hawaii e "Por Você", do grupo Barão Vermelho.[61] Posteriormente, os mesmos músicos citados se uniram a Roberto Pollo (teclados) e André Frateschi (vocais) com o projeto "Legião Urbana XXX Anos", que consistiu em uma série de shows para comemorar os 30 anos do lançamento do disco "Legião Urbana", reunindo o repertório integral do álbum "Legião Urbana" e sucessos dos demais álbuns do grupo.[62] Devido a mal-entendidos, Dado e Bonfá esclareceram que o projeto não era uma volta permanente da banda Legião Urbana.[63] A primeira apresentação foi em 23 de outubro na cidade de Santos–SP.[64]

Dado e Bonfá também lançaram um box especial, com dois discos, um livreto e uma remasterização do primeiro álbum. O box contém as faixas "Será", "Geração Coca-Cola" e "Soldados", além de sobras de estúdio e versões que o Legião tocou para mostrar à gravadora no início da carreira. Dado e Bonfá tiveram um grande problema com a faixa "1977", gravada e nunca lançada devido à insatisfação de Renato Russo com o resultado. A canção inspirou Renato a escrever outros dois grandes sucessos "Fábrica" e "Tempo Perdido". Quando o box estava pronto para lançamento, Dado e Bonfá foram comunicados de que a música pertencia a Renato Russo com 75% dos direitos e Legião Urbana Produções Artísticas (em posse do filho dele) com 25%. Sendo assim, esta música não poderia estar no box. Eles apresentaram um documento oficializado pelo Departamento de Censura de Diversões Públicas da Polícia Federal, provando que a música era de autoria conjunta de Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá. Ainda assim, descobriram que 1977 foi registrada em 2003 no ECAD pelo filho de Renato, Giuliano Manfredini. Devido a esse novo impasse, o box foi lançado sem a faixa "1977" em Março de 2016.[65]

A turnê Legião Urbana XXX Anos, segundo o Facebook oficial da mesma, contou com um total de pouco menos de 100 shows feitos nas 5 regiões do Brasil.[66] O último show da turnê foi em 30 de dezembro de 2016, na cidade de Caraguatatuba.[67] Houve outros dois shows do projeto em 2018: o primeiro no dia 19 de maio, no Campus Festival em João Pessoa,[68] e o segundo no dia 20 de maio, na Virada Cultural de São Paulo.[69]

Devido ao grande sucesso de crítica e apelos dos fãs, a Legião Urbana XXX Anos retornou em setembro de 2018 com uma nova turnê, desta vez para apresentar o segundo e terceiro álbuns de estúdio da banda.[25] A turnê iniciou em 6 de setembro na cidade de Miami e depois voltou ao Brasil para mais uma série de shows pelo país inteiro.[25]

Polêmicas[editar | editar código-fonte]

Acusações de plágio[editar | editar código-fonte]

Há controvérsias de que a música Que País É Este seria plágio de uma canção da banda de punk rock estadunidense Ramones chamada "I Don't Care", notada por muitos fãs e especialistas pela semelhança dos arranjos e melodia (ou "riff"). Ao ser questionado sobre, o vocalista da banda e compositor da música, Renato Russo ironizou respondendo e citando a tradução do nome da música da banda estadunidense: "Eu não ligo!!".[70] Logo depois, o mesmo confirmou que se inspirou na canção dos Ramones.[71] O fato, segundo os mesmos fãs e especialistas, não teria chegado ao conhecimento dos Ramones.

Outro caso de plágio, dessa vez assumido, do Legião Urbana foi da letra do duo inglês Soft Cell.[71][72] "Take your hands off me/ I don't belong to you", trecho da canção "Say Hello Wave Goodbye", é muito semelhante ao começo da canção "Será", sucesso estrondoso do primeiro álbum da banda de Brasília. Renato Russo disse que realmente se "inspirou" nas palavras do Soft Cell para o trecho "Tire suas mãos de mim/ eu não pertenço a você".[71][72]

Outra canção que supostamente a Legião teria plagiado, foi a versão do grupo escocês The Cartoons para “Love is the Drug”, do Roxy Music, para criar a sua célebre canção “Ainda é Cedo”.[72] Outros alegam que a canção seria plágio de "A Means to an End", da banda Joy Division.[73]

Confusão durante show em Brasília[editar | editar código-fonte]

Durante o show que marcava a volta da banda à sua cidade natal, em 18 de junho de 1988, os portões do Estádio Mané Garrincha foram abertos, na tentativa de conter os que não conseguiram comprar um dos 50 mil ingressos postos à venda.[33] Com a tensão no ar, uma série de confusões se sucederam. Violência policial, discursos inflamados, bombas caseiras e a invasão do palco por um fã alucinado que se agarrou violentamente ao vocalista. O cenário de caos terminou com a suspensão da apresentação e mais confusão. Cerca de 63 pessoas foram presas, mais de 230 ficaram feridas e uma onda de ódio à banda como resultado.[33] Paredes em torno do estádio e próximas a casa da mãe de Renato Russo amanheceram pichadas com palavras de ordem contra a banda. A turnê foi suspensa e, a partir dali, a Legião nunca mais tocou em sua cidade natal e se voltaria ainda mais aos estúdios.[33]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Somos Tão Jovens
Ver artigo principal: Faroeste Caboclo (filme)

Dois filmes relacionados à banda foram lançados nos cinemas brasileiros, em circuito nacional.

Somos Tão Jovens, de Antônio Carlos da Fontoura, com roteiro de Marcos Bernstein e trilha sonora original de Carlos Trilha, retrata a adolescência de Renato Russo (interpretado pelo ator Thiago Mendonça)[74] e o início de seu interesse pela música, abordando a criação e extinção do Aborto Elétrico e também sua fase d' O Trovador Solitário e os dois primeiros anos da Legião Urbana.[75][76] Distribuído pelas empresas Imagem Filmes e Fox Film Brasil, estreou nos cinemas no dia 3 de maio de 2013.[77]

Pouco depois, em 30 de maio,[78] foi lançado Faroeste Caboclo, adaptação da canção homônima de Renato, dirigida por René Sampaio e com roteiro de Victor Atherino e Marcos Bernstein a partir da letra original, e com distribuição da Europa Filmes. No elenco, atuaram Fabrício Boliveira (João de Santo-Cristo), Ísis Valverde (Maria Lúcia), Felipe Abib (Jeremias) e César Troncoso (Pablo).[79][80][81]

Em julho de 2018, começaram as gravações para a adaptação cinematográfica de "Eduardo e Mônica". Já foram divulgados Gabriel Leone como Eduardo e Alice Braga como Mônica.[82]

Integrantes[editar | editar código-fonte]

Dado Villa-Lobos
Marcelo Bonfá

Legião Urbana XXX Anos[editar | editar código-fonte]

Formação original (1982 - 1996)[editar | editar código-fonte]

  • Renato Russo - voz, violão, contrabaixo elétrico, teclados sintetizadores, percussão ("Eduardo E Mônica"), guitarra ("Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar"), gaita ("Sete Cidades"), cítara ("Love In The Afternoon" e "Só Por Hoje").
  • Dado Villa-Lobos - guitarra, violão, contrabaixo elétrico, bandolim, dobro, percussão ("Angra Dos Reis"), craviola ("La Maison Dieu"), gaita ("La Maison Dieu").
  • Marcelo Bonfá - bateria, percussão, teclado sintetizador, rhythm track, gaita ("Sete Cidades").

Ex-integrantes[editar | editar código-fonte]

  • Renato Rocha (contrabaixo elétrico) (1984 - 1989)
  • Eduardo Paraná (guitarra) (1982)
  • Paulo Paulista (teclado sintetizador) (1982)
  • Ico Ouro Preto (guitarra) (1982 - 1983)

Linha do tempo[editar | editar código-fonte]

Músicos de apoio[editar | editar código-fonte]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Álbuns ao vivo[editar | editar código-fonte]

Compilações[editar | editar código-fonte]

  • 1998 - Mais do Mesmo
  • 2011 - Legião Urbana - Perfil
  • 2016 - Legião Urbana (Edição Especial 30 Anos)

DVDs[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  • O Diário da Turma 1976-1986: A História do Rock de Brasília (2001, Conrad Editora)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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