Pecado Capital (1975)

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Pecado Capital
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 45 minutos
Criador(es) Janete Clair
País de origem  Brasil
Idioma original (português brasileiro)
Produção
Diretor(es) Daniel Filho
Jardel Mello
Elenco
Tema de abertura "Pecado Capital", Paulinho da Viola
Tema de encerramento "Pecado Capital", Paulinho da Viola
Exibição
Emissora de televisão original Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 24 de novembro de 19755 de junho de 1976
N.º de episódios 167
Cronologia
Programas relacionados Pecado Capital (versão de 1998)

Pecado Capital é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo pela primeira vez entre 24 de novembro de 1975 e 4 de junho de 1976, substituindo Escalada e sendo substituída por O Casarão.[1] Foi a 16ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho e Jardel Mello, teve 167 capítulos.[2] O ator Moacyr Deriquém, intérprete do personagem Ricardo, era também o produtor executivo da novela, que foi a primeira a ser exibida em cores no horário das oito da noite.[2]

Francisco Cuoco, Betty Faria, Lima Duarte, Rosamaria Murtinho e Débora Duarte interpretaram os personagens principais da trama, que conta a história de um motorista de táxi que passa a viver um dilema após assaltantes de banco em fuga esquecerem em seu táxi uma mala com o dinheiro roubado, ficando na dúvida se a entrega à polícia, correndo o risco de ser acusado de cúmplice do assalto, ou se usa o dinheiro para resolver seus problemas.

A telenovela foi reapresentada pela TV Gaúcha, atual RBS TV Porto Alegre, entre janeiro e abril de 1982, às 22h15.[3] Reapresentada também na Rede Globo num compacto de uma hora e meia em 4 de fevereiro de 1980, como atração do Festival 15 Anos (apresentação de Lima Duarte).[1] Entre 1998 e 1999, foi ao ar o remake de Pecado Capital, reescrita por Glória Perez, dessa vez sem sucesso. Em julho de 2014, foi lançada num box de 10 discos de DVD da Globo Marcas.[4]

Produção e exibição[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

"Com a expectativa que Roque Santeiro criou, a responsabilidade de escrever sua substituta era muito grande. Mudei meu gênero. Não fiz Pecado Capital para imitar o Dias, mas, pelo menos, para me igualar um pouco ao estilo dele. Levei meu romantismo para o lado realista. Parece que em Pecado Capital em diante eu dei uma melhorada".

Em 1975, estava tudo pronto para a exibição da primeira versão de Roque Santeiro, quando, às vésperas da estreia, a Censura vetou a novela, instaurando uma crise na programação da Rede Globo. Um compacto de Selva de Pedra foi levado ao ar enquanto a emissora buscava uma nova história para o horário. A censura também vetaria três sinopses enviadas como substitutas: Saramandaia, de Dias Gomes (que estrearia às 22 horas no ano seguinte), e as adaptações dos romances O Resto É Silêncio, de Érico Veríssimo, e Os Cangaceiros, de José Lins do Rego. Janete Clair, que já passara pela experiência de escrever uma sinopse em tempo recorde – no caso, O Semideus –, ofereceu-se para repetir a façanha. Para criar a sinopse de Pecado Capital, Janete Clair deixou Bravo!, a novela das sete que escrevia na época, a cargo do colaborador Gilberto Braga.

A maior parte do elenco de Pecado Capital era formada por atores escalados para a primeira versão de Roque Santeiro. Janete Clair escreveu sua trama substituta pensando neles, porque temia que permanecessem muito tempo desempregados. Na novela censurada, Francisco Cuoco interpretava Roque, Betty Faria era a Viúva Porcina, e Lima Duarte vivia Sinhozinho Malta (papel que voltou a interpretar na versão de Roque Santeiro levada ao ar em 1985).

Na sinopse original de Janete Clair, intitulada O Medo, o personagem Carlão era Rafa, o galã romântico, namorado de Lucinha, a moça suburbana e ambiciosa que se envolvia com o rico empresário Salviano Lisboa, o vilão da história, para ascender socialmente. Na ideia de Janete, Salviano perderia o amor de Lucinha para Rafa, porque o grande amor verdadeiro seria esse simples, puro, do subúrbio. Com a entrada de Daniel Filho na direção, a autora mudou a trama: humanizou Salviano, tornando-o um solitário, e Rafa (que passou a ser Carlão), deixou de ser o mocinho e tornou-se o anti-galã. O personagem de Francisco Cuoco aparecia nos scripts dos primeiros capítulos como Rafa e, depois, Zuza. Seu nome só foi definido por Janete Clair a partir do capítulo 7, no qual ela escreve: “Desculpe, o personagem Zuza, ex-Rafa, será Carlão. Espero que definitivamente. Portanto, tudo que era de Rafa, ou Zuza, passará a ser de Carlão”.

A sinopse original, O Medo, previa que Lucinha terminaria a novela com Carlão, que devolveria o dinheiro no fim da trama. Mas isso não aconteceu. Daniel Filho conta que as várias modificações que sugeriu para o roteiro levaram a novela para outro rumo. Uma vez que o romance de Lucinha com Salviano havia indiscutivelmente ganhado força na história e conquistado o público, o diretor ponderou com a autora que seria um erro desfazer o casal. Considerou, ainda, que um amor como o da tecelã e do taxista só deixaria de existir graças a uma tragédia. Para Daniel Filho, a condição para que Lucinha ficasse com Salviano era que Carlão morresse. Janete Clair acabou concordando que era preciso provar ao telespectador que a televisão era capaz de surpreendê-lo.

Daniel Filho teve de convencer Betty Faria – sua esposa, na época – a aceitar o papel de Lucinha. A atriz, que interpretaria a Viúva Porcina na primeira versão de Roque Santeiro, não se entusiasmou de imediato com a personagem, julgando-a parecida demais com as mocinhas clássicas que marcaram a carreira de Regina Duarte. Ironicamente, Lucinha acabou sendo um dos seus maiores sucessos na televisão.

Segundo Daniel, Boni chegou a pedir que os primeiros capítulos da novela fossem regravados, porque achava que o público se assustaria com as doses maciças de realismo, especialmente na reconstituição do subúrbio carioca. Daniel comentou em seu livro O Circo Eletrônico, "(...) a proposta foi assumir uma brasilidade bem realista. Queria mostrar a miséria. Quando o Boni assistiu ao primeiro capítulo, fiquei desesperado porque já tinha gravado 10 ou 12 capítulos, e ele me pediu para refazer tudo pois estava tudo muito miserável, muito deprimente. Nós tínhamos feito um tremendo laboratório para fazer aquela novela. Não refizemos"[5]. Para a felicidade do diretor – desesperado ante a perspectiva de ter que refazer tudo –, Boni reconsiderou sua opinião e voltou atrás.

Elza Gomes, que interpretava Bá, a governanta de Salviano Lisboa, teve que se afastar da novela para passar por uma cirurgia no coração. A partir do capítulo 45, a atriz Miriam Pires foi incorporada ao elenco, no papel de Nora, irmã de Bá. Quando não se esperava mais que Elza Gomes retornasse à novela, a atriz se recuperou e voltou a gravar, reaparecendo a partir do capítulo 120. Na cena do retorno de Bá, os atores estavam tão emocionados que choraram de verdade. Mirian Pires deixou a novela no capítulo 124.

Os atores e a equipe de produção de Pecado Capital formaram um time de futebol, comandado pelo técnico Dary Reis, que fez o papel de Ernani, na novela. Entre os jogadores estavam Francisco Cuoco, Dennis Carvalho, Milton Gonçalves e João Carlos Barroso, além dos diretores Daniel Filho e Jardel Mello.

Pecado Capital estreou com enorme audiência nas maiores cidades do Brasil, e é considerada por muitos a melhor novela de Janete Clair. Pecado Capital fez tanto sucesso que se transformou em um dos assuntos do álbum de figurinhas Brasil Capital, que trazia cromos autocolantes com os personagens da novela, que foi vendida para vários países, como Bolívia, Peru, Guatemala e Espanha.

Os pais do diretor Daniel Filho, Juan Daniel e Mary Daniel, ambos atores, fazem participações na novela. Juan Daniel, que também era cantor, contracena com Lima Duarte em uma sequência em que canta para Salviano a música El Día Que me Quieras, de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera.

Roteiro[editar | editar código-fonte]

"Na verdade Pecado Capital é uma dessas novelas que acontecem de tempos em tempos, uma dessas mágicas absurdas. (...) Para mim, Francisco Cuoco, o Carlão, não guardava o dinheiro pensando em devolver: guardava pensando mesmo em guardar. O meu Carlão era assim, e a partir daí mudava um pouco o Carlão da Janete, porque o meu era meio sacana. Assim eu mantinha o texto da Janete, mas o comportamento do Carlão ficava meio contraditório".

Daniel Filho em seu livro Antes que me Esqueçam.[1]

Janete Clair deixava as tramas fantasiosas e melodramáticas e partia para o realismo,[1][4] muito próximo do estilo de Dias Gomes, seu marido. A autora contou que, de Dias Gomes, apenas se inspirou levemente no universo de sua telenovela Bandeira 2, povoada por bicheiros e tipos populares extraídos do subúrbio carioca. Pecado Capital não tinha o clichê da mocinha ingênua e sofredora, nem um galã romântico. Enquanto Lucinha era uma batalhadora e de personalidade forte, Carlão era quase um anti-herói.[1]

O primeiro capítulo apresentava um assalto ao banco e o fruto deste roubo, uma mala de dinheiro, 800 mil cruzeiros, considerada uma fortuna na época, que era deixado no táxi de Carlão. O último capítulo explicou a tragédia urbana nacional que a autora desenvolveu durante a telenovela. Carlão, que agira de má fé, morre assassinado entre as obras do metrô Estação Carioca, e sua morte é notícia de jornal. No mesmo matutino, um destaque social chama a atenção dos leitores: o casamento de Lucinha e Salviano. O fatal desfecho de Carlão gerou discordância entre Janete Clair e Daniel Filho, o diretor queria que ele morresse e a autora não queria.[1] No final, Janete Clair acabou concordando que era preciso provar ao telespectador que a televisão era capaz de surpreendê-lo.[3]

O último capítulo de Pecado Capital foi exibido no mesmo dia do incêndio ocorrido no prédio da TV Globo, na rua Von Martius, no Jardim Botânico, em 4 de junho de 1976. O fogo começou às 13h e só foi apagado à noite, o que fez com que a programação da emissora fosse gerada de São Paulo durante a tarde e a noite do incidente. No dia seguinte ao incêndio, a partir das 18h, a programação voltou a ser gerada da sede da emissora, no Rio de Janeiro.[1]

Remake[editar | editar código-fonte]

Um remake de Pecado Capital foi produzido e apresentado pela Rede Globo, em 1998, no horário das 18 horas. A novela, assinada por Gloria Perez, teve direção de núcleo de Wolf Maya, e tinha no elenco Carolina Ferraz, como Lucinha, e Eduardo Moscovis, como Carlão. Francisco Cuoco também atuou nessa segunda versão, desta vez no papel de Salviano Lisboa.

Vilma, personagem que havia sido de Débora Duarte, foi entregue à sua filha, Paloma Duarte. André Valli, que na primeira versão viveu o personagem Claudius, interpretou Orestes, o pai de Lucinha, na segunda versão da novela. Mário Lago também atuou nas duas novelas, no mesmo papel: o do advogado que defende Eunice (Rosamaria Murtinho/Cássia Kiss) no inquérito sobre o assalto ao banco. Na primeira versão, ele se chamava Peres. Na segunda, Amato.

O remake de Pecado Capital contou com as participações especiais de Betty Faria, como uma trocadora de ônibus que tem um breve diálogo com Lucinha, e Lima Duarte, como Tonho Alicate, o bandido que mata Carlão no desfecho da trama.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Carlão (Francisco Cuoco) é um motorista de táxi que vive um drama de consciência depois que assaltantes de banco em fuga esquecem em seu carro uma mala com o dinheiro roubado: não sabe se a entrega à polícia, correndo o risco de ser acusado de cúmplice do roubo, ou se usa o dinheiro para resolver seus problemas. Ele é noivo de Lucinha (Betty Faria), com quem tem uma relação apaixonada, mas tumultuada por brigas e ciúme, por conta do seu machismo.

Lucinha é uma jovem sonhadora que trabalha como tecelã em uma fábrica de confecções, de propriedade do industrial Salviano Lisboa (Lima Duarte). Escolhida para estrelar uma campanha publicitária, começa a fazer sucesso como modelo, com o nome de Luci Jordan. Sua circulação por ambientes mais sofisticados, aliada à rudeza de Carlão, afastam-na da realidade do subúrbio, levando-a a se envolver com Salviano, homem gentil e sensível, cujos modos contrastam com os do ex-noivo. Os dois se apaixonam, e Lucinha é obrigada a enfrentar a desconfiança e a hostilidade dos filhos do empresário para concretizar seu amor: além de não aprovarem a relação do pai com uma mulher mais jovem e de outra classe social, eles estão certos de que a moça está interessada apenas no dinheiro da família.

Carlão não se dá conta de que não é o dinheiro, mas a distância cultural, representada por valores conflitantes, que o separa de seu amor. Para provar à ex-namorada que é capaz de competir com Salviano, ele compra uma frota de táxis com a quantia do assalto e dá início a sua ascensão social como empresário suburbano, ajudando moradores de sua comunidade. Passa a ser chamado de “Rei do Méier”. Enquanto isso, envolvida involuntariamente no assalto ao banco por causa de Miguel (Zanoni Ferrite), desconhecido com quem inicia um flerte, Eunice (Rosamaria Murtinho) é pressionada pelo marido, Ricardo (Moacyr Deriquém), a sair do país e abandonar o filho, Paulinho (Fábio Mássimo). Mas ela não suporta a separação e retorna, sendo denunciada à polícia, pelo próprio Ricardo, como cúmplice do roubo.

Eunice depõe na delegacia, mas não consegue identificar o taxista em cujo carro foi deixada a mala com o dinheiro roubado. Auxiliada por seu advogado, aguarda o inquérito em liberdade. Paralelamente, seu marido morre em um acidente. Chantageada por Jurandir (Gilson Moura), um dos assaltantes, que ameaça a vida de Paulinho em troca da mala, Eunice o mata. Carlão se sente culpado pela situação de Eunice e aproxima-se dela e de seu filho para oferecer ajuda como amigo, sem revelar que é o taxista procurado pela polícia. Eunice, porém, descobre a verdade, e os dois se casam.

Ela se apaixona realmente por Carlão e, de ex-moradora de Copacabana, passa a morar no subúrbio com o filho, na mesma casa de Raimundo (Gilberto Martinho) e Elisete (Leina Krespi), pai e irmã de Carlão. Sofre ao constatar que Carlão ainda ama Lucinha, mas não o denuncia, incentivando-o a devolver o dinheiro do assalto. O ex-taxista, porém, começa a gastar muito dinheiro. Para não perder o status, e por conta de sua obsessão por Lucinha, envolve-se em transações ilícitas com Sandoval (Alfredo Murphy), um perigoso marginal, que passa a ameaçá-lo, cobrando a dívida de um empréstimo.

Tramas paralelas[editar | editar código-fonte]

Muito jovem e inexperiente, Emilene (Elizângela) ainda é uma adolescente que não sabe que rumo dar a sua vida. Chega a se envolver com Vicente (Luiz Armando Queiroz), o filho mais velho de Salviano, que seduz várias garotas com promessas de casamento. Mas ela se apaixona mesmo por Virgílio (Lauro Góes), que enfrenta a tentação de abandonar sua vocação religiosa em nome do que sente pela irmã de Lucinha. Através do personagem, Janete Clair discutiu o celibato religioso. Os telespectadores aprovaram o casal mas, ao final da novela, Virgílio opta pela batina. A convivência com Virgílio faz Emilene amadurecer, e ela decide estudar Enfermagem.

Vilma (Débora Duarte) é um dos principais obstáculos à relação de Salviano e Lucinha. Carente, insegura e perturbada, ela nunca aceitou a morte prematura da mãe, uma das razões por que é desajustada. A filha caçula de Salviano anda com jovens transgressores e gosta de se expressar através dos desenhos que cria. Em seus momentos de fuga da realidade, fala uma língua estranha – que atribui a um fictício país – e conversa com os animais. A cena em que conversa com uma lesma causou tanta repercussão que Janete Clair escreveu outra cena da personagem contracenando com o molusco. O único que consegue lidar com Vilma é o seu psiquiatra, Percival (Milton Gonçalves), que gradualmente conquista sua confiança e a ajuda a entender e vencer seus medos.

A certa altura da novela, Vilma diz se chamar Telma e vai trabalhar na agência de publicidade de Nélio Porto Rico (Dennis Carvalho), que tem a conta da Centauro. Os dois se apaixonam e se casam, mas continuam morando na casa de Salviano, já que Vilma ainda não consegue superar suas inseguranças. Nélio entra para a família de Salviano sob a desconfiança de que se casou de olho no dinheiro do sogro, mas ama Vilma de verdade: ele lida pacientemente com os surtos da mulher, que chega a não reconhecê-lo como marido. Em determinados momentos, Vilma usa conscientemente a doença para chamar a atenção. Com a ajuda de Percival e do marido, Vilminha consegue driblar suas dificuldades: sai de casa e aceita Lucinha em sua família. Por meio da personagem e do Dr. Percival, a autora ajudou a esclarecer aspectos relacionados a doenças psicológicas. 

Antes, porém, Janete Clair ensaiou um romance do Dr. Percival com a filha mais velha de Salviano, Vitória (Theresa Amayo), cujo casamento com o dominador Hernani (Dary Reis) entra em crise. Vitória não é feliz no casamento e anseia por maior liberdade, além de não aprovar as atitudes discutíveis do marido, que tanto bajula quanto trama contra o sogro. Percival chega a mudar-se para o mesmo prédio de Vitória, e os dois ficam mais próximos, principalmente por conta dos problemas de Vilma. O relacionamento de um negro com uma branca seria uma forma de abordar a discriminação racial no Brasil, mas o público reagiu mal, e a história entre os dois não aconteceu. Vitória pede a separação depois que Hernani aceita o cargo de assessor de Vicente, o filho mais velho de Salviano, que toma o lugar do pai na presidência da empresa.

Vicente é o principal articulador de uma trama contra o próprio pai. Inconformado com a relação de Salviano com Lucinha, que pensa estar interessada no dinheiro de sua família, Vicente instiga os irmãos contra a modelo. Lucinha não aguenta a pressão e decide se afastar do empresário. Vicente também consegue afastar Salviano da presidência da Centauro e assume seu cargo. Sua imaturidade e inexperiência, no entanto, levam-no a meter os pés pelas mãos, agindo de forma autoritária e impensada. No final da trama, percebe que não tem capacidade nem vontade de administrar a empresa e parte em uma viagem com mais uma de suas conquistas amorosas. Desnorteados, Valter (João Carlos Barroso) – que apoiara o irmão em sua tramoia – e outros diretores pedem a Salviano para reassumir o posto. Mas ele viaja em lua de mel com Lucinha e deixa Valdir (Emiliano Queiroz) na presidência.

Etapa final[editar | editar código-fonte]

"Tive uma pequena discordância com Janete por conta da morte de Carlão (...) Eu tinha certeza absoluta de que ele deveria morrer, e Janete não concordava em matá-lo. Ela não queria, porque achava que mocinhos não devem morrer, apesar de o Carlão ter se tornado um marginal. Isso poderia prejudicar a próxima novela, pois o público ficaria decepcionado com o desfecho. E era por isso mesmo que eu queria sua morte: para a novela não ser sempre um jogo de cartas marcadas. Apesar disso, nossa colaboração nessa novela foi um dos melhores trabalhos que fizemos juntos".

Daniel Filho em seu livro O Circo Eletrônico.[1]

No final da trama, Carlão decide ficar com Eunice. Redimido, vende a frota de táxis para devolver o dinheiro do assalto e, em seguida, entregar-se à polícia. Sandoval, porém, sequestra e tortura Elisete, que acaba revelando os planos do irmão. Carlão deixa a mala com o dinheiro nas obras de implantação do metrô do Largo da Carioca, no Centro do Rio, e avisa à polícia, sem saber que é seguido por Sandoval e seu comparsa. Ao avistar os bandidos, Carlão corre atrás dos dois e consegue recuperar a mala, mas é morto a tiros. Os bandidos são presos. Lucinha e Salviano se casam no mesmo dia.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

Sua média geral foi de 56 pontos.

Música[editar | editar código-fonte]

A escolha de um samba para a abertura da novela foi a grande novidade da trilha. O produtor musical Guto Graça Mello e o diretor Daniel Filho encomendaram músicas a três compositores. A escolhida foi "Pecado Capital", composta e gravada por Paulinho da Viola em cerca de 24 horas. "Pecado Capital" foi a única música encomendada para a novela, por conta de uma mudança no mecanismo de produção das trilhas sonoras da TV Globo. Antes, a norma era que as músicas da trilha sonora fossem compostas por encomenda. O produtor musical Guto Graça Mello, porém, achava que o produtor obteria melhores resultados artísticos e comerciais se trabalhasse com a sinopse da novela e com o catálogo das gravadoras, garimpando o que de melhor elas estivessem produzindo, e escolhendo as músicas de acordo com o que seria realizado na novela. Graça Mello foi sempre voto vencido, até o dia em que foi convocado em cima da hora para produzir a trilha de "Pecado Capital".

A trilha sonora também incluía canções como "Você não Passa de Uma Mulher", composta e gravada por Martinho da Vila; e "Juventude Transviada", composta e gravada por Luiz Melodia. Segundo Daniel Filho, a música de Luiz Melodia caiu como uma luva para o personagem de Francisco Cuoco. A ponto de o diretor pedir a Janete Clair para escrever uma cena em que Carlão se encontrasse com Melodia em um botequim. A autora concordou, e a cena, na qual os dois fazem uma seresta em frente ao prédio de Lucinha, foi ao ar.

O tema de Salviano Lisboa era uma versão do clássico argentino "El Día en que me Quieras", de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, gravado por César Camargo Mariano, sob o pseudônimo Pablo Hernandes y Sus Vocalistas. A Som Livre relançou em 2001 a cópia do disco original, mas sem "El Dia En que me Quieras". 

O trompetista Márcio Montarroyos assinou uma das canções da trilha, Makaha.

Nacional[editar | editar código-fonte]

Pecado Capital Nacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1975-1976
Gênero(s) Vários
Formato(s) LP e k7
Gravadora(s) Som Livre
Cronologia de Vários intérpretes
Pecado Capital Internacional
  1. "Moça" - Wando
  2. "Você Não Passa de Uma Mulher" - Martinho da Vila (tema de Lucinha)
  3. "El Dia En Que Me Quieras" - Pablo Hernandes y Sus Vocalistas (tema de Salviano)
  4. "Se Você Pensa" - Moraes Moreira
  5. "Melô da Cuíca" - Azimuth
  6. "Pecado Capital" - Paulinho da Viola
  7. "Juventude Transviada" - Luiz Melodia (tema de Carlão)
  8. "Meu Perdão" - Beth Carvalho
  9. "Que Besteira" - João Donato
  10. "O Boêmio" - Época de Ouro
  11. "Makaha" - Marcio Montarroyos
  12. "Não Sei" - Sônia Santos
  13. "Beijo Partido" - Nana Caymmi

Internacional[editar | editar código-fonte]

Pecado Capital Internacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1975-1976
Gênero(s) Vários
Formato(s) LP e K7
Gravadora(s) Som Livre
Cronologia de Vários intérpretes
Pecado Capital Nacional
  1. "Like Roses" - Jack Jones
  2. "Zing Went The Strings Of My Heart (O Som da Maçã)" - The Trammps
  3. "Il Maestro Di Violino" - Domenico Modugno
  4. "Atlantica" - Seventy-Five Music
  5. "Woman (You've Gotta Be There)" - Jae Mason
  6. "Never Let Me Say Goodbye" - Dave Ellis
  7. "You And Me Against The World" - Gladys Knight & The Pips
  8. "Happy" - Michael Jackson
  9. "Lady Bump" - Penny McLean
  10. "Love Me Like a Stranger" - The Lettermen
  11. "Words Of Love" - David D. Robinson
  12. "Ain't Nobody Straight In Los Angeles" - The Miracles
  13. "Happy Days" - Montezuma
  14. "Dolannes Melodie (Flûte de Pan)" - Jean Claude Borelly

Recepção[editar | editar código-fonte]

Em sua coluna diária no Segundo Caderno do jornal O Globo, espaço onde falava sobre televisão, o jornalista Artur da Távola considerou Pecado Capital uma das novelas que constitui a trinca de ouro da obra de Janete Clair, ao lado de Irmãos Coragem (1970) e Selva de Pedra (1972). Mas posicionou Pecado Capital como a mais madura e contida das três produções.[3] Para o pesquisador Nilson Xavier, autor do Almanaque da Teledramaturgia Brasileira, "ela é considerada pela crítica a melhor de Janete Clair porque é nela que a autora adota o realismo. Até então, a Janete era criticada pelas tramas rocambolescas e muito fora da realidade".[1][3][4] Os atores Lima Duarte, Betty Faria e Francisco Cuoco interpretaram personagens que marcariam definitivamente suas carreiras.[1] Destaque também para Débora Duarte, que interpretou Vilma, a filha problemática de Salviano Lisboa, papel de seu pai na vida real Lima Duarte, sendo que sua filha, Paloma Duarte, interpretaria Vilma no remake da telenovela, em 1998. Este remake, escrito pela pupila de Janete Clair, Glória Perez, baseou-se na trama e personagens da versão de 1975 para escrever outra telenovela, que não obteve sucesso tanto em audiência e crítica. Francisco Cuoco, Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis viveram Salviano, Lucinha e Carlão no remake, que foi tão criticado que por duas vezes teve cancelado sua reprise pelo Canal Viva, em 2013 e 2014, em razão das reclamações do público que dizia preferir a versão de 1975.[6]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Nilson Xavier. «Pecado Capital - Bastidores». Teledramaturgia. Consultado em 10 de setembro de 2014 
  2. a b Memória Globo. «Pecado Capital - 1ª versão - Trama Pricipal». Globo.com. Consultado em 8 de setembro de 2014 
  3. a b c d Memória Globo. «Pecado Capital - 1ª versão - Curiosidades». Globo.com. Consultado em 10 de setembro de 2014 
  4. a b c Gislaine Gutierre (27 de julho de 2014). «Marco da teledramaturgia, 'Pecado Capital' sai em DVD». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 10 de setembro de 2014 
  5. Filho, Daniel (2001). O Circo Eletrônico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora 
  6. Daniel Castro (5 de setembro de 2014). «Após críticas, canal adia reprise de Pecado Capital e faz votação». Notícias da TV. UOL. Consultado em 5 de setembro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]