Pedagogia hospitalar

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Pedagogia Hospitalar[editar | editar código-fonte]

Pedagogia Hospitalar  é uma nova área de atuação pedagógica fora dos âmbitos educacionais comuns que assegura os direito que todos possuem à educação, principalmente aqueles que, devido a uma enfermidade, precisam ficar ausentes da escola em virtude de sua hospitalização, conforme a Resolução nº. 41 de outubro de 1995, no item 9, o qual salienta o “Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar”. E, para tanto, busca oferecer assessoria, atendimento emocional e humanístico tanto para o paciente como para o familiar que, muitas vezes, apresentam problemas de ordem psicoafetiva que podem prejudicar na adaptação no espaço hospitalar. A Pedagogia Hospitalar  possui componentes como a brinquedoteca, a classe hospitalar, e os profissionais atuantes, que  contribuem no atendimento das crianças pertencentes ao contexto hospitalar.

O pedagogo prepara o conteúdo e, dentro do próprio hospital, realiza as atividades propostas de forma adequada a cada paciente, para que o fato de estarem hospitalizadas não seja ainda mais doloroso e acabe prejudicando tanto sua saúde quanto seus estudos. A prática do pedagogo se dá através das variadas atividades lúdicas e recreativas como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, dramatização, desenhos e pinturas, a continuação dos estudos no hospital.

A Pedagogia Hospitalar e seus segmentos têm grande importância no desenvolvimento da criança enferma, todavia, há um longo percurso a ser percorrido para que essa nobre tarefa conquiste seu espaço e real conhecimento por toda a sociedade.

História da Pedagogia Hospitalar[editar | editar código-fonte]

Em 1935 o Ministro da Saúde da França, Henri Sellier, inaugurou em Paris a primeira escola para crianças que por motivos de saúde tinha que se afastar da escola. Logo esta atividade expandiu-se para outros países, como Alemanha, Europa e Estados Unidos. Este novo espaço escolar foi inserido como uma nova visão de ensino, pois havia certas doenças que impediam a presença dos alunos à escola, devido a internações, necessidades de repouso, com tempo estimáveis ou não.

Ao final da Segunda Guerra Mundial em 1939, surgiram escolas nos hospitais da Europa. Neste ano, devido a guerra houve um grande numero de crianças e adolescentes feridos impossibilitando que estes frequentassem a escola regular.

No Brasil este ramo começou por volta de 1931, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que indicam em seus relatórios anuais o atendimento pedagógico especializado a deficientes físicos. Mas só em 1950 oficializou a primeira classe hospital, no Hospital Municipal de Jesus, que atua até os dias atuais no Rio de Janeiro, atendendo crianças internadas com poliomielite.

A Pedagogia hospitalar inicia seu processo na vida de crianças e adolescentes a partir do momento em que recebem o diagnóstico da doença, que desde aquele momento mudar o rumo da sua vida. Segundo Neusa Amorim ‘’Em consequência da segunda Guerra Mundial, inúmeras crianças e adolescentes em idade escolar, foram mutiladas e feridas, o que motivou a permanência delas em hospitais por longos períodos‘’. A educação esta presente em todos os momentos de nossas vidas, sendo para escrever uma carta para um parente, um e-mail de trabalho ou até um sms para a pessoa que ama. No hospital as crianças tem apoio de médicos para acompanhar o tratamento da doença e tem do pedagogo a oportunidade de aprender enquanto tem o tratamento. A principal meta do pedagogo é transmitir o máximo de conhecimento que puder ser adquirido enquanto a criança estiver em uma condição que a impossibilita de ir até uma escola formal, dando a ela a oportunidade de aprender, criar, descobrir e redescobrir o sentido, forma e cores da educação e também do mundo.[1]


A evolução da prática pedagógica[editar | editar código-fonte]

Ao pensarmos em uma descrição ou em uma simples associação que pudesse definir o que é a pedagogia, a partir do senso comum e das designações enunciadas pela sociedade, automaticamente a resumiríamos ao âmbito escolar. Quando consultamos, por exemplo, dicionários e pesquisas realizadas por autores da área buscando informações e referências mais específicas sobre a definição de pedagogia, deparamo-nos com a seguinte acepção: a pedagogia é “[...] o estudo das questões relativas à educação, a arte de instruir, ensinar ou educar as crianças, o conjuntos das ideias de educador.” (MICHAELIS, 2008, p. 650) Entre outros elementos que definem formalmente e cientificamente o que é a pedagogia.

A ação educativa sofreu um processo de transformação ao longo de sua trajetória, que culminou na quebra do estereótipo criado pela sociedade, o qual confinava o exercício pedagógico ao âmbito escolar. Assim, com o decorrer do tempo, percebeu-se que sua finalidade não deve ser simplesmente transmitir conteúdos acadêmicos e matérias obrigatórias à formação do indivíduo, mas também comunicar experiências que possam influenciar de maneira permanente a formação de cidadãos críticos e atuantes na sociedade, expandindo, dessa forma, suas áreas de atuação. Segundo documentos elaborados pelo Ministério da Educação (MEC), referindo-se à questão do conceito do que é a educação nos dias de hoje, podemos observar que: “A Educação Básica é direito universal e alicerce indispensável para a capacidade de exercer em plenitude o direto à cidadania. É o tempo, o espaço e o contexto em que o sujeito aprende a constituir e reconstituir a sua identidade, em meio a transformações corporais, afetivo emocionais, socioemocionais, cognitivas e socioculturais, respeitando e valorizando as diferenças. Liberdade e pluralidade tornam-se, portanto, exigências do projeto educacional. (BRASIL, 2013, p. 17) [2] A partir disso compreendemos que a pedagogia não se limita mais ao âmbito escolar, visto que seu papel social vai além da formação acadêmica. Portanto, o papel da pedagogia e do profissional que a irá exercer encontra um grande desafio, pois “[...] tudo o que a gente puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso que se põe diante de nós que é o de assumir esse país democraticamente.” (FREIRE [19--?], apud BRASIL, 2004, p.9). [3]

Segundo Matos e Mugiatti (2007)[4] , esse desenvolvimento social, que vem redefinindo e modificando a prática da pedagogia, apresenta um novo contexto onde a ação educativa passa a contribuir de forma diversificada e atuante em diferentes espaços sociais; a constante busca por métodos mais modernos de ensinar, que vem transformando a sociedade e reforçando a ideia de novas demandas que atendam às reais necessidades sociais da população, tem papel fundamental nessa quebra de esteriótipo.

Na tecnologia, na saúde e em outras ciências que nos rodeiam, a transformação do meio é de extrema importância para que haja um progresso social, humano, justo e consciente, e a educação é uma ciência que se faz presente e necessária para granjear esses objetivos.

Considerando esse novo conceito de pedagogia, podemos identificar diversas áreas em que se encontra o exercício da sua prática, pois muitos profissionais graduados nessa ciência da educação estão sendo solicitados em diversos âmbitos diferentes de educação formal e não formal. Isso tem originado uma pedagogia que visa a atender diversas demandas sociais, tais como hospitais, ONGs e projetos sociais, que trazem uma proposta séria e eficaz de práticas educacionais, a fim de formar cidadãos críticos, atuantes e preparados para lidar com a sociedade que vêm se modificando ao longo dos anos. Entre essas amplitudes do exercício das práticas pedagógicas, encontramos a Pedagogia Hospitalar, conhecida como classe hospitalar, termo cunhado no Brasil pelo MEC/SEESP (1994). Apesar de ser um assunto e uma realidade desconhecida por grande parte da população, essa área pedagógica contemporânea de nossa sociedade tem grande importância, pois visa a atender muitos enfermos que passam por exclusão do espaço formal educacional e social em hospitais, tendo negado o direito à educação continuada os fatores humanísticos para que o indivíduo se sinta atuante no meio social ao qual pertence.

Pedagogia Hospitalar é um órgão social que, assim como ONGS e Projetos Sociais, contribui para execução da continuidade dos estudos das crianças que, em consequência de enfermidades, restrições à sua saúde e mal estar físico ficam limitadas ao leito hospitalar, não podendo comparecer a locais pertencentes ao seu cotidiano, neste caso, especificamente, a instituição escolar. De acordo com o documento elaborado em 2002 pelo MEC e a Secretária de Educação Especial:

“Cumpre às classes hospitalares e ao atendimento pedagógico domiciliar elaborar estratégias e orientações para possibilitar o acompanhamento pedagógico-educacional do processo de desenvolvimento e construção do conhecimento de crianças, jovens e adultos matriculados ou não nos sistemas de ensino regular, no âmbito da educação básica e que encontram-se impossibilitados de frequentar escola, temporária ou permanentemente e, garantir a manutenção do vínculo com as escolas por meio de um currículo flexibilizado e/ou adaptado, favorecendo seu ingresso, retorno ou adequada integração ao seu grupo escolar correspondente, como parte do direito de atenção integral.” (BRASIL, 2002, p. 13)[5]

Neste sentido, Matos e Mugiatti (2007) [6] ressaltam que o desenvolvimento da Pedagogia Hospitalar é cada vez mais importante visto que, além de aproximar o enfermo do contexto pedagógico, essa ação educativa proporciona auxílio e melhor desenvolvimento no quadro clínico dessa criança.

Como mencionado acima, a experiência da pedagogia, sua trajetória, e a responsabilidade que é designada a ela, aos profissionais, ao seu exercício, e a suas influências, aumentam sua missão na sociedade. Essa perspectiva que se tem sobre a ação educativa é primordial no desenvolvimento dos estudos e no enriquecimento pessoal dessa criança hospitalizada, a qual se encontra cercada de elementos com aspectos negativos (MATOS E MUGIATTI, 2007). [7]

O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990 (¹), o Art. 4.° dispõe que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária. (VADE MECUM, 2013, p. 1043). [8] Considerando que a educação, entre outros aspectos que norteiam a nossa sociedade devem ser substanciais na vida da criança e do adolescente, a proposta de uma progressão continuada nos estudos e a garantia de que o mesmo se dê deforma efetiva, desencadeou um dos fatores imprescindíveis para que houvesse o exercício da pedagogia dentro dos âmbitos hospitalares. Para Matos e Mugiatti (2007) [9] , essa Pedagogia Hospitalar, além de trazer a proposta de não interromper o processo educativo, tem como objetivo permitir que a criança tenha um progresso que não atrapalhe seu desenvolvimento profissional e social, estimulando dessa forma sua participação, produção e motivação em suas perspectivas de vida atual e futuramente. ==História da Pedagogia Hospitalar==[editar | editar código-fonte] Em 1935 o Ministro da Saúde da França, Henri Sellier, inaugurou em Paris a primeira escola para crianças que por motivos de saúde tinha que se afastar da escola. Logo esta atividade expandiu-se para outros países, como Alemanha, Europa e Estados Unidos. Este novo espaço escolar foi inserido como uma nova visão de ensino, pois havia certas doenças que impediam a presença dos alunos à escola, devido a internações, necessidades de repouso, com tempo estimáveis ou não.

Um dos elementos que desencadeou a prática pedagógica dentro dos hospitais foi a tuberculose, uma doença que, segundo José Rosemberg (1999)[10] , no século 19 e primeira metade do século 20, atingiu uma imensa massa humana anônima; o Mycobacterium tuberculosis, vitimou adultos e principalmente crianças em toda a Europa, e as estatísticas de mortes não paravam de crescer. A mortalidade atingiu 800 por 100.000, e em Londres, o elevado coeficiente de 1.100 por 100.000.

Apesar de sua criação ter sido inicialmente feita para crianças inadaptadas na França, seu nome ganhou força quando houve a Segunda Guerra Mundial em1939, na qual surgiram escolas nos hospitais da Europa. Neste ano, devido a guerra houve um grande numero de crianças e adolescentes feridos impossibilitando que estes frequentassem a escola regular. Esse conflito pode ser considerado o grande causador e impulsionador para a construção da Pedagogia Hospitalar, pois gerou uma grande necessidade de atendimento pedagógico dentro dos hospitais. Diante disso, como consequência da Guerra, muitas crianças foram atingidas e mutiladas, sendo impossibilitadas de frequentar a escola, gerando grande comoção entre os médicos. Por consequência foi despertado um olhar mais direcionado a essas crianças hospitalizadas; buscou-se lapidar esse atendimento, trazendo profissionais qualificados e práticas pedagógicas eficientes para dentro dos hospitais, ampliando e melhorando assim os horizontes e as perspectivas dos atendidos.

Conforme Esteves (2008)[11] , em 1939 passa a existir o C.N.E.F.E.I. (Centro Nacional de Estudos e Formação para a Infância Adaptadas de Suresnes), cujos cursos, com duração de dois anos, tinham como principal objetivo formar educadores especializados para realizar trabalhos em institutos e também em hospitais. Neste mesmo ano, passou a existir o cargo de Professor Hospitalar ligado ao Ministério da Educação da França. O C.N.E.F.E.I. já formou mais de 1.000 professores para a Pedagogia Hospitalar, e tem como proposta mostrar a todos que a escola não é um espaço fechado, ampliando as visões sobre o processo pedagógico e proporcionando estágios em regime de internato a profissionais da área da educação e da saúde. Atualmente o CNEFEI transformou-se no Instituto Nacional Superior de Formação e Pesquisa para a Educação de Jovens com Deficiência e Ensino Adaptado - INSHEA e atua na prevenção de dificuldades de aprendizagem e educação de crianças, adolescentes e adultos com necessidades educacionais especiais. O Instituto implementa projetos de investigação próprios ou em conjunto com outras agências internacionais.[12]

No Brasil este ramo começou por volta de 1931, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que indicam em seus relatórios anuais o atendimento pedagógico especializado a deficientes físicos. Mas só em 1950 oficializou a primeira classe hospital, no Hospital Municipal de Jesus, que atua até os dias atuais no Rio de Janeiro, atendendo crianças internadas com poliomielite.

A Pedagogia hospitalar inicia seu processo na vida de crianças e adolescentes a partir do momento em que recebem o diagnóstico da doença, que desde aquele momento mudar o rumo da sua vida. Segundo Neusa Amorim ‘’Em consequência da segunda Guerra Mundial, inúmeras crianças e adolescentes em idade escolar, foram mutiladas e feridas, o que motivou a permanência delas em hospitais por longos períodos‘’. A educação esta presente em todos os momentos de nossas vidas, sendo para escrever uma carta para um parente, um e-mail de trabalho ou até um sms para a pessoa que ama. No hospital as crianças tem apoio de médicos para acompanhar o tratamento da doença e tem do pedagogo a oportunidade de aprender enquanto tem o tratamento. A principal meta do pedagogo é transmitir o máximo de conhecimento que puder ser adquirido enquanto a criança estiver em uma condição que a impossibilita de ir até uma escola formal, dando a ela a oportunidade de aprender, criar, descobrir e redescobrir o sentido, forma e cores da educação e também do mundo. [13]

A Pedagogia Hospitalar no Brasil[editar | editar código-fonte]

No exterior, o surgimento da Pedagogia Hospitalar deu-se em razão de guerras e outros problemas sociais que motivaram a iniciativa de desenvolver o processo pedagógico em um espaço não formal de educação. Considerando a contemporaneidade e as transformações que atingiram a sociedade ao longo dos anos, deparamo-nos com inúmeras propostas que impulsionam a melhora e a garantia de atendimentos que visem a uma qualidade de vida e a um progresso da sociedade como um todo. No Brasil, o fator político também se faz importante, uma vez que se mostra necessária a educação em espaços como ONGS e Projetos Sociais para que a máquina social não pare de funcionar por conta de alunos impedidos de receber educação formal. A partir desses pressupostos, teve origem Pedagogia Hospitalar no Brasil. Segundo Matos e Mugiatti (2007) [14] , a atualidade nos remete a pensar em um atendimento focado na saúde e nas respectivas melhoras do indivíduo, e não somente na doença que já se faz presente em sua realidade. Esse foco na doença está naturalmente ligado ao espaço Hospital, mas já se procura, dentro do mesmo, amenizar essa sensação, trazendo para esse contexto aspectos que modifiquem as características físicas e psicológicas das pessoas que se encontram nessa situação. A vinculação de uma realidade vivenciada em um determinado momento, com uma realidade até então presente no cotidiano da pessoa, é um dos aspectos que contribui para que haja uma familiarização e humanização desse ambiente, onde o confronto de emoções, a adaptação, entre outros fatores que retiram os seres humanos de sua zona de conforto, possam cooperar para que essas características sejam amenizadas ou até mesmo superadas.

O artigo 13 da resolução 02 Conselho Nacional de Educação/Ministério da Educação/ Secretária de Estado da Educação – Departamento de Educação Especial, datada em 11 de setembro de 2001, indica que seja feita a implantação de atendimento educacional nos hospitais, para que haja um auxílio direcionado para crianças exclusas ou afastadas da instituição escolar, obtendo recursos que atendam essa parte da população.

De acordo com Fonseca (1999)[15] , apenas algumas classes hospitalares informaram o início de suas atividades, mas as que disponibilizaram esses dados foram inauguradas em 1950 e a outra em 1953. Fonseca ainda afirma que na cidade do Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 1950, foi fundada a mais antiga classe hospitalar em funcionamento no país, denominada Classes Especiais Hospitalares do Hospital Municipal Jesus. Segundo Matos e Mugiatti (2007) [16] , há, no estado do Paraná, um projeto direcionado a essa área que envolve educação e saúde, e que foi nomeado “Hospitalização Escolarizada”. Esse projeto, de certa forma, iniciou a implantação do tema Pedagogia Hospitalar no Brasil, e teve suporte das Secretarias da Educação e Saúde, contribuindo para que houvesse o surgimento de outros elementos que trouxessem características novas ao âmbito hospitalar.

Muitas leis e ideais foram fundamentados com o objetivo de enfatizar esse órgão social contemporâneo. O ministério público do estado do Rio Grande do Sul, através da Resolução nº. 41 de outubro de 1995, no item 9, reconheceu por meio do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, reunido em sua Vigésima Sétima Assembléia Ordinária e considerando o disposto no Art. 3º da lei 8.242, de 12 de outubro de 1991 o: “Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar”.

O Ministério da Educação, pela Secretaria de Educação Especial, em 2002 formulou um “[...] documento de estratégias e orientações para o atendimento nas classes hospitalares, assegurando o acesso à educação básica.” (ESTEVES, 2008)[17] Esse documento é uma resposta ao crescimento do debate sobre esse assunto em nossa sociedade atual, e ao despertar de um olhar mais direcionado que o nosso país, assim como demais nações, estão dando para o atendimento educacional especializado. Esse arquivo elaborado pelo Ministério da Educação tem como proposta orientar não somente os profissionais, mas a todos que não conhecem, precisam ou querem tomar conhecimento desse tema, procurando estruturar, definir e melhorar as ações políticas de organização do sistema de atendimento educacional em ambientes hospitalares e domiciliares.

De acordo com Fonseca (1999) [18] , através do Ministério da Educação e do Desporto na formulação da Política Nacional de Educação Especial (MEC/SEESP, 1994 e 1995) foi proposto pela Política Nacional de Educação Especial que a Pedagogia Hospitalar, sendo a educação em hospital, tem a responsabilidade e a obrigação de garantir apoio educacional não somente às crianças que têm transtornos do desenvolvimento, mas também às crianças e aos adolescentes que se encontram em situações de riscos ao desenvolvimento físico, psíquico, imunológico, e que afastados do convívio social e escolar, não podem interagir com seus colegas de escola, professores e ambientes da vida social.

Segundo Fonseca (1999b)[19] a Pedagogia Hospitalar reforça o acesso da criança e adolescente aos direitos de cidadania associados à saúde e à educação. De acordo com a Constituição Nacional, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica da Saúde e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o atendimento à saúde deve ser integral, atendendo aos requisitos da promoção, prevenção, recuperação, reabilitação e educação da saúde, e a continuação da educação escolar, onde deve haver um ajustamento às necessidades dos alunos exclusos da unidade educacional no ambiente hospitalar.

Porém, de acordo com Fonseca (1995) citado por Fonseca (1999a) [20] , os resultados do Programa de Pesquisas para o Desenvolvimento de Estratégias Ligadas aos Direitos e Necessidades Pedagógico-Educacionais de Crianças e Jovens Hospitalizados, mostram que é mínima a quantidade de crianças tendo respeitado esse direito ao atendimento adequado. Ainda há poucos hospitais com classes hospitalares em nosso país. O Brasil é uma federação composta por 26 estados, um Distrito Federal (que contém a capital do país: Brasília) e municípios, e ao todo foram encontradas apenas 30 classes hospitalares, distribuídas em 11 das 27 unidades federadas do país. (FONSECA, 1998, apud FONSECA, 1999a, p.119). [21]

Isso nos mostra como a Pedagogia Hospitalar vem trilhando um longo caminho até alcançar seus reais objetivos como órgão social contribuinte na sociedade. No Brasil, a Pedagogia Hospitalar instalou-se e foi se estabelecendo segundo o conceito de que todo o indivíduo tem o direito de desfrutar de ferramentas educacionais e de todos os fatores contribuintes para a saúde, seu bem estar físico e mental. Conquistando seu espaço, esse novo campo de atuação do professor, foi se aprimorando. Conforme Esteves (2008) )[22] cita em sua pesquisa mencionada acima, existem em outros países cursos de formações para professores que desejam atuar nesse espaço não formal de educação, visto que, a realização de trabalhos nesse ambiente distinto do estereótipo de escola, é um grande desafio. Segundo Fonseca (1999a, p.119) [23] compreende-se que:

“A insuficiência de teorias e estudos desta natureza em território brasileiro gera, tanto na área educacional, quanto na área de saúde, o desconhecimento desta modalidade de atendimento tanto para viabilizar a continuidade da escolaridade àquelas crianças e adolescentes que requerem internação hospitalar, quanto para integralizar a atenção de saúde e potencializar o tratamento e o cuidado prestados à criança e ao adolescente.”

O Ministério da Educação, a Secretaria de Educação Especial e muitos outros profissionais vem buscando cada vez mais conscientizar as pessoas e melhorar o atendimento e acesso a essa prática nobre, que serve também como benefício para as crianças que passam por um processo de mudança em uma realidade até então vivenciada. No entanto, ainda há um grande caminho a ser percorrido no Brasil rumo ao direito de educação e de humanização para crianças enfermas, pois de acordo com Silva F.G.A, Ramos S.L.V (2006, apud HOLANDA e COLLET 2012, p.35)[24] : “A não interrupção dos processos educativos promovida pelo atendimento pedagógico hospitalar tem ajudado a reverter o quadro clínico de crianças hospitalizadas, fato que eleva sua autoestima e sua vontade de se recuperar. A hospitalização dessas crianças não deve comprometer o seu desenvolvimento cognitivo e sua escolarização”. O trabalho do professor dentro do âmbito hospitalar vai além de manter o aluno em seu ritmo escolar, deve também motivar e contribuir para o desenvolvimento da cura para a criança, lidando não apenas com um simples aluno, mas com vidas que estão em jogo. A tarefa do profissional, nesse caso, é a de humanizar o interno.

Conceito[editar | editar código-fonte]

A Pedagogia Hospitalar é um ramo da educação que proporciona à criança e ao adolescente hospitalizado uma recuperação mais tranquila, através de atividades lúdicas, pedagógicas e recreativas. Além disso, previne o fracasso escolar, que nesses casos, é gerado pelo afastamento da rotina escolar. Pretende integrar o doente no seu novo modo de vida tão rápido quanto possível dentro de um ambiente acolhedor e humanizado, mantendo contatos com o meio exterior privilegiando as suas relações sociais e reforçando os laços familiares. A pedagogia hospitalar é capaz de promover um elo da criança ou do adolescente hospitalizado com o mundo que ficou fora do hospital. Para Fonseca (s/d apud Revista Crescer 2002, p.58), “a sala de aula do hospital é a janela por onde a criança se conecta com o mundo.” Um ambiente que poderia ser frio e desconfortante, acaba sendo transformado com a vinda da pedagogia hospitalar.

Funcionamento[editar | editar código-fonte]

No hospital, junto a pacientes que estão perdendo aula, deixando de aprender por motivo de doença, o psicopedagogo e os profissionais de pedagogia desempenha um papel de agente de suporte psicossocial, atuando nos aspectos psicológicos, sociais e no auxílio à separação e/ou aceitação da doença. Em casos de crises, o objetivo deste profissional é correlacionar o atendimento individual ou coletivo com foco principal na motivação, aprendizagem e bem estar do paciente. Tal função, de agente educador nesse cenário, torna-se fundamental como suporte psicológico, tanto para pacientes quanto para seus familiares. Os pedagogos estarão lá para entender as dificuldades dos pacientes e proporcionar a eles a realização do processo educativo, levando atividades diversificadas de escrita, leitura, matemática e jogos para garantir o desenvolvimento intelectual e acompanhamento escolar. Parte dessas atividades como os jogos, pode ser desenvolvida na brinquedoteca ou na classe hospitalar.

As brinquedotecas no Brasil atualmente estão se adaptando à nova realidade porque, pela Lei nº 11.104, tornou-se obrigatória a instalação de brinquedotecas nos hospitais brasileiros. Esta lei surgiu a partir dos movimentos de humanização dos hospitais e simboliza que a inclusão do brinquedo neste ambiente, tem sido concebida como parte da assistência e do tratamento terapêutico dado às crianças e aos adolescentes hospitalizados. Neste processo está ocorrendo o reconhecimento das necessidades infanto-juvenis e do papel da brincadeira para promoção do bem estar físico e social no ambiente hospitalar.

As intervenções naturalmente restituem a auto-estima dessas crianças robustecendo-lhes à vontade de viver pela volta à escola. A escola é o principal meio de socialização da criança. Distante da escola, essa criança não se distancia da família, pelo contrário; há uma tendência maior de aproximação entre os membros.


Referências

  1. http://efp-ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Resource/4163/Assets/Educa%C3%A7%C3%A3o%20Especial/pdf/Modulo%2007/ede_m07t33.pdf
  2. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília, DF, 2013. Disponível em: <http://prtal.mec.gov.br/docman/abril-2014-pdf/15547-diretrizes-curriculares-nacionais-2013-pdf-1 Acesso em: 25 de junho. 2015.
  3. BRASIL. Ministério da Educação. Programa Nacional de fortalecimento dos Conselhos Escolares.Brasília, DF, 2004. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad1.pdf>. Acesso em: 13 de julho. 2015.
  4. MATOS, Elizete Lúcia Moreira e MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas, Pedagogia Hospitalar: A humanização integrando educação e saúde. Pedagogia Hospitalar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.
  5. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações. Brasília, DF. 2002. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf>. Acesso em: 16 de julho. 2015.
  6. MATOS, Elizete Lúcia Moreira e MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas, Pedagogia Hospitalar: A humanização integrando educação e saúde. Pedagogia Hospitalar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.
  7. MATOS, Elizete Lúcia Moreira e MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas, Pedagogia Hospitalar: A humanização integrando educação e saúde. Pedagogia Hospitalar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.
  8. BRASIL. Direito. Vade Mecum Saraiva. 15. ed. atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2013.
  9. MATOS, Elizete Lúcia Moreira e MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas, Pedagogia Hospitalar: A humanização integrando educação e saúde. Pedagogia Hospitalar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.
  10. ROSEMBERG, José. Tuberculose: Aspectos Históricos, realidades, seu romantismo e transculturação. Boletim de Pneumologia Sanitária, jul./dez. 1999. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/bps/v7n2/v7n2a02.pdf>. Acesso em: 22 de julho. 2015.
  11. ESTEVES, Cláudia R. A Pedagogia Hospitalar: um breve histórico . [s.l.: s.n.], 2008. Disponível em: < http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educacao-saude/classes-hospitalares/WEBARTIGOS/pedagogia%20hospitalar....pdf >. Acesso em: 5 de março. 2015.
  12. Essa informação foi retirada de um trabalho acadêmico, produzido por Elismara Zaias, em sua dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa, na linha de pesquisa: Ensino-Aprendizagem, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre, no ano 2011. Disponível em: http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/curriculaescolahospital.pdf. Entretanto, no Scielo e em outros sites comuns de pesquisa não foi possível encontra fontes e conteúdos que comprovassem essa mudança no nome.
  13. http://efp-ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Resource/4163/Assets/Educa%C3%A7%C3%A3o%20Especial/pdf/Modulo%2007/ede_m07t33.pdf
  14. MATOS, Elizete Lúcia Moreira e MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas, Pedagogia Hospitalar: A humanização integrando educação e saúde. Pedagogia Hospitalar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.
  15. FONSECA, Eneida Simões. A Situação Brasileira do Atendimento Pedagógico-Educacional Hospitalar Educação e Pesquisa. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 117-129, jan./jun. 1999a. Disponível em: <http://www.scielo.cbr/pdf/ep /v25n1/v25n1a09.pdf>. Acesso em: 11 de junho. 2015.
  16. MATOS, Elizete Lúcia Moreira e MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas, Pedagogia Hospitalar: A humanização integrando educação e saúde. Pedagogia Hospitalar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007.
  17. ESTEVES, Cláudia R. A Pedagogia Hospitalar: um breve histórico . [s.l.: s.n.], 2008. Disponível em: < http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educacao-saude/classes-hospitalares/WEBARTIGOS/pedagogia%20hospitalar....pdf >. Acesso em: 5 de março. 2015.
  18. FONSECA, Eneida Simões. A Situação Brasileira do Atendimento Pedagógico-Educacional Hospitalar Educação e Pesquisa. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 117-129, jan./jun. 1999a. Disponível em: <http://www.scielo.cbr/pdf/ep /v25n1/v25n1a09.pdf>. Acesso em: 11 de junho. 2015.
  19. FONSECA, Eneida Simões. Classe hospitalar: ação sistemática na atenção ás necessidades pedagógico-educacionais de crianças e adolescentes hospitalizados. Revista Educação e Pesquisa, Rio de janeiro, v.8, n. 44. p. 32-37.1999b. Disponível em: <http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br.pdf>. Acesso em: 5 de junho. 2015
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  23. FONSECA, Eneida Simões. A Situação Brasileira do Atendimento Pedagógico-Educacional Hospitalar Educação e Pesquisa. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 117-129, jan./jun. 1999a. Disponível em: <http://www.scielo.cbr/pdf/ep /v25n1/v25n1a09.pdf>. Acesso em: 11 de junho. 2015.
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